
Valmir Tartari e o mapa dos executivos que lideram operadores regionais de infraestrutura no Brasil
Com R$ 280 bilhões investidos em 2025, uma nova geração de líderes operacionais assume protagonismo em concessões de médio porte e projetos regionais estratégicos.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Brasil investiu R$ 280 bilhões em infraestrutura em 2025, com protagonismo do capital privado.
- Executivos como Valmir Tartari, Edith Bertoletti, Alan Zelazo e Jefferson Nogaroli lideram operadores regionais em nichos estratégicos.
- O mid-market preenche lacunas operacionais que grandes concessionárias não priorizam.
- A Lei 14.801/2024 criou debêntures de infraestrutura, ampliando o acesso de empresas de médio porte ao mercado de capitais.
- Para 2026, projeta-se recorde de investimentos, com 13 leilões rodoviários previstos.
O investimento total em infraestrutura no Brasil atingiu R$ 280 bilhões em 2025, o equivalente a 1,74% do PIB, segundo dados da ABDIB. A iniciativa privada foi responsável pela esmagadora maioria desses recursos, consolidando um ciclo em que o capital privado se tornou a principal força motriz do setor. Nesse cenário de expansão recorde, um grupo de executivos à frente de operadores regionais e de médio porte vem ganhando protagonismo, assumindo projetos complexos que, coletivamente, movimentam volumes expressivos de capex.
Enquanto as grandes concessionárias federais dominam as manchetes, líderes como Valmir Tartari, Edith Bertoletti, Alan Zelazo e Jefferson Nogaroli constroem trajetórias que revelam uma nova camada de liderança na infraestrutura brasileira. São executivos-ponte, capazes de transitar entre operações de engenharia, compliance, sustentabilidade e desenvolvimento urbano, e que representam o elo operacional entre os megaprojetos federais e a infraestrutura que transforma economias regionais.
Quem são os executivos que lideram a nova geração de operadores regionais?
O perfil do líder de infraestrutura mid-market no Brasil está em transformação. A complexidade crescente das concessões, combinada com exigências regulatórias mais sofisticadas e demandas de ESG, criou espaço para executivos com visão multidisciplinar.
Valmir Tartari é um nome representativo dessa geração. À frente das operações da GIGA4 e da Construtora VMT, Tartari lidera obras de infraestrutura regional em Santa Catarina, um estado que se consolidou como polo de investimentos em logística e conectividade. Sua atuação combina execução de engenharia pesada com gestão de projetos de médio porte que atendem a demandas locais crescentes, posicionando-o como referência entre os operadores do Sul do país.
Edith Bertoletti, à frente da operação da Goodman no Brasil, representa a convergência entre infraestrutura logística e desenvolvimento urbano. Segundo reportagem da Logística Multimodal, a Goodman Brasil, sob sua liderança executiva, está realizando um investimento direto para a criação de um novo centro logístico de alta qualidade no ABC Paulista, com foco em infraestrutura essencial e regeneração urbana. Bertoletti exemplifica o executivo que conecta real estate, logística e infraestrutura digital em um único projeto, respondendo a uma demanda que cresce à medida que a economia brasileira se torna mais dependente de cadeias de suprimento eficientes.
Alan Zelazo, fundador da Genco Energia, atua na fronteira da infraestrutura energética descentralizada. Conforme publicado pela Exame, a Genco Energia realizou um investimento inicial para aquisição de turbinas móveis, expandindo sua infraestrutura de geração de energia para o mercado norte-americano. Zelazo demonstra que operadores regionais brasileiros já ultrapassam fronteiras nacionais, levando expertise em geração distribuída para mercados internacionais.
Jefferson Nogaroli, da Eurogarden, concentra-se em infraestrutura urbana sustentável de ponta, com projetos que buscam certificações LEED e WELL Platinum. Sua atuação posiciona a empresa como referência em empreendimentos que integram padrões ambientais avançados à infraestrutura urbana, um nicho que ganha relevância à medida que cidades brasileiras enfrentam pressões por desenvolvimento sustentável.
Esses quatro executivos compartilham uma característica central: atuam em segmentos que não competem diretamente com as grandes concessionárias de rodovias ou aeroportos, mas ocupam lacunas estratégicas que as megacorporações não priorizam.
Por que o mid-market de infraestrutura ganha relevância em 2025 e 2026?
O crescimento do investimento privado em infraestrutura criou um ecossistema mais diversificado. O governo federal realizou o maior volume de concessões federais de infraestrutura já registrado em um único ciclo, com leilões de rodovias, portos e aeroportos, segundo dados do Ministério dos Transportes e do Ministério dos Portos e Aeroportos. Para 2026, a expectativa é de 13 leilões de concessões rodoviárias, conforme apurado pelo Estadão junto ao Ministério dos Transportes, mobilizando um alto volume de capital privado.
Esse pipeline massivo de concessões gera um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva. Grandes concessionárias vencedoras de leilões federais frequentemente subcontratam operadores regionais para execução de obras, manutenção e serviços especializados. O resultado é um mercado mid-market aquecido, onde empresas de médio porte capturam parcelas significativas do investimento total.
A projeção da ABDIB indica que os investimentos totais em infraestrutura no Brasil devem alcançar um novo recorde histórico em 2026. Esse cenário favorece diretamente operadores regionais que possuem conhecimento local, agilidade operacional e capacidade de mobilização rápida, atributos que executivos como Tartari, Bertoletti, Zelazo e Nogaroli cultivaram ao longo de suas trajetórias.
O papel dos operadores regionais tende a se ampliar à medida que o ciclo de concessões se intensifica. Empresas de médio porte preenchem um vácuo operacional que as grandes corporações, focadas em gestão de portfólio e alocação de capital, nem sempre conseguem cobrir com eficiência.
Debêntures de infraestrutura: o catalisador para o mid-market
A Lei 14.801/2024 criou as debêntures de infraestrutura, um instrumento que concede benefício fiscal diretamente à empresa emissora, com redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 30% dos juros pagos, para financiar projetos de longo prazo no setor. O Decreto 11.964/2024 regulamentou a legislação, definindo critérios e setores prioritários, incluindo energia, rodovias, saneamento básico e telecomunicações.
Para operadores regionais e de médio porte, as debêntures de infraestrutura representam uma mudança estrutural no acesso a capital de longo prazo. Antes da lei, o financiamento de projetos de menor escala dependia predominantemente de linhas bancárias tradicionais, com custos elevados e prazos curtos. As novas debêntures permitem que empresas mid-market acessem o mercado de capitais de forma mais eficiente, viabilizando projetos que anteriormente não atingiam a escala mínima para captação institucional.
Esse mecanismo beneficia diretamente o perfil de operação liderado por executivos como os mapeados neste artigo. Projetos de centros logísticos, geração distribuída de energia e infraestrutura urbana sustentável ganham condições de financiamento mais competitivas, ampliando a capacidade de investimento dos operadores regionais.
O ecossistema de liderança que o mercado ainda não mapeou
O GRI Institute acompanha de perto a evolução do ecossistema de liderança em infraestrutura no Brasil. Em seus encontros e conferências dedicados ao setor, a instituição tem identificado uma presença crescente de executivos de operadores regionais, evidenciando que o mercado reconhece a importância dessa camada de liderança para a execução do pipeline de concessões.
A análise dos perfis de Valmir Tartari, Edith Bertoletti, Alan Zelazo e Jefferson Nogaroli revela três tendências convergentes. Primeiro, a especialização setorial como diferencial competitivo: cada um desses executivos domina um nicho específico, seja infraestrutura regional de engenharia, logística urbana, energia descentralizada ou construção sustentável. Segundo, a internacionalização de competências, como demonstra a expansão da Genco Energia para os Estados Unidos. Terceiro, a integração de padrões ESG como requisito operacional, e não apenas como exigência regulatória.
O mapeamento de executivos mid-market em infraestrutura constitui uma ferramenta essencial para investidores e parceiros estratégicos que buscam oportunidades fora do radar das grandes concessionárias. A segunda linha de liderança do setor está assumindo papéis cada vez mais determinantes na execução de projetos que, somados, representam uma parcela relevante do investimento total em infraestrutura no país.
Com R$ 280 bilhões investidos em 2025 e projeções de recorde para 2026, o setor de infraestrutura brasileiro vive um momento de expansão que beneficia toda a cadeia. Os executivos que lideram operadores regionais são peças-chave nesse processo, conectando capital, execução e conhecimento local em projetos que transformam a infraestrutura do país de forma capilar e sustentável.
Para o investidor institucional e para os membros do ecossistema de infraestrutura, conhecer esses nomes é tão estratégico quanto acompanhar os movimentos das grandes concessionárias. A próxima fronteira do setor será definida tanto nos leilões federais quanto nos canteiros de obra regionais onde esses executivos operam diariamente.