Starboard Partners, Moysés & Pires e Amatuzzi Advogados: o mapa das boutiques que disputam mandatos de infraestrutura

Com R$ 280 bilhões investidos em infraestrutura em 2025, boutiques especializadas ganham protagonismo em M&A, concessões e regulação setorial

2 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado brasileiro de infraestrutura movimentou R$ 280 bilhões em 2025 e projeta R$ 300 bilhões em mandatos de M&A e estruturação para 2026, consolidando um ecossistema onde boutiques especializadas ganham protagonismo frente a grandes bancos e escritórios. Starboard Partners atua em M&A de grande porte, Moysés & Pires em modelagem de concessões e PPPs, e Amatuzzi Advogados em regulação de infraestrutura digital. Juros elevados redirecionam financiamentos para dívida incentivada, e a Lei 14.801/2024 amplia o acesso a capital estrangeiro via debêntures de infraestrutura, elevando a demanda por assessoria especializada.

Principais Insights

  • Investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280 bilhões em 2025, com 84% de origem privada e projeção de R$ 300 bilhões em mandatos para 2026.
  • Starboard Partners compete com bancos globais em M&A de grande porte, como a aquisição da AB Concessões (~A$ 1 bilhão).
  • Moysés & Pires atua como parceira estratégica do poder concedente, com expertise híbrida jurídico-financeira em concessões e PPPs.
  • Amatuzzi Advogados expande para infraestrutura digital, liderando discussões sobre regulação de data centers.
  • Debêntures de infraestrutura (Lei 14.801/2024) tornaram-se instrumento central de financiamento, favorecendo capital estrangeiro.

R$ 280 bilhões em jogo e um ecossistema de advisory em transformação

Os investimentos totais em infraestrutura no Brasil alcançaram R$ 280 bilhões em 2025, um crescimento de cerca de 3% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) em parceria com a CBIC. Do montante aplicado, o setor privado respondeu por 84% dos aportes. Com projeções que apontam para R$ 300 bilhões em mandatos de M&A e estruturação em 2026, conforme apurado pelo GRI Hub News, o mercado brasileiro consolida-se como um dos mais ativos do mundo em concessões e parcerias público-privadas.

Nesse cenário de volumes crescentes, boutiques especializadas em advisory jurídico e financeiro têm conquistado fatias relevantes do pipeline de projetos. Firmas como Starboard Partners, Moysés & Pires Sociedade de Advogados e Amatuzzi Advogados ocupam posições distintas no ecossistema, cada qual com verticais e teses de atuação próprias. O GRI Institute acompanha de perto essa movimentação, que redefine a forma como grandes transações de infraestrutura são estruturadas no país.

Qual é o posicionamento estratégico de cada boutique no ecossistema de infraestrutura?

A compreensão do mercado de advisory em infraestrutura exige uma análise que vá além da simples listagem de mandatos. Cada boutique ocupa um nicho específico, com modelos de negócio que variam do advisory financeiro puro à consultoria jurídico-regulatória.

Starboard Partners: special situations e M&A de grande porte

A Starboard Partners posiciona-se como uma plataforma de advisory financeiro voltada a operações de M&A e special situations no setor de infraestrutura. A firma demonstrou sua capacidade de execução ao concluir a aquisição da AB Concessões S.A., operadora de concessões rodoviárias no Brasil, em uma transação avaliada em aproximadamente A$ 1,0 bilhão, conforme documentado no Target's Statement publicado em junho de 2026. A operação envolveu ativos rodoviários de grande escala e posicionou a boutique como interlocutora relevante para investidores internacionais que buscam exposição ao mercado brasileiro de concessões.

A atuação da Starboard também se estende a ativos de energia, como a participação em transações envolvendo o segmento de gás. O perfil da firma combina capacidade de originação com execução em operações complexas, frequentemente envolvendo contrapartes estrangeiras e estruturas de capital sofisticadas.

A escala das transações assessoradas pela Starboard Partners indica que boutiques financeiras brasileiras já competem diretamente com bancos de investimento globais em mandatos de infraestrutura de grande porte.

Moysés & Pires: modelagem de concessões e PPPs

A Moysés & Pires Sociedade de Advogados consolidou-se como referência em modelagem econômico-financeira e estruturação jurídica de concessões e parcerias público-privadas. O escritório acumula histórico em Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs), ferramenta central para a estruturação de novos projetos de infraestrutura no Brasil.

Em mandatos mais recentes, a firma atuou na estruturação da ZPE de Imbituba em 2024 e no Projeto Jaíba em 2025, reforçando seu foco em projetos que combinam modelagem financeira com desenho regulatório. O perfil de atuação da Moysés & Pires é híbrido, transitando entre o jurídico e o financeiro, o que confere ao escritório uma posição diferenciada frente a firmas puramente jurídicas.

A expertise em modelagem de concessões e PPPs transforma escritórios como a Moysés & Pires em parceiros estratégicos do poder concedente, e não apenas assessores de investidores privados.

Amatuzzi Advogados: regulação setorial e novas fronteiras

A Amatuzzi Advogados tem expandido sua atuação para fronteiras regulatórias emergentes, com destaque para a infraestrutura digital. O sócio Bruno Amatuzzi lidera discussões sobre a regulação de data centers no Brasil, tema que ganha relevância à medida que operadores de telecomunicações e hyperscalers expandem sua presença no país.

O escritório combina prática regulatória com atuação imobiliária, posicionando-se em um nicho que conecta o licenciamento de ativos físicos, como terrenos e edifícios de data centers, com a camada regulatória específica do setor de telecomunicações e tecnologia. Essa combinação reflete uma tendência observada pelo GRI Institute em seus encontros setoriais: a convergência entre infraestrutura física e digital como vetor de crescimento para os próximos anos.

A atuação de boutiques na regulação de data centers sinaliza que o advisory jurídico em infraestrutura migra de verticais tradicionais, como rodovias e saneamento, para ativos de infraestrutura digital.

Como o cenário macroeconômico influencia a demanda por advisory especializado?

O ambiente de juros elevados no Brasil em 2026 cria um paradoxo produtivo para as boutiques de infraestrutura. José Berenguer, CEO do Banco XP, tem descrito a alta da taxa Selic como um "freio de mão" para o mercado de capitais e equity, o que redireciona a estruturação financeira de projetos para instrumentos de dívida.

Nesse contexto, a Lei nº 14.801/2024, que criou as debêntures de infraestrutura e os bonds incentivados, tornou-se peça central do toolkit de financiamento. A legislação permite a emissão de títulos com variação cambial no exterior e oferece benefícios fiscais para as empresas emissoras, ampliando o acesso a capital estrangeiro. Para boutiques de advisory, o domínio desses instrumentos representa uma vantagem competitiva relevante, especialmente em mandatos que envolvem estruturação de project finance com componentes de dívida incentivada.

O Novo PAC, que prevê investimentos totais de R$ 1,8 trilhão em infraestrutura, conforme levantamento da Firjan, adiciona uma camada de demanda pública ao pipeline. A combinação entre aportes privados, que representaram 84% do total investido em 2025, e o programa de investimentos públicos cria um ambiente de alta demanda por assessoria especializada em todas as fases do ciclo de projetos.

Um mercado que demanda especialização crescente

A pesquisa Ipsos publicada pela CNN Brasil em 2026 revela que 45% dos brasileiros se declaram insatisfeitos com a infraestrutura nacional, índice bem acima da média global de 30%. O dado evidencia que a lacuna entre investimento e percepção de qualidade permanece ampla, o que sugere que o pipeline de novos projetos, modernizações e relicitações continuará robusto nos próximos anos.

Para boutiques como Starboard Partners, Moysés & Pires e Amatuzzi Advogados, esse cenário representa tanto oportunidade quanto pressão competitiva. A sofisticação crescente das estruturas de financiamento, impulsionada por instrumentos como as debêntures de infraestrutura, e a complexidade regulatória de novos setores, como data centers e energia renovável, elevam a barreira de entrada para assessores que buscam mandatos de primeira linha.

O ecossistema de advisory em infraestrutura no Brasil segue em rápida evolução. As boutiques que demonstram capacidade de execução em transações de grande escala, domínio da modelagem financeira de concessões e visão regulatória de novas verticais posicionam-se para capturar uma parcela crescente dos mandatos projetados para 2026.

O que diferencia boutiques de grandes escritórios e bancos de investimento?

A vantagem competitiva das boutiques reside em três pilares. O primeiro é a especialização setorial profunda. Enquanto grandes escritórios e bancos de investimento distribuem equipes entre múltiplas indústrias, boutiques concentram sua inteligência de mercado em infraestrutura, o que permite respostas mais rápidas e soluções mais precisas.

O segundo pilar é a capacidade de atuar em múltiplas fases do ciclo de um projeto. Firmas como a Moysés & Pires participam desde a fase de PMI e modelagem até o acompanhamento regulatório pós-leilão. A Starboard Partners acompanha operações desde a originação até o fechamento de M&A. A Amatuzzi Advogados conecta a camada regulatória com a estruturação imobiliária dos ativos.

O terceiro pilar é o acesso a redes de decisão. Participantes frequentes dos encontros promovidos pelo GRI Institute e de outros fóruns especializados, essas boutiques cultivam relacionamentos diretos com concessionários, investidores institucionais e reguladores, o que facilita a originação de mandatos e a execução de transações complexas.

Com projeções de R$ 300 bilhões em mandatos de M&A e estruturação para 2026 e um arcabouço regulatório que favorece a entrada de capital estrangeiro via debêntures incentivadas, o mercado brasileiro de infraestrutura oferece condições estruturais para a expansão contínua dessas firmas especializadas. O mapeamento de suas competências e posicionamentos é, portanto, exercício essencial para qualquer tomador de decisão no setor.

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