Expansão portuária no Brasil: o mapa dos deals, players e concessões que redesenham a logística marítima em 2026

Com 1,4 bilhão de toneladas movimentadas em 2025 e leilões já realizados na B3, o setor portuário brasileiro vive ciclo inédito de investimentos, disputas regulatórias e ampliação territorial.

26 de abril de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O setor portuário brasileiro vive um ciclo inédito de expansão, com 1,4 bilhão de toneladas movimentadas em 2025 e projeção de 1,59 bilhão até 2030. O Porto de Santos concentra os maiores investimentos, com R$ 12,5 bilhões previstos até 2028 e ampliação de 56% de sua área. Leilões na B3 já concederam terminais em Santana, Natal e Porto Alegre. Porém, a suspensão do leilão do Tecon Santos 10 e a tramitação do Novo Marco dos Portos (PL 733/2025) revelam que a incerteza regulatória é o principal gargalo para a alocação de capital privado no setor.

Principais Insights

  • O Brasil movimentou 1,4 bilhão de toneladas em 2025 (+6,1%), com contêineres crescendo 10,2%, atingindo 15,3 milhões de TEUs.
  • O Porto de Santos terá ampliação de 56% em área e R$ 12,5 bilhões em investimentos até 2028, com espaço para até 30 novos terminais.
  • O leilão do megaterminal Tecon Santos 10 foi suspenso, evidenciando incerteza regulatória no setor.
  • O PL 733/2025 (Novo Marco dos Portos) tramita na Câmara e pode redesenhar as regras do setor.
  • Suape avança na descarbonização com a primeira fábrica de e-metanol do país (R$ 2 bilhões).

O setor aquaviário brasileiro movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, um crescimento de 6,1% em relação a 2024, segundo dados consolidados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) publicados em fevereiro de 2026. O número confirma a trajetória de adensamento logístico dos portos nacionais e reforça a posição do Brasil como uma das maiores plataformas de comércio exterior por via marítima do mundo. O ciclo que se abre em 2026, no entanto, traz mais do que recordes operacionais: envolve dezenas de bilhões de reais em investimentos projetados, ampliações territoriais sem precedentes, novos leilões de terminais e uma revisão regulatória que pode redesenhar as regras do jogo para as próximas décadas.

Esse cenário de oportunidade e complexidade é tema de crescente interesse entre investidores, operadores e líderes do setor que participam das discussões promovidas pelo GRI Institute, cuja agenda de encontros sobre infraestrutura brasileira tem dedicado atenção especial à expansão portuária.

Recordes de movimentação: o que os números de 2025 revelam sobre a capacidade instalada

Além do crescimento agregado de 6,1% na tonelagem total, o desempenho dos contêineres chama a atenção de forma particular. A movimentação de contêineres no Brasil atingiu 15,3 milhões de TEUs em 2025, representando um crescimento de 10,2% no ano, conforme dados da ANTAQ. Esse ritmo de expansão supera significativamente o crescimento da carga geral e sinaliza uma sofisticação da pauta exportadora, com maior participação de produtos manufaturados e semielaborados no fluxo portuário.

A projeção da ANTAQ aponta que a movimentação portuária nacional deve alcançar 1,44 bilhão de toneladas em 2026, um crescimento de 2,7% sobre 2025, e chegar a 1,59 bilhão de toneladas em 2030. A curva indica que o sistema portuário precisará absorver cerca de 190 milhões de toneladas adicionais nos próximos quatro anos, o que torna inadiável a ampliação da capacidade instalada e a modernização operacional dos terminais.

Essa pressão sobre a infraestrutura existente é o pano de fundo que explica a intensidade da agenda de concessões e autorizações de terminais de uso privado (TUPs) observada no início de 2026.

Quais são os principais leilões e investimentos portuários previstos para 2026?

O primeiro bloco de leilões portuários de 2026 foi realizado em 26 de fevereiro na B3, concedendo três terminais à iniciativa privada nos portos de Santana (AP), Natal (RN) e Porto Alegre (RS), conforme reportado pela Agência Brasil. Os certames confirmaram o apetite do mercado por ativos portuários em regiões que historicamente receberam menos investimentos privados, ampliando a cobertura geográfica do programa de concessões.

O movimento mais ambicioso, porém, concentra-se no Porto de Santos. O Governo Federal autorizou a ampliação da área terrestre (poligonal) do Porto de Santos em 56%, passando de 9,3 km² para 14,5 km², segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a InvestSP. A decisão abre espaço para até 30 novos terminais na maior infraestrutura portuária da América Latina.

O Porto de Santos tem previsão de receber R$ 12,5 bilhões em investimentos até 2028, de acordo com a APS. Esse volume de capital posiciona o complexo santista como o principal vetor de atração de investimentos em infraestrutura logística do país no curto prazo, com impactos diretos sobre cadeias de commodities agrícolas, combustíveis e carga conteinerizada.

Os debates sobre a execução desse pipeline de investimentos, incluindo os modelos de concessão e as expectativas de retorno, têm sido temas recorrentes nos encontros de líderes do setor promovidos pelo GRI Institute, que reúne CEOs e investidores atuantes na infraestrutura brasileira.

Por que o leilão do Tecon Santos 10 foi suspenso e o que isso indica sobre o ambiente regulatório?

O leilão do megaterminal de contêineres Tecon Santos 10, considerado o maior arrendamento portuário da história do Brasil, foi suspenso em abril de 2026 por determinação do Ministério de Portos e Aeroportos para reavaliação de diretrizes junto à Casa Civil, conforme reportou a CNN Brasil em 24 de abril de 2026.

A suspensão ilustra a tensão entre a urgência de ampliar a capacidade operacional e a necessidade de alinhamento político e técnico sobre as condições dos contratos de longo prazo. Para investidores e operadores, a decisão gera incerteza sobre o cronograma de novos arrendamentos e levanta questões sobre a previsibilidade do ambiente regulatório.

Paralelamente, tramita na comissão especial da Câmara dos Deputados o PL 733/2025, conhecido como Novo Marco dos Portos, que visa atualizar o marco regulatório portuário brasileiro. O projeto propõe alterações nas regras de exploração, na atração de investimentos privados e na legislação trabalhista do setor. O governo federal também elabora um texto alternativo para revisar a atual Lei dos Portos (Lei 12.815/2013) em vez de revogá-la completamente. O projeto está sob relatoria do deputado Arthur Maia e em negociação com o Executivo.

A coexistência de um pipeline robusto de investimentos com um quadro regulatório em transformação exige dos players do setor uma leitura atenta das variáveis políticas e jurídicas. A capacidade de antecipar mudanças regulatórias e influenciar a construção de marcos estáveis é um diferencial competitivo para os operadores posicionados no mercado brasileiro.

Suape e a fronteira da descarbonização portuária

Enquanto Santos concentra a maior fatia dos investimentos em capacidade logística, o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, avança em uma frente complementar. O Plano de Negócios 2026 do Porto de Suape prevê R$ 217 milhões para dragagem do canal interno, segundo o próprio Complexo de Suape. A obra é essencial para permitir a atracação de navios de maior calado e ampliar a competitividade do porto no tráfego de longo curso.

Suape também se posiciona na fronteira da transição energética aplicada à infraestrutura portuária. O plano contempla a instalação da primeira fábrica de e-metanol do país, pela European Energy, com investimento de R$ 2 bilhões. O e-metanol, produzido a partir de fontes renováveis, é um dos combustíveis alternativos com maior potencial de adoção pelo setor marítimo global, em linha com as metas de descarbonização da Organização Marítima Internacional (IMO).

A convergência entre expansão portuária e transição energética representa uma nova camada de complexidade, e de oportunidade, para investidores que buscam ativos com perfil ESG robusto e alinhamento com tendências regulatórias internacionais.

Mapa de oportunidades e gargalos: o que define o próximo ciclo

O cenário portuário brasileiro em 2026 combina fundamentos operacionais sólidos com uma agenda de expansão territorial e de concessões historicamente ambiciosa. Três vetores definem o próximo ciclo:

Escala de movimentação crescente. Com projeção de 1,59 bilhão de toneladas em 2030, segundo a ANTAQ, o sistema portuário brasileiro enfrentará pressão estrutural por novos terminais, acessos rodoferroviários e soluções de armazenagem.

Concentração de capital em Santos. Os R$ 12,5 bilhões projetados até 2028, aliados à ampliação de 56% da poligonal, fazem do Porto de Santos o epicentro das decisões de investimento em logística marítima no Brasil.

Incerteza regulatória como variável crítica. A suspensão do leilão do Tecon Santos 10 e a tramitação do PL 733/2025 indicam que a definição do novo marco legal será determinante para o ritmo de alocação de capital privado no setor.

Para líderes que atuam em infraestrutura, acompanhar a evolução dessas variáveis com informação qualificada e acesso direto aos tomadores de decisão é condição para capturar as oportunidades que o ciclo apresenta. O GRI Institute mantém uma agenda contínua de discussões sobre o setor portuário e a logística marítima brasileira, conectando investidores, operadores e formuladores de política em encontros reservados.

O Brasil movimenta volumes recordes por seus portos. A questão central para 2026 é se a infraestrutura institucional e regulatória acompanhará o ritmo da infraestrutura física.

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