José Carlos Cassaniga e o mapa dos executivos que lideram a reestruturação de concessões de infraestrutura no Brasil

Com R$ 265 bilhões em concessões e PPPs contratadas previstas para 2026, novos líderes emergem na reconfiguração de ativos rodoviários, urbanos e energéticos.

25 de julho de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive em 2026 um ciclo inédito de reestruturação de concessões de infraestrutura, com mais de R$ 265 bilhões em investimentos previstos e 61 leilões programados pelo governo federal em rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e hidrovias. O Programa de Otimização de Contratos do TCU consolidou-se como mecanismo central para destravar concessões estressadas por meio de renegociação consensual. José Carlos Cassaniga, CEO da EPR, destaca-se ao assumir a concessão da Régis Bittencourt com R$ 7,2 bilhões em investimentos. Executivos como Reinaldo Iapequino (CDHU), Alan Zelazo (Genco Energia) e Jefferson Nogaroli (Eurogarden) compõem um ecossistema ampliado de lideranças em infraestrutura.

Principais Insights

  • O Brasil prevê mais de R$ 265 bilhões em concessões e PPPs contratadas para 2026, com meta de R$ 400 bilhões até o fim do mandato.
  • José Carlos Cassaniga (EPR) venceu a concessão da Régis Bittencourt (BR-116), com R$ 7,2 bilhões em investimentos.
  • O governo federal projeta 21 leilões de transportes e 40 leilões de portos e aeroportos em 2026.
  • O Programa de Otimização de Contratos do TCU viabiliza renegociação consensual de concessões estressadas, reduzindo insegurança jurídica.
  • Líderes em habitação, energia e urbanismo ampliam o ecossistema de infraestrutura.

A reestruturação de concessões de infraestrutura no Brasil alcançou em 2026 uma escala inédita. Segundo dados do Radar PPP e da CNN Brasil, as contratações de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões previstas para o ano somam mais de R$ 265 bilhões em investimentos. Esse volume reflete um ciclo de maturação institucional em que contratos antigos são renegociados, novos leilões são estruturados e um grupo seleto de executivos assume protagonismo na condução de ativos estratégicos.

Entre esses líderes, José Carlos Cassaniga, CEO da EPR, consolidou-se como uma das figuras centrais do mercado rodoviário ao vencer o leilão da concessão da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116/PR/SP), com previsão de R$ 7,2 bilhões em investimentos para ampliação e modernização, conforme reportado pelo NeoFeed e pela CNN Brasil em julho de 2026. O deal exemplifica um movimento mais amplo: a reciclagem de portfólios e a entrada de novos operadores em rodovias historicamente problemáticas.

Quem é José Carlos Cassaniga e qual o seu papel na reestruturação rodoviária?

José Carlos Cassaniga lidera a EPR em um momento de inflexão para o setor rodoviário brasileiro. A conquista da concessão da Régis Bittencourt posiciona a companhia como operadora de uma das rodovias mais relevantes do eixo Sul-Sudeste, responsável por conectar Curitiba a São Paulo em um corredor logístico de alta densidade.

A operação insere-se no contexto do Programa de Otimização de Contratos, mecanismo chancelado pela Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (Secex Consenso) do Tribunal de Contas da União (TCU), em parceria com a ANTT. Esse instrumento regulatório permite a renegociação e reestruturação de concessões consideradas "estressadas", como a própria Régis Bittencourt e a Fernão Dias, sem a necessidade de nova licitação, garantindo a continuidade dos investimentos e a transição ordenada entre concessionárias.

O fato de a EPR ter assumido a concessão por meio desse mecanismo demonstra a maturidade institucional que o setor alcançou. A presença de um arcabouço regulatório que viabiliza a renegociação consensual reduz a insegurança jurídica e atrai capital privado de longo prazo para ativos de infraestrutura.

Para os membros do GRI Institute que acompanham o mercado de concessões rodoviárias, a trajetória de Cassaniga e da EPR representa um caso emblemático de como a combinação entre governança regulatória e gestão executiva competente pode destravar investimentos bilionários.

Qual é a dimensão do pipeline de concessões de infraestrutura previsto para 2026?

O volume de leilões programados para 2026 confere ao ano um caráter estruturante para a próxima década de infraestrutura no Brasil. Segundo o Ministério dos Transportes e o NORA, o governo federal projeta realizar 21 leilões de infraestrutura de transportes ao longo do ano, sendo 13 rodoviários e 8 ferroviários, com potencial de R$ 288 bilhões em investimentos.

Em paralelo, o Ministério de Portos e Aeroportos planeja 40 leilões adicionais, incluindo 21 aeroportos, 18 portos e a primeira concessão hidroviária do país, a Hidrovia do Paraguai. A diversificação modal do pipeline sinaliza que o ciclo de concessões transcende o segmento rodoviário e consolida uma agenda multimodal de investimentos.

A meta declarada pelo Ministério dos Transportes, conforme divulgado pela Exame em maio de 2026, é alcançar R$ 400 bilhões em investimentos contratados em concessões de infraestrutura de transporte até o fim do atual mandato. Trata-se de uma ambição que exige execução coordenada entre agências reguladoras, tribunais de contas e o setor privado.

O pipeline de 2026 representa a maior concentração de leilões de infraestrutura em um único ano na história recente do Brasil, e define o campo de atuação para executivos e empresas que disputam posição nesse mercado.

Reinaldo Iapequino e a fronteira entre infraestrutura e desenvolvimento urbano

A reestruturação de concessões e contratos públicos em 2026 não se limita ao setor de transportes. Reinaldo Iapequino, presidente da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), retomou a licitação de um megaprojeto habitacional e de infraestrutura urbana na Grande São Paulo avaliado em R$ 1,2 bilhão, segundo o Estadão.

Esse movimento evidencia a convergência entre políticas habitacionais e projetos de infraestrutura urbana de grande escala. O projeto da CDHU integra componentes de saneamento, mobilidade e equipamentos públicos, características que aproximam o empreendimento do modelo de PPP e atraem a atenção de investidores institucionais e fundos de infraestrutura.

A atuação de Iapequino à frente de um projeto dessa magnitude posiciona a CDHU como um agente relevante na agenda de desenvolvimento urbano do Estado de São Paulo, com implicações diretas para o mercado imobiliário e para a cadeia de fornecedores de infraestrutura.

O ecossistema de líderes em infraestrutura se amplia

O mapeamento dos executivos que conduzem a reestruturação de concessões em 2026 revela um ecossistema em expansão. Para além das rodovias e do desenvolvimento urbano, a infraestrutura energética e o urbanismo de grande escala integram esse panorama.

Alan Zelazo, à frente da Genco Energia, tem expandido a atuação da companhia com usinas móveis, segmento que ganha relevância em um contexto de transição energética e necessidade de flexibilidade na geração distribuída. Jefferson Nogaroli, por sua vez, conduz o Eurogarden Maringá, projeto de urbanismo sustentável de grande escala que articula infraestrutura, meio ambiente e planejamento urbano integrado.

A diversidade de perfis executivos ilustra a amplitude do ciclo atual. A infraestrutura brasileira mobiliza lideranças em rodovias, habitação, energia e urbanismo, cada uma delas operando em interfaces distintas com o poder público, o mercado de capitais e os órgãos reguladores.

Esse mapeamento é acompanhado de perto pela comunidade do GRI Institute, cujos encontros setoriais reúnem regularmente os principais tomadores de decisão do mercado de infraestrutura e real estate na América Latina. A análise de perfis executivos e seus respectivos deals constitui uma ferramenta estratégica para investidores e operadores que buscam antecipar movimentos de mercado.

Regulação consensual como motor de destravamento

Um dos fatores determinantes para o volume de transações observado em 2026 é a evolução do arcabouço regulatório. O Programa de Otimização de Contratos, operado pelo TCU por meio da Secex Consenso, consolidou-se como instrumento central para a resolução de impasses em concessões antigas.

A lógica do programa é direta: em vez de rescindir contratos e iniciar novos processos licitatórios, potencialmente longos e judicializados, o TCU e a ANTT promovem a renegociação consensual dos termos, permitindo a transferência de ativos para novos operadores com compromissos de investimento atualizados. A concessão da Régis Bittencourt, assumida pela EPR de José Carlos Cassaniga, é um exemplo concreto dessa dinâmica.

A regulação consensual reduz o custo de transação para todas as partes e acelera a retomada de investimentos em ativos que, de outra forma, permaneceriam em situação de estresse contratual. Essa abordagem tem atraído o interesse de fundos de infraestrutura globais, que enxergam no modelo brasileiro uma oportunidade de entrada em ativos maduros com perfil de risco ajustado.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

O segundo semestre de 2026 concentra a maior parte dos leilões previstos pelo governo federal. A execução do calendário dependerá da capacidade das agências reguladoras de finalizar estudos de viabilidade e da disposição do mercado em absorver o volume de ativos ofertados.

Para executivos como José Carlos Cassaniga, Reinaldo Iapequino, Alan Zelazo e Jefferson Nogaroli, o período representa uma janela de posicionamento estratégico. Cada um deles opera em segmentos complementares do ecossistema de infraestrutura, e suas decisões influenciam diretamente a alocação de capital privado no setor.

O GRI Institute continuará acompanhando a evolução desse ciclo, oferecendo a seus membros análises aprofundadas sobre os deals, os executivos e as tendências regulatórias que moldam o futuro da infraestrutura brasileira.

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