
GRI Infra Sul 2026: os deals, teses e players que definem o próximo ciclo de concessões no Sul
Com 14 leilões rodoviários projetados para 2026, a região Sul concentra um dos pipelines mais robustos da infraestrutura brasileira.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Ministério dos Transportes projeta 14 leilões de concessões rodoviárias em 2026, com lotes estratégicos no Sul.
- O capital privado atingiu a maior participação proporcional da série histórica em infraestrutura no Brasil.
- Quatro verticais concentram interesse: saneamento, energias renováveis, resíduos sólidos e concessões rodoviárias.
- A entrada de operadores internacionais nos leilões do Sul tem reduzido tarifas de pedágio e elevado a competitividade.
- Saneamento é apontado como a vertical de maior potencial de crescimento no Sul para 2026-2027.
O Ministério dos Transportes projeta realizar 14 leilões de concessões rodoviárias em 2026, segundo dados compilados pelo Jornal do Comércio, com lotes estratégicos na região Sul, incluindo as Rodovias Integradas de Santa Catarina e a Rota Integração do Sul, no Rio Grande do Sul. O volume sinaliza um ciclo de concessões que posiciona Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul como epicentro da disputa por ativos de infraestrutura no Brasil, e o GRI Infra Sul se consolida como o principal ponto de convergência entre os players que estruturam essas operações.
O dado não é isolado. Ele se insere num contexto em que a iniciativa privada ampliou seu protagonismo no setor de infraestrutura brasileiro, respondendo pela maior participação proporcional da série histórica iniciada em 2010, conforme levantamento da Abdib em parceria com a EY-Parthenon, publicado em fevereiro de 2026. Os investimentos totais em infraestrutura no Brasil devem ter atingido um novo recorde em 2025, impulsionados justamente pelo capital privado, segundo a mesma fonte.
Esse movimento estrutural encontra no Sul do Brasil um terreno fértil: estados com marcos regulatórios relativamente estáveis, demanda reprimida por logística e saneamento, e governos estaduais que têm demonstrado disposição para modelar concessões competitivas.
Qual é o pipeline de concessões no Sul para 2026-2027?
O calendário federal já traz sinalizações concretas. Além dos lotes catarinense e gaúcho incluídos nos 14 leilões rodoviários projetados pelo Ministério dos Transportes para 2026, o Governo Federal autorizou, em março de 2026, um pacote de investimentos para infraestrutura de transportes no Paraná, contemplando rodovias, o Porto de Paranaguá e o Aeroporto de Maringá, conforme divulgado pela Agência Brasil.
No Paraná, a movimentação já se traduz em capital comprometido por operadores de larga escala. A concessionária EPR prevê aplicar um alto volume de investimentos em sete concessões rodoviárias em Minas Gerais e no Paraná ao longo de 30 anos, com R$ 8 bilhões destinados apenas aos primeiros sete anos na EPR Litoral Pioneiro, segundo a Revista O Empreiteiro. Esse patamar de investimento inicial demonstra a atratividade dos ativos paranaenses e a disposição dos concessionários em acelerar a curva de desembolso, fator que diferencia o ciclo atual dos anteriores.
A região Sul, portanto, não figura como coadjuvante no pipeline nacional. Ela concentra leilões em múltiplos modais, rodovias, portos e aeroportos, o que permite aos investidores diversificar exposição dentro de um mesmo ecossistema geográfico.
Em saneamento, o Novo Marco Legal segue como vetor de destravamento. A legislação, já em vigor, abriu espaço para bilhões de reais em projetos de PPPs e concessões voltados à universalização dos serviços, atraindo players privados para leilões no Sul e em outras regiões. O tema permanece central nos debates promovidos pelo GRI Institute, que tem reunido gestores públicos, concessionários e investidores em torno dos desafios de modelagem e financiamento desses projetos.
Quais teses de investimento ganham tração na região Sul?
As discussões mais recentes no âmbito do GRI Club e do GRI Brasil apontam para quatro verticais de investimento que concentram o interesse dos players ativos na região Sul: saneamento, energias renováveis, gestão de resíduos sólidos (com destaque para biometano e waste-to-energy) e o robusto pipeline de concessões rodoviárias nos três estados.
A tese rodoviária permanece como espinha dorsal. O ciclo de relicitações e novas concessões no Paraná e em Santa Catarina criou um mercado secundário relevante, no qual operadores com experiência em brownfield competem com entrantes que buscam posição estratégica. A entrada de novos players internacionais tem aumentado a competitividade dos leilões na região, com efeito direto na redução de tarifas de pedágio, beneficiando o usuário final e elevando a exigência de eficiência operacional dos concessionários.
Em energia, o Sul apresenta particularidades que atraem teses distintas das praticadas no Nordeste. A complementaridade entre geração eólica e solar, a proximidade de centros de consumo industrial e a infraestrutura de transmissão existente tornam a região competitiva para projetos de geração distribuída e para investimentos em modernização da rede elétrica.
A vertical de resíduos sólidos, embora ainda em estágio de estruturação em comparação com rodovias e saneamento, ganhou relevância nos debates do GRI Institute. Projetos de biometano a partir de aterros sanitários e plantas de waste-to-energy começam a atrair capital de gestoras que enxergam na transição energética uma oportunidade de retorno ajustado ao risco com componente ESG.
O capital privado responde pela maior fatia proporcional já registrada nos investimentos em infraestrutura no Brasil, e a região Sul está entre as que mais se beneficiam dessa mudança estrutural.
O papel do GRI Infra Sul como hub de inteligência e networking
O GRI Infra Sul se consolidou como o espaço onde as decisões de alocação de capital para a região Sul são debatidas antes de se tornarem públicas. O formato de discussões reservadas entre líderes do setor, característico do GRI Institute, permite que concessionários, investidores institucionais, gestores de fundos de infraestrutura e representantes do poder público dialoguem sobre os gargalos reais de cada projeto.
Entre os temas que dominam a agenda do evento estão a modelagem financeira dos novos lotes rodoviários, os mecanismos de garantia para PPPs de saneamento, a regulação de novos modais como o ferroviário e as oportunidades em infraestrutura digital. O ecossistema GRI Brasil funciona como catalisador dessas conversas, conectando players que, de outra forma, levariam meses para alinhar interesses.
Para o ciclo 2026-2027, o evento ganha relevância adicional. Com múltiplos leilões programados em um intervalo curto, a capacidade de antecipar movimentos regulatórios, mapear concorrentes e identificar parceiros de equity se torna diferencial competitivo. Membros do GRI Institute acessam essa inteligência de forma estruturada, com curadoria temática e acesso direto aos tomadores de decisão.
Competitividade e novos entrantes: o que muda nos leilões do Sul
A presença crescente de operadores internacionais nos leilões de infraestrutura do Sul altera a dinâmica competitiva de forma permanente. A redução de tarifas de pedágio observada em certames recentes é reflexo direto desse aumento de concorrência, que pressiona os incumbentes a otimizar estruturas de capital e eficiência operacional.
Esse fenômeno é particularmente visível no Paraná, onde o ciclo de novas concessões e relicitações atraiu grupos com experiência em mercados latino-americanos e europeus. A sofisticação das propostas técnicas e financeiras apresentadas nos leilões elevou o patamar de exigência regulatória, criando um círculo virtuoso de qualidade.
A região Sul se posiciona como laboratório de boas práticas em concessões de infraestrutura no Brasil, combinando volume de pipeline, diversidade de modais e competitividade entre players.
Saneamento: a fronteira de maior potencial de crescimento
O Novo Marco Legal do Saneamento permanece como o principal catalisador de novos projetos na região. A legislação destravou um volume expressivo de capital para PPPs e concessões voltadas à universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário, e os três estados do Sul figuram entre os que avançaram na estruturação de editais.
Nos debates promovidos pelo GRI Institute, o saneamento aparece como a vertical com maior potencial de crescimento no Sul para o biênio 2026-2027. Os desafios são conhecidos: complexidade regulatória municipal, necessidade de investimentos em redes de coleta e tratamento, e a exigência de tarifas que equilibrem universalização e retorno ao investidor. As soluções, contudo, estão sendo desenhadas em tempo real, com modelos de concessão plena e PPPs que incorporam mecanismos de performance e reequilíbrio.
O pipeline de infraestrutura no Sul do Brasil atravessa um momento de inflexão. O volume de leilões programados, o capital privado disponível e a entrada de novos competidores configuram um ciclo que pode redefinir a qualidade dos ativos na região. O GRI Infra Sul 2026 se posiciona como o fórum onde esse ciclo será moldado, reunindo os players que detêm capacidade de execução e decisão de investimento.