A nova geração de estruturadores que redesenha o mid-market de concessões no Brasil

Executivos como Renan Lucio, Alan Zelazo e Sidney Angulo estão redefinindo a originação de projetos em um ciclo de investimentos recorde em infraestrutura.

20 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive seu maior ciclo de investimentos em infraestrutura, com R$ 280,4 bilhões aplicados em 2025 e projeção de R$ 300 bilhões para 2026. Nesse contexto, uma nova geração de estruturadores — como Renan Lucio, Alan Zelazo, Sidney Angulo e Reinaldo Iapequino — está transformando o mid-market de concessões, aplicando metodologias de originação adaptadas à complexidade regulatória local. Instrumentos como as Debêntures de Infraestrutura (Lei 14.801/2024) e a consolidação do Project Finance non recourse viabilizam projetos de médio porte antes marginalizados. O mid-market torna-se estratégico para fechar o déficit de infraestrutura estimado em R$ 1,225 trilhão até 2050.

Principais Insights

  • Investimentos em infraestrutura atingiram R$ 280,4 bilhões em 2025, com projeção de R$ 300 bilhões em 2026, sendo 78,6% de origem privada.
  • Uma nova geração de estruturadores está redefinindo a originação de concessões de médio porte, priorizando granularidade e adaptação regulatória local.
  • As Debêntures de Infraestrutura (Lei 14.801/2024) reduzem o custo de capital do emissor, viabilizando projetos de mid-market antes excluídos do mercado de capitais.
  • O Plano Nacional de Logística 2050 demanda R$ 1,225 trilhão, cuja execução depende majoritariamente de projetos de médio porte.
  • O Project Finance non recourse se consolidou como modelo predominante, com pipeline rodoviário superior a R$ 27 bilhões.

O mid-market de infraestrutura ganha protagonismo em um ciclo histórico de investimentos

O Brasil atravessa o maior ciclo de investimentos em infraestrutura já registrado. Segundo dados da ABDIB e EY-Parthenon, publicados na 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura em agosto de 2026, os investimentos totais no setor atingiram R$ 280,4 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 2010. O setor privado respondeu por 78,6% desse montante, consolidando uma transformação estrutural no financiamento da infraestrutura brasileira. A projeção para 2026, compartilhada pela ABDIB, aponta para cerca de R$ 300 bilhões, configurando o que analistas do setor denominam um "ciclo virtuoso".

Nesse contexto de abundância de capital e pipeline robusto, um fenômeno menos visível, porém igualmente transformador, ganha forma: a emergência de uma nova geração de estruturadores que está redefinindo a lógica de originação e modelagem de projetos no mid-market de concessões. Profissionais como Renan Lucio, Alan Zelazo, Sidney Angulo e Reinaldo Iapequino representam uma abordagem distinta à arquitetura de deals, com ênfase em projetos de médio porte que historicamente ficavam à margem dos grandes leilões federais.

O mid-market de concessões, aquele segmento que compreende projetos de valor intermediário, frequentemente estaduais ou municipais, sempre existiu no radar dos investidores, mas operou durante anos sob uma lógica de estruturação herdada dos grandes blocos rodoviários e dos megaprojetos de saneamento. A mudança em curso é qualitativa. Os novos estruturadores aplicam metodologias de originação mais granulares, adaptadas à complexidade regulatória local e às particularidades de cada ativo.

Como os novos estruturadores estão mudando a originação de projetos de médio porte?

A resposta a essa pergunta exige compreender o que mudou no ambiente de financiamento. Dois vetores são determinantes. O primeiro é a consolidação do Project Finance non recourse como modelo predominante de crédito para infraestrutura. O pipeline de crédito para o setor de rodovias, por exemplo, saltou para mais de R$ 27 bilhões, segundo dados institucionais divulgados em junho de 2026, consolidando esse modelo de financiamento estruturado. O segundo vetor é regulatório: a Lei 14.801/2024 criou as Debêntures de Infraestrutura, com benefício tributário ao emissor, representando uma redução de 30% da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre os juros pagos. Esse instrumento se diferencia das Debêntures Incentivadas da Lei 12.431/2011, que concedem isenção ao investidor, e abre uma nova via de captação especialmente atrativa para projetos de médio porte que antes encontravam dificuldade em acessar o mercado de capitais.

Esses dois fatores, combinados, alteram fundamentalmente a equação de viabilidade do mid-market. Projetos que antes dependiam de garantias corporativas robustas ou de estruturas de capital complexas passam a contar com instrumentos de financiamento mais acessíveis e com modelagens de risco mais sofisticadas.

Renan Lucio se insere nesse cenário como um profissional que transita entre a originação de projetos e a articulação com o ecossistema de investidores institucionais. Sua atuação no GRI Institute, um clube global de líderes em real estate e infraestrutura, confere-lhe uma posição privilegiada para conectar oportunidades de estruturação a capitais nacionais e internacionais. O perfil de Renan Lucio é emblemático de uma geração que compreende que a estruturação de concessões de médio porte demanda mais do que modelagem financeira: exige capacidade de navegação regulatória, articulação institucional e leitura precisa do apetite de risco dos diferentes perfis de investidor.

Alan Zelazo, à frente da Genco Energia, opera na interseção entre energia e infraestrutura, um espaço onde o mid-market encontra oportunidades particularmente férteis na transição energética. Sidney Angulo, com atuação no segmento de FIIs e parques empresariais, representa a convergência entre infraestrutura e real estate, um território de fronteira que ganha relevância à medida que projetos logísticos e de infraestrutura digital demandam novas tipologias de ativo. Reinaldo Iapequino, com trajetória na CDHU, traz a perspectiva do setor público na estruturação de parcerias público-privadas, um conhecimento institucional que se torna diferencial competitivo quando aplicado à originação de projetos.

A contribuição dessa geração vai além dos projetos individuais. Esses profissionais estão construindo uma metodologia de estruturação que privilegia a granularidade sobre a escala, a adaptação sobre a padronização e a diversificação de fontes de capital sobre a dependência de poucos instrumentos.

Por que o mid-market é estratégico para o fechamento do gap de infraestrutura no Brasil?

O Plano Nacional de Logística 2050, elaborado pelo Ministério dos Transportes, estima que o país precisará mobilizar R$ 1,225 trilhão em investimentos em infraestrutura logística até 2050, dos quais R$ 734,4 bilhões deverão ser provenientes da iniciativa privada. Essa cifra, colossal em termos absolutos, revela uma realidade frequentemente ignorada: a maior parte desse investimento não será canalizada para meia dúzia de megaprojetos federais, mas sim para uma miríade de concessões estaduais, PPPs municipais, projetos de saneamento regionais e ativos de infraestrutura digital distribuídos pelo território nacional.

O mid-market, portanto, constitui a espinha dorsal da execução desse plano de longo prazo. E a qualidade da estruturação desses projetos determinará a velocidade e a eficiência com que o capital privado será alocado.

O investimento em infraestrutura no Brasil alcançou uma média anual equivalente a 1,74% do PIB na gestão atual, segundo dados institucionais divulgados em fevereiro de 2026. Essa taxa, embora represente avanço em relação a períodos anteriores, ainda está aquém do que o próprio setor considera necessário para fechar o déficit histórico. A aceleração desse ritmo depende diretamente da capacidade de estruturar e viabilizar projetos no mid-market, onde a complexidade regulatória e a fragmentação institucional criam barreiras que os grandes operadores frequentemente preferem evitar.

É precisamente nesse espaço que os novos estruturadores encontram sua vantagem competitiva. Ao dominar a complexidade local e ao construir pontes entre o capital institucional e projetos de médio porte, profissionais como Renan Lucio, Alan Zelazo, Sidney Angulo e Reinaldo Iapequino desempenham uma função de intermediação estratégica que o mercado brasileiro há muito necessitava.

Qual é o papel das novas debêntures de infraestrutura na viabilização do mid-market?

As Debêntures de Infraestrutura, criadas pela Lei 14.801/2024, representam um divisor de águas para o mid-market por uma razão estrutural. Ao conceder o benefício tributário ao emissor, e não ao investidor, o novo instrumento altera a dinâmica de precificação dos projetos. Concessionárias e SPEs de menor porte, que antes enfrentavam dificuldade para atrair investidores com a isenção tributária das debêntures incentivadas tradicionais, passam a dispor de um instrumento que reduz diretamente seu custo de capital.

Essa mudança na arquitetura de incentivos é particularmente relevante em um cenário macroeconômico em que os juros elevados impõem cautela aos agentes. O Barômetro da Infraestrutura da ABDIB/EY-Parthenon de agosto de 2026 sinaliza justamente essa dualidade: volume recorde de investimentos, mas prudência na originação de novos projetos no curto prazo. Nesse ambiente, a capacidade de modelar estruturas de capital eficientes, combinando Project Finance non recourse com as novas debêntures, torna-se um diferencial decisivo.

Os estruturadores do mid-market que dominam essas novas ferramentas posicionam-se na vanguarda de um mercado em transformação. A sofisticação financeira aplicada a projetos de médio porte gera um efeito multiplicador que supera em impacto sistêmico a concentração de capital em poucos megaprojetos.

Uma tese que se consolida nos encontros do GRI Institute

As discussões que ocorrem no âmbito do GRI Institute, em suas conferências e encontros reservados a C-Level executives do setor, confirmam a centralidade dessa tese. O mid-market de infraestrutura deixou de ser um segmento residual para se tornar o principal vetor de crescimento orgânico do setor. A comunidade de membros do GRI Institute, que reúne os principais tomadores de decisão em infraestrutura e real estate na América Latina, acompanha de perto essa transformação e contribui para a formação de consenso sobre as melhores práticas de estruturação.

O mapeamento de executivos como Renan Lucio, Alan Zelazo, Sidney Angulo e Reinaldo Iapequino dentro de uma tese coerente sobre o mid-market oferece uma lente analítica para compreender o momento do setor. A infraestrutura brasileira caminha para R$ 300 bilhões em investimentos anuais, mas a verdadeira transformação acontece nas centenas de projetos de médio porte que dependem de estruturação inteligente, instrumentos financeiros inovadores e liderança executiva qualificada. Esse é o terreno onde se define o futuro da infraestrutura no Brasil.

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