
Starboard Partners e o mapa das boutiques de advisory que disputam mandatos de infraestrutura no Brasil em 2026
Com R$ 300 bilhões projetados em investimentos, boutiques financeiras independentes ganham espaço em M&A e estruturação de concessões frente aos grandes bancos.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Brasil deve investir R$ 300 bilhões em infraestrutura em 2026, segundo a Abdib, aquecendo a demanda por advisory financeiro.
- Boutiques como a Starboard Partners ganham espaço frente a grandes bancos com especialização setorial, agilidade e atuação em mid-market.
- A Lei nº 14.801/2024 criou as debêntures de infraestrutura, elevando a sofisticação das modelagens e favorecendo advisors especializados.
- A expansão de deals para além do eixo Rio-São Paulo, com destaque para o Nordeste, sinaliza novas fronteiras de investimento.
- Competição e colaboração coexistem entre boutiques independentes e bancos globais no ecossistema de advisory.
O Brasil caminha para encerrar 2026 com investimentos em infraestrutura na ordem de R$ 300 bilhões, segundo projeção da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) divulgada pela CNN Brasil. O volume recorde consolida um ciclo virtuoso de estruturação de projetos, concessões e parcerias público-privadas que, por sua vez, aquece um segmento menos visível, mas determinante na engrenagem dos grandes deals: o das boutiques de advisory financeiro e estratégico.
Enquanto os grandes bancos de investimento concentram operações de maior porte, firmas independentes como a Starboard Partners conquistam fatias relevantes do mercado de assessoria em fusões e aquisições, reestruturações e estruturações financeiras de ativos de infraestrutura. Essas boutiques competem por mandatos de mid-market com agilidade, especialização setorial e proximidade com os tomadores de decisão.
O ecossistema de boutiques financeiras em infraestrutura
O mercado brasileiro de advisory em infraestrutura em 2026 se caracteriza pela presença crescente de boutiques independentes que operam em nichos de alta complexidade. A Starboard Partners consolidou-se como referência em special situations e M&A no setor, tendo assessorado operações emblemáticas como a aquisição da AB Concessões e a reestruturação da Rodovias do Tietê. Esses mandatos exigem capacidade de modelagem financeira sofisticada, conhecimento regulatório profundo e acesso a redes de investidores institucionais.
A atuação dessas boutiques se diferencia da dos grandes banks em pelo menos três dimensões. Primeiro, pela especialização vertical: enquanto bancos globais cobrem múltiplos setores, firmas como a Starboard Partners concentram inteligência e relacionamento em infraestrutura. Segundo, pela flexibilidade para atuar em operações de porte intermediário, frequentemente ignoradas pelos grandes players. Terceiro, pela capacidade de atuar simultaneamente como assessor financeiro e estratégico, oferecendo ao cliente uma leitura integrada de valor, risco regulatório e estrutura de capital.
Esse ecossistema inclui também boutiques jurídicas especializadas, como o escritório Moysés e Pires, reconhecido pela atuação na estruturação de PPPs e concessões em segmentos como iluminação pública, aeroportos e irrigação. A complementaridade entre advisory financeiro e jurídico forma uma cadeia de valor que sustenta a execução de projetos cada vez mais complexos.
Quais deals e mandatos movem as boutiques de advisory em 2026?
O pipeline de investimentos em infraestrutura no Brasil oferece substrato abundante para a disputa por mandatos de advisory. O Novo PAC prevê investimentos totais de R$ 1,3 trilhão até 2026, segundo dados do Governo Federal divulgados pelo Portal Gov.br. Na esfera federal, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 destina R$ 16,05 bilhões para investimentos públicos em infraestruturas de transporte, conforme a CNT (Confederação Nacional do Transporte).
As principais empresas de infraestrutura no Brasil planejam investir mais de R$ 50 bilhões em suas operações ao longo de 2026, com liderança dos setores de saneamento e rodovias, segundo levantamento da BNamericas. Esse volume de capital em movimento gera demanda contínua por assessoria em M&A, reestruturação societária, captação de recursos e estruturação de project finance.
As boutiques de advisory financeiro disputam mandatos que vão desde a assessoria a concessionárias em processos de relicitação até a estruturação de veículos de investimento para fundos internacionais que buscam exposição a ativos brasileiros de infraestrutura. O perfil dos deals reflete a maturação do mercado: operações com maior sofisticação contratual, mecanismos de mitigação de risco cambial e estruturas de garantia alinhadas às exigências de investidores globais.
Como a nova legislação de debêntures redefine a atuação dos advisors?
A entrada em vigor da Lei nº 14.801/2024, que criou as debêntures de infraestrutura, alterou a dinâmica do financiamento de projetos no país. Diferentemente das debêntures incentivadas tradicionais, o novo instrumento transfere o benefício fiscal para a empresa emissora, que pode deduzir os juros pagos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O objetivo declarado é atrair investidores institucionais, incluindo fundos de pensão e seguradoras, para o financiamento de longo prazo de projetos de infraestrutura.
O Decreto nº 11.964/2024 regulamentou os critérios e condições para o enquadramento de projetos prioritários, estabelecendo o arcabouço operacional para emissões. As primeiras emissões registradas no final de 2025 confirmaram a viabilidade do instrumento e abriram espaço para um novo ciclo de captações em 2026.
Para as boutiques de advisory, a nova legislação representa tanto oportunidade quanto exigência. As modelagens financeiras tornaram-se mais sofisticadas, demandando capacidade de precificação que incorpore os efeitos fiscais diferenciados, a análise de elegibilidade regulatória dos projetos e a estruturação de tranches adequadas a diferentes perfis de investidor. Firmas com expertise em infraestrutura, como a Starboard Partners, ganham vantagem competitiva nesse ambiente, pois combinam conhecimento setorial com capacidade técnica de estruturação.
A nova legislação de debêntures de infraestrutura funciona como catalisador de sofisticação para todo o mercado de advisory, elevando a barreira de entrada e favorecendo boutiques com especialização comprovada.
Dealmakers que conectam capital global a ativos locais
O fluxo de capital internacional para infraestrutura brasileira depende de uma rede de profissionais capazes de traduzir a complexidade regulatória e macroeconômica do país para investidores estrangeiros. Nomes como Darius Alamouti e Alex Araujo são citados como dealmakers centrais nessa ponte entre capital global e ativos locais.
Darius Alamouti fundou a Kactus Capital, gestora que soma R$ 900 milhões sob gestão focados no Nordeste do Brasil, segundo dados publicados pelo GRI Institute. A atuação concentrada em uma região com forte pipeline de projetos de energia renovável, saneamento e logística demonstra a tese de que a especialização geográfica pode ser tão relevante quanto a setorial na disputa por mandatos.
Alex Araujo, à frente da operação do Barclays no Brasil, representa a outra face do mercado: bancos internacionais que mantêm presença local justamente para acessar o pipeline de infraestrutura. A interação entre esses bancos globais e as boutiques independentes configura um ecossistema dinâmico, onde competição e colaboração coexistem. Em muitas operações, boutiques atuam como co-advisors de bancos internacionais, agregando conhecimento local e acesso a contrapartes que os grandes players não alcançam com a mesma eficiência.
A presença de gestoras e advisors especializados em regiões como o Nordeste sinaliza que a próxima fronteira de deals em infraestrutura no Brasil se expande para além do eixo Rio-São Paulo.
Perspectivas para o segundo semestre de 2026
O cenário de investimentos projetados pela Abdib, combinado com o avanço das debêntures de infraestrutura e a robusta carteira de concessões e PPPs em estruturação, sustenta a expectativa de um segundo semestre aquecido para as boutiques de advisory. A competição por mandatos tende a se intensificar à medida que novos leilões de rodovias, ferrovias e ativos de saneamento chegam ao mercado.
Para os membros do GRI Institute que acompanham a evolução do setor, o mapeamento desses players é inteligência competitiva essencial. Saber quem assessora, quem financia e quem estrutura cada operação permite antecipar movimentos de mercado e identificar oportunidades de coinvestimento ou parceria.
O mercado de advisory financeiro em infraestrutura no Brasil atingiu um nível de maturidade em que boutiques especializadas competem em pé de igualdade com grandes bancos em mandatos de alta complexidade. A profissionalização do ecossistema beneficia o setor como um todo, elevando a qualidade das estruturações e ampliando o acesso a fontes diversificadas de capital.
O GRI Institute acompanha a evolução desse ecossistema e promove, ao longo do ano, encontros reservados entre líderes de infraestrutura, investidores institucionais e advisors que estão à frente das principais transações do setor.