Guilherme Paes, BTG e o mapa dos bancos que disputam o financing de infraestrutura no Brasil

Com R$ 280 bilhões do BNDES e projeção de R$ 300 bi em 2026, BTG Pactual, Itaú BBA, Bradesco BBI, XP e Santander protagonizam um superciclo de project finance.

10 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive um superciclo de financiamento de infraestrutura, com o BNDES alcançando R$ 280 bilhões em 2025 e projetando R$ 300 bilhões para 2026. BTG Pactual, Itaú BBA, Bradesco BBI, Santander e XP protagonizam a disputa por mandatos de project finance, operando como arquitetos financeiros de concessões, PPPs e projetos de energia e saneamento. O modelo de cofinanciamento do BNDES amplia o espaço dos bancos privados, enquanto a agenda climática e novas regulações como a Resolução CVM 175 expandem o mercado endereçável. Dealmakers como Guilherme Paes (BTG), Alan Zelazo (Genco) e Milton Goldfarb (One Innovation) ilustram a cadeia de valor que conecta capital institucional a projetos reais.

Principais Insights

  • O BNDES atingiu R$ 280 bilhões em financiamentos de infraestrutura em 2025, com projeção de R$ 300 bilhões em 2026.
  • BTG Pactual, Itaú BBA, Bradesco BBI, Santander e XP lideram a disputa por mandatos de project finance no país.
  • A desestatização da Sabesp captou R$ 14,7 bilhões, exemplificando a escala das operações.
  • A transição energética tornou-se vetor central de alocação, com propostas de R$ 73,7 bilhões no edital climático do BNDES na COP30.
  • A verticalização das plataformas bancárias redefine a competição pelos maiores mandatos.

O BNDES alcançou R$ 280 bilhões em financiamentos de infraestrutura em 2025, segundo dados do próprio banco de desenvolvimento e da Revista O Empreiteiro. O volume recorde sinaliza a dimensão do superciclo que reposiciona os grandes bancos de investimento como peças centrais na engenharia financeira de concessões, PPPs e projetos de energia, saneamento e transporte no país.

Enquanto o portfólio de análise sobre o ecossistema de infraestrutura costuma privilegiar gestoras independentes, boutiques de advisory e escritórios jurídicos, o papel dos bancos de investimento na estruturação e originação de deals permanecia como um gap relevante. Nomes como Guilherme Paes, do BTG Pactual, Alan Zelazo, da Genco Energia, e Milton Goldfarb, da One Innovation, ilustram diferentes vértices de uma cadeia de valor que conecta project finance, mercado de capitais e alocação institucional.

Quem são os bancos que lideram o project finance de infraestrutura no Brasil?

O sindicato de bancos que coordenou a desestatização da Sabesp, operação que captou R$ 14,7 bilhões segundo o Governo do Estado de São Paulo e a publicação O Especialista, oferece um retrato fiel da hierarquia competitiva do setor. BTG Pactual, Itaú BBA, Bradesco BBI, Santander e XP compuseram o grupo responsável pela estruturação da maior oferta do segmento de saneamento já realizada no país.

Essa operação exemplifica a escala que os bancos atingiram ao disputar mandatos de lead arranger em infraestrutura. As mesas de project finance, debt capital markets (DCM) e M&A dessas instituições concentram hoje a capacidade técnica para montar estruturas que combinam equity, dívida incentivada e cofinanciamento com o BNDES.

O BNDES, vale destacar, opera neste ciclo sem os subsídios implícitos que marcaram décadas anteriores. A lógica atual é de cofinanciamento, o que amplia o espaço para a atuação dos bancos privados como originadores e distribuidores de risco. A projeção do próprio BNDES aponta para R$ 300 bilhões em financiamentos de infraestrutura em 2026, reforçando a trajetória ascendente.

Os grandes bancos de investimento deixaram de ser meros intermediários para se tornarem arquitetos financeiros dos principais projetos de infraestrutura do país.

Guilherme Paes e o papel do BTG Pactual na estruturação de grandes deals

Guilherme Paes atua como MD Partner e Head de Investment Banking do BTG Pactual, liderando operações em setores como infraestrutura e energia, conforme informações do GRI Institute e do próprio BTG Pactual. Sua posição reflete a centralidade que o banco conquistou na originação de mandatos complexos, desde ofertas públicas de equity até emissões de debêntures de infraestrutura e assessoria em fusões e aquisições.

O BTG Pactual consolidou uma plataforma que integra investment banking, asset management e wealth management, permitindo que a mesma instituição estruture a operação, distribua os papéis e aloque capital proprietário quando necessário. Esse modelo verticalizado confere vantagem competitiva em processos nos quais velocidade de execução e capacidade de balanço são decisivas.

A presença de Guilherme Paes em fóruns do setor, incluindo eventos promovidos pelo GRI Institute, sinaliza a estratégia do banco de manter proximidade com os principais tomadores de decisão do ecossistema, de concessionárias a reguladores.

A verticalização das plataformas bancárias, da estruturação à distribuição, redefine a competição pelos maiores mandatos de infraestrutura.

Como Alan Zelazo e Milton Goldfarb representam a nova geração de dealmakers?

Além dos bancos, o mapeamento do financiamento de infraestrutura exige atenção aos dealmakers que conectam capital institucional a projetos reais. Alan Zelazo, fundador da Genco Energia e ex-Focus Energia, lidera investimentos em infraestrutura energética que incluem um aporte inicial de US$ 120 milhões para expansão de usinas térmicas móveis nos Estados Unidos, segundo a Exame. Sua trajetória demonstra como líderes do setor de energia brasileiro estão internacionalizando operações e acessando novas fontes de capital.

Milton Goldfarb, cofundador da One Innovation, firmou parceria com a XP Asset para o desenvolvimento de projetos imobiliários em São Paulo, de acordo com o GRI Hub News. A operação ilustra a convergência entre real estate e infraestrutura, com capital institucional sendo canalizado para oportunidades urbanas por meio de veículos estruturados.

Esses perfis evidenciam que o financiamento de infraestrutura transcende a mesa de project finance dos bancos. A cadeia de valor envolve empreendedores, alocadores de capital e gestores de ativos que operam na interseção entre infraestrutura física, transição energética e mercado imobiliário.

Dealmakers como Alan Zelazo e Milton Goldfarb personificam a ponte entre infraestrutura física e mercado de capitais, acelerando a convergência entre setores.

O papel das novas linhas de crédito e do arcabouço regulatório

O Governo Federal lançou uma linha de crédito vinculada ao Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) com R$ 20 bilhões destinados a projetos de educação e saúde, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A iniciativa adiciona uma camada de funding público direcionado que complementa os instrumentos privados.

No âmbito regulatório, a Resolução CVM 175 permite estruturas de capital mais complexas em fundos de investimento, incluindo FIIs e FIDCs, com cotas sênior, mezanino e subordinada. Essa flexibilidade facilita a captação para infraestrutura e real estate, ampliando o cardápio de instrumentos disponíveis para os bancos estruturadores.

A Lei Complementar 214/2025, que regulamenta a reforma tributária, redefine a carga sobre construção civil e serviços imobiliários. O impacto na estruturação financeira de projetos de infraestrutura ainda está sendo absorvido pelo mercado, mas a nova legislação altera premissas de modelagem que afetam diretamente a viabilidade econômica de concessões e PPPs.

Transição energética e o capital climático como vetor de crescimento

O edital de mitigação climática do BNDES, apresentado na COP30, recebeu propostas de fundos que somam um patrimônio-alvo de R$ 73,7 bilhões, conforme a Agência BNDES. O volume indica que a agenda de transição energética deixou de ser uma tese de nicho para se tornar um dos principais vetores de alocação de capital em infraestrutura.

Para os bancos de investimento, a convergência entre infraestrutura tradicional e agenda climática representa uma ampliação significativa do mercado endereçável. Estruturar debêntures verdes, assessorar IPOs de companhias de energia renovável e montar fundos de crédito de carbono são atividades que se somam ao portfólio tradicional de project finance em rodovias, ferrovias e saneamento.

O mercado imobiliário e de infraestrutura associada no Brasil projeta um CAGR de 5,40%, podendo ultrapassar US$ 90 bilhões até 2033, segundo o GRI Hub. Essa trajetória sustenta a tese de que o pipeline de deals continuará robusto, alimentando a competição entre os bancos por mandatos.

Perspectivas para o ciclo de financiamento

O cenário atual configura uma janela em que volume de projetos, apetite de investidores institucionais e sofisticação regulatória convergem. Os bancos de investimento que dominarem a originação e a distribuição de instrumentos de dívida e equity em infraestrutura terão posição privilegiada para capturar fees recorrentes ao longo de décadas de concessão.

A competição entre BTG Pactual, Itaú BBA, Bradesco BBI, Santander e XP tende a se intensificar à medida que o BNDES avança em seu modelo de cofinanciamento e o mercado de capitais absorve parcelas crescentes do funding de longo prazo. Para os participantes dos clubes e eventos do GRI Institute, acompanhar os movimentos dessas mesas de investment banking é tão relevante quanto monitorar os editais de concessão.

O superciclo de infraestrutura brasileiro não é apenas uma história de projetos. É, fundamentalmente, uma disputa pelo capital que os viabiliza.

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