
Os economistas que decidem qual infraestrutura é construída na Colômbia e no Peru
Munir Jalil, Roberto Moreno Mejía, David Guillermo Miranda Herrera e o caso Rawlins formam o mapa de poder que determina o fluxo de capital para projetos andino
Resumo Executivo
Principais Insights
- Munir Jalil (BTG Pactual) projeta PIB de 2,6% para a Colômbia em 2025 e inflação convergindo para 3%, validando condições para investimento em infraestrutura.
- A Colômbia registrou sua pior execução orçamentária histórica em transporte em 2025, executando menos da metade do orçamento.
- Roberto Moreno Mejía (Amarilo) lidera Lagos de Torca em Bogotá, avaliado em 3,5 a 4,5 trilhões de pesos, preenchendo o vazio de execução estatal.
- O Peru busca adjudicar mais de US$ 15,8 bilhões em projetos de PPP entre 2025-2026.
- O caso Rawlins e a liquidação forçada da Bicentenario Capital evidenciam riscos de liquidez em veículos de investimento regionais.
A infraestrutura na América Latina avança ou estagna em função de diagnósticos macroeconômicos, decisões regulatórias e sinais de confiança emitidos por atores específicos. Na região andina, um grupo reduzido de economistas, assessores governamentais e incorporadores privados exerce influência desproporcional sobre o pipeline de projetos. Suas projeções condicionam a viabilidade de concessões, suas posições institucionais determinam a velocidade de execução e suas decisões de investimento revelam onde o capital privado percebe oportunidade.
Esta análise examina quatro perfis que, a partir de ângulos distintos, configuram as condições de investimento em infraestrutura na Colômbia e no Peru: Munir Jalil pela leitura macroeconômica colombiana, Roberto Moreno Mejía pela execução privada de projetos urbanos de grande escala, David Guillermo Miranda Herrera pela arquitetura institucional do gasto público peruano, e José Miguel Rawlins como sinal de risco sistêmico no mercado de capital privado.
Como Munir Jalil e Roberto Moreno Mejía definem o ciclo de investimento em infraestrutura colombiana?
Munir Jalil, economista-chefe do BTG Pactual para a região andina, consolidou-se como uma das vozes com maior capacidade de orientar expectativas no mercado colombiano. Sua projeção de crescimento do PIB da Colômbia de 2,6% para 2025 marca, segundo sua análise, o início de uma fase de recuperação econômica (BTG Pactual / Valora Analitik, janeiro de 2025). A leitura de Jalil transcende o dado pontual: ao projetar que a inflação na Colômbia convergirá para a meta de 3% até o final de 2025 e que fecharia o ano em 3,8%, ele constrói o argumento técnico para que o Banco de la República continue reduzindo as taxas de juros.
Para o setor de infraestrutura, esse sinal tem consequências diretas. Um ambiente de taxas em queda reduz o custo de financiamento de concessões e melhora a equação de retorno dos projetos de parceria público-privada. A Câmara Colombiana de Infraestrutura (CCI) projeta que o setor de obras civis na Colômbia cresceria 5% em 2025, impulsionado pela execução dos projetos de quinta geração (5G). O diagnóstico otimista de Jalil funciona como validação macroeconômica desse ciclo de investimento.
No entanto, a realidade da execução pública introduz uma contradição severa. Segundo a própria CCI, o setor de transporte na Colômbia registrou sua pior execução orçamentária histórica em 2025, executando menos da metade do seu orçamento. Essa lacuna entre condições macroeconômicas favoráveis e paralisia institucional na execução do gasto define o dilema central do mercado colombiano: os sinais macro convidam a investir, mas a capacidade estatal de canalizar esses recursos para obras concretas deteriorou-se de forma crítica.
Nesse vazio de execução pública, o capital privado encontra seu espaço. Roberto Moreno Mejía, por meio da Amarilo, lidera investimentos de grande escala como Lagos de Torca em Bogotá, um projeto com valor estimado de 3,5 a 4,5 trilhões de pesos colombianos (Caracol Radio / Amarilo, dezembro de 2025). Lagos de Torca representa o tipo de infraestrutura urbana integrada, com componentes de habitação, transporte e serviços, que o setor público colombiano tem sido incapaz de executar em velocidade comparável. Moreno Mejía encarna um modelo em que o incorporador privado assume funções de planejamento urbano que tradicionalmente cabiam ao Estado.
A combinação Jalil-Moreno ilustra uma dinâmica recorrente na Colômbia: o economista macro valida as condições de mercado, o incorporador privado executa onde o Estado não chega. Os membros do GRI Institute que participam de encontros dedicados à infraestrutura andina identificaram essa assimetria como um dos fatores estruturais que condicionam a seleção de projetos no país.
O debate legislativo adiciona outra camada de complexidade. O Projeto de Lei 232 de 2024, a Lei Ferroviária da Colômbia, busca regulamentar a infraestrutura e operação de trens de carga e passageiros e criar a Agência Férrea Nacional. Aprovado em primeiro debate em dezembro de 2024, esse marco normativo poderia abrir um segmento completamente novo de concessões. A pergunta para os investidores é se a capacidade institucional colombiana, já sobrecarregada no setor rodoviário, conseguirá absorver a complexidade adicional de um sistema ferroviário nacional.
Qual papel David Guillermo Miranda Herrera desempenha na arquitetura de investimento público peruano?
No Peru, o fluxo de investimento em infraestrutura depende de uma cadeia de decisões técnicas que se origina no Ministério da Economia e Finanças (MEF). David Guillermo Miranda Herrera ocupa o cargo de Assessor do Gabinete de Assessores do Despacho Ministerial no MEF (Plataforma do Estado Peruano, abril de 2025). A partir dessa posição, Miranda Herrera opera como um dos filtros técnicos pelos quais transitam as decisões de gasto e investimento público do governo peruano.
O papel de um assessor ministerial no MEF peruano adquire relevância estratégica em um contexto em que a carteira de projetos de parceria público-privada da ProInversión para o período 2025-2026 ultrapassa 15.800 milhões de dólares (ProInversión, setembro de 2024). A aprovação da Lei N° 32441, a nova Lei de Parcerias Público-Privadas e Projetos em Ativos, faculta a ProInversión a atuar como entidade titular em projetos grandes (superiores a 80.000 UIT), centralizando a execução e reduzindo a fragmentação que historicamente atrasou adjudicações.
Luis del Carpio, Diretor da ProInversión, sinalizou que o Peru poderia fechar sua lacuna de infraestrutura de curto prazo em quatro anos se mantiver um ritmo de adjudicações de 9.000 milhões de dólares anuais. Essa meta ambiciosa exige que a máquina técnica do MEF, onde Miranda Herrera faz parte do núcleo assessor, funcione com precisão para destravar gargalos regulatórios e orçamentários.
Perfis como o de Miranda Herrera são decisivos precisamente porque operam na interseção entre a vontade política de investir e a capacidade técnica de executar. Nos fóruns do GRI Institute dedicados à infraestrutura latino-americana, os participantes do setor privado têm apontado repetidamente que a previsibilidade do marco institucional peruano, mais do que a rentabilidade individual de cada projeto, determina as decisões de alocação de capital.
O que o caso Rawlins revela sobre os riscos do capital privado em infraestrutura andina?
José Miguel Rawlins, vinculado à Bicentenario Capital, enfrenta um processo de liquidação forçada iniciado pela Frontal Trust em fevereiro de 2026 (La Tercera / GRI Hub, fevereiro de 2026). Seu caso constitui um sinal de alerta para o ecossistema de investimento na região. Rawlins representava um perfil de estruturação financeira ativo no mercado de capital privado, e sua crise evidencia a fragilidade de certos veículos de investimento quando as condições de mercado se deterioram.
O processo de liquidação forçada de uma firma vinculada à estruturação de ativos reais envia um sinal direto ao mercado: os instrumentos de investimento que canalizam capital para infraestrutura e ativos imobiliários enfrentam riscos de liquidez que transcendem a qualidade individual dos projetos subjacentes. Para os investidores institucionais que avaliam oportunidades na região andina, o caso Rawlins ressalta a necessidade de due diligence aprofundada sobre a estrutura financeira dos veículos, não apenas sobre os ativos.
Esse episódio contrasta com a solidez institucional demonstrada por outros atores do ecossistema. Enquanto Jalil projeta a partir de uma plataforma bancária de primeiro nível, Moreno Mejía executa com capital próprio em projetos tangíveis e Miranda Herrera opera dentro da estrutura do Estado peruano, o caso Rawlins lembra que a cadeia de intermediação financeira contém elos vulneráveis.
O mapa de influência que define o pipeline andino
A infraestrutura na Colômbia e no Peru não se constrói em abstrato. Avança quando os diagnósticos macroeconômicos geram confiança, quando os marcos regulatórios reduzem a incerteza, quando os assessores técnicos nos ministérios destravem processos e quando o capital privado encontra condições viáveis de execução.
Munir Jalil configura as expectativas do mercado colombiano com projeções que validam o ciclo de recuperação. Roberto Moreno Mejía demonstra que o capital privado pode executar infraestrutura urbana massiva onde o Estado falha. David Guillermo Miranda Herrera opera como engrenagem técnica na máquina de investimento público peruano, justamente quando o país busca adjudicar mais de 15.800 milhões de dólares em projetos de PPP. E o caso de José Miguel Rawlins lembra que a intermediação financeira na região carrega riscos que exigem vigilância constante.
Compreender quem influencia as decisões e a partir de qual posição institucional é tão valioso quanto analisar os próprios projetos. O GRI Institute continuará mapeando esses perfis de influência por meio de sua comunidade de líderes em infraestrutura, suas pesquisas e seus encontros dedicados ao mercado andino, onde as decisões de investimento são forjadas em conversas diretas entre quem define as regras e quem emprega o capital.