O mapa dos executivos que redesenham a infraestrutura no Paraná e a nova fronteira de concessões no Sul

Com R$ 60 bilhões projetados em investimentos rodoviários anuais até 2030, lideranças regionais conectam capital privado, logística e gestão de riscos ao ciclo de concessões.

14 de maio de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Paraná consolidou-se como referência nacional em concessões rodoviárias ao concluir um programa de seis lotes que totalizam 3,3 mil km, adotando o critério de menor tarifa de pedágio sem cobrança de outorga. O modelo atraiu operadores como o Grupo Pátria e o Grupo EPR, reduzindo tarifas em relação aos contratos anteriores. Um ecossistema de executivos conecta capital privado, seguros especializados e infraestrutura logística e imobiliária para viabilizar os projetos. Lideranças como Claudio Algranti (Galoppo), Pedro Suplicy (Gallagher) e Constantino Bittencourt (Fasano) ilustram a interdependência entre financiamento, gestão de riscos e desenvolvimento regional nesse ciclo de investimentos.

Principais Insights

  • O Brasil projeta R$ 60 bilhões anuais em investimentos rodoviários até 2030, com o Paraná como epicentro das concessões no Sul.
  • O programa paranaense abrange 3,3 mil km de rodovias em seis lotes, com modelo baseado em menor tarifa e sem cobrança de outorga.
  • A bancabilidade dos projetos depende da integração entre seguros especializados, logística e capital institucional.
  • O Paraná projeta universalizar o saneamento até 2029, antecipando a meta nacional, com 65% dos recursos destinados à expansão de esgoto.

O Brasil projeta receber uma média anual de R$ 60 bilhões em investimentos rodoviários até 2030, impulsionado por novos modelos de concessão, segundo o Ministério dos Transportes. No epicentro desse movimento, o Paraná consolidou um programa que abrange 3,3 mil quilômetros de rodovias divididos em seis lotes, com previsão de investimentos em obras e operações ao longo de 30 anos, conforme dados da Agência Estadual de Notícias (AEN). O ecossistema de executivos que opera na interseção entre capital privado, governança pública e grandes projetos de infraestrutura no Sul do país ganha contornos cada vez mais nítidos, e mapeá-lo é essencial para compreender as dinâmicas de decisão que moldam o setor.

Quem são os executivos que lideram a nova geração de infraestrutura no Sul?

O ciclo de concessões paranaense atraiu operadores de peso e revelou um perfil de liderança que transita entre o setor público, fundos de investimento, seguros especializados e infraestrutura imobiliária. Esses profissionais não atuam isoladamente. Formam um ecossistema interdependente, no qual cada elo da cadeia, do financiamento à mitigação de riscos, determina a viabilidade e a bancabilidade dos projetos.

Claudio Algranti, CEO da Galoppo, representa o avanço da infraestrutura logística financiada por fundos imobiliários. A gestora captou recursos para o desenvolvimento de um megaempreendimento logístico de 270 mil m² no Rodoanel, em São Paulo, e visa alcançar R$ 2,9 bilhões em ativos sob gestão até o final de 2025, segundo dados do Portal Logweb e Metro Quadrado. A escala desse tipo de operação evidencia como o capital institucional direcionado a ativos logísticos se integra ao ecossistema mais amplo de infraestrutura de transportes. Algranti é membro ativo do GRI Institute e participa regularmente das discussões sobre a convergência entre real estate e infraestrutura.

Pedro Suplicy atua como Head de Infraestrutura, Construção e Real Estate na Gallagher Brasil, focando na estruturação de seguros e garantias para grandes obras, PPPs e concessões de infraestrutura, conforme a Revista Apólice. Trata-se de uma posição estratégica no ciclo de vida dos projetos: sem instrumentos adequados de mitigação de riscos, a atração de capital privado para concessões de longo prazo se torna inviável. O papel de profissionais como Suplicy é frequentemente subestimado nas análises setoriais, mas constitui um pilar fundamental da bancabilidade.

Constantino Bittencourt, CEO do Grupo Fasano, lidera a expansão de infraestrutura turística e imobiliária de alto padrão, incluindo o complexo Fasano Boa Vista, que abriga o maior circuito privado de triatlo da América Latina, de acordo com a VEJA São Paulo. A atuação do Grupo Fasano ilustra como a infraestrutura imobiliária de luxo se conecta a corredores logísticos e de turismo, ampliando o escopo do que tradicionalmente se entende por investimento em infraestrutura.

Esses nomes compõem, junto a dezenas de outros decision-makers, o tecido de liderança que o GRI Institute mapeia em seus encontros dedicados à infraestrutura brasileira.

Como o modelo de concessões do Paraná se tornou referência nacional?

O programa de concessões rodoviárias do Paraná adotou um modelo que se diferencia pelo critério de menor tarifa de pedágio, sem cobrança de outorga. Essa estrutura, aplicada aos seis lotes que totalizam 3,3 mil quilômetros, priorizou a modicidade tarifária e a atração de operadores dispostos a competir por eficiência operacional, e não por pagamento antecipado ao poder concedente.

O último leilão do ciclo, referente ao Lote 5, foi arrematado pelo Grupo Pátria em outubro de 2025, encerrando uma sequência que incluiu a arrematação do Lote 4 pelo Grupo EPR. Segundo a AEN, o ciclo de leilões garantiu uma redução média nas tarifas de pedágio em comparação aos contratos encerrados em 2021. Esse resultado reforça a tese de que modelos de concessão centrados em tarifa, quando bem desenhados, conseguem conciliar retorno ao investidor e benefício ao usuário da rodovia.

O modelo paranaense tornou-se a principal âncora de atração de capital para a região Sul. Em um contexto onde o Ministério dos Transportes projeta R$ 60 bilhões anuais em investimentos rodoviários até 2030, a capacidade dos estados de estruturar programas de concessão robustos define quais regiões capturarão a maior fatia desse fluxo de capital.

Qual é o papel da infraestrutura logística e de seguros na bancabilidade dos projetos?

A bancabilidade de concessões e PPPs depende de uma cadeia completa de serviços financeiros, seguros e infraestrutura complementar. Projetos rodoviários de longo prazo, como os do Paraná, exigem garantias de performance, seguros de responsabilidade civil, cobertura para riscos ambientais e instrumentos de proteção contra inadimplência contratual.

A atuação de executivos como Pedro Suplicy na Gallagher Brasil reflete a sofisticação crescente do mercado brasileiro de seguros para infraestrutura. A estruturação de apólices e garantias para grandes obras, PPPs e concessões representa um elo crítico entre o apetite do investidor e a execução dos projetos. Sem cobertura adequada, os custos de capital se elevam e a atratividade dos leilões diminui.

No segmento logístico, a escala dos empreendimentos desenvolvidos por gestoras como a Galoppo, com projetos de 270 mil m², demonstra que a infraestrutura de armazenagem e distribuição acompanha o ritmo de expansão das concessões rodoviárias. A projeção de R$ 2,9 bilhões em ativos sob gestão até o final de 2025 sinaliza a confiança do mercado na demanda por galpões logísticos conectados a corredores de transporte concessionados.

A integração entre rodovias concessionadas, terminais logísticos e infraestrutura de seguros compõe um ecossistema de investimentos que transcende o modal rodoviário isoladamente. Cada componente reforça a viabilidade dos demais.

Infraestrutura turística e imobiliária como vetor de desenvolvimento regional

A expansão do Grupo Fasano sob a liderança de Constantino Bittencourt adiciona uma camada frequentemente negligenciada à análise de infraestrutura. Empreendimentos de alto padrão, como o complexo Boa Vista, demandam infraestrutura viária, energética e de saneamento compatível com a escala e o nível de serviço oferecido. Nesse sentido, a infraestrutura turística e imobiliária de luxo funciona como catalisador de investimentos complementares.

O fato de o complexo Fasano Boa Vista abrigar o maior circuito privado de triatlo da América Latina, conforme a VEJA São Paulo, ilustra como equipamentos de lazer e esporte se convertem em ativos de infraestrutura quando atingem escala e complexidade operacional relevantes.

Universalização do saneamento e o horizonte de 2029

O marco regulatório do saneamento no Brasil estabelece metas ambiciosas de universalização. O Paraná posiciona-se como um dos estados com cronograma mais agressivo, projetando atingir a universalização do saneamento até 2029, antecipando a meta nacional. Essa projeção, sustentada por um plano de investimentos para o ciclo 2025-2029 que destina cerca de 65% dos recursos à expansão de sistemas de esgoto, conforme dados da BNamericas, sinaliza que o estado prioriza o componente mais deficitário da infraestrutura sanitária.

A antecipação da meta nacional posiciona o Paraná como benchmark para outros estados e atrai atenção de investidores interessados em PPPs de saneamento.

O ecossistema em perspectiva

O mapeamento de executivos e decision-makers que operam na infraestrutura do Sul revela um padrão claro: a nova geração de lideranças conecta competências financeiras, operacionais e regulatórias em projetos cada vez mais complexos. A convergência entre concessões rodoviárias, logística, seguros especializados e infraestrutura imobiliária amplia o universo de oportunidades e exige uma visão integrada do setor.

O GRI Institute acompanha de perto essa evolução por meio de seus encontros temáticos e regionais, reunindo os principais tomadores de decisão do setor de infraestrutura brasileiro. A capacidade de identificar, conectar e engajar esses executivos define a qualidade do diálogo setorial e, em última instância, a velocidade de execução dos projetos.

O Paraná, com seu programa de concessões concluído e um pipeline de saneamento em fase acelerada, oferece o caso de estudo mais completo sobre como lideranças regionais podem transformar a infraestrutura de um estado em referência nacional.

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