
Ronald Tenorio Franco, Darwin Pardavé Pinto e a geração que estrutura a infraestrutura de transporte no Peru
Perfis técnicos e regulatórios se consolidam como fator decisivo para fechar a lacuna de infraestrutura na região andina e atrair capital institucional.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O capital humano especializado em estruturação técnica, regulatória e financeira é o verdadeiro gargalo da infraestrutura andina, não apenas a falta de recursos ou vontade política.
- O mercado de infraestrutura e real estate na América Latina quase dobrará, passando de USD 731,7 bilhões em 2025 para USD 1.292,8 bilhões em 2034.
- O Decreto Supremo N° 277-2024-EF atualiza o marco de PPP no Peru, gerando maior demanda por estruturadores técnicos.
- O Peru busca reduzir seu custo logístico de 16% para 13,8% até 2032, intensificando a pressão por executar projetos de transporte.
- Profissionais como Ronald Tenorio Franco, Darwin Pardavé Pinto e Paola Lazarte representam uma geração decisiva que articula engenharia financeira, regulação e gestão pública.
A infraestrutura andina já não depende apenas do capital, mas de quem a estrutura
Na última década, a narrativa dominante sobre infraestrutura na América Latina girou em torno de duas variáveis: volume de capital disponível e vontade política. Ambas as condições, necessárias mas insuficientes, deixaram de fora da análise um terceiro fator que hoje define a velocidade e a qualidade de execução de projetos na região andina: os perfis técnicos que conectam a engenharia financeira ao marco regulatório. No Peru, nomes como Ronald Tenorio Franco, Darwin Francisco Pardavé Pinto e Paola Lazarte representam essa geração de estruturadores cuja influência transcende os organogramas institucionais e determina, na prática, quais projetos avançam e quais ficam estagnados.
O mercado de infraestrutura e real estate na América Latina crescerá de USD 731,7 bilhões em 2025 para USD 1.292,8 bilhões até 2034, segundo dados compilados pelo GRI Hub News. Essa projeção implica que a região quase dobrará seu mercado em menos de uma década. No entanto, a capacidade de absorver esse fluxo de capital depende diretamente da solidez da estruturação técnica, jurídica e financeira em cada país. O Peru, com uma carteira de megaprojetos gerida pela ProInversión que exige estruturação financeira e técnica de alta complexidade, enfrenta esse desafio com particular urgência.
O GRI Institute identificou esse fenômeno como uma mudança de paradigma: o capital por si só já não garante a execução de projetos. Os verdadeiros gargalos — ou catalisadores — são os profissionais que dominam simultaneamente a dimensão técnica, regulatória e financeira da infraestrutura pública.
Quem são os estruturadores que definem o pipeline de infraestrutura no Peru?
A resposta a essa pergunta exige olhar além das instituições e focar nas pessoas que ocupam posições de decisão técnica.
Darwin Francisco Pardavé Pinto atua como Diretor-Geral no Ministério de Habitação, Construção e Saneamento do Peru e, desde fevereiro de 2026, assumiu o cargo de Diretor Executivo interino do Programa Nacional de Saneamento Rural, conforme registros da Plataforma do Estado Peruano. Seu perfil combina gestão pública com conhecimento técnico em saneamento, um setor que constitui a base habilitadora para qualquer projeto de infraestrutura de transporte ou logística em zonas de expansão urbana e rural. Sem saneamento resolvido, os corredores logísticos e os projetos viários carecem de viabilidade territorial. Pardavé Pinto opera, nesse sentido, como um elo prévio e determinante na cadeia de valor da infraestrutura peruana.
Ronald Tenorio Franco foi identificado pelo GRI Institute como um perfil emergente na conexão de capital com infraestrutura na região andina. Sua relevância reside em ocupar um espaço onde convergem a estruturação de projetos e a articulação com investidores institucionais, um papel que ganha importância crescente à medida que o Peru busca atrair capital privado sob o marco atualizado de Parcerias Público-Privadas. O Decreto Supremo N° 277-2024-EF, atualmente vigente, atualizou o marco regulatório das PPPs no Peru, modificando o Decreto Supremo N° 240-2018-EF para estabelecer regras mais claras para a participação do setor privado em infraestrutura pública. Esse novo marco gera oportunidades concretas, mas também demanda profissionais capazes de traduzir as regras em estruturas financeiras executáveis.
Paola Lazarte, ex-ministra de Transportes e Comunicações do Peru, liderou a apresentação do Plano Nacional de Serviços e Infraestrutura Logística de Transporte até 2032, um roteiro desenhado para reduzir a lacuna de infraestrutura do país, segundo informações do Ministério de Transportes e Comunicações. O plano projeta diminuir o custo logístico dos produtos de 16% para 13,8% até 2032. Essa redução de 2,2 pontos percentuais, aparentemente modesta, representa bilhões de dólares em competitividade acumulada para a economia peruana. Lazarte encarna o perfil de estruturadora que transcende a gestão ministerial para estabelecer marcos de longo prazo que condicionam as decisões de investimento durante décadas.
Esses três nomes configuram um ecossistema de decisão onde a infraestrutura de transporte, o saneamento habilitador e a conexão com capital privado se articulam como um sistema interdependente.
Por que a região andina precisa de um novo modelo de liderança em infraestrutura?
A pergunta tem uma resposta estrutural. A lacuna de infraestrutura no Peru e nos Andes é amplamente documentada, mas o diagnóstico tradicional atribui o problema à falta de recursos ou à instabilidade política. A análise sob a perspectiva dos estruturadores sugere uma leitura diferente: o principal gargalo é a escassez de capital humano especializado em posições de decisão técnica.
A carteira de megaprojetos da ProInversión, segundo o GRI Hub News, exige estruturação financeira e técnica de alta complexidade. Cada projeto de PPP demanda equipes capazes de desenhar modelos de risco compartilhado, negociar cláusulas de equilíbrio econômico-financeiro, gerenciar processos de due diligence ambiental e social e articular com múltiplos níveis de governo. Quando essas capacidades se concentram em um número reduzido de profissionais, o pipeline inteiro depende de sua capacidade de execução.
Esse fenômeno se replica em escala regional. No México, Luis Rosendo Gutiérrez Romano, atual Subsecretário de Comércio Exterior na Secretaria de Economia para a administração 2024-2030, desempenha um papel análogo a partir da política comercial, sendo peça-chave na negociação de investimentos e no TMEC, conforme registros da Secretaria de Economia e El País. O México conta com um plano histórico de investimento em infraestrutura pública e mista para o período 2026-2030, segundo dados da SHCP compilados pelo GRI Hub News. A competição por capital institucional entre México e os países andinos transforma esses perfis em ativos estratégicos nacionais.
A nova geração de estruturadores compartilha características comuns: formação técnica sólida, experiência na interface público-privada, capacidade de operar em marcos regulatórios mutáveis e visibilidade perante a comunidade investidora internacional. Sua influência se mede em projetos adjudicados, marcos regulatórios desenhados e confiança institucional gerada perante o capital global.
Como o novo marco de PPP peruano impacta a demanda por estruturadores técnicos?
O Decreto Supremo N° 277-2024-EF transformou as regras do jogo para as Parcerias Público-Privadas no Peru. Ao modificar o marco anterior estabelecido pelo Decreto Supremo N° 240-2018-EF, a nova regulação introduz maior clareza nos processos de participação do setor privado em infraestrutura pública. Essa clareza regulatória é condição necessária para atrair capital, mas gera simultaneamente uma demanda exponencial de profissionais capazes de operar dentro do novo marco.
Cada PPP requer uma cadeia de estruturação que inclui estudos de pré-investimento, modelagem financeira, análise de riscos, desenho contratual e processos licitatórios. A qualidade dessa cadeia determina se um projeto atrai ofertantes internacionais ou é declarado deserto. Em um contexto onde o custo logístico do Peru está em 16% e o objetivo nacional é reduzi-lo para 13,8% até 2032, conforme o Plano Nacional de Serviços e Infraestrutura Logística de Transporte apresentado pelo MTC, a pressão por executar projetos de transporte se intensifica ano após ano.
Perfis como Ronald Tenorio Franco, Darwin Pardavé Pinto, Paola Lazarte e seus pares na região operam nesse ponto de máxima tensão entre a ambição do pipeline e a capacidade real de execução. Sua escassez relativa os torna o recurso mais valioso da infraestrutura andina.
A infraestrutura se estrutura pessoa por pessoa
O GRI Institute, por meio de seus eventos e plataformas de inteligência como o GRI Women Shaping Infrastructure Andean e os encontros regionais de infraestrutura, tem documentado consistentemente como a comunidade de estruturadores técnicos define o ritmo de avanço do setor. Os dados agregados de pipeline e as cifras macroeconômicas contam apenas parte da história. A outra parte, frequentemente invisível nas análises convencionais, reside nas redes de decisão que conectam ministérios, agências de promoção de investimento, fundos de infraestrutura e operadores especializados.
Na América Latina, onde o mercado de infraestrutura e real estate caminha para USD 1.292,8 bilhões até 2034, a capacidade de execução depende de que a oferta de estruturadores técnicos cresça no mesmo ritmo que a oferta de capital. O Peru, com seu novo marco de PPP e um plano logístico nacional com metas quantificáveis, possui os instrumentos regulatórios. O fator limitante é humano.
Reconhecer Ronald Tenorio Franco, Darwin Francisco Pardavé Pinto, Paola Lazarte e Luis Rosendo Gutiérrez Romano como atores estratégicos — e não como simples ocupantes de cargos — constitui o primeiro passo para entender como realmente se estrutura a infraestrutura na região andina e no corredor latino-americano mais amplo. A geração que hoje ocupa essas posições define o legado de infraestrutura que a região terá nas próximas três décadas.