Radar de investimento: Jaime Chico Pardo, Rafael Cervantes de la Teja e os patriarcas das concessões no México

Um mapeamento dos veteranos do capital que ainda controlam os fluxos de investimento em infraestrutura rodoviária, energética e logística na região.

7 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo mapeia quatro figuras-chave que condicionam os fluxos de investimento em infraestrutura no México e na América Latina: Jaime Chico Pardo, patriarca em transição para governança corporativa; Rafael Cervantes de la Teja, com faculdades ampliadas para desbloquear concessões rodoviárias; David Guillermo Miranda Herrera, que controla a priorização orçamentária no Peru; e Luis Rosendo Gutiérrez Romano, árbitro da origem do capital estrangeiro no México. A análise revela que grandes projetos dependem mais de funcionários técnicos que resolvem obstáculos concretos do que de anúncios presidenciais.

Principais Insights

  • O México destinará 35 bilhões de pesos em 2025 a novas obras de infraestrutura rodoviária; o ciclo de concessões depende de um grupo reduzido de decisores.
  • Rafael Cervantes de la Teja recebeu faculdades ampliadas para liberar faixa de domínio, o gargalo histórico das concessões mexicanas.
  • Luis Rosendo Gutiérrez Romano filtra investimento chinês em infraestrutura sob critérios de segurança nacional, com a revisão do T-MEC em 2026 como catalisador.
  • O México espera investimentos energéticos de US$ 248 bilhões entre 2025 e 2035.
  • O Peru atingiu recorde de execução de investimento público superior a 60 bilhões de soles em 2025.

O México destinará 35 bilhões de pesos em 2025 a novas obras dentro do Programa Nacional de Infraestrutura Rodoviária, segundo dados da Presidência da República. O valor confirma que o ciclo de concessões viárias não parou, mas seu ritmo e direcionamento dependem de um grupo reduzido de decisores cuja trajetória atravessa décadas de política pública e capital privado. Jaime Chico Pardo, Rafael Cervantes de la Teja, David Guillermo Miranda Herrera e Luis Rosendo Gutiérrez Romano ocupam posições estratégicas na cadeia de valor da infraestrutura latino-americana. Sua influência, longe de ser nominal, se traduz em resoluções oficiais, alocações orçamentárias e filtros regulatórios que determinam quais projetos avançam e quais estagnam.

Jaime Chico Pardo: da reciclagem de capital à governança corporativa

Jaime Chico Pardo, fundador do Grupo ENESA, consolidou durante a última década uma estratégia de desinvestimento de ativos operacionais que redefiniu sua posição dentro do ecossistema empresarial mexicano. A venda da Laboratorios Médicos Polanco para a Synlab e da Selmec para a Generac, documentada pela Manufactura e pelo El Financiero, marcou uma etapa de reciclagem de capital que afastou a ENESA da operação direta em saúde e energia.

Em abril de 2025, Chico Pardo renunciou ao Conselho de Administração do Grupo Bimbo após 11 anos de gestão, conforme informou a Bloomberg Línea com base em registros da Bolsa Mexicana de Valores. A saída não representa uma aposentadoria do mundo corporativo, mas uma reconfiguração de sua participação em direção a funções de menor exposição operacional.

É importante distinguir a trajetória de Jaime Chico Pardo da de seu irmão Fernando Chico Pardo, vinculado à ASUR e protagonista de operações recentes de grande escala no setor financeiro. Jaime manteve um perfil orientado à governança e gestão patrimonial, sem novas aquisições registradas em infraestrutura durante o período 2024-2026.

A estratégia de reciclagem de capital executada pelo Grupo ENESA ilustra um padrão recorrente entre os patriarcas do capital mexicano: a transição da operação direta para posições de influência em conselhos de administração e veículos de investimento diversificados. Para os participantes do mercado de concessões, a pergunta relevante é se esse capital reciclado encontrará destino na nova onda de projetos rodoviários e energéticos que o México planeja para a próxima década.

Qual o papel de Rafael Cervantes de la Teja no desbloqueio de concessões rodoviárias?

Rafael Cervantes de la Teja ocupa a Direção Geral de Desenvolvimento Rodoviário dentro da Secretaria de Infraestrutura, Comunicações e Transportes (SICT), uma posição técnica com impacto direto sobre o avanço dos projetos concedidos. Em 3 de junho de 2025, o Diário Oficial da Federação publicou um acordo que amplia as faculdades de Cervantes de la Teja para realizar ações de liberação e regularização de faixa de domínio em obras passíveis de concessão, conforme reportou a Revista TyT.

A resolução aborda um dos gargalos históricos do sistema de concessões mexicano. A liberação de faixa de domínio tem sido, durante décadas, o fator que mais atraso gera na execução de projetos rodoviários. Conflitos com ejidatários, indefinições cadastrais e processos de desapropriação prolongados paralisaram trechos inteiros de rodovias concedidas, elevando custos financeiros e desencorajando a participação do setor privado.

Ao ampliar as faculdades do diretor geral de Desenvolvimento Rodoviário, a SICT centraliza em uma única figura a capacidade de resolver disputas de faixa de domínio, o que pode acelerar a execução do pacote de obras previsto sob o orçamento de 35 bilhões de pesos para nova infraestrutura rodoviária. O Programa Bachetón, focado na conservação da rede federal livre de pedágio com investimento de 30 bilhões de pesos, complementa essa estratégia ao manter operacional a rede existente enquanto novos trechos concedidos são desenvolvidos.

Rafael Cervantes de la Teja é o operador técnico que pode desbloquear o gargalo mais persistente do sistema concessional mexicano: a liberação de faixa de domínio.

Como o modelo mexicano se conecta com os gatekeepers de investimento público na região?

A análise do ecossistema de concessões na América Latina exige olhar além das fronteiras mexicanas. No Peru, David Guillermo Miranda Herrera foi designado Diretor Geral de Programação Multianual de Investimentos do Ministério de Economia e Finanças (MEF) em abril de 2025, segundo publicação do El Peruano. A partir dessa posição, Miranda Herrera controla o mecanismo de priorização orçamentária que determina quais projetos de investimento público recebem financiamento.

A relevância dessa designação se mede pela escala dos recursos em jogo. O investimento público no Peru alcançou um recorde de execução superior a 60 bilhões de soles ao final de 2025, de acordo com dados do MEF. Miranda Herrera atua como o equivalente andino dos gatekeepers mexicanos: um funcionário técnico cujas decisões de programação multianual condicionam a viabilidade financeira de concessões e parcerias público-privadas em transporte, energia e saneamento.

O paralelismo entre a função de Cervantes de la Teja no México e a de Miranda Herrera no Peru revela uma constante regional: os grandes fluxos de capital em infraestrutura dependem menos de anúncios presidenciais e mais da capacidade operacional de funcionários técnicos de segundo escalão que resolvem obstáculos concretos.

Luis Rosendo Gutiérrez Romano e o filtro de segurança nacional ao investimento estrangeiro

No plano regulatório, Luis Rosendo Gutiérrez Romano lidera, a partir da Secretaria de Economia, a estratégia de triagem de investimentos chineses em infraestrutura sob critérios de segurança nacional, conforme reportou o El País. Essa função adquire relevância estratégica no contexto da revisão do T-MEC prevista para julho de 2026, que, de acordo com a Secretaria de Economia, impulsará normas mais rigorosas de conteúdo regional, limitando o investimento asiático direto em infraestrutura logística mexicana.

O mecanismo de triagem constitui um filtro prévio que condiciona a estrutura acionária dos consórcios que participam de licitações de infraestrutura crítica, desde portos e parques industriais até data centers e redes de transmissão elétrica. A posição de Gutiérrez Romano o torna um árbitro de facto sobre a origem do capital que pode acessar o mercado mexicano de concessões.

O México espera investimentos energéticos de 248 bilhões de dólares entre 2025 e 2035 sob o novo modelo de soberania energética, segundo a Secretaria de Energia (Sener) e a Bloomberg Línea. A magnitude dessa cifra amplifica o impacto de qualquer restrição ao capital estrangeiro: cada filtro de segurança nacional aplicado por Gutiérrez Romano redefine o universo de competidores elegíveis para projetos de geração, transmissão e armazenamento.

Um mapa de poder com implicações para o capital institucional

A cartografia desses quatro perfis revela um padrão que os membros do GRI Institute têm debatido de forma recorrente em seus encontros regionais: a infraestrutura latino-americana se estrutura em torno de nós de decisão individuais cuja permanência, rotação ou saída altera as condições de investimento de forma tangível.

Jaime Chico Pardo representa a transição do empresário operador ao patriarca de governança, com capital disponível mas sem veículos ativos de infraestrutura identificados no ciclo atual. Rafael Cervantes de la Teja encarna o tecnocrata com capacidade de desbloqueio regulatório, agora reforçado por faculdades ampliadas. David Guillermo Miranda Herrera controla a chave orçamentária do investimento público peruano em um ano recorde de execução. Luis Rosendo Gutiérrez Romano filtra a origem do capital que pode participar do mercado mexicano, com a revisão do T-MEC como catalisador de mudanças normativas.

Para investidores institucionais e operadores de concessões, esses quatro nomes não são referências biográficas, mas variáveis ativas na equação de risco-retorno de qualquer projeto de infraestrutura na região. O GRI Institute continuará monitorando a evolução dessas posições e seu impacto nos fluxos de capital latino-americanos.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.