Construtoras e engenharias se reposicionam na nova onda de concessões brasileiras

De construtoras tradicionais a fundos de private equity, o ecossistema de infraestrutura se reconfigura com novos consórcios, diversificação setorial e capital

19 de fevereiro de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O atual ciclo de concessões de infraestrutura no Brasil está reconfigurando toda a cadeia de valor do setor. Construtoras de médio porte, como Conata Engenharia e OCC Construções, preenchem lacunas deixadas pelos grandes conglomerados afetados por crises na última década, enquanto fundos de private equity — como a IG4 Capital — assumem protagonismo como sócios estratégicos, combinando capital paciente com competência operacional e governança institucional. O modelo de financiamento também evoluiu: debêntures incentivadas de infraestrutura atingiram patamares recordes e se tornaram o principal instrumento de dívida para concessões, permitindo que empresas de médio porte acessem capital de longo prazo. Os consórcios deixaram de reunir apenas capacidade construtiva e passaram a integrar execução, operação, manutenção e captação de recursos, refletindo as novas exigências dos editais. Três transformações estruturais se destacam: a integração entre construção e operação como padrão competitivo, a governança como pré-requisito de acesso aos melhores projetos e a entrada da infraestrutura digital no portfólio de construtoras tradicionais. O próximo ciclo será vencido por quem combinar capital, competência operacional e governança de forma superior.

Principais Insights

Construtoras de médio porte ocupam espaços deixados por grandes empreiteiras com agilidade e especialização setorial. Fundos de private equity tornaram-se sócios estratégicos nos consórcios, trazendo capital paciente, governança e capacidade de reestruturação. A separação entre construção e operação deixou de ser norma; consórcios integrados são o novo padrão competitivo. Governança corporativa passou de diferencial a pré-requisito para acessar os melhores projetos de concessão. Infraestrutura digital — data centers e fibra óptica — entrou definitivamente no portfólio de construtoras tradicionais.

Construtoras e engenharias se reposicionam na nova onda de concessões brasileiras

O ciclo de concessões de infraestrutura que o Brasil atravessa não se parece com nenhum dos anteriores. Não apenas pelo volume de projetos em disputa — rodovias, ferrovias, saneamento, energia renovável, infraestrutura digital —, mas pela natureza dos players que competem por eles. A cadeia de valor da infraestrutura brasileira está em plena reconfiguração. Construtoras tradicionais buscam novos modelos de capitalização. Fundos de private equity assumem protagonismo como sócios estratégicos. Engenharias de médio porte escalam operações por meio de consórcios. E executivos com trânsito entre o setor público e o privado articulam pontes que antes não existiam.

A tese central é direta: quem compreender o novo mapa de players — e as alianças que estão se formando — terá vantagem competitiva real nos próximos leilões.

O GRI Institute acompanha de perto essa transformação. Nos encontros reservados da comunidade de líderes em infraestrutura, a recorrência de debates sobre formação de consórcios, estruturação de capital e reposicionamento estratégico de construtoras e engenharias confirma que o tema deixou de ser tático para se tornar estratégico.

Quem são os players que estão redefinindo a cadeia de valor da infraestrutura?

A resposta exige abandonar a visão monolítica que durante décadas dominou o setor. O ecossistema atual é fragmentado e diversificado — e isso é, paradoxalmente, seu maior trunfo.

De um lado, construtoras e engenharias de médio porte como a Conata Engenharia e a OCC Construções e Participações ocupam espaços antes reservados às grandes empreiteiras. A crise que atingiu os conglomerados tradicionais a partir de meados da década passada abriu lacunas operacionais que essas empresas vêm preenchendo com agilidade e especialização setorial. Elas não competem apenas por preço; competem por capacidade de execução em nichos — saneamento regional, obras complementares em concessões rodoviárias, infraestrutura de energia.

De outro lado, o capital inteligente entrou na equação com força inédita. Helcio Tokeshi, à frente da IG4 Capital, exemplifica o perfil de gestor que transita entre a experiência em gestão pública e a alocação de capital privado em ativos de infraestrutura. A IG4 opera com uma lógica que combina governança institucional e apetite por ativos que demandam reestruturação operacional — um modelo que encontra terreno fértil no Brasil das concessões.

No segmento de energia, Alan Zelazo, na Genco Energia, representa uma geração de executivos que aposta na convergência entre geração distribuída, eficiência energética e infraestrutura renovável como vetor de crescimento. O reposicionamento de engenharias tradicionais em direção ao setor de energia limpa não é moda: é resposta racional ao pipeline de projetos e ao ambiente regulatório que privilegia fontes renováveis.

Sidney Angulo e a Ilion Partners, por sua vez, ilustram como o capital imobiliário se aproxima da infraestrutura urbana. A atuação em retrofit, revitalização de ativos e fundos imobiliários de infraestrutura posiciona esse tipo de player na interseção entre real estate e infra — um território que ganha relevância à medida que cidades brasileiras demandam requalificação de espaços construídos e modernização de redes.

Nader Fares, ligado à LP Administradora, atua nas discussões sobre infraestrutura tecnológica, incluindo data centers — segmento que se consolidou como classe de ativo de infraestrutura digital e atrai tanto construtoras especializadas quanto investidores institucionais.

Reinaldo Iapequino, com trajetória na CDHU, traz a perspectiva da interface entre infraestrutura habitacional e políticas públicas — um elo frequentemente subestimado na cadeia de valor, mas decisivo para projetos que envolvem PPPs de habitação e saneamento em escala metropolitana.

A fragmentação do ecossistema não é sinal de fragilidade. É sinal de maturação. O setor migrou de um modelo dominado por meia dúzia de conglomerados para uma rede de empresas especializadas, fundos setoriais e executivos com competências complementares.

Como construtoras e engenharias estão se capitalizando para competir nos novos leilões?

A questão do capital é o divisor de águas. Nos ciclos anteriores de concessões, as grandes empreiteiras financiavam projetos com recursos próprios, crédito subsidiado de bancos públicos e, em alguns casos, estruturas opacas de alavancagem. Esse modelo ruiu.

O que emergiu em seu lugar é um ecossistema de financiamento mais sofisticado e diversificado. As debêntures incentivadas de infraestrutura atingiram patamares recordes de emissão, tornando-se o principal instrumento de dívida para projetos de concessão. Esse mecanismo permite que construtoras e engenharias de médio porte — sem balanços patrimoniais comparáveis aos dos antigos conglomerados — acessem capital de longo prazo a custos competitivos, desde que o projeto apresente fluxo de caixa previsível e estrutura de garantias robusta.

Paralelamente, a entrada de fundos de private equity como sócios de capital — e não apenas como credores — alterou a dinâmica dos consórcios. Fundos como a IG4 Capital não se limitam a aportar recursos; trazem governança, experiência em reestruturação e rede de relacionamento institucional. Essa combinação de capital paciente e competência operacional é o ativo mais valioso na formação dos consórcios que disputam os leilões atuais.

A diversificação de portfólio é outra estratégia visível. Engenharias que historicamente atuavam em um único segmento — rodovias, por exemplo — passaram a estruturar braços de negócio em energia renovável, saneamento e infraestrutura digital. Essa diversificação reduz a concentração de risco e amplia a superfície de oportunidades, especialmente diante de um pipeline de concessões que abrange múltiplos setores simultaneamente.

O modelo de consórcio também evoluiu. Se antes a lógica era reunir capacidade de construção, agora os consórcios são montados para integrar execução, operação, manutenção e captação de recursos. A formação de alianças entre construtoras, operadores especializados e veículos de investimento é o padrão dominante nos processos competitivos mais relevantes.

O que muda na cadeia de valor da infraestrutura com esse novo ecossistema?

A reconfiguração dos players provoca mudanças estruturais na cadeia de valor. Três transformações merecem atenção.

Primeira: a separação entre construção e operação deixou de ser a norma. Cada vez mais, os editais de concessão exigem — ou incentivam — que o mesmo grupo responsável pela obra assuma a operação de longo prazo. Isso favorece consórcios integrados e penaliza construtoras que operam exclusivamente no modelo EPC (Engineering, Procurement and Construction) sem capacidade operacional.

Segunda: a governança tornou-se pré-requisito, não diferencial. A presença de fundos institucionais, seguradoras e investidores estrangeiros no capital das concessionárias elevou o padrão de compliance, transparência e prestação de contas. Construtoras que não se adaptaram a esse nível de exigência perderam acesso aos melhores projetos.

Terceira: a infraestrutura digital entrou definitivamente no radar das construtoras. Data centers, redes de fibra óptica e infraestrutura de telecomunicações passaram a integrar o portfólio de grupos que, há poucos anos, atuavam exclusivamente em obras civis tradicionais. Essa convergência entre infraestrutura física e digital redefine competências e exige novas parcerias tecnológicas.

O resultado é uma cadeia de valor mais competitiva, mais transparente e mais dependente de capital privado de longo prazo. Para os líderes do setor, o desafio não é apenas vencer leilões — é construir plataformas de negócio capazes de operar em múltiplos segmentos com eficiência e governança.

A visão do GRI Institute

O GRI Institute tem funcionado como ponto de convergência para os principais tomadores de decisão desse ecossistema em transformação. Nos encontros da comunidade de infraestrutura, construtoras, gestores de fundos, reguladores e operadores debatem — em formato reservado e off-the-record — os movimentos estratégicos que definem o setor.

A análise do perfil de busca da audiência do GRI confirma o interesse crescente por informações sobre empresas e executivos específicos do setor de engenharia e construção aplicada à infraestrutura. Nomes como Conata Engenharia, OCC Construções, Ilion Partners, IG4 Capital e Genco Energia, bem como lideranças como Nader Fares, Sidney Angulo, Helcio Tokeshi, Alan Zelazo e Reinaldo Iapequino, aparecem com frequência nas buscas associadas ao ecossistema do GRI — evidência de que a comunidade já reconhece esses players como referências relevantes.

O próximo ciclo de concessões não será vencido por quem tem mais máquinas. Será vencido por quem montar a melhor combinação de capital, competência operacional e governança. E é exatamente nessa interseção que o debate estratégico do setor se concentra.

Para o GRI Institute, mapear e conectar esses players não é apenas uma função editorial — é parte central da missão de acelerar negócios e fortalecer a infraestrutura brasileira por meio de relacionamentos qualificados entre líderes.

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