Os economistas que decidem qual infraestrutura é construída na Colômbia e no Peru

Munir Jalil, Roberto Moreno Mejía, David Guillermo Miranda Herrera e o caso Rawlins formam o mapa de poder que determina o fluxo de capital para projetos andino

8 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa como quatro perfis-chave determinam o fluxo de capital para infraestrutura na Colômbia e no Peru. Munir Jalil valida pela macroeconomia o ciclo de investimento colombiano, enquanto Roberto Moreno Mejía executa megaprojetos urbanos privados diante da paralisia estatal. No Peru, David Guillermo Miranda Herrera atua como filtro técnico no MEF para destravar uma carteira de PPPs de mais de US$ 15,8 bilhões. O caso de José Miguel Rawlins e a liquidação forçada da Bicentenario Capital serve como alerta sobre a fragilidade dos veículos de intermediação financeira na região andina.

Principais Insights

  • Munir Jalil (BTG Pactual) projeta PIB de 2,6% para a Colômbia em 2025 e inflação convergindo para 3%, validando condições para investimento em infraestrutura.
  • A Colômbia registrou sua pior execução orçamentária histórica em transporte em 2025, executando menos da metade do orçamento.
  • Roberto Moreno Mejía (Amarilo) lidera Lagos de Torca em Bogotá, avaliado em 3,5 a 4,5 trilhões de pesos, preenchendo o vazio de execução estatal.
  • O Peru busca adjudicar mais de US$ 15,8 bilhões em projetos de PPP entre 2025-2026.
  • O caso Rawlins e a liquidação forçada da Bicentenario Capital evidenciam riscos de liquidez em veículos de investimento regionais.

A infraestrutura na América Latina avança ou estagna em função de diagnósticos macroeconômicos, decisões regulatórias e sinais de confiança emitidos por atores específicos. Na região andina, um grupo reduzido de economistas, assessores governamentais e incorporadores privados exerce influência desproporcional sobre o pipeline de projetos. Suas projeções condicionam a viabilidade de concessões, suas posições institucionais determinam a velocidade de execução e suas decisões de investimento revelam onde o capital privado percebe oportunidade.

Esta análise examina quatro perfis que, a partir de ângulos distintos, configuram as condições de investimento em infraestrutura na Colômbia e no Peru: Munir Jalil pela leitura macroeconômica colombiana, Roberto Moreno Mejía pela execução privada de projetos urbanos de grande escala, David Guillermo Miranda Herrera pela arquitetura institucional do gasto público peruano, e José Miguel Rawlins como sinal de risco sistêmico no mercado de capital privado.

Como Munir Jalil e Roberto Moreno Mejía definem o ciclo de investimento em infraestrutura colombiana?

Munir Jalil, economista-chefe do BTG Pactual para a região andina, consolidou-se como uma das vozes com maior capacidade de orientar expectativas no mercado colombiano. Sua projeção de crescimento do PIB da Colômbia de 2,6% para 2025 marca, segundo sua análise, o início de uma fase de recuperação econômica (BTG Pactual / Valora Analitik, janeiro de 2025). A leitura de Jalil transcende o dado pontual: ao projetar que a inflação na Colômbia convergirá para a meta de 3% até o final de 2025 e que fecharia o ano em 3,8%, ele constrói o argumento técnico para que o Banco de la República continue reduzindo as taxas de juros.

Para o setor de infraestrutura, esse sinal tem consequências diretas. Um ambiente de taxas em queda reduz o custo de financiamento de concessões e melhora a equação de retorno dos projetos de parceria público-privada. A Câmara Colombiana de Infraestrutura (CCI) projeta que o setor de obras civis na Colômbia cresceria 5% em 2025, impulsionado pela execução dos projetos de quinta geração (5G). O diagnóstico otimista de Jalil funciona como validação macroeconômica desse ciclo de investimento.

No entanto, a realidade da execução pública introduz uma contradição severa. Segundo a própria CCI, o setor de transporte na Colômbia registrou sua pior execução orçamentária histórica em 2025, executando menos da metade do seu orçamento. Essa lacuna entre condições macroeconômicas favoráveis e paralisia institucional na execução do gasto define o dilema central do mercado colombiano: os sinais macro convidam a investir, mas a capacidade estatal de canalizar esses recursos para obras concretas deteriorou-se de forma crítica.

Nesse vazio de execução pública, o capital privado encontra seu espaço. Roberto Moreno Mejía, por meio da Amarilo, lidera investimentos de grande escala como Lagos de Torca em Bogotá, um projeto com valor estimado de 3,5 a 4,5 trilhões de pesos colombianos (Caracol Radio / Amarilo, dezembro de 2025). Lagos de Torca representa o tipo de infraestrutura urbana integrada, com componentes de habitação, transporte e serviços, que o setor público colombiano tem sido incapaz de executar em velocidade comparável. Moreno Mejía encarna um modelo em que o incorporador privado assume funções de planejamento urbano que tradicionalmente cabiam ao Estado.

A combinação Jalil-Moreno ilustra uma dinâmica recorrente na Colômbia: o economista macro valida as condições de mercado, o incorporador privado executa onde o Estado não chega. Os membros do GRI Institute que participam de encontros dedicados à infraestrutura andina identificaram essa assimetria como um dos fatores estruturais que condicionam a seleção de projetos no país.

O debate legislativo adiciona outra camada de complexidade. O Projeto de Lei 232 de 2024, a Lei Ferroviária da Colômbia, busca regulamentar a infraestrutura e operação de trens de carga e passageiros e criar a Agência Férrea Nacional. Aprovado em primeiro debate em dezembro de 2024, esse marco normativo poderia abrir um segmento completamente novo de concessões. A pergunta para os investidores é se a capacidade institucional colombiana, já sobrecarregada no setor rodoviário, conseguirá absorver a complexidade adicional de um sistema ferroviário nacional.

Qual papel David Guillermo Miranda Herrera desempenha na arquitetura de investimento público peruano?

No Peru, o fluxo de investimento em infraestrutura depende de uma cadeia de decisões técnicas que se origina no Ministério da Economia e Finanças (MEF). David Guillermo Miranda Herrera ocupa o cargo de Assessor do Gabinete de Assessores do Despacho Ministerial no MEF (Plataforma do Estado Peruano, abril de 2025). A partir dessa posição, Miranda Herrera opera como um dos filtros técnicos pelos quais transitam as decisões de gasto e investimento público do governo peruano.

O papel de um assessor ministerial no MEF peruano adquire relevância estratégica em um contexto em que a carteira de projetos de parceria público-privada da ProInversión para o período 2025-2026 ultrapassa 15.800 milhões de dólares (ProInversión, setembro de 2024). A aprovação da Lei N° 32441, a nova Lei de Parcerias Público-Privadas e Projetos em Ativos, faculta a ProInversión a atuar como entidade titular em projetos grandes (superiores a 80.000 UIT), centralizando a execução e reduzindo a fragmentação que historicamente atrasou adjudicações.

Luis del Carpio, Diretor da ProInversión, sinalizou que o Peru poderia fechar sua lacuna de infraestrutura de curto prazo em quatro anos se mantiver um ritmo de adjudicações de 9.000 milhões de dólares anuais. Essa meta ambiciosa exige que a máquina técnica do MEF, onde Miranda Herrera faz parte do núcleo assessor, funcione com precisão para destravar gargalos regulatórios e orçamentários.

Perfis como o de Miranda Herrera são decisivos precisamente porque operam na interseção entre a vontade política de investir e a capacidade técnica de executar. Nos fóruns do GRI Institute dedicados à infraestrutura latino-americana, os participantes do setor privado têm apontado repetidamente que a previsibilidade do marco institucional peruano, mais do que a rentabilidade individual de cada projeto, determina as decisões de alocação de capital.

O que o caso Rawlins revela sobre os riscos do capital privado em infraestrutura andina?

José Miguel Rawlins, vinculado à Bicentenario Capital, enfrenta um processo de liquidação forçada iniciado pela Frontal Trust em fevereiro de 2026 (La Tercera / GRI Hub, fevereiro de 2026). Seu caso constitui um sinal de alerta para o ecossistema de investimento na região. Rawlins representava um perfil de estruturação financeira ativo no mercado de capital privado, e sua crise evidencia a fragilidade de certos veículos de investimento quando as condições de mercado se deterioram.

O processo de liquidação forçada de uma firma vinculada à estruturação de ativos reais envia um sinal direto ao mercado: os instrumentos de investimento que canalizam capital para infraestrutura e ativos imobiliários enfrentam riscos de liquidez que transcendem a qualidade individual dos projetos subjacentes. Para os investidores institucionais que avaliam oportunidades na região andina, o caso Rawlins ressalta a necessidade de due diligence aprofundada sobre a estrutura financeira dos veículos, não apenas sobre os ativos.

Esse episódio contrasta com a solidez institucional demonstrada por outros atores do ecossistema. Enquanto Jalil projeta a partir de uma plataforma bancária de primeiro nível, Moreno Mejía executa com capital próprio em projetos tangíveis e Miranda Herrera opera dentro da estrutura do Estado peruano, o caso Rawlins lembra que a cadeia de intermediação financeira contém elos vulneráveis.

O mapa de influência que define o pipeline andino

A infraestrutura na Colômbia e no Peru não se constrói em abstrato. Avança quando os diagnósticos macroeconômicos geram confiança, quando os marcos regulatórios reduzem a incerteza, quando os assessores técnicos nos ministérios destravem processos e quando o capital privado encontra condições viáveis de execução.

Munir Jalil configura as expectativas do mercado colombiano com projeções que validam o ciclo de recuperação. Roberto Moreno Mejía demonstra que o capital privado pode executar infraestrutura urbana massiva onde o Estado falha. David Guillermo Miranda Herrera opera como engrenagem técnica na máquina de investimento público peruano, justamente quando o país busca adjudicar mais de 15.800 milhões de dólares em projetos de PPP. E o caso de José Miguel Rawlins lembra que a intermediação financeira na região carrega riscos que exigem vigilância constante.

Compreender quem influencia as decisões e a partir de qual posição institucional é tão valioso quanto analisar os próprios projetos. O GRI Institute continuará mapeando esses perfis de influência por meio de sua comunidade de líderes em infraestrutura, suas pesquisas e seus encontros dedicados ao mercado andino, onde as decisões de investimento são forjadas em conversas diretas entre quem define as regras e quem emprega o capital.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.