
Murilo Marchesini e o mapa dos executivos que lideram a nova geração de concessões de infraestrutura no Brasil
Com investimentos recordes e predominância do capital privado, o país forma uma nova safra de dealmakers que conectam mercado de capitais e projetos de infraestrutura
Resumo Executivo
Principais Insights
- O investimento em infraestrutura no Brasil atingiu R$ 280 bilhões em 2025, com 84% oriundos do setor privado.
- A projeção para 2026 é de R$ 300 bilhões em investimentos, com mais de R$ 265 bilhões em PPPs contratadas.
- A Finamob, de Murilo Marchesini, projeta estruturar R$ 1 bilhão em crédito imobiliário em 2026, dobrando o volume de 2025.
- O mercado de FIIs na B3 alcançou R$ 200 bilhões e mais de 3 milhões de investidores.
- O ciclo atual exige executivos com competências híbridas: mercado de capitais, estruturação de crédito e conhecimento regulatório.
O investimento total em infraestrutura no Brasil atingiu R$ 280 bilhões em 2025, um recorde histórico segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB). Mais relevante que o número absoluto é a composição desse capital: o setor privado respondeu por 84% de todos os aportes no período, conforme dados da ABDIB publicados pela Folha de S.Paulo. Esse cenário consolida um ciclo em que a viabilização financeira dos grandes projetos depende, cada vez mais, de executivos com domínio sobre instrumentos de mercado de capitais, estruturação de crédito e originação de operações. Murilo Marchesini, fundador da Finamob e CEO da Verticale Desenvolvimento Imobiliário, é um dos nomes que personificam essa transição geracional.
Quem é Murilo Marchesini e qual o seu papel no ecossistema de infraestrutura?
Murilo Marchesini é o fundador da Finamob, empresa especializada em estruturar crédito para incorporadoras por meio do mercado de capitais, e também atua como CEO da incorporadora Verticale Desenvolvimento Imobiliário, conforme registrado pelo GRI Institute e pelo Estado de S.Paulo. Sua trajetória representa um perfil em ascensão no mercado brasileiro: o do dealmaker que opera na interseção entre a economia real e os instrumentos financeiros sofisticados.
A Finamob ocupa um nicho estratégico. Construtoras e incorporadoras de médio porte frequentemente enfrentam barreiras de acesso ao crédito bancário tradicional. A empresa de Marchesini resolve essa lacuna ao estruturar operações via mercado de capitais, conectando originadores de projetos a investidores institucionais. De acordo com o portal Metro Quadrado, a Finamob projeta estruturar R$ 1 bilhão em crédito para o setor imobiliário em 2026, o dobro do volume realizado em 2025.
Essa competência em estruturação e originação de crédito é diretamente análoga às necessidades do novo ciclo de concessões de infraestrutura no Brasil. A capacidade de conectar ativos reais a fontes de financiamento privado define o perfil dos executivos mais demandados pelo mercado neste momento. Marchesini é participante ativo do GRI Institute, o clube global que reúne líderes C-level dos setores imobiliário e de infraestrutura para discussões e negociações que moldam o mercado.
Por que o capital privado domina o investimento em infraestrutura no Brasil?
A participação de 84% do setor privado nos investimentos em infraestrutura em 2025 reflete uma transformação estrutural. A sofisticação crescente do mercado de capitais brasileiro ampliou significativamente as fontes de financiamento disponíveis para projetos de longo prazo. Um indicador relevante dessa maturação é o mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) na B3, que atingiu um estoque de R$ 200 bilhões e 3,076 milhões de investidores, segundo dados da própria B3 divulgados pelo GRI Institute. Essa base de capital sofisticado alimenta não apenas o setor imobiliário, mas também setores adjacentes de infraestrutura.
O arcabouço regulatório sustenta essa dinâmica. O Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei n.º 14.026/2020) estabeleceu metas de universalização e ampliou o espaço para a participação privada, tornando-se um dos principais impulsionadores dos investimentos recentes. A Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei n.º 14.133/2021) modernizou as regras para contratações públicas, impactando a modelagem e a execução de projetos. Em paralelo, o Projeto de Lei n.º 7.063/2017, ainda em tramitação no Congresso Nacional, propõe um novo Marco Legal unificado para Concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), buscando consolidar a legislação existente para aprimorar a segurança jurídica, a alocação de riscos e o equilíbrio contratual.
O resultado prático dessa convergência entre capital privado abundante e ambiente regulatório em evolução é um pipeline robusto de projetos. O governo federal planeja realizar 21 leilões de infraestrutura de transportes em 2026, sendo 13 rodoviários e 8 ferroviários, com previsão de R$ 288 bilhões em investimentos, conforme apurado pelo JOTA.
O pipeline de 2026: R$ 300 bilhões em investimentos projetados
A ABDIB prevê que os investimentos em infraestrutura no Brasil devem atingir R$ 300 bilhões em 2026, segundo reportagem da Exame. Esse patamar representaria um crescimento de aproximadamente 7% em relação ao recorde de 2025. As contratações de Parcerias Público-Privadas previstas para 2026 somam mais de R$ 265 bilhões em investimentos, de acordo com levantamento do Radar PPP publicado pela CNN Brasil. As principais empresas de infraestrutura no país planejam investir mais de R$ 50 bilhões em suas operações ao longo de 2026, com destaque para saneamento e rodovias, conforme a BNamericas.
O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também alimenta o pipeline. O programa prevê investimentos de R$ 1,3 trilhão até 2026, segundo a Casa Civil do Governo Federal. Até agosto de 2025, 70,8% do valor previsto, equivalente a R$ 944,8 bilhões, já havia sido executado, de acordo com a Agência Brasil.
Esses números revelam uma demanda estrutural por profissionais capazes de fazer a ponte entre o capital disponível e os projetos que precisam de financiamento. A competência em estruturar operações complexas, que combinem diferentes fontes de recursos e mitiguem riscos, tornou-se o ativo mais valioso do ecossistema.
Qual é o perfil do executivo que viabiliza concessões na nova era?
O ciclo atual de investimentos em infraestrutura no Brasil exige um tipo específico de liderança executiva. Com o setor privado respondendo por mais de quatro quintos dos aportes, a habilidade de navegar simultaneamente o mercado de capitais e a complexidade regulatória dos projetos de concessão passou a definir os profissionais mais influentes do setor.
Murilo Marchesini exemplifica esse perfil. Sua atuação na Finamob demonstra a capacidade de identificar gargalos de crédito e resolvê-los com instrumentos financeiros estruturados. A projeção de dobrar o volume de operações em 2026, alcançando R$ 1 bilhão, sinaliza a escalabilidade desse modelo. A atuação simultânea como CEO da Verticale Desenvolvimento Imobiliário confere a Marchesini uma perspectiva operacional que complementa sua expertise financeira.
Os encontros promovidos pelo GRI Institute funcionam como espaço privilegiado para que executivos desse calibre articulem negócios e compartilhem visões de mercado. A rede do GRI Institute conecta líderes C-level de todo o ecossistema, desde concessionárias e construtoras até gestoras de recursos e investidores institucionais, criando as condições para que as transações que definem o setor sejam concretizadas.
A infraestrutura brasileira atravessa um momento de transformação que transcende o volume de investimentos. O que está em jogo é a capacidade do país de converter um pipeline sem precedentes em projetos efetivamente executados. Essa conversão depende de uma geração de executivos com competências híbridas, que combinem visão estratégica, domínio de instrumentos financeiros e compreensão das especificidades regulatórias do setor. A trajetória de profissionais como Murilo Marchesini ilustra a direção que o mercado está tomando.
O mapa do capital e das competências
O recorde de R$ 280 bilhões investidos em 2025, a projeção de R$ 300 bilhões para 2026 e o pipeline de mais de R$ 265 bilhões em PPPs configuram um cenário de oportunidades sem paralelo na história recente da infraestrutura brasileira. A predominância absoluta do capital privado redefine as competências exigidas dos executivos que lideram o setor. A capacidade de estruturar crédito, originar operações e conectar investidores a projetos de longo prazo tornou-se tão decisiva quanto a engenharia ou a gestão operacional.
O GRI Institute segue mapeando e conectando os profissionais que protagonizam essa transformação. A presença de executivos como Murilo Marchesini nos fóruns do instituto reflete a crescente relevância dos dealmakers financeiros no ecossistema de infraestrutura. O próximo ciclo de concessões será definido pela qualidade dessas conexões e pela sofisticação das estruturas de financiamento que viabilizarem os projetos.