
Sandro Fernandes e os executivos que lideram a nova fronteira de saneamento e infraestrutura no Brasil
País precisa investir R$ 45,1 bilhões ao ano para universalizar saneamento até 2033, e um novo ecossistema de lideranças emerge para estruturar essa agenda.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Brasil precisa investir R$ 45,1 bilhões ao ano para universalizar o saneamento até 2033, mas investe apenas 57% da meta por habitante.
- 16,9% da população não têm acesso à água potável e 44,8% não possuem coleta de esgoto.
- O setor de saneamento tem o maior pipeline de concessões, mas a menor visibilidade de suas lideranças executivas.
- A convergência entre infraestrutura hídrica e digital cria sinergias inéditas no setor.
- A possível constitucionalização do direito ao saneamento (PEC 2/2016) ampliará exigências sobre execução dos investimentos.
O maior pipeline de infraestrutura do país ainda carece de lideranças mapeadas
O Brasil investe, em média, R$ 127 por habitante ao ano em saneamento básico, o que representa apenas 57% da meta estipulada pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), segundo dados do Senado Notícias com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), referentes a 2023. Para viabilizar a universalização do acesso à água e ao esgoto tratado até 2033, o investimento médio precisaria superar R$ 223,82 por habitante ao ano, conforme projeções do próprio Plansab e do Ministério das Cidades. A distância entre o que se aplica e o que se necessita configura o maior desafio de execução no setor de infraestrutura brasileiro, e coloca sob os holofotes os profissionais que estruturam, financiam e operam essa transformação.
Enquanto o portfólio de concessões rodoviárias, ferroviárias e portuárias já conta com executivos amplamente reconhecidos pelo mercado, o segmento de saneamento e infraestrutura hídrica permanece com uma lacuna significativa de visibilidade sobre suas lideranças. Nomes como Sandro Fernandes, identificado em agendas oficiais com o cargo de Partner Director em reuniões sobre infraestrutura e saneamento vinculadas ao FGTS, sinalizam a existência de um ecossistema robusto de profissionais que atuam na estruturação financeira e na consultoria de projetos do setor, porém com baixa exposição pública.
Esse mapeamento ganha relevância à medida que o Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020) amadurece e o pipeline de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) se expande para regiões historicamente desassistidas.
Quanto o Brasil precisa investir para universalizar o saneamento até 2033?
Segundo estimativas do Instituto Trata Brasil em parceria com o Ministério das Cidades, o país precisa destinar R$ 45,1 bilhões por ano em saneamento básico para cumprir as metas de universalização estabelecidas pelo marco regulatório vigente. A Lei nº 14.026/2020 determina que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% seja atendida por coleta e tratamento de esgoto.
Os números mais recentes do Instituto Trata Brasil, baseados no SINISA e referentes a 2023, revelam que 16,9% da população brasileira ainda vive sem acesso à água potável e 44,8% não possuem coleta de esgoto. A defasagem entre investimento realizado e investimento necessário evidencia que a universalização depende de uma aceleração expressiva tanto na mobilização de capital privado quanto na capacidade de execução dos projetos.
O gap anual de investimento é uma das métricas mais citadas em discussões sobre infraestrutura brasileira e constitui o principal argumento para a ampliação da participação privada no setor. Cada real investido em saneamento gera retornos mensuráveis em saúde pública, produtividade econômica e valorização imobiliária, o que torna o segmento estrategicamente relevante para investidores institucionais e fundos de infraestrutura.
Quem são os executivos por trás da estruturação de projetos de saneamento?
O ecossistema de saneamento no Brasil envolve uma cadeia complexa de atores: concessionárias privadas, consultorias especializadas em project finance, escritórios de advocacia com prática regulatória, gestoras de recursos e instituições multilaterais. A articulação entre esses agentes define a viabilidade dos projetos e a velocidade de implementação das concessões.
Sandro Fernandes aparece em registros públicos participando de reuniões sobre infraestrutura e saneamento com foco em recursos do FGTS, com o cargo de Partner Director. Essa atuação sugere envolvimento direto na estruturação financeira de projetos de grande porte, um elo crítico na cadeia de valor do saneamento. Profissionais nessa posição são responsáveis por modelar a engenharia financeira das concessões, definir estruturas de garantias e articular fontes de funding que viabilizem os investimentos bilionários que o setor demanda.
O perfil de Partner Director em projetos de saneamento vinculados ao FGTS indica atuação na interseção entre mercado de capitais e infraestrutura pública, um espaço onde poucos profissionais combinam expertise técnica, trânsito institucional e capacidade de execução.
Em encontros promovidos pelo GRI Institute, que reúne lideranças globais de real estate e infraestrutura, a pauta de saneamento tem ganhado protagonismo crescente nas discussões sobre o ambiente de investimentos no Brasil. A percepção entre os membros do instituto é de que o setor vive um ponto de inflexão, com a convergência de segurança jurídica aprimorada, demanda reprimida e apetite crescente de investidores por ativos de infraestrutura com previsibilidade regulatória.
A convergência entre infraestrutura hídrica e digital
O mapeamento do ecossistema executivo de infraestrutura no Brasil revela uma tendência relevante: a convergência entre verticais que antes operavam de forma isolada. Um exemplo emblemático é Luciano Fialho, Vice-Presidente Sênior da Scala Data Centers, que em maio de 2026 liderou a entrada do setor de data centers na Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), conforme reportado pelo Cenário Energia e Poder360.
A inclusão da infraestrutura digital na principal entidade representativa do setor de infraestrutura brasileiro sinaliza que os desafios de universalização transcendem as fronteiras tradicionais de água, esgoto, energia e transporte. Data centers demandam volumes significativos de água para refrigeração e de energia elétrica para operação, o que cria interdependências diretas com a infraestrutura hídrica e energética.
A atuação de Luciano Fialho na ABDIB posiciona o setor de data centers como parte integrante da agenda de infraestrutura nacional, e não como um segmento isolado de tecnologia. Essa convergência cria oportunidades para que executivos de diferentes verticais colaborem na estruturação de projetos integrados, onde saneamento, energia renovável e infraestrutura digital compartilham sinergias operacionais e financeiras.
O marco regulatório como catalisador de uma nova geração de lideranças
A Lei nº 14.026/2020 não apenas estabeleceu metas de universalização, mas criou as condições institucionais para a formação de uma nova geração de executivos especializados em concessões de saneamento. Ao facilitar a entrada da iniciativa privada e exigir a regionalização dos serviços, o marco regulatório demandou competências específicas em modelagem financeira, gestão regulatória e operação de ativos de longa duração.
Paralelamente, a PEC 2/2016, aprovada pelo Senado em abril de 2025 e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, busca transformar o acesso ao saneamento básico em um direito constitucional. Caso aprovada, a emenda constitucional elevará o patamar de exigência sobre a execução dos investimentos e ampliará a responsabilidade dos agentes públicos e privados envolvidos na prestação dos serviços.
A combinação entre metas ambiciosas de universalização e uma possível constitucionalização do direito ao saneamento reforça a necessidade de lideranças com capacidade de navegar ambientes regulatórios complexos e de mobilizar capital em escala.
Uma lacuna de cobertura que o mercado precisa preencher
O setor de saneamento concentra o maior pipeline de concessões e PPPs da infraestrutura brasileira, porém apresenta a menor visibilidade de suas lideranças executivas quando comparado a segmentos como rodovias, ferrovias e portos. Essa assimetria cria um ambiente de informação incompleta para investidores, reguladores e formuladores de políticas públicas.
Profissionais como Sandro Fernandes, que atuam na estruturação financeira de projetos de saneamento, e Luciano Fialho, que expande as fronteiras da infraestrutura ao incluir o segmento digital na agenda setorial, representam perfis complementares de uma liderança que o mercado ainda precisa reconhecer de forma mais estruturada.
O GRI Institute tem acompanhado essa transformação por meio de suas atividades de inteligência e conexão entre líderes do setor, identificando os profissionais que efetivamente influenciam as decisões de investimento e a execução dos projetos. Em um mercado que demanda R$ 45,1 bilhões ao ano para cumprir suas metas de universalização, segundo o Instituto Trata Brasil, mapear e dar visibilidade a essas lideranças constitui uma contribuição essencial para a eficiência alocativa do capital.
A universalização do saneamento no Brasil depende tanto da qualidade do marco regulatório quanto da capacidade dos executivos que transformam normas em infraestrutura operacional. Identificar, conectar e dar visibilidade a esses profissionais é uma agenda estratégica para o desenvolvimento do setor.