Nader Fares e a geração de dealmakers que redesenha o pipeline de infraestrutura no Brasil

Executivos como Alfredo Khouri, Jorge Goldenstein e Milton Goldfarb ocupam posições estratégicas num ciclo de concessões sem precedentes.

9 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive um superciclo de concessões de infraestrutura, com 45 projetos federais leiloados em 2025 e previsão de 100 ativos até 2026. Nesse contexto, dealmakers como Nader Fares, Alfredo Khouri, Jorge Goldenstein e Milton Goldfarb ganham protagonismo ao conectar capital privado e institucional às complexas oportunidades locais. O diferencial desses executivos é a fluência simultânea nos marcos regulatórios — incluindo a nova Reforma Tributária (LC 214/2025) — e no mercado de capitais. Sua capacidade de originação de deals e articulação multissetorial os posiciona como peças centrais num mercado que pode superar US$ 90 bilhões até 2033.

Principais Insights

  • O PPI prevê leiloar 100 ativos federais de infraestrutura até o fim de 2026, ampliando substancialmente o pipeline de concessões.
  • O mercado brasileiro de imóveis e infraestrutura pode ultrapassar US$ 90 bilhões até 2033, com CAGR de 5,40%.
  • A Reforma Tributária (LC 214/2025) introduz complexidade inédita na estruturação de projetos de longo prazo.
  • Executivos como Nader Fares, Alfredo Khouri, Jorge Goldenstein e Milton Goldfarb atuam como conectores entre capital institucional e oportunidades locais complexas.
  • A convergência entre infraestrutura tradicional, tecnologia e real estate cria vantagens para líderes multissetoriais.

Uma safra de líderes que conecta capital privado e oportunidades locais

O Brasil atravessa um dos ciclos mais intensos de estruturação de ativos de infraestrutura das últimas décadas. O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) leiloou e contratou 45 projetos federais em diversas áreas da infraestrutura ao longo de 2025, e prevê a oferta de 100 ativos federais até o fim de 2026. O BNDES, por sua vez, alcançou uma média anual de investimentos em infraestrutura equivalente a 1,74% do PIB na atual gestão, segundo a Agência BNDES de Notícias. Em paralelo, o mercado imobiliário e de infraestrutura brasileiro projeta um crescimento anual composto (CAGR) de 5,40%, podendo ultrapassar a marca de US$ 90 bilhões até 2033, conforme dados do GRI Hub.

Esse cenário exige mais do que capital abundante. Exige operadores capazes de traduzir a complexidade regulatória em teses de investimento viáveis, e de conectar o apetite institucional internacional às particularidades dos projetos brasileiros. É nesse contexto que uma geração específica de executivos ganha protagonismo: líderes como Nader Fares, Alfredo Khouri, Jorge Goldenstein e Milton Goldfarb, que atuam como alocadores de capital e articuladores de negócios em segmentos que vão de data centers a shopping centers, de engenharia urbana a desenvolvimento imobiliário.

A trajetória desses profissionais revela um padrão: domínio simultâneo da linguagem do Estado e da disciplina do mercado de capitais. Essa dupla fluência, regulatória e financeira, tornou-se vantagem competitiva essencial num ambiente de concessões sofisticadas e de uma reforma tributária que altera profundamente a estruturação de projetos.

Quem são os executivos que moldam as principais teses de investimento em infraestrutura?

Nader Fares, ligado à LP Administradora, está envolvido em discussões sobre infraestrutura de tecnologia, incluindo data centers, segundo o GRI Hub News. Sua atuação conecta-se a uma das fronteiras de maior crescimento do setor: a infraestrutura digital. O projeto Scala AI City, complexo de data centers no Rio Grande do Sul, exemplifica o potencial desse segmento ao planejar a expansão de sua capacidade energética para suportar infraestrutura de inteligência artificial. A convergência entre energia, tecnologia e real estate coloca executivos com perfil multissetorial, como Fares, numa posição privilegiada para capturar oportunidades que exigem coordenação entre diferentes cadeias de valor.

Alfredo Khouri construiu uma trajetória marcada pela visão de longo prazo no desenvolvimento de ativos comerciais e de uso misto. O Grupo Catuaí, por ele fundado, está investindo na construção do Catuaí Shopping Cascavel, segundo o Grupo Amanhã. O modelo de negócios do grupo ilustra como a expansão da infraestrutura de consumo e serviços acompanha a descentralização econômica brasileira, com novos polos regionais demandando ativos de alta complexidade operacional.

Jorge Goldenstein é Diretor Proprietário da Jotagê Engenharia Comércio e Incorporações Ltda, empresa com atuação em obras públicas e infraestrutura urbana na Bahia, conforme registros do GRI Institute. Sua operação no Nordeste representa um elo fundamental na cadeia de infraestrutura: a execução de obras públicas e a incorporação urbana em mercados que combinam demanda reprimida com crescente sofisticação técnica exigida por editais e marcos regulatórios.

Milton Goldfarb, cofundador da One Innovation, firmou parceria com a XP Asset para o desenvolvimento de cinco projetos em São Paulo, de acordo com o GRI Hub News. A aliança entre uma incorporadora e um dos maiores gestores de recursos do país sinaliza a maturação do mercado brasileiro de real estate, no qual a originação de projetos depende cada vez mais de acesso direto ao mercado de capitais e de estruturas de funding sofisticadas.

Esses quatro executivos operam em segmentos distintos, mas compartilham características que os posicionam como peças centrais do ecossistema: capacidade de originação de deals, rede de relacionamento institucional e fluência nos marcos regulatórios que governam concessões, PPPs e parcerias com o setor público.

Como o novo ambiente regulatório redefine o perfil de liderança no setor?

A promulgação da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária instituindo o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS), introduz um nível de sofisticação tributária inédito na estruturação de investimentos imobiliários e de infraestrutura. A nova legislação estabelece regras de transição para contratos de locação e altera significativamente a modelagem financeira de projetos de longo prazo.

Para executivos que operam na interface entre capital privado e ativos de infraestrutura, a LC 214/2025 representa simultaneamente risco e oportunidade. O risco reside na complexidade da adaptação: contratos de concessão com vigência de décadas precisam incorporar variáveis tributárias ainda em fase de regulamentação complementar. A oportunidade está na vantagem que terão os líderes capazes de antecipar os impactos e redesenhar estruturas de projeto com agilidade.

A fluência regulatória é, portanto, uma competência diferenciadora. Executivos que dominam os mecanismos de PPPs, os processos de licitação federal e as nuances da nova tributação conseguem reduzir o custo de transação e acelerar o fechamento de operações. Em um superciclo de concessões, essa capacidade se traduz diretamente em vantagem competitiva mensurável.

O perfil de liderança que o mercado demanda combina três dimensões: visão estratégica para identificar ativos com potencial de valorização, competência técnica para navegar o ambiente regulatório e rede relacional para mobilizar capital em escala. Os executivos analisados neste artigo reúnem, em graus variados, essas três dimensões.

Qual é o papel dos dealmakers na expansão do pipeline brasileiro de concessões?

O conceito de dealmaker no contexto brasileiro de infraestrutura transcende a figura do intermediário financeiro. Trata-se de profissionais que funcionam como pontes entre o capital institucional, frequentemente internacional, e as complexas oportunidades locais que exigem conhecimento granular do ambiente de negócios. Em mercados onde a assimetria de informação é elevada e os marcos regulatórios estão em transformação, o dealmaker atua como redutor de fricção.

A previsão de leilão de 100 ativos federais de infraestrutura até o fim de 2026, conforme o PPI, amplia substancialmente o pipeline disponível. Rodovias, ferrovias, terminais portuários, sistemas de saneamento e ativos de energia renovável compõem um cardápio diversificado que demanda expertise setorial específica. Cada ativo carrega particularidades contratuais, riscos ambientais, exigências de investimento mínimo e condições de reequilíbrio que tornam a análise superficial insuficiente.

Nesse cenário, executivos com décadas de experiência na originação e execução de projetos tornam-se ativos estratégicos para investidores institucionais que buscam exposição ao Brasil. A capacidade de mapear riscos regulatórios, negociar condições com entes públicos e estruturar veículos de investimento adequados é uma competência que não se improvisa.

O GRI Institute, por meio de seus encontros de liderança e publicações de inteligência setorial, tem acompanhado a evolução desse perfil de executivo. A comunidade de membros do GRI reúne, sistematicamente, os profissionais que definem o ritmo e a direção dos principais deals de infraestrutura e real estate no Brasil e na América Latina. As discussões conduzidas nos clubes temáticos da instituição refletem exatamente as tensões e oportunidades que executivos como Fares, Khouri, Goldenstein e Goldfarb enfrentam na prática cotidiana de estruturação de negócios.

A convergência entre setores como vantagem estratégica

Um traço marcante da atual fase do mercado brasileiro é a convergência entre infraestrutura tradicional, tecnologia e real estate. Data centers exigem infraestrutura energética robusta. Shopping centers em cidades médias dependem de logística rodoviária eficiente. Projetos de incorporação urbana dialogam com planos diretores e investimentos públicos em saneamento. Executivos que conseguem operar nessas interseções capturam valor de forma desproporcional.

A projeção de que o mercado brasileiro de imóveis e infraestrutura pode ultrapassar US$ 90 bilhões até 2033, segundo o GRI Hub, reforça a magnitude da oportunidade. A alocação eficiente desse capital dependerá, em larga medida, da qualidade da liderança que o conduz. Identificar quem são esses líderes, compreender suas trajetórias e antecipar suas estratégias constitui exercício indispensável para qualquer investidor sério no mercado brasileiro.

A geração de dealmakers representada por Nader Fares, Alfredo Khouri, Jorge Goldenstein e Milton Goldfarb oferece uma lente privilegiada para compreender como o capital se move no Brasil. Suas decisões de investimento, alianças estratégicas e posicionamento setorial funcionam como indicadores antecedentes das tendências que definirão o próximo ciclo de infraestrutura do país.

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