Resiliência a eventos climáticos, data centers e o futuro da infraestrutura no Sul do Brasil

Confira os destaques apontados por executivos na conferência anual realizada pelo GRI Institute na região

20 de maio de 2026Infraestrutura
Escrito por:Henrique Cisman
Em Porto Alegre, o GRI Institute reuniu mais de cem executivos líderes de empresas que investem e operam em projetos de infraestrutura, em segmentos como saneamento básico, rodovias e energia. O encontro é apoiado pela Companhia Docas do Estado da Bahia (CODEBA), que no início do ano assumiu a administração provisória do Porto de Itajaí. Confira o Spotlight do Infra Sul GRI em PDF.

Panorama

Segundo os presentes, compromissos já firmados e contratos de concessão em andamento no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul seguem normalmente, mas há um compasso de espera para novos projetos em razão das incertezas no ambiente político, considerando as eleições de outubro. Embora o horizonte tenha concessões previstas em diferentes segmentos, os investidores pregam cautela. 

Alguns destaques positivos incluem a meta de universalização dos serviços de saneamento até 2033, o que funciona como um catalisador para os governos subnacionais e gatilho regulatório para o setor privado. No Rio Grande do Sul, em torno de 170 municípios estão sem contrato, o que significa oportunidades reais de concessão. O projeto prioritário, conforme apontado no fórum, é a concessão do DMAE (Departamento Municipal de Águas e Esgoto de Porto Alegre). 

Executivos debatem a infraestrutura no Sul do Brasil (Foto: GRI Institute)

Segmentos mais atrativos

Um levantamento feito com os participantes indica que saneamento básico e infraestrutura hídrica é justamente o segmento que apresenta as melhores oportunidades no momento, apontado por 55% dos executivos; na sequência aparecem as rodovias e a logística intermodeal (39%), projetos de infraestrutura social (38%), data centers, conectividade e infraestrutura digital (37%). Os respondentes podiam escolher até três opções. 

Confira a edição especial do Termômetro GRI Infra realizada no Infra Sul GRI 2026

Quais os sinais emergentes?

1. Resiliência climática é fator de risco: Eventos extremos colocaram a resiliência climática no topo da agenda e evidenciaram a ausência de mecanismos para distribuir riscos entre os players. 

2. Volume de projetos é um gargalo silencioso: Projetos em amadurecimento e capital privado disponíveis colocam o fortalecimento técnico da estrutura pública como prioridade para viabilizar maior volume de concessões. 

3. Data centers descentralizados do eixo SP–RJ: Projetos pioneiros no Rio Grande do Sul indicam que a região tem potencial para ser polo alternativo para investimentos em energia e conectividade.

4. Sul como laboratório de modelos replicáveis: Os projetos de infraestrutura social em Caxias do Sul e as privatizações da Corsan e do DMAE, em Porto Alegre, consolidam referências nacionais e o Infra Sul GRI como catalisador.

O GRI Institute agradece a todos os participantes, em especial à CODEBA, por tornarem este fórum possível. 
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