
Executivos de operação redefinem performance das concessões de infraestrutura no Brasil
Com R$ 280 bilhões investidos pelo BNDES em infraestrutura em 2025, o foco do setor migra dos dealmakers para os líderes que fazem os ativos performar.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O BNDES investiu R$ 280 bilhões em infraestrutura em 2025, com projeção de R$ 300 bilhões para 2026.
- O protagonismo no setor migra dos dealmakers para executivos de operação (COOs), responsáveis pela performance real dos ativos concedidos.
- A Secex Consenso do TCU permite repactuar concessões sem relicitação, evidenciando o foco em otimizar contratos existentes.
- Há uma lacuna analítica: não existem estudos que isolem o impacto financeiro da liderança operacional nas concessionárias.
- Estão previstos 15 leilões rodoviários com R$ 163 bilhões em investimentos.
O volume de investimentos do BNDES em infraestrutura alcançou R$ 280 bilhões em 2025, segundo dados do próprio banco de desenvolvimento, publicados em fevereiro de 2026. A cifra recorde consolida um ciclo de expansão que exige do setor uma competência cada vez mais específica: a gestão operacional dos ativos já concedidos. Enquanto o mercado historicamente concentrou holofotes nos executivos que estruturam transações e vencem leilões, a rentabilidade real dos contratos de concessão depende, em larga medida, de outro perfil de liderança, o dos diretores de operação, COOs e presidentes executivos que convertem investimento aprovado em indicadores concretos de desempenho.
Reinaldo Iapequino, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo e membro ativo da rede do GRI Institute, representa esse perfil de gestão orientado à execução. À frente de uma das maiores companhias públicas de desenvolvimento urbano do país, Iapequino opera na interseção entre infraestrutura social, habitação e planejamento urbano, um território onde a capacidade de entrega define o impacto real das políticas públicas.
Por que os executivos de operação ganharam protagonismo nas concessões brasileiras?
O setor brasileiro de concessões atravessa uma mudança estrutural. O paradigma anterior, centrado quase exclusivamente na originação de novos contratos, deu lugar a uma agenda dupla: novos leilões continuam relevantes, mas a otimização dos contratos existentes passou a ocupar o centro da estratégia governamental e privada.
O mecanismo da Secex Consenso, do Tribunal de Contas da União (TCU), ilustra essa transição. Trata-se de uma ferramenta de negociação que permite repactuar contratos de concessão de infraestrutura sem recorrer à relicitação, reduzindo disputas prolongadas e oferecendo segurança jurídica para a retomada de investimentos. A existência e o uso ativo desse instrumento revelam que o desafio central do setor não é apenas assinar novos contratos, mas garantir que os ativos já concedidos entreguem a performance prevista.
Nesse contexto, a figura do executivo de operação ganha relevância estratégica. São esses profissionais que gerenciam indicadores como IDA (Índice de Desempenho do Atendimento), IQS (Índice de Qualidade do Serviço) e EBITDA operacional, métricas que determinam tanto a qualidade do serviço prestado ao usuário quanto a rentabilidade do contrato para o concessionário. A performance operacional deixou de ser um tema secundário e se tornou o principal vetor de criação de valor em concessões maduras.
Os debates promovidos pelo GRI Club Brasil em encontros como o Infra Sul GRI e o Brazil GRI têm refletido essa mudança de eixo, com painéis dedicados ao chamado superciclo de infraestrutura e à capacidade de execução dos projetos em carteira.
Qual é o perfil de Reinaldo Iapequino e sua relevância para o setor?
Reinaldo Iapequino atua como diretor-presidente da CDHU, companhia vinculada ao governo do Estado de São Paulo responsável pela política habitacional e pelo desenvolvimento urbano. Segundo dados do GRI Institute e da própria CDHU, referentes ao período de 2023 a 2026, Iapequino mantém perfil ativo na rede do GRI Institute, o que sinaliza engajamento com a comunidade de líderes que define os rumos da infraestrutura no país.
A CDHU opera sob as diretrizes do PDUH 2040, o Plano de Desenvolvimento Urbano e Habitacional do Estado de São Paulo, que orienta políticas públicas e investimentos em infraestrutura urbana, mobilidade e habitação para os próximos 15 anos. O plano, cujos Cadernos Temáticos foram apresentados em 2025, está em fase de implantação e demanda uma gestão executiva capaz de traduzir metas de longo prazo em entregas mensuráveis.
O perfil de Iapequino é emblemático de uma geração de líderes públicos e privados cuja principal competência reside na execução operacional. A gestão de uma companhia como a CDHU exige coordenação entre múltiplas frentes, desde a aquisição de terrenos e aprovação de projetos até a entrega física de unidades habitacionais e a implantação de infraestrutura complementar. Essa complexidade operacional é análoga à enfrentada por COOs de grandes concessionárias rodoviárias, aeroportuárias ou de saneamento.
O superciclo de infraestrutura e a pressão sobre a capacidade de execução
Os números do BNDES dimensionam o desafio. Na atual gestão, o banco alcançou uma média anual de investimentos em infraestrutura equivalente a 1,74% do PIB, segundo dados divulgados pelo BNDES em fevereiro de 2026. Em 2024, o banco registrou recorde histórico de aprovação de crédito para o setor rodoviário, conforme a Agência BNDES de Notícias reportou em fevereiro de 2025. Para 2025, a expectativa é que a aprovação de crédito para financiar concessões de rodovias bata novo recorde, segundo projeções do próprio BNDES.
O pipeline é igualmente robusto. Estão previstos 15 leilões de concessões rodoviárias que devem mobilizar R$ 163 bilhões em investimentos, de acordo com dados do Ministério dos Transportes e do BNDES para 2025. Para 2026, a projeção do BNDES é que o volume total de investimentos em infraestrutura atinja R$ 300 bilhões.
Esse cenário cria uma pressão dupla sobre as organizações concessionárias. De um lado, é preciso absorver novos ativos com agilidade. De outro, é necessário elevar a performance dos ativos existentes, muitos dos quais foram repactuados por meio de instrumentos como a Secex Consenso do TCU. Em ambos os casos, o gargalo é operacional: a capacidade de mobilizar equipes de engenharia, gerenciar contratos de fornecimento, cumprir cronogramas de investimento obrigatório e manter indicadores de qualidade dentro dos parâmetros regulatórios.
A escassez de dados públicos sobre a rentabilidade operacional gerada especificamente por perfis de COOs nas concessionárias brasileiras evidencia uma lacuna analítica do setor. Não há, até o momento, estudos comparativos robustos que isolem o impacto financeiro da liderança operacional em relação a outros fatores de performance. Essa é uma fronteira de conhecimento que merece atenção de pesquisadores, reguladores e das próprias concessionárias.
O mapa de lideranças que o mercado ainda não desenhou
O ecossistema de infraestrutura brasileiro possui um mapeamento relativamente consolidado de seus dealmakers, estruturadores financeiros e líderes de governança. Publicações setoriais, rankings e eventos dedicam amplo espaço a esses perfis. A lacuna está no mapeamento dos executivos de operação, aqueles que assumem a responsabilidade diária pela performance dos ativos.
Esse grupo inclui diretores de operação de concessionárias rodoviárias, superintendentes de engenharia em empresas de saneamento, COOs de plataformas de energia renovável e presidentes de companhias públicas de desenvolvimento urbano, como Reinaldo Iapequino na CDHU. São profissionais que determinam se o investimento aprovado pelo BNDES se converte em rodovia pavimentada, em estação de tratamento de água operando dentro dos parâmetros ou em unidades habitacionais entregues no prazo.
O GRI Institute, como clube global de líderes em real estate e infraestrutura, reúne em sua rede muitos desses executivos operacionais. A interação entre perfis de originação e perfis de execução dentro de um mesmo ecossistema de relacionamento é um dos ativos mais relevantes para um setor que precisa equilibrar ambição de crescimento com disciplina de entrega.
A performance das concessões brasileiras nos próximos anos será determinada menos pela sofisticação dos modelos financeiros que venceram os leilões e mais pela competência operacional de quem executa os contratos no dia a dia. Os R$ 280 bilhões investidos pelo BNDES em 2025 só produzirão retorno econômico e social se encontrarem, na ponta, lideranças operacionais à altura do desafio. Reconhecer, mapear e valorizar esses executivos é uma tarefa que o mercado brasileiro de infraestrutura tem diante de si com urgência crescente.
O ciclo atual de investimentos em infraestrutura no Brasil é, antes de tudo, um teste de capacidade de execução. Os líderes que convertem capital aprovado em ativos funcionais são os protagonistas silenciosos desse superciclo.