Conata Engenharia: backlog de R$ 840 milhões e a estratégia que reposiciona a construtora no ciclo de concessões

Com participação na Rota do Pará e liderança em PPP de cemitérios em São Paulo, a Conata diversifica receitas e amplia presença no mercado de infraestrutura

3 de maio de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

A Conata Engenharia, construtora mineira com backlog de R$ 840 milhões, exemplifica a transição de construtoras tradicionais para um modelo híbrido que combina engenharia pesada, participação acionária em concessionárias e operações de longo prazo. A empresa detém 25% da Rota do Pará, lidera PPP de cemitérios em São Paulo e atua no mercado imobiliário via a joint venture Mais Lar. Com capital social reforçado em 38% por incorporação orgânica de lucros, a Conata se posiciona para disputar o pipeline recorde de leilões de infraestrutura previstos para 2026, que abrange rodovias, ferrovias e saneamento, somando centenas de bilhões em investimentos.

Principais Insights

  • A Conata Engenharia opera com backlog de R$ 840 milhões e mais de 1.200 colaboradores, posicionando-se entre as construtoras de médio porte mais ativas no ciclo de concessões brasileiro.
  • A empresa detém 25% da concessionária Rota do Pará e lidera a PPP de cemitérios e crematórios em São Paulo (outorga de R$ 153,3 milhões).
  • O capital social foi elevado em 38%, de R$ 14,5 mi para R$ 20 mi, via incorporação de reservas de lucros.
  • O pipeline de leilões de infraestrutura para 2026 soma centenas de bilhões de reais, criando oportunidades significativas para construtoras posicionadas.

A Conata Engenharia opera hoje com um backlog de R$ 840 milhões e mais de 1.200 colaboradores, segundo dados do GRI Institute. Os números posicionam a construtora mineira como uma das empresas de médio porte mais ativas no ciclo atual de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil, em um momento no qual o pipeline de leilões de infraestrutura alcança patamares recordes.

A trajetória recente da empresa reflete um movimento estrutural observado entre construtoras tradicionais brasileiras: a migração de um modelo centrado em contratos de obra pública para um portfólio que combina engenharia pesada, participação acionária em concessionárias e operações de longo prazo. A Conata é um caso emblemático dessa transição.

Qual é a estrutura de contratos e participações da Conata Engenharia?

O mapa de atuação da Conata revela dois vetores principais de diversificação. O primeiro é a participação direta em concessionárias de infraestrutura rodoviária. A empresa detém 25% de participação acionária na Rota do Pará S.A., concessionária que reúne também Infracon e OCC Construções, conforme as demonstrações financeiras intermediárias da concessionária publicadas em junho de 2025.

A relevância dessa posição vai além da fatia societária. A Conata atua como garantidora corporativa da 1ª Emissão de Debêntures da Rota do Pará, de acordo com relatório da Fitch Ratings de janeiro de 2026. Essa função exige solidez patrimonial e capacidade de honrar compromissos financeiros perante o mercado de capitais, o que sinaliza um grau de maturidade corporativa superior ao típico de construtoras de porte equivalente.

O segundo vetor é a presença em concessões urbanas de alta complexidade operacional. A Conata lidera o Consórcio Cemitérios e Crematórios SP, vencedor do Bloco 03 da concessão de serviços funerários na cidade de São Paulo, com outorga fixa de R$ 153,3 milhões, segundo informações da Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias da Prefeitura de São Paulo. Esse contrato exige capacidades que transcendem a engenharia civil convencional, incluindo gestão de facilities, atendimento ao público e operação continuada de equipamentos urbanos.

A combinação entre infraestrutura rodoviária e concessões urbanas confere à empresa uma carteira menos suscetível a oscilações de um único setor. Construtoras que conseguem operar simultaneamente em rodovias, saneamento e serviços urbanos tendem a apresentar maior resiliência financeira ao longo dos ciclos econômicos.

Como a capitalização da empresa sustenta a estratégia de crescimento?

Um indicador relevante da trajetória financeira da Conata é o aumento de capital social registrado em novembro de 2024. A empresa elevou seu capital de R$ 14,5 milhões para R$ 20 milhões mediante incorporação de reservas de lucros, conforme ato societário publicado pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG). O movimento representa um crescimento de aproximadamente 38% na base de capital, realizado integralmente com recursos gerados pela própria operação.

A incorporação de reservas de lucros, em vez de aporte externo, sugere uma política de reinvestimento disciplinada e indica que a empresa acumula resultados positivos suficientes para fortalecer sua estrutura patrimonial de forma orgânica. Em um setor onde o acesso a garantias contratuais e limites de crédito depende diretamente do patrimônio líquido, essa capitalização amplia a capacidade da Conata de participar de licitações de maior envergadura.

Para construtoras que ambicionam atuar como concessionárias, a robustez do balanço é condição necessária. A estruturação de project finance em concessões exige que os acionistas apresentem garantias corporativas, como no caso da debênture da Rota do Pará. Empresas subcapitalizadas ficam excluídas desse segmento antes mesmo da fase de proposta técnica.

O contexto setorial: um pipeline sem precedentes

A estratégia da Conata ganha relevância quando analisada à luz do pipeline de projetos de infraestrutura previstos para 2026. O Ministério de Portos e Aeroportos planeja realizar 40 novos leilões de infraestrutura ao longo do ano, abrangendo aeroportos, portos e hidrovias. No segmento de transportes terrestres, a carteira de projetos do Ministério dos Transportes e da ANTT prevê 8 leilões ferroviários e 13 rodoviários, com injeção estimada de quase R$ 290 bilhões em investimentos.

O volume de oportunidades no setor de saneamento é igualmente expressivo. Estão previstos pelo menos seis grandes leilões de saneamento em 2026, somando R$ 27,5 bilhões em investimentos estimados em diversos estados, segundo levantamento da Abcon e Radar PPP. Esse movimento é impulsionado pela Lei Federal nº 14.026/2020, o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que estabeleceu metas de universalização de 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033 e acelerou a agenda de leilões.

Os resultados desse marco regulatório já são visíveis. O setor de saneamento no Brasil bateu recorde de aportes privados em 2025, atingindo R$ 29,8 bilhões investidos, conforme dados da Abcon e KL Engenharia publicados em abril de 2026. A escala dos investimentos cria demanda por construtoras com capacidade técnica comprovada em obras de infraestrutura linear, segmento no qual a Conata possui histórico consolidado.

Para construtoras de médio porte, o cenário atual representa uma janela de oportunidade rara. A concentração de leilões em múltiplos setores permite que empresas com backlog robusto e experiência em concessões disputem contratos de forma seletiva, priorizando projetos com perfil de risco e retorno compatíveis com sua estrutura de capital.

O modelo de negócio: da obra ao ativo

A transição de construtora pura para operadora de concessões é um processo que exige anos de desenvolvimento institucional. Envolve a criação de áreas de gestão de ativos, a formação de equipes de operação e manutenção e a construção de relacionamentos com investidores e agências de rating.

A Conata demonstra avanços concretos nessa direção. A participação acionária na Rota do Pará garante à empresa exposição ao fluxo de receitas de pedágio, enquanto a concessão de cemitérios em São Paulo gera receita de serviços urbanos com previsibilidade contratual de longo prazo. Ambos os contratos produzem receitas recorrentes que complementam o faturamento tipicamente irregular de obras de engenharia.

Além da infraestrutura pesada, a Conata mantém atuação relevante no mercado imobiliário por meio da joint venture Mais Lar, focada no segmento Minha Casa Minha Vida, e no desenvolvimento de loteamentos. Essa diversificação reduz a dependência de contratos públicos e amplia as fontes de geração de caixa.

Líderes do setor de infraestrutura que participam de encontros promovidos pelo GRI Institute têm apontado que o modelo híbrido, que combina construção, participação em concessões e atuação imobiliária, tende a se consolidar como o padrão para empresas de médio porte que buscam crescimento sustentável. A lógica é clara: a construção gera expertise técnica e caixa de curto prazo, enquanto as concessões produzem receita previsível e valorizam o portfólio corporativo.

Perspectivas e posicionamento competitivo

Com um backlog de R$ 840 milhões, presença acionária em concessionária rodoviária, liderança em PPP urbana e capital social recentemente reforçado, a Conata Engenharia reúne os atributos que o mercado de concessões exige de seus participantes: capacidade técnica, solidez patrimonial e experiência em contratos de longo prazo.

O pipeline de leilões previsto para 2026, que soma centenas de bilhões de reais em rodovias, ferrovias, saneamento e outros setores, oferece às construtoras posicionadas como a Conata a possibilidade de ampliar significativamente sua carteira de ativos concessionados. A velocidade e a consistência com que a empresa executa essa transição definirão seu lugar no ranking das construtoras-concessionárias do país nos próximos anos.

O setor de infraestrutura brasileiro vive um momento de transformação estrutural. As construtoras que souberem converter competência de obra em capacidade de gestão de ativos de longo prazo ocuparão posições estratégicas em um mercado que movimentará trilhões de reais até o final da década. A Conata Engenharia construiu, com resultados verificáveis, as bases para disputar esse espaço.

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