
Radar de investimento: PPPs na América Latina mobilizam mais de US$ 75 bilhões em infraestrutura
México, Colômbia e Peru lideram um ciclo de estruturação de projetos com reformas regulatórias, novos pipelines e decisores-chave do setor.
Resumo Executivo
Principais Insights
- 149 projetos de infraestrutura PPP na América Latina mobilizarão quase US$ 75 bilhões entre 2025 e 2026.
- México lidera em volume com 38 projetos e US$ 17,1 bilhões; Colômbia em escala com 18 projetos e mais de US$ 23 bilhões.
- Peru aprovou a Lei nº 32441, que moderniza seu marco de PPPs e fortalece a ProInversión como organismo reitor.
- O BID projeta mais de US$ 17 bilhões em transmissão elétrica regional para 2026-2030.
- Mercados com marcos institucionais claros e calendários previsíveis captarão a maior proporção de capital.
A América Latina atravessa um dos ciclos mais intensos de estruturação de infraestrutura por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP). Segundo dados da BNamericas, 149 grandes projetos entrarão em fase de construção entre o segundo trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, com um investimento de capital estimado em quase US$ 75 bilhões. México, Colômbia e Peru concentram uma parcela substancial desse fluxo, cada um com dinâmicas regulatórias e calendários de licitação próprios que reconfiguram as oportunidades para investidores, desenvolvedores e operadores.
Este artigo foca exclusivamente nas Parcerias Público-Privadas voltadas à infraestrutura física, ou seja, transporte, energia, conectividade digital e equipamentos urbanos. Convém fazer essa distinção porque o termo "lei de PPPs" tem gerado confusão midiática no México e na Colômbia, onde recentes reformas trabalhistas regulam trabalhadores de plataformas digitais de transporte e delivery sob siglas semelhantes. A análise a seguir aborda o marco institucional das PPPs de infraestrutura e os atores que determinam sua evolução.
México: 38 projetos e US$ 17,1 bilhões no pipeline de infraestrutura
O México lidera a região em número de projetos de infraestrutura em fase de pré-construção ou construção. A BNamericas identifica 38 projetos que somam um investimento de US$ 17,1 bilhões, o que posiciona o país como o mercado com maior volume de iniciativas ativas na América Latina.
O pipeline rodoviário constitui um dos eixos centrais dessa atividade. Dentro da Secretaría de Infraestructura, Comunicaciones y Transportes (SICT), duas figuras institucionais concentram a tomada de decisões sobre a estruturação e desenvolvimento de projetos viários. Tania Carro Toledo, Subsecretária de Comunicações e Transportes, lidera a estratégia setorial a partir da SICT. Rafael Cervantes de la Teja, Diretor-Geral de Desenvolvimento Rodoviário na mesma secretaria, lidera o planejamento e a execução do programa de concessões e obras rodoviárias.
Ambos os perfis representam os pontos de contato institucional para investidores e desenvolvedores interessados no ciclo de licitações de infraestrutura de transporte no México. Suas decisões incidem diretamente nos calendários de adjudicação, nas condições de estruturação financeira e nos padrões técnicos dos projetos.
No âmbito energético, Manuel Calva Merino ocupa o cargo de Advogado-Geral da Comisión Federal de Electricidad (CFE), de onde lidera os assuntos jurídicos e o cumprimento regulatório do principal ator estatal do setor elétrico mexicano. Seu papel é central em um contexto onde a expansão da transmissão elétrica exigirá recursos volumosos nos próximos anos.
Colômbia: um pipeline de 18 projetos por mais de US$ 23 bilhões
A Colômbia apresenta um pipeline de 18 grandes projetos de infraestrutura que impulsionarão investimentos superiores a US$ 23 bilhões, segundo dados da BNamericas correspondentes a junho de 2025. O Puerto Internacional Las Américas exerce influência significativa na magnitude dessa cifra.
O volume do pipeline colombiano supera em montante total o mexicano, embora com um número menor de projetos. Isso reflete a concentração de capital em megaprojetos de alto impacto, particularmente em infraestrutura portuária e de transporte multimodal. A estruturação de PPPs na Colômbia evoluiu a partir da experiência acumulada nas gerações de concessões viárias (4G e 5G), o que confere ao mercado colombiano um grau de maturidade institucional reconhecido por investidores internacionais.
Para os atores do setor, a Colômbia representa uma jurisdição onde a profundidade do pipeline e a escala dos projetos individuais geram oportunidades diferenciadas em relação a outros mercados da região.
Como a nova lei de PPPs transforma o panorama de investimento no Peru?
O Peru aprovou a Lei nº 32441, regulamentada pelo Decreto Supremo nº 316-2025-EF, que entrou em vigor em 26 de dezembro de 2025. Essa legislação regula a promoção do investimento privado por meio de Parcerias Público-Privadas e Projetos em Ativos. A reforma simplifica processos administrativos, fortalece o papel da ProInversión como organismo reitor e estabelece novas regras para a adjudicação, modificação e encerramento de projetos.
A Lei nº 32441 constitui a mudança regulatória mais concreta e recente em matéria de PPPs de infraestrutura na região. Sua implementação redefine os incentivos para a participação privada em setores como transporte, saneamento, energia e telecomunicações no Peru.
Dois elementos se destacam na nova normativa. O fortalecimento institucional da ProInversión centraliza a estruturação técnica e financeira dos projetos, reduzindo a fragmentação que caracterizava o modelo anterior. A simplificação dos processos de adjudicação busca encurtar os prazos entre a identificação de um projeto e o fechamento financeiro, um gargalo histórico no mercado peruano.
A reforma peruana marca um referencial para outras jurisdições latino-americanas que avaliam modernizar seus marcos de PPPs.
Qual é o papel da transmissão elétrica no pipeline regional de infraestrutura?
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) projeta que, entre 2026 e 2030, a região planeja um investimento total superior a US$ 17 bilhões em planos nacionais de expansão da transmissão elétrica. Essa cifra revela a magnitude da lacuna de infraestrutura energética que a América Latina precisa fechar para sustentar a transição energética, a eletrificação do transporte e o crescimento da demanda industrial.
A transmissão elétrica representa um segmento de investimento com características atrativas para o capital institucional: fluxos de caixa previsíveis, contratos de longo prazo e respaldo regulatório. No México, a CFE concentra a operação do sistema de transmissão, enquanto na Colômbia e no Peru operam esquemas com maior participação do setor privado por meio de licitações e concessões.
O investimento de US$ 17 bilhões em transmissão elétrica projetado pelo BID para 2026-2030 configurará um dos segmentos de maior atividade em PPPs de infraestrutura na região. Os desenvolvedores e fundos de infraestrutura que estabelecerem posições antecipadas nesse segmento encontrarão um mercado em expansão sustentada.
Panorama comparado: três mercados, uma tendência convergente
A leitura transversal dos três mercados revela uma tendência convergente. O México contribui com volume, com 38 projetos ativos e US$ 17,1 bilhões em investimento. A Colômbia contribui com escala, com 18 projetos que superam US$ 23 bilhões. O Peru contribui com renovação institucional, com uma lei de PPP de nova geração que moderniza as regras do jogo.
Em conjunto, os pipelines de México e Colômbia por si só superam US$ 40 bilhões em investimento identificado, sem considerar os projetos em fase de estruturação inicial no Peru nem os programas de transmissão elétrica regionais.
O ciclo de investimento em infraestrutura latino-americana se define pela convergência de pipelines robustos, reformas regulatórias e a necessidade de fechar lacunas em transporte, energia e conectividade. Os mercados que conseguirem articular marcos institucionais claros com calendários de licitação previsíveis captarão a maior proporção do capital disponível.
Decisores-chave e espaços de articulação
O GRI Institute identificou esse ciclo de estruturação como um eixo temático prioritário para seus membros. Espaços de discussão como os clubes de líderes em infraestrutura latino-americana permitem que tomadores de decisão do setor público, investidores institucionais e desenvolvedores avaliem oportunidades em tempo real, comparem marcos regulatórios e estabeleçam relações de longo prazo.
Perfis como os de Tania Carro Toledo, Rafael Cervantes de la Teja e Manuel Calva Merino representam o tipo de interlocutores institucionais cuja participação nesses espaços eleva a qualidade do diálogo entre o setor público e o capital privado.
Para os membros do GRI Institute que atuam em infraestrutura latino-americana, o momento atual combina três condições favoráveis: volume de projetos identificados, reformas regulatórias em curso e demanda estrutural de investimento em setores críticos. A capacidade de cada mercado de traduzir essas condições em fechamentos financeiros efetivos definirá o mapa de oportunidades dos próximos cinco anos.
Fontes: BNamericas (junho de 2025), Banco Interamericano de Desenvolvimento, Governo do México, Governo do Peru, GRI Institute.