Insights do Infra Minas GRI em rodovias, saneamento e infraestrutura social

Saneamento básico e infraestrutura hídrica foram indicados por 76% dos participantes como os segmentos com maior potencial de investimentos no estado

20 de julho de 2026Infraestrutura
Escrito por:Henrique Cisman

Resumo Executivo

Em sua 5ª edição, o Infra Minas GRI reuniu aproximadamente 100 executivos que lideram empresas públicas e privadas dos setores de energia, saneamento, transportes e infraestrutura social, além de autoridades do Governo do Estado de Minas Gerais, de agências reguladoras federais e estaduais, e ainda executivos do BNDES, da Caixa e financiadores do setor privado. 

Com apoio da Aegea, o GRI Institute conduziu uma agenda focada nos principais temas da infraestrutura mineira. O fio condutor do debate trouxe a pergunta: "O que diferencia Minas na disputa por investimentos em infraestrutura no Brasil?".

Confira a seguir os principais insights. 

Principais Insights

  • 44% dos executivos dizem estar mantendo ou ampliando investimentos de forma seletiva; já 29% estão aumentando significativamente a atuação e os aportes na região; os outros 27% estão em posição neutra, monitorando o cenário antes de tomar novas decisões. 
  • As discussões sobre o setor rodoviário evidenciaram que a decisão de operadores qualificados de investir em Minas Gerais a partir de 2022 foi motivada por diferenciais específicos de modelagem contratual.
  • O setor de infraestrutura social vive um ponto de inflexão. Existem apenas cerca de 30 contratos assinados de PPPs em hospitais e escolas no Brasil, mas mais de 20 novas licitações estão previstas até o final de 2027, o que praticamente dobraria o mercado em um ano e meio a dois anos.

Termômetro GRI - Edição Especial Infra Minas GRI 2026

O Infra Minas GRI iniciou com a realização da edição especial do Termômetro do GRI, capturando as opiniões dos executivos em relação a quatro temas.

Executivos reunidos no Infra Minas GRI responderam à edição especial do Termômetro GRI (Foto: GRI Instiute)

Dentre os segmentos que oferecem maior potencial de investimento em Minas Gerais nos próximos anos, saneamento básico e infraestrutura hídrica foram indicados por 76% dos respondentes, liderando com ampla folga. Na sequência, os mais votados foram rodovias e logística intermodal, com 52%, e mineração, com 35%. Os executivos podiam indicar até três segmentos.

O maior potencial de investimento em saneamento vai ao encontro dos principais desafios da infraestrutura em Minas Gerais que precisam estar no centro da agenda pública, na visão dos participantes: 63% apontam a universalização do saneamento básico como o maior desafio da atualidade; na sequência aparecem segurança jurídica, eficiência regulatória e licenciamento ambiental, com 50% dos votos, e continuidade de políticas públicas, com 43% das escolhas. 

A maior prioridade do próximo governo eleito no pleito de 2026 é criar um ambiente favorável à atração de capital privado e ao financiamento de longo prazo (63% dos votos). Também foram bastante votadas - e empatadas com 54% dos votos - a garantia de previsibilidade institucional e segurança jurídica, e manter a disciplina fiscal e a capacidade de investimento do Estado. 

Por fim, o Termômetro do GRI perguntou qual é a posição estratégica das empresas em relação a novos investimentos locais no cenário atual: 44% dos executivos afirmaram que estão mantendo ou ampliando investimentos de forma seletiva; já 29% dizem estar aumentando significativamente a atuação e os aportes na região; os outros 27% estão em posição neutra, monitorando o cenário antes de tomar novas decisões. 

Maturidade institucional e perspectivas de longo prazo

Dois eixos de convergência emergiram das discussões.

O primeiro é o reconhecimento da maturidade institucional de Minas Gerais como ativo intangível determinante para a atração de capital. A qualidade técnica e a disposição para resolução de problemas das equipes envolvidas nas concessões e PPPs no Estado foram reiteradamente destacadas. Instâncias como a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra-MG) e a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) foram citadas como exemplos nesse sentido. A continuidade de gestão na Seinfra-MG ao longo dos últimos oito anos foi apontada como fator determinante para o salto do programa estadual de concessões.

O segundo eixo é a importância da fase pós-leilão. A parceria entre os setores público e privado precisa se estender por toda a vida do contrato. A gestão de portfólio de contratos em diferentes setores gera um acervo de conhecimento institucional que dá conforto ao investidor. 

Dados macroeconômicos contextualizaram o debate: Minas Gerais é o segundo estado em população (equivalente ao Chile), o terceiro em PIB (equivalente à Grécia) e o quarto em superfície (equivalente à França), sendo o único estado brasileiro bem posicionado nesses três critérios simultaneamente. A trajetória de PIB aponta para que Minas se torne o segundo maior PIB estadual do Brasil na próxima década, ultrapassando o Rio de Janeiro.

Concessões rodoviárias: modelagem e execução como diferencial

As discussões sobre o setor rodoviário evidenciaram que a decisão de operadores qualificados de investir em Minas Gerais a partir de 2022 foi motivada por diferenciais específicos de modelagem contratual, num momento em que parte do mercado estava concentrada na renovação de contratos de primeira e segunda geração em outros estados.

Três aspectos de modelagem são destacados como determinantes: a ampliação do período de trabalhos iniciais para dois anos, a distribuição equilibrada de investimentos ao longo do tempo e a criação de investimentos pré-autorizados - mecanismo que permite incorporar demandas futuras ao contrato com fluxo de caixa marginal previsível.

Na dimensão da execução, destaca-se a sustentabilidade financeira dos projetos, com maior cuidado na definição de patamares tarifários e disciplina nas revisões contratuais, incluindo revisões quinquenais. Segundo, a atuação conjunta entre poder público e concessionária em temas como licenciamento ambiental, desapropriações e remanejamento de interferências - área em que houve evolução significativa em relação a gerações anteriores de concessões. Finalmente, a necessidade de desenvolvimento de mercado especializado para atender programas robustos de investimento, incluindo políticas públicas para formação de profissionais e empresas.

Saneamento: desestatização e o desafio da universalização

O processo de desestatização da Copasa, concluído na semana anterior ao evento, foi amplamente debatido. O book foi coberto 40 vezes e as ações da companhia valorizaram 380% desde o início da gestão atual. A Equatorial foi confirmada como investidor de referência.

O plano de investimentos até 2030 totaliza R$ 21 bilhões, com quatro prioridades: universalização do saneamento (meta mantida para 2033), segurança hídrica e resiliência de infraestrutura, combate a perdas e retrofit de estações de tratamento. 

Em termos de indicadores operacionais, a Copasa reporta cobertura média de 99% em água e superior a 81% em coleta e tratamento de esgoto nos 309 municípios onde opera os serviços. A desestatização desobriga a companhia da lei de licitações, permitindo contratações mais ágeis e ganhos de eficiência operacional, incluindo um centro de serviços compartilhados já implementado.

A situação da Copanor - subsidiária que opera em municípios do norte de Minas com modelo tarifário distinto e déficit de investimento significativo - permanece em aberto. A lei autoriza, mas não obriga, a incorporação. Um grupo de trabalho interno avalia há dois meses os riscos e impactos tarifários, e os resultados serão apresentados ao novo investidor de referência.

Infraestrutura social

O setor de infraestrutura social vive um ponto de inflexão. Existem apenas cerca de 30 contratos assinados de PPPs em hospitais e escolas no Brasil, mas mais de 20 novas licitações estão previstas até o final de 2027, o que praticamente dobraria o mercado em um ano e meio a dois anos.

Minas Gerais é apontada como protagonista desse movimento, com dois projetos de referência: a licitação do Complexo de Saúde Hospital Padre Eustáquio (HoPE) e o projeto Educa Minas, parceria público-privada para infraestrutura (serviços não pedagógicos) de 95 escolas públicas estaduais. Ambos atraíram múltiplos competidores e obtiveram deságios substanciais. 

O sucesso em iniciativas como essas e em outras frentes de PPPs e concessões é atribuído em boa parte à estrutura de garantias do estado, à clareza dos mecanismos de solução de conflitos e à maturidade institucional acumulada desde 2003, quando Minas aprovou sua lei de PPPs - antes mesmo da lei federal de 2004.

Próximos passos

O GRI Institute agradece às contribuições valiosas dos participantes e seguirá debatendo as perspectivas, desafios e oportunidades de infraestrutura e energia em Minas Gerais em sua agenda.

Leia a íntegra da edição especial do Termômetro GRI.
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