
América Latina projeta ciclo recorde de investimento em infraestrutura com R$ 300 bilhões só no Brasil em 2026
Pipeline robusto de concessões, novas debêntures de infraestrutura e digitalização regional marcam agenda do LatAm GRI Infra & Energy 2026.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O investimento em infraestrutura no Brasil deve atingir R$ 300 bilhões em 2026, alta de 7,1% sobre 2025.
- O capital privado respondeu por R$ 234,9 bilhões dos R$ 280 bilhões investidos em 2025.
- O governo planeja 14 leilões de rodovias e 8 de ferrovias em 2026.
- Novas debêntures de infraestrutura (Lei nº 14.801/2024) ampliam o acesso de investidores estrangeiros.
- A América Latina deve receber cerca de US$ 100 bilhões em infraestrutura digital até 2030.
- O PL 2.373/2025, nova Lei de Concessões, aguarda votação no Senado.
O investimento total em infraestrutura no Brasil deve atingir R$ 300 bilhões em 2026, segundo projeção da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). O número representa um salto de 7,1% em relação aos R$ 280 bilhões registrados em 2025, ano em que o capital privado respondeu por R$ 234,9 bilhões do total investido, conforme a mesma entidade. É nesse cenário de expansão que o LatAm GRI Infra & Energy 2026, encontro promovido pelo GRI Institute, reúne líderes globais de infraestrutura e energia para discutir os deals, teses e modelos regulatórios que definirão o próximo ciclo de investimento transfronteiriço na região.
O pipeline brasileiro: concessões de transporte e o peso do capital privado
O Brasil consolida sua posição como principal destino de investimento em infraestrutura da América Latina. Em 2025, o investimento no setor correspondeu a 2,21% do PIB, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Do total de R$ 280 bilhões investidos naquele ano, R$ 234,9 bilhões vieram da iniciativa privada e R$ 45,1 bilhões do setor público, conforme dados da Abdib. A proporção evidencia a centralidade do capital privado na expansão da malha de infraestrutura nacional.
Para 2026, o Ministério dos Transportes planeja realizar 14 leilões de rodovias e 8 de ferrovias, ampliando significativamente o pipeline de concessões no setor de transporte. A agenda é a mais ambiciosa dos últimos anos e sinaliza a disposição do governo federal em acelerar a modelagem e licitação de ativos rodoviários e ferroviários.
Entre os operadores privados, a Motiva (anteriormente CCR) anunciou planos de investir R$ 8,2 bilhões em suas concessões no Brasil em 2026, conforme declaração de Miguel Setas, CEO da companhia. O compromisso reforça o apetite de grandes concessionárias por ativos brasileiros em um ambiente regulatório que avança em direção a maior previsibilidade.
Quais mudanças regulatórias moldam o ambiente de negócios em infraestrutura?
Três instrumentos legislativos recentes reconfiguram as condições de financiamento e operação de projetos de infraestrutura no Brasil.
A Lei nº 14.801/2024 criou as debêntures de infraestrutura, um instrumento que oferece benefício fiscal para a empresa emissora, e não para o investidor, como ocorre com as debêntures incentivadas regidas pela Lei nº 12.431/2011. A medida foi regulamentada pelo Decreto nº 11.964/2024, que unificou as regras para enquadramento de projetos prioritários aplicáveis tanto às novas debêntures de infraestrutura quanto às debêntures incentivadas. Ambos os instrumentos já estão em vigor e representam uma diversificação relevante nas fontes de funding para projetos de longo prazo.
O terceiro pilar regulatório é o Projeto de Lei nº 2.373/2025, que busca criar uma nova Lei de Concessões. A proposta consolida e substitui as leis vigentes (Lei nº 8.987/1995 e Lei nº 11.079/2004), com destaque para uma repartição mais clara de riscos entre poder público e concessionária. Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto encontra-se em análise no Senado Federal. A nova legislação tem potencial para reduzir a insegurança jurídica que historicamente encarece o custo de capital em concessões e PPPs no país.
A combinação desses marcos legislativos cria um arcabouço mais sofisticado para a estruturação de projetos, favorecendo a entrada de investidores institucionais e players internacionais que demandam previsibilidade contratual e instrumentos de mitigação de risco.
Como a América Latina se posiciona no mapa global de investimentos em infraestrutura?
O crescimento do PIB da América Latina e Caribe é projetado em 2,3% para 2026, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima um avanço de 2,1% para o mesmo período. Embora as taxas fiquem abaixo de economias asiáticas, o ritmo é compatível com a expansão planejada de programas de concessões e PPPs em diversos países da região.
A infraestrutura digital emerge como vetor de atração de capital transfronteiriço. Estimativas apresentadas no Capacity LATAM 2026 indicam que a América Latina deve receber cerca de US$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura digital até 2030. O mercado latino-americano de data centers, por sua vez, deve superar US$ 10 bilhões, conforme projeção da Mendes Holler Engenharia. A convergência entre infraestrutura física e digital representa uma das teses de investimento mais discutidas entre líderes do setor.
O Brasil responde pela maior parcela desse pipeline regional, mas Chile, Colômbia e México também apresentam agendas relevantes de concessões em transporte, energia e saneamento. A competição por capital global entre esses mercados eleva a importância de plataformas de conexão entre projetos latino-americanos e investidores internacionais.
O papel do LatAm GRI Infra & Energy 2026 no ciclo de investimento
O LatAm GRI Infra & Energy 2026, promovido pelo GRI Institute, funciona como ponto de convergência para CEOs, investidores institucionais e líderes de governo que operam na interseção entre infraestrutura e energia na América Latina. O encontro se diferencia por seu formato de discussão fechada entre tomadores de decisão, com foco em deals concretos, estruturação de projetos e alocação de capital.
O evento se insere em um ecossistema editorial e de inteligência que o GRI Institute já consolidou para encontros regionais brasileiros, como Infra Nordeste, Infra Sul e Infra Minas. A edição latino-americana amplia o escopo para incluir a dimensão transfronteiriça, conectando o pipeline brasileiro ao capital e à expertise de players europeus, norte-americanos e asiáticos.
Entre os temas centrais estão a transição energética, os novos modelos de concessão introduzidos pelo PL 2.373/2025, a gestão de riscos em projetos greenfield e o financiamento via debêntures de infraestrutura. A agenda reflete as prioridades de um setor que precisa mobilizar volumes crescentes de capital privado para atender à demanda por ativos resilientes e de longo prazo.
Debêntures de infraestrutura e a diversificação do funding
O mercado de capitais brasileiro oferece hoje um conjunto mais amplo de instrumentos para financiar projetos de infraestrutura. As debêntures de infraestrutura criadas pela Lei nº 14.801/2024 complementam as debêntures incentivadas ao transferir o benefício fiscal para o lado do emissor. Essa estrutura amplia o universo de investidores elegíveis, incluindo fundos internacionais que não se beneficiam diretamente de isenções tributárias sobre rendimentos.
Para o investidor estrangeiro, o instrumento reduz a dependência de veículos complexos de acesso ao mercado brasileiro e facilita a participação direta em emissões vinculadas a projetos prioritários. A regulamentação unificada pelo Decreto nº 11.964/2024 adiciona clareza ao enquadramento de setores e projetos, reduzindo a discricionariedade que marcava o regime anterior.
Perspectivas para o segundo semestre de 2026
O segundo semestre concentra a maior parte dos leilões de transporte previstos pelo Ministério dos Transportes. A execução tempestiva desse calendário será determinante para manter a trajetória de crescimento do investimento privado. A aprovação do PL 2.373/2025 no Senado Federal, caso ocorra ainda em 2026, pode representar um divisor de águas para a segurança jurídica das concessões.
O investimento total projetado de R$ 300 bilhões para 2026, conforme a Abdib, posiciona o Brasil como o mercado de infraestrutura mais dinâmico da América Latina. A capacidade de converter pipeline em projetos efetivamente licitados e financiados dependerá da qualidade dos estudos de viabilidade, da estabilidade regulatória e da disponibilidade de instrumentos de mitigação de risco cambial e político para investidores internacionais.
O LatAm GRI Infra & Energy 2026 oferece o ambiente adequado para que essas variáveis sejam discutidas entre os principais tomadores de decisão do setor. Em um ciclo marcado por volumes recordes e transformações regulatórias profundas, a inteligência de mercado e o acesso direto a contrapartes qualificadas se tornam ativos estratégicos para quem busca posição no pipeline latino-americano de infraestrutura.