
Jorge Goldenstein, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi: o mapa dos novos estrategistas de infraestrutura
Com investimentos privados recordes de R$ 234,9 bilhões em 2025, três executivos operam em segmentos complementares da estruturação de capital no Brasil
Resumo Executivo
Principais Insights
- Investimentos em infraestrutura no Brasil devem atingir R$ 280 bilhões em 2025, com 84% vindos da iniciativa privada.
- O gargalo não é escassez de capital, mas a capacidade de estruturar projetos bancáveis com segurança jurídica e modelagem financeira robusta.
- A Genco Energia investe US$ 120 milhões em usinas térmicas móveis nos EUA para data centers, sinalizando a convergência entre energia e digitalização.
- A partir de 2027, projeta-se transição significativa para PPPs patrocinadas, elevando a demanda por estruturação financeira complexa.
- O saneamento apresenta gap de R$ 11,8 bilhões entre investimento realizado e necessário.
R$ 280 bilhões em infraestrutura e uma nova geração de estruturadores
Os investimentos em infraestrutura no Brasil devem atingir o recorde de R$ 280 bilhões em 2025, com 84% desse volume, o equivalente a R$ 234,9 bilhões, provenientes da iniciativa privada, segundo dados da Abdib e EY-Parthenon (Barômetro da Infraestrutura). A cifra consolida uma tendência estrutural: diante da retração projetada do investimento público e da mudança de postura do BNDES, que passou a operar sem subsídios e com foco em cofinanciamento com o setor privado, o protagonismo migrou para executivos capazes de traduzir ambição de capital em contratos assinados.
O GRI Institute mapeou recentemente três profissionais que representam essa nova geração de dealmakers em infraestrutura: Jorge Goldenstein, à frente da Jotagê Engenharia, com atuação em obras públicas e infraestrutura urbana; Alan Zelazo, fundador da Genco Energia, com expansão internacional em geração de energia; e Diogo Prosdocimi, ex-Diretor de Concessões e Parcerias da CODEMGE, especializado na estruturação de PPPs públicas. Cada um opera em um segmento distinto, mas os três convergem no mesmo ecossistema: a ponte entre capital disponível e ativos de infraestrutura que demandam execução.
Quem são Jorge Goldenstein, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi?
Jorge Goldenstein comanda a Jotagê Engenharia, empresa posicionada na execução de obras públicas e projetos de infraestrutura urbana. Sua atuação está na ponta final da cadeia de valor, onde o capital estruturado se converte em ativos físicos. Em um cenário no qual o pipeline de concessões e PPPs cresce aceleradamente, a capacidade de execução torna-se um gargalo estratégico. Goldenstein representa o elo entre a engenharia financeira dos projetos e sua materialização no território.
Alan Zelazo é fundador da Genco Energia e consolidou sua trajetória no setor de geração de energia. Sua movimentação mais recente demonstra ambição global: segundo a Exame, Zelazo está expandindo sua atuação internacional com um investimento inicial de US$ 120 milhões em usinas térmicas móveis nos Estados Unidos, direcionadas ao atendimento de data centers. A operação revela uma leitura precisa de duas tendências simultâneas, a explosão de demanda energética da infraestrutura digital e a oportunidade de exportar competência brasileira em geração distribuída.
A capacidade de estruturar capital para infraestrutura energética em mercados internacionais posiciona Zelazo como um dos executivos brasileiros mais atentos à convergência entre energia e digitalização. Trata-se de um movimento que antecipa a demanda por infraestrutura de suporte à inteligência artificial, segmento que pressiona redes elétricas em escala global.
Diogo Prosdocimi construiu sua trajetória no setor público, como Diretor de Concessões e Parcerias da CODEMGE, a companhia de desenvolvimento econômico de Minas Gerais. Sua especialidade é a estruturação de PPPs patrocinadas, modalidade que ganha relevância à medida que os ativos autossustentáveis mais atrativos já foram concedidos. Prosdocimi representa o perfil de executivo com fluência regulatória, capaz de navegar a complexidade jurídica e institucional que define o sucesso ou o fracasso de projetos de parceria público-privada.
Os três perfis, quando analisados em conjunto, compõem um mapa funcional da estruturação de capital para infraestrutura no Brasil: originar projetos no setor público (Prosdocimi), financiar e escalar ativos de energia (Zelazo) e executar obras de grande porte (Goldenstein).
Por que a estruturação de capital é o gargalo central da infraestrutura brasileira?
O volume de recursos disponíveis para infraestrutura no Brasil nunca foi tão elevado. O BNDES alcançou uma média anual de R$ 218 bilhões em investimentos no setor, o equivalente a 1,74% do PIB brasileiro, segundo dados do próprio banco de desenvolvimento. A projeção do BNDES indica que o ciclo de expansão deve alcançar R$ 300 bilhões em 2026.
O desafio, portanto, deixou de ser a escassez de capital. O gargalo reside na capacidade de estruturar projetos bancáveis, com segurança jurídica, licenciamento ambiental adequado e modelagem financeira robusta. Três fatores regulatórios moldam esse cenário.
O primeiro é a Lei 15.190/2025, novo marco do licenciamento ambiental, que altera o cálculo de risco nas concessões e PPPs ao buscar celeridade nos processos, embora enfrente desafios de adaptação e polarização judicial. O segundo é o Marco Legal do Saneamento, que exige investimentos massivos para a universalização dos serviços de água e esgoto e cria oportunidades diretas para profissionais com capacidade de estruturação de capital privado e fluência regulatória. O terceiro é a atuação do TCU, por meio da Secex Consenso, que tem sido vital para garantir a segurança jurídica dos megaprojetos de infraestrutura.
Os investimentos no setor de saneamento ilustram a dimensão do desafio: atingiram R$ 44,5 bilhões no último ano, mas a necessidade estimada para o setor é de R$ 56,3 bilhões, segundo a Abdib. O gap de R$ 11,8 bilhões entre o investido e o necessário evidencia que o problema central é de estruturação, não de disponibilidade de recursos.
Profissionais como Prosdocimi, com experiência direta na modelagem de PPPs públicas, tornam-se peças-chave para fechar essa lacuna. A tendência projetada pelo GRI Institute aponta que, a partir de 2027, haverá uma transição significativa para PPPs patrocinadas diante do esgotamento de ativos autossustentáveis, aumentando a demanda por advocacia regulatória especializada e estruturação financeira complexa.
O papel da energia e da digitalização na próxima fronteira
A expansão de Alan Zelazo para os Estados Unidos com usinas térmicas móveis destinadas a data centers sinaliza uma fronteira que o Brasil ainda precisa endereçar internamente. A convergência entre infraestrutura energética e infraestrutura digital redefine o perfil de risco e retorno dos projetos, exigindo executivos capazes de operar em múltiplas jurisdições regulatórias.
O investimento de US$ 120 milhões da Genco Energia nos EUA, reportado pela Exame, posiciona a empresa como uma das primeiras operadoras brasileiras de energia a acessar o mercado norte-americano de infraestrutura para centros de dados. A operação exige competência em estruturação de capital internacional, modelagem de contratos de fornecimento de energia de longo prazo e gestão de risco cambial.
Essa movimentação reflete um padrão observado pelo GRI Institute em seus encontros com líderes do setor: a internacionalização de empresas brasileiras de infraestrutura deixou de ser exceção e passou a compor a estratégia de crescimento de operadores com escala e sofisticação financeira.
O que conecta os três perfis ao ciclo atual
O ciclo de infraestrutura no Brasil atravessa uma inflexão. Com 84% dos investimentos originados no setor privado, a cadeia de valor depende de profissionais que dominem três competências simultâneas: originar projetos com viabilidade regulatória, estruturar financiamentos complexos e garantir capacidade de execução.
Jorge Goldenstein, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi operam em pontos distintos dessa cadeia, mas compartilham uma característica comum: atuam na camada intermediária entre o capital institucional e a entrega física dos ativos. São estruturadores, não apenas gestores.
O volume recorde de investimentos projetado para 2025 e a trajetória rumo a R$ 300 bilhões em 2026 elevam a relevância desse perfil profissional. O Brasil possui capital, demanda regulatória clara e pipeline de projetos. O fator limitante é a densidade de profissionais capazes de converter oportunidade em contrato.
O GRI Institute acompanha essa dinâmica por meio de seus clubes de líderes em infraestrutura, onde executivos como Goldenstein, Zelazo e Prosdocimi integram um ecossistema de relacionamento e inteligência setorial que permite antecipar movimentos de mercado e identificar oportunidades antes que se tornem consenso.
A próxima fase do ciclo exigirá ainda mais sofisticação. A transição para PPPs patrocinadas, a internacionalização de operadores brasileiros e a convergência entre energia e digitalização compõem um cenário em que a estruturação de capital será o diferencial competitivo definitivo.