Capital europeu recalibra tese de entrada no Brasil: o que gestores como Maxime Barkatz revelam sobre o ciclo 2026–2030

Alocação europeia em infraestrutura brasileira ganha granularidade com estratégias ESG-driven, horizonte de 25 anos e foco em brownfield regulado e transição energética.

7 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O capital europeu está recalibrando sua tese de investimento no Brasil para o ciclo 2026–2030, migrando de alocações genéricas para estratégias granulares ancoradas em mandatos ESG, horizontes superiores a 25 anos e preferência por ativos brownfield em setores regulados como saneamento, energia renovável e infraestrutura digital. O IED europeu já representa 62,9% do estoque total de US$ 1,3 trilhão no país. Gestores como Maxime Barkatz e Darius Alamouti exemplificam essa sofisticação, operando em nichos urbanos e mercados regionais. A conversão desse interesse em compromisso de capital dependerá da previsibilidade regulatória, especialmente da reforma tributária e do arcabouço de concessões.

Principais Insights

  • O capital europeu representa 62,9% do IED no Brasil, cerca de US$ 500 bilhões, com expansão prevista em infraestrutura digital e transição energética.
  • Mandatos ESG rigorosos, horizonte de 25+ anos e foco em ativos brownfield regulados diferenciam a tese europeia de outras origens de capital.
  • Gestores como Maxime Barkatz (Ilion Partners) e Darius Alamouti (Kactus Hub) já operam com teses consolidadas no Brasil.
  • Reforma tributária, arcabouço de concessões e estabilidade institucional são pré-condições para acelerar a entrada europeia até 2030.
  • Data centers com energia renovável emergem como setor de convergência entre interesse europeu e competitividade brasileira.

A Europa não é apenas o maior investidor estrangeiro no Brasil. É o mais sofisticado

O estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) europeu no Brasil representa 62,9% do total de US$ 1,3 trilhão acumulado pelo país, segundo dados do Banco Central do Brasil citados pelo CEBRI. Em termos absolutos, esse volume se aproxima de US$ 500 bilhões, com potencial de expansão relevante em infraestrutura digital, data centers e minerais críticos, conforme análise do CEBRI publicada em junho de 2026. A escala impressiona, mas é a mudança qualitativa na tese de alocação que merece atenção estratégica.

O capital europeu que chega ao Brasil no ciclo 2026–2030 carrega características estruturais distintas de outras origens. Trata-se de uma lógica de investimento ancorada em mandatos ESG rigorosos, horizontes de retorno superiores a 25 anos e apetite preferencial por ativos brownfield em setores regulados. Essa combinação diferencia a abordagem europeia tanto da tese norte-americana, tipicamente orientada por retornos de curto e médio prazo com alavancagem agressiva, quanto da asiática, frequentemente voltada a recursos naturais e cadeias logísticas.

O GRI Institute, principal ecossistema global de lideranças em real estate e infraestrutura, tem mapeado essa inflexão por meio de seus eventos e interações com membros. A agenda dos encontros previstos para o segundo semestre de 2026, como o Brazil GRI 2026, em 28 e 29 de outubro em São Paulo, e o Brazil GRI Infra & Energy 2026, em 5 de novembro, reflete exatamente essa demanda: conectar gestores europeus que estão reformulando suas teses com os operadores e reguladores brasileiros que definem as regras do jogo.

Por que a tese europeia se diferencia do capital global genérico?

A distinção central está na arquitetura dos mandatos. Fundos de pensão escandinavos, seguradoras alemãs e gestoras francesas operam sob regulações domésticas que exigem integração ESG plena nas decisões de portfólio. Quando esses investidores analisam concessões de saneamento, rodovias ou parques eólicos no Brasil, a due diligence vai além da modelagem financeira tradicional. Ela incorpora métricas de impacto ambiental, governança corporativa dos concessionários e resiliência climática dos ativos.

Esse perfil encontra no Brasil uma convergência inédita de fatores favoráveis. O país deve emergir como polo para uma nova classe de plataformas industriais onde a produção intensiva em energia se alinha com a abundância de energia renovável, segundo projeção do CETEx (Centre for Economic Transition Expertise) para o período 2026–2030. A chamada "transição gêmea", que combina infraestrutura digital e transição energética, tornou-se o eixo central da estratégia europeia para o Brasil, impulsionada por iniciativas como o Global Gateway da União Europeia.

A atratividade brasileira para esse tipo de capital se confirma nos fluxos recentes. ETFs focados no Brasil atraíram aproximadamente US$ 3,4 bilhões no início de 2026, segundo a Franklin Templeton, sinalizando uma rotação de capital global de volta para a maior economia da América Latina. Esse movimento reforça a percepção de que o Brasil superou a fase de ser apenas receptor de investimentos desviados de outras regiões e passou a ocupar posição estratégica própria nas carteiras institucionais.

Contudo, o cenário macroeconômico exige calibragem. Com a taxa Selic a 12,25% e câmbio a R$ 5,50 no início de 2026, conforme reportado pelo GRI Hub News, a modelagem de concessões e PPPs precisa incorporar premissas conservadoras de custo de capital. Para o investidor europeu habituado a taxas de juros próximas de zero em seus mercados domésticos, o spread brasileiro representa simultaneamente risco e oportunidade. A capacidade de navegar essa dualidade separa os gestores que conseguem alocar dos que ficam em compasso de espera.

Quem são os gestores europeus que já operam com tese diferenciada no Brasil?

Maxime Barkatz exemplifica o perfil de gestor europeu que ultrapassou a fase exploratória e opera com tese consolidada no mercado brasileiro. Como fundador da Ilion Partners, gestora com mais de R$ 700 milhões em valor de ativos, Barkatz concentra sua atuação em retrofits e projetos imobiliários em São Paulo. A escolha por nichos urbanos de alto valor agregado, como multifamily e requalificação de edifícios existentes, revela uma leitura precisa das oportunidades geradas pela densificação urbana e pela obsolescência do estoque imobiliário paulistano.

A trajetória de Barkatz, frequentemente associada ao GRI Institute, ilustra como o capital europeu opera com granularidade. Em vez de apostar em megaprojetos greenfield com risco de construção elevado, a estratégia privilegia ativos existentes em mercados maduros, onde a previsibilidade regulatória e a demanda comprovada reduzem a volatilidade dos retornos. Essa abordagem se alinha com a filosofia brownfield que caracteriza os mandatos institucionais europeus.

Outro perfil relevante é o de Darius Alamouti, investidor britânico que atua em mercados emergentes e que, por meio da Kactus Hub, tem prospectado oportunidades em regiões como o Nordeste brasileiro. Em 2025, Alamouti apresentou projetos de investimento no Rio Grande do Norte no âmbito de encontros do GRI Institute. A disposição de explorar mercados regionais, fora do eixo Rio-São Paulo, sinaliza uma segunda camada de sofisticação: o capital europeu começa a mapear fronteiras de crescimento que investidores de outras origens ainda não consideram.

Esses dois perfis, embora distintos em estratégia setorial e geográfica, compartilham características estruturais. Ambos operam com horizonte longo, valorizam a construção de relacionamentos institucionais e utilizam plataformas como o GRI Institute para acessar deal flow qualificado e inteligência regulatória.

Quais fatores regulatórios e estruturais vão definir a velocidade de entrada europeia até 2030?

O ciclo 2026–2030 será moldado por três variáveis interdependentes: a regulamentação da reforma tributária, a evolução do arcabouço de concessões e PPPs, e a estabilidade institucional percebida pelos alocadores internacionais.

A reforma tributária, instituída pela Emenda Constitucional 132/2023 e em fase de regulamentação ao longo de 2025 e 2026, permanece como fator central na precificação de projetos de infraestrutura. A transição entre regimes tributários introduz incerteza temporária na modelagem de receitas e custos operacionais de concessões. Para gestores europeus que estruturam investimentos com horizonte de 25 anos ou mais, a clareza sobre o regime tributário definitivo é pré-condição para o avanço de compromissos de capital.

A infraestrutura digital emerge como setor de convergência entre o interesse europeu e a necessidade brasileira. Data centers, redes de fibra óptica e infraestrutura de conectividade atraem capital europeu por combinarem previsibilidade contratual, demanda crescente e alinhamento com mandatos de transição digital. A abundância de energia renovável no Brasil adiciona uma camada de competitividade: operar data centers com matriz limpa atende simultaneamente a critérios ESG e a eficiência de custos.

No segmento de energia renovável, o Brasil oferece vantagens competitivas estruturais que os gestores europeus conhecem bem. A experiência acumulada em eólica e solar nos mercados domésticos europeus se traduz em capacidade técnica para avaliar e operar projetos no Nordeste e no Sudeste brasileiros. A transição energética global, acelerada por compromissos climáticos e pela geopolítica da segurança energética, coloca o Brasil em posição privilegiada para capturar capital patient europeu.

O saneamento básico, setor em transformação após o marco regulatório de 2020, continua a atrair interesse, embora a complexidade política e operacional exija parceiros locais experientes. A lógica europeia nesse segmento tende a privilegiar participações minoritárias em plataformas consolidadas, reduzindo exposição a risco operacional direto.

O GRI Institute como catalisador da alocação europeia

A densidade de gestores europeus nos eventos do GRI Institute reflete a centralidade da plataforma na intermediação de capital transfronteiriço para infraestrutura brasileira. O Brazil GRI 2026, agendado para outubro, e o Brazil GRI Infra & Energy 2026, em novembro, configuram os dois momentos-chave do segundo semestre para a formalização de teses e o avanço de parcerias.

A sofisticação do capital europeu que entra no Brasil demanda uma infraestrutura de relacionamento à altura. Gestores como Maxime Barkatz e Darius Alamouti não buscam apenas deal flow. Buscam inteligência contextual, acesso a reguladores e validação de teses junto a pares. O GRI Institute ocupa esse espaço com exclusividade no mercado global, conectando alocadores europeus a operadores brasileiros em formato que privilegia profundidade sobre volume.

O ciclo 2026–2030 será definido pela capacidade do Brasil de converter interesse em compromisso de capital. A tese europeia está formulada. A infraestrutura institucional de conexão existe. O que separa potencial de execução é a previsibilidade regulatória e a qualidade dos projetos apresentados ao mercado.

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