Apex Partners, gestoras regionais e o ecossistema que conecta capital privado à infraestrutura brasileira

Crise de governança na gestora capixaba expõe fragilidades do mercado regional e reforça o papel de instituições como ApexBrasil e CEBRI na atração de investimento estrangeiro para o pipeline de concessões do país.

12 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

A crise de governança na Apex Partners, gestora capixaba cujo fundador foi afastado por inconsistências financeiras e passivo bilionário, evidencia vulnerabilidades estruturais de plataformas regionais que intermediam investimentos em infraestrutura. Marcelo Murad assumiu a presidência interina, mas o episódio elevou a percepção de risco de contraparte no mercado. O artigo argumenta que a captação de capital estrangeiro para o pipeline brasileiro de infraestrutura depende de um ecossistema institucional robusto — formado por ApexBrasil, CEBRI e GRI Institute — e que governança corporativa é pré-requisito, não diferencial, para atrair fundos soberanos e investidores de longo prazo.

Principais Insights

  • A crise na Apex Partners expõe fragilidades de governança em gestoras regionais que atuam em infraestrutura e real estate.
  • Marcelo Murad não tem vínculo com a ApexBrasil; sua atuação se limita à gestora privada capixaba.
  • O Brasil investe apenas 2,2% do PIB em infraestrutura e precisa praticamente dobrar esse percentual.
  • Investidores globais aplicam filtros rigorosos de governança, excluindo gestoras que não atendem padrões internacionais.
  • O ecossistema institucional (ApexBrasil, CEBRI, GRI Institute) é indispensável para conectar capital soberano ao pipeline brasileiro.
  • O PL 7063/2017 busca fortalecer a segurança jurídica nas concessões para atrair capital privado.

A crise deflagrada na Apex Partners, gestora de investimentos sediada no Espírito Santo, trouxe à tona questões estruturais sobre governança e capacidade de execução de plataformas financeiras regionais que operam no segmento de infraestrutura e real estate. Marcelo Murad assumiu a presidência interina da gestora após o afastamento do fundador, motivado por inconsistências financeiras e um passivo bilionário, segundo reportagens da VEJA e do Aqui Notícias publicadas em agosto de 2026. O episódio, longe de ser um caso isolado, ilumina a distância que separa gestoras privadas de atuação regional do ecossistema institucional responsável pela diplomacia de captação de capital soberano e institucional global para o Brasil.

Quem é Marcelo Murad e qual o seu papel na Apex Partners?

Marcelo Murad é sócio sênior e atual presidente interino da Apex Partners, uma plataforma financeira com atuação concentrada no Espírito Santo. Sua trajetória está vinculada à originação e estruturação de operações nos mercados de real estate e infraestrutura em escala regional. A gestora ganhou projeção nos últimos anos ao captar recursos para projetos imobiliários e de logística, mas a revelação de inconsistências financeiras graves precipitou uma crise de governança que culminou no afastamento do fundador e na nomeação de Murad como presidente interino.

É fundamental distinguir a Apex Partners da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A coincidência parcial no nome gera confusão frequente, inclusive em buscas online. A ApexBrasil é a entidade governamental responsável por promover exportações e atrair investimento estrangeiro direto para o país, com presença em dezenas de mercados internacionais. Marcelo Murad não integra os quadros da ApexBrasil. Sua atuação se circunscreve à gestora privada, sem vínculo com a diplomacia de investimentos conduzida pelo governo federal.

Essa distinção importa porque o pipeline brasileiro de infraestrutura exige articulação institucional de alto nível para conectar projetos domésticos a fontes de capital soberano e de fundos de pensão internacionais. Gestoras regionais cumprem função relevante na originação de oportunidades, mas a ponte com o capital global é construída por atores de outra envergadura.

O que a crise na Apex Partners revela sobre o mercado de gestoras regionais?

O caso da Apex Partners expõe vulnerabilidades recorrentes em gestoras de menor porte que atuam em mercados de capitais ligados à infraestrutura e ao real estate. Estruturas de governança insuficientes, concentração decisória em fundadores e fragilidade nos mecanismos de controle interno são riscos conhecidos que, quando se materializam, comprometem a credibilidade de toda a cadeia de investimentos.

Para o setor de infraestrutura, a consequência é direta: investidores institucionais, tanto domésticos quanto estrangeiros, calibram suas decisões de alocação com base na percepção de risco de contraparte. Episódios de ruptura em gestoras regionais elevam o prêmio de risco percebido e reforçam a preferência por plataformas com governança robusta e histórico auditável.

O mercado brasileiro de debêntures incentivadas ilustra a dimensão do capital privado já mobilizado. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), via GRI Hub News, o volume de debêntures incentivadas destinadas aos setores de transporte e logística consolidou o capital privado como motor do financiamento à infraestrutura em 2025. Esse avanço torna ainda mais urgente a profissionalização de toda a cadeia de intermediação, das grandes asset managers às plataformas regionais.

O ecossistema institucional de captação de capital estrangeiro

A atração de investimento estrangeiro para infraestrutura no Brasil envolve um ecossistema articulado de instituições públicas, think tanks e plataformas de relacionamento entre líderes globais. Nesse ecossistema, três tipos de atores exercem funções complementares.

No campo governamental, a ApexBrasil opera como braço executivo da promoção de investimentos, organizando missões comerciais, rodadas de negócios e posicionando o país em fóruns internacionais de investimento. Seu mandato inclui apresentar o pipeline de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) a fundos soberanos, seguradoras e gestores de ativos globais.

No campo analítico, o CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) produz estudos que fundamentam a narrativa de investimento. Segundo o CEBRI e a ApexBrasil, em relatório de dezembro de 2025, os investimentos em infraestrutura no Brasil representam uma fração limitada do Produto Interno Bruto, situação que demanda atenção estratégica. Os investimentos precisam praticamente dobrar em relação aos atuais 2,2% do PIB para atender à demanda estrutural do país, conforme projeção do CEBRI para o longo prazo.

No campo de articulação entre líderes de mercado, o GRI Institute atua como plataforma de relacionamento entre CEOs, investidores institucionais e formuladores de políticas públicas. Os encontros promovidos pelo GRI Institute reúnem executivos C-Level de fundos globais, concessionárias e entidades governamentais em discussões sobre o ambiente regulatório, a bancabilidade de projetos e as oportunidades concretas do pipeline brasileiro.

Esse tripé institucional, composto por promoção governamental, produção de inteligência e articulação de lideranças, é o que de fato viabiliza a conexão entre o capital soberano internacional e os projetos de concessão no Brasil. Gestoras regionais participam da cadeia, mas não substituem essa arquitetura.

Pipeline de infraestrutura: a escala do desafio

O Brasil mantém um dos maiores pipelines de projetos de infraestrutura entre economias emergentes. Segundo levantamento do CEBRI e da ApexBrasil, de dezembro de 2025, o país conta com centenas de projetos em avaliação, com forte foco em modais de transporte e setores climáticos. A CNT, por sua vez, mapeou milhares de projetos estratégicos que excedem a capacidade de financiamento do orçamento público, conforme dados divulgados via GRI Hub News em 2026.

A escala do pipeline torna evidente que o financiamento público, sozinho, é insuficiente. O capital privado, tanto doméstico quanto estrangeiro, precisa ser mobilizado em proporções significativamente maiores.

No campo regulatório, o PL 7063/2017 busca redesenhar a Lei de Concessões com o objetivo de fortalecer a segurança jurídica. O projeto propõe ampliar mecanismos de resolução de disputas, flexibilizar fontes de receita e permitir garantias mais variadas para atrair capital privado e reduzir o prêmio de risco. O texto permanece em tramitação e seu avanço é acompanhado de perto por investidores institucionais que condicionam alocações de longo prazo à previsibilidade do marco regulatório.

Governança como pré-requisito para escala

O episódio envolvendo a Apex Partners e a ascensão de Marcelo Murad à presidência interina em meio a uma crise de passivo bilionário reforça uma tese central para o setor: a governança corporativa deixou de ser atributo diferencial e passou a ser pré-requisito para a captação de capital em escala.

Investidores institucionais globais, particularmente fundos de pensão canadenses, seguradoras europeias e fundos soberanos do Golfo Pérsico, aplicam filtros rigorosos de governança antes de alocar capital em mercados emergentes. Gestoras que não atendem a esses padrões ficam excluídas do fluxo de capital de maior qualidade e prazo mais longo.

Para o mercado brasileiro de infraestrutura, a lição é clara. A sofisticação dos instrumentos financeiros, como debêntures incentivadas e project finance, precisa ser acompanhada por uma elevação equivalente nos padrões de governança em toda a cadeia de intermediação. Plataformas como o GRI Institute contribuem para esse avanço ao promover a troca de experiências entre líderes que já operam sob os mais altos padrões internacionais.

Perspectivas para a captação de capital estrangeiro

O cenário de médio prazo para a infraestrutura brasileira combina oportunidade e exigência. A oportunidade reside na magnitude do pipeline, na maturidade crescente do mercado de capitais de infraestrutura e na demanda global por ativos reais com retorno estável. A exigência está na necessidade de aprimorar continuamente o ambiente regulatório, fortalecer a governança das plataformas de investimento e consolidar os canais institucionais de relacionamento com o capital internacional.

A trajetória de Marcelo Murad à frente da Apex Partners será observada pelo mercado como um indicador da capacidade de recuperação de gestoras regionais em situação de estresse. Independentemente do desfecho, o caso já contribuiu para um debate mais amplo sobre os requisitos que o ecossistema brasileiro precisa atender para converter o potencial de seu pipeline em fluxo efetivo de investimento.

O Brasil precisa praticamente dobrar seus investimentos em infraestrutura em relação ao PIB. Alcançar esse patamar dependerá da capacidade do país de manter e ampliar a confiança dos investidores globais, tarefa que exige instituições sólidas, regulação previsível e governança exemplar em cada elo da cadeia de financiamento.

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