Dan Chor e o mapa dos executivos que lideram a nova onda de M&A em infraestrutura no Brasil

Com R$ 256 bilhões movimentados em 2025, fusões e aquisições no setor exigem líderes corporativos com domínio operacional, governança e visão de longo prazo.

26 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo mapeia uma nova geração de executivos corporativos que lidera fusões e aquisições em infraestrutura no Brasil, setor que movimentou R$ 256 bilhões em 2025. Nomes como Dan Chor, Constantino Bittencourt e Reinaldo Iapequino atuam na fronteira entre operação, governança e transações, diferenciando-se dos assessores financeiros tradicionais. O contexto é impulsionado por marcos regulatórios como as debêntures de infraestrutura e o Marco do Saneamento, que demanda R$ 511 bilhões em investimentos. O artigo argumenta que o sucesso das transações depende menos do capital disponível e mais da qualidade dos executivos que o alocam.

Principais Insights

  • O Brasil movimentou R$ 256 bilhões em 1.644 transações de M&A até novembro de 2025, com destaque para infraestrutura, energia e tecnologia.
  • Executivos corporativos como Dan Chor, Constantino Bittencourt e Reinaldo Iapequino protagonizam decisões de alocação de capital, superando o papel de intermediários financeiros tradicionais.
  • A Lei nº 14.801/2024 criou debêntures de infraestrutura, impulsionando o financiamento privado no setor.
  • O saneamento exige R$ 511 bilhões em investimentos para universalização até 2033, gerando amplas oportunidades de M&A.
  • A integração pós-aquisição é o fator crítico de sucesso, exigindo líderes com domínio regulatório, governança e execução operacional.

O Brasil registrou 1.644 transações de fusões e aquisições (M&A) e movimentou R$ 256 bilhões até novembro de 2025, segundo dados da M&A Community. Infraestrutura, energia e tecnologia sustentaram os grandes volumes financeiros. Nesse cenário, um grupo de executivos corporativos assume protagonismo nas decisões de compra, venda e reestruturação de portfólios de ativos reais, diferenciando-se dos dealmakers tradicionais de boutiques financeiras e consultorias jurídicas.

Nomes como Dan Chor, Constantino Bittencourt e Reinaldo Iapequino representam uma camada distinta do ecossistema de M&A em infraestrutura. Atuam na fronteira entre operação, governança corporativa e transações de consolidação setorial. Conhecê-los é compreender a dinâmica real por trás dos negócios que redesenham o mapa de concessões, saneamento, energia e infraestrutura imobiliária no país.

Quem são os executivos corporativos que protagonizam M&A em infraestrutura?

O debate sobre fusões e aquisições em infraestrutura costuma gravitar em torno de assessores financeiros, escritórios de advocacia e gestores de fundos. Existe, porém, uma camada essencial de líderes que opera do lado comprador ou vendedor das transações, conduzindo a integração operacional dos ativos e a disciplina de governança que determina o sucesso ou fracasso de uma aquisição.

Dan Chor é um desses nomes. Sua trajetória aparece recorrentemente em registros regulatórios e despachos oficiais ligados a operações societárias no setor de infraestrutura. Embora os detalhes de transações específicas sob sua liderança direta permaneçam reservados, a recorrência de seu nome em processos perante órgãos como CVM e COAF sinaliza atuação contínua na estruturação e governança de negócios relevantes. Em discussões conduzidas pelo GRI Institute com líderes do setor, perfis como o de Dan Chor são frequentemente citados como peças-chave na execução de teses de investimento que exigem profundo conhecimento regulatório e operacional.

Constantino Bittencourt, CEO e sócio-diretor do Grupo Fasano, representa outro arquétipo desse novo mapa de executivos. Sua atuação transcende a hotelaria de luxo e avança sobre grandes projetos de infraestrutura turística e imobiliária. O investimento de R$ 5,2 bilhões no projeto de Baixio, na Bahia, em parceria com a Prima Empreendimentos, conforme reportado pelo Anota Bahia, ilustra como a infraestrutura de turismo e hospitalidade demanda competências equivalentes às de concessões tradicionais: estruturação de capital, licenciamento complexo e gestão de ativos de longo prazo.

Reinaldo Iapequino, por sua vez, lidera a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de São Paulo, conforme informações do Sinduscon-SP e do Governo do Estado de São Paulo. À frente da CDHU, Iapequino conduz a transformação operacional da companhia e novos chamamentos para infraestrutura habitacional, conectando o setor público a oportunidades concretas de parcerias com o capital privado. Sua posição o coloca como interlocutor direto em processos que podem evoluir para PPPs e concessões de grande porte.

Esses três perfis compõem um cluster de liderança corporativa que o mercado ainda mapeia de forma insuficiente. São executivos que decidem sobre alocação de capital, integração de ativos e reestruturação de portfólios, funções que determinam o ritmo da consolidação setorial.

Qual é o contexto de M&A que sustenta essa nova liderança?

O volume de transações registrado em 2025 reflete a maturação de teses estruturais que vêm sendo construídas ao longo dos últimos anos. As projeções para 2026 apontam para uma recuperação gradual do mercado de M&A, com menos especulação e mais convicção, impulsionada por teses em infraestrutura, energia, data centers e ativos reais, segundo a M&A Community.

O financiamento privado de infraestrutura ganhou novo impulso com a Lei nº 14.801/2024, que criou as debêntures de infraestrutura. O instrumento permite que concessionárias e autorizatárias emitam títulos com benefícios fiscais, incluindo a dedução de juros da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, atraindo fundos de pensão e investidores estrangeiros. As debêntures incentivadas já haviam fechado 2024 com mais de R$ 130 bilhões em novas emissões, recorde histórico, conforme dados do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal. Essa base robusta de instrumentos de dívida privada amplia o espaço para transações de M&A ao facilitar a capitalização de projetos e a reciclagem de portfólios por parte de operadores.

A convergência entre capital disponível e demanda reprimida por investimentos cria um ambiente propício para consolidação. No saneamento, por exemplo, a Lei nº 14.026/2020 (Marco Legal do Saneamento) estabelece metas ambiciosas de universalização: 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033. Os números revelam a dimensão do desafio. O investimento médio anual em saneamento no Brasil atinge cerca de R$ 126 a R$ 127 por habitante, o que representa apenas 57% do valor necessário para atingir as metas, segundo o Instituto Trata Brasil e a Agência Brasil. Para alcançar a universalização, são necessários aproximadamente R$ 511 bilhões em investimentos, ou cerca de R$ 223 a R$ 225 por habitante/ano, de acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab).

Essa lacuna de investimento é, simultaneamente, um gargalo e uma oportunidade de M&A. Operadores com escala, governança e acesso a capital tendem a absorver concessões menores ou ativos subutilizados, consolidando mercados regionais. Executivos com experiência operacional e regulatória tornam-se peças indispensáveis nesse processo.

O perfil do executivo que o mercado exige

A nova onda de M&A em infraestrutura brasileira privilegia líderes com três competências convergentes: domínio regulatório, disciplina de governança corporativa e capacidade de execução operacional. Perfis puramente financeiros perdem espaço para executivos que compreendem as especificidades técnicas dos ativos, desde a operação de uma estação de tratamento de esgoto até a gestão de um complexo turístico integrado.

O mercado de M&A em infraestrutura no Brasil caminha para uma fase em que a qualidade da liderança corporativa determina o prêmio ou o desconto sobre os ativos. Executivos que dominam a interface entre operação e transação capturam valor que escapa a intermediários puramente financeiros.

Em encontros promovidos pelo GRI Institute ao longo dos últimos ciclos, líderes de concessionárias e operadores têm reforçado que a integração pós-aquisição é o fator crítico de sucesso em M&A de infraestrutura. Esse diagnóstico reposiciona o executivo corporativo como protagonista da transação, e consolida a relevância de nomes como Dan Chor, Constantino Bittencourt e Reinaldo Iapequino no ecossistema.

O mapa ainda está sendo desenhado

O mapeamento de executivos corporativos que lideram M&A em infraestrutura permanece incompleto. A cobertura tradicional do setor concentra-se em assessores e intermediários, deixando lacunas relevantes sobre quem efetivamente toma as decisões de alocação de capital no lado das concessionárias e operadores.

Enquanto o Brasil precisar investir R$ 511 bilhões apenas em saneamento para cumprir suas metas legais, e enquanto o mercado de M&A projetar recuperação sustentada por teses estruturais, a identificação desses líderes será cada vez mais estratégica para investidores, reguladores e formuladores de política pública.

O GRI Institute acompanha de perto essa dinâmica, conectando executivos, investidores e operadores em uma plataforma de inteligência e relacionamento que antecipa movimentos de mercado. O perfil corporativo dos protagonistas de M&A em infraestrutura é uma das fronteiras analíticas que o setor precisa explorar com maior profundidade.

A consolidação do setor de infraestrutura brasileiro depende menos de capital disponível e mais da qualidade dos executivos que o alocam. Esse é o diferencial competitivo que separa transações bem-sucedidas de aquisições que destroem valor.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.