
Guilherme Loures e o mapa dos executivos que lideram a nova arquitetura de PPPs e concessões no Brasil
Com R$ 300 bilhões em investimentos projetados para 2026, o ecossistema de dealmakers ganha protagonismo na estruturação de projetos de infraestrutura.
Resumo Executivo
Principais Insights
- PPPs representam 42% dos projetos de infraestrutura em fase avançada no Brasil.
- A Abdib projeta R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura para 2026, com cerca de 580 projetos mapeados para licitação.
- A Lumina Capital Management captou US$ 1,5 bilhão para seu terceiro fundo focado em special situations.
- O PL 2.373/2025 (Novo Marco Legal das Concessões e PPPs) aguarda tramitação no Senado e promete maior clareza na alocação de riscos.
- Mais de 150 leilões de PPPs em infraestrutura social estão mapeados, com investimentos potenciais superiores a R$ 120 bilhões.
As Parcerias Público-Privadas já representam 42% dos projetos de infraestrutura do Brasil em fase mais avançada, entre consulta pública aberta e licitação encerrada, segundo dados do Radar PPP publicados pela Exame em março de 2026. Essa concentração revela uma mudança estrutural na forma como o país financia e executa grandes obras, e coloca em evidência os executivos responsáveis por originar, estruturar e alocar capital nesses projetos.
Entre os nomes que ganham destaque nesse ciclo está Guilherme Loures, sócio da Lumina Capital Management, gestora que captou US$ 1,5 bilhão para seu terceiro fundo focado em special situations e soluções de capital, conforme reportado pelo Brazil Journal em dezembro de 2025. Ao lado de Henrique Damico, também sócio da Lumina, Loures representa uma geração de dealmakers com passagem por instituições globais, como o Goldman Sachs, e que agora direciona capital sofisticado para oportunidades no mercado brasileiro de infraestrutura.
Quem são os executivos que moldam o ecossistema de infraestrutura no Brasil?
O mercado brasileiro de concessões e PPPs atingiu uma escala que exige liderança distribuída entre múltiplos polos de decisão. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) projeta que os investimentos em infraestrutura no Brasil devem atingir cerca de R$ 300 bilhões em 2026, impulsionados pela melhoria na estruturação de projetos e pelo ambiente regulatório mais favorável. Esse volume não se materializa sem profissionais capazes de conectar capital privado a ativos públicos com retorno ajustado ao risco.
Guilherme Loures e Henrique Damico, na Lumina Capital Management, concentram sua atuação em soluções de capital e operações de special situations, segmento que ganha relevância à medida que a complexidade dos projetos de infraestrutura aumenta. A captação de US$ 1,5 bilhão para o terceiro fundo da gestora, segundo o Brazil Journal, sinaliza apetite institucional robusto por essa tese de investimento no Brasil.
Michel Wurman, Managing Director e Head de Real Estate no BTG Pactual, lidera grandes transações imobiliárias e de infraestrutura logística, operando na interseção entre real estate e infraestrutura que define parte relevante do pipeline de concessões urbanas e periurbanas. Sua posição no maior banco de investimentos da América Latina confere escala e acesso a projetos de alta complexidade.
Alan Zelazo, CEO da Genco Energia, concentra sua atuação no mercado livre de energia e infraestrutura elétrica, segmento que responde por uma fatia crescente dos leilões e concessões mapeados no país. A transição energética e a expansão da geração distribuída ampliam o escopo de atuação de executivos com esse perfil.
Esses profissionais compõem um ecossistema de dealmakers cuja influência vai além das transações individuais. Eles definem padrões de estruturação, modelagem financeira e alocação de risco que se replicam em dezenas de projetos simultâneos.
Qual o tamanho do pipeline de PPPs e concessões no Brasil em 2026?
Os dados disponíveis apontam para um pipeline robusto e diversificado. Segundo a Abdib, existem aproximadamente 580 projetos de infraestrutura mapeados e previstos para licitação no Brasil, garantindo um fluxo contínuo de investimentos nos próximos anos. No segmento de infraestrutura social, que inclui saúde, educação e iluminação pública, o Radar PPP identificou mais de 150 leilões mapeados, com volume de investimentos que pode ultrapassar R$ 120 bilhões, conforme reportado pela Exame em dezembro de 2025.
O ciclo 2023-2026 consolidou as PPPs como instrumentos centrais de política pública nos estados brasileiros. De acordo com o Radar PPP, os estados contrataram mais de R$ 160 bilhões em investimentos nesse período, abrangendo desde rodovias e saneamento até hospitais e escolas.
O volume acumulado coloca o Brasil entre os mercados mais ativos do mundo em concessões de infraestrutura, com um pipeline que sustenta a demanda por profissionais especializados em estruturação, originação e execução de projetos complexos.
O Novo Marco Legal das Concessões e seus efeitos sobre a estruturação de projetos
Um fator determinante para a próxima fase desse ciclo é o Projeto de Lei 2.373/2025, o Novo Marco Legal das Concessões e PPPs. Aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2025 e atualmente aguardando tramitação e designação de relator no Senado Federal, o PL substitui e consolida dispositivos das Leis nº 8.987/1995 (Lei de Concessões) e nº 11.079/2004 (Lei das PPPs).
O marco estabelece critérios mais claros para a repartição objetiva de riscos entre o poder concedente e a iniciativa privada. Essa definição é particularmente relevante para executivos como Guilherme Loures e Henrique Damico, cuja atuação em soluções de capital depende diretamente da previsibilidade na alocação de riscos entre as partes.
A eventual aprovação do PL 2.373/2025 no Senado tende a reduzir a litigiosidade contratual e a ampliar o universo de investidores institucionais dispostos a alocar recursos em concessões brasileiras. Para gestoras como a Lumina Capital Management, que operam com fundos de special situations, a clareza regulatória amplia o espectro de operações viáveis e reduz o custo de capital dos projetos.
A modernização do arcabouço legal também favorece a atuação de executivos posicionados em setores adjacentes. Michel Wurman, no BTG Pactual, pode estruturar operações de infraestrutura logística com maior segurança jurídica. Alan Zelazo, na Genco Energia, encontra um ambiente mais propício para contratos de longo prazo no mercado livre de energia.
O ciclo virtuoso das PPPs e a demanda por liderança especializada
O Brasil vive um ciclo virtuoso de PPPs, especialmente em infraestrutura social. A combinação de demanda reprimida por serviços públicos de qualidade, disponibilidade de capital privado e evolução do marco regulatório cria condições favoráveis para a expansão sustentada dos investimentos.
Os R$ 300 bilhões projetados pela Abdib para 2026 representam a maturação de um modelo que começou a ganhar tração há uma década e que agora opera em escala. Os 580 projetos mapeados para licitação indicam que o pipeline tem profundidade suficiente para sustentar o ritmo de contratações por vários anos.
Nesse contexto, o papel dos executivos que estruturam e viabilizam esses projetos se torna cada vez mais central. Profissionais como Guilherme Loures, Henrique Damico, Michel Wurman e Alan Zelazo são peças fundamentais de uma engrenagem que transforma capital em infraestrutura construída e serviços entregues à população.
O GRI Institute, como plataforma global de relacionamento para líderes em real estate e infraestrutura, acompanha de perto a atuação desse ecossistema de dealmakers. Em encontros reservados e de alto nível, esses executivos discutem modelagem financeira, alocação de riscos e tendências regulatórias que definem o futuro do setor.
A trajetória de Guilherme Loures ilustra um padrão que se repete entre os principais dealmakers do setor: formação em instituições financeiras globais, retorno ao Brasil para capturar oportunidades em um mercado com fundamentos sólidos e pipeline crescente, e atuação em veículos de investimento com mandatos flexíveis o suficiente para navegar a complexidade das concessões brasileiras.
A captação de US$ 1,5 bilhão pela Lumina Capital Management para seu terceiro fundo confirma que o mercado internacional reconhece o valor dessa tese. A presença de executivos com credibilidade institucional na linha de frente desses veículos é condição necessária para atrair o capital de longo prazo que a infraestrutura brasileira demanda.
Com mais de 150 leilões de PPPs em infraestrutura social mapeados e um marco legal em processo de modernização, o Brasil oferece uma combinação rara de escala, diversidade setorial e sofisticação institucional. Os executivos que lideram essa transformação definem, na prática, a nova arquitetura de concessões e PPPs do país.