Capital privado, gestoras regionais e os executivos que redesenham a infraestrutura brasileira em 2026

Reestruturações corporativas, retrofit urbano e debêntures incentivadas compõem o cenário que atrai uma nova geração de dealmakers ao setor de infraestrutura no Brasil

8 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa a reconfiguração do setor de infraestrutura brasileiro em 2026, impulsionada pelo capital privado, debêntures incentivadas e uma nova geração de executivos. Com R$ 62,12 bilhões destinados a transporte e logística via debêntures em 2025, o financiamento privado supre lacunas do investimento público frente aos 2.837 projetos estratégicos mapeados pela CNT. Destacam-se a ascensão de líderes com experiência em real estate, como Marcelo Murad na Apex Partners, a atração de capital europeu e árabe por executivos internacionalizados, e a crescente pressão por governança corporativa nas gestoras regionais.

Principais Insights

  • R$ 62,12 bilhões em debêntures incentivadas foram destinados a transporte e logística em 2025, consolidando o capital privado como motor do financiamento à infraestrutura.
  • Gestoras regionais, como a Apex Partners, enfrentam desafios de governança que impactam a credibilidade do setor.
  • Executivos com experiência em real estate migram para posições de comando em gestoras multissetoriais de infraestrutura.
  • A internacionalização da captação, com capital europeu e do Golfo, amplia as fontes de financiamento.
  • O Plano CNT mapeia 2.837 projetos estratégicos que excedem a capacidade do orçamento público.

R$ 62,12 bilhões em debêntures incentivadas foram destinados a transporte e logística em 2025, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). O volume sinaliza a consolidação do capital privado como vetor estruturante do financiamento à infraestrutura brasileira, em um momento em que o setor público ainda responde por uma fração limitada do PIB em investimentos federais de transporte. É nesse ambiente de transformação que uma nova safra de executivos ganha protagonismo, articulando recursos institucionais, reestruturando gestoras e conectando capital global a ativos brasileiros.

O GRI Institute acompanha de perto essa reconfiguração. Em seus encontros reservados para líderes do setor, a convergência entre real estate, infraestrutura e capital institucional internacional tem sido tema recorrente, refletindo um mercado que exige perfis de liderança cada vez mais sofisticados.

Qual é o papel das gestoras regionais na nova fase da infraestrutura?

O ecossistema de financiamento à infraestrutura brasileira depende, em escala crescente, de gestoras de investimentos que operam como intermediárias entre capital institucional e projetos de longo prazo. A atuação dessas casas, muitas delas com raízes fora do eixo Rio-São Paulo, ganhou complexidade e visibilidade nos últimos anos.

O caso recente da Apex Partners ilustra as tensões desse processo. A gestora capixaba, que acumula um volume bilionário de ativos sob supervisão, passou por uma inflexão relevante em agosto de 2026. Marcelo Murad, até então responsável pela área de real estate da casa, assumiu interinamente a presidência após o afastamento do fundador por inconsistências financeiras, conforme reportado pelo Estadão e A Gazeta. A transição expõe um desafio que transcende uma empresa específica: a governança corporativa das gestoras regionais tornou-se um fator determinante para a credibilidade do pipeline de investimentos em infraestrutura.

A trajetória de Marcelo Murad na Apex Partners é representativa de um perfil que o mercado valoriza cada vez mais. Executivos com experiência em real estate que migram para posições de comando em gestoras de ativos reais carregam consigo a disciplina de estruturação de projetos, análise de risco fundiário e relacionamento com investidores institucionais. Esse conjunto de competências é particularmente relevante em um setor que precisa viabilizar 2.837 projetos estratégicos de transporte e logística, conforme o Plano CNT de Transporte e Logística 2026.

A reestruturação de gestoras como a Apex Partners não ocorre em um vácuo. Ela se insere em um contexto mais amplo de amadurecimento do mercado de capitais voltado à infraestrutura, no qual a transparência e a solidez da governança definem a capacidade de captação junto a investidores domésticos e estrangeiros.

Como o capital estrangeiro chega à infraestrutura brasileira por meio de novos executivos?

A atração de capital internacional para infraestrutura e real estate no Brasil depende de redes de relacionamento construídas por executivos que transitam entre mercados. Dois nomes ilustram caminhos distintos dessa articulação.

Maxime Barkatz, fundador da Ilion Partners, lidera projetos de retrofit e regeneração urbana no centro de São Paulo, somando mais de 130 mil m² transformados, segundo dados da própria gestora. Barkatz representa um modelo de atuação que combina capital europeu com oportunidades em áreas urbanas degradadas, segmento que ganha relevância à medida que as cidades brasileiras buscam alternativas à expansão horizontal. O retrofit urbano opera na intersecção entre real estate e infraestrutura urbana, demandando conhecimento regulatório local e capacidade de mobilizar recursos internacionais.

A presença de executivos com experiência no Oriente Médio também sinaliza a diversificação geográfica das fontes de capital. Profissionais que conectam o mercado brasileiro ao capital dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) têm ganhado espaço em fóruns especializados, incluindo eventos promovidos pelo GRI Institute, onde a diplomacia de capital entre Brasil e mercados árabes é debatida entre CEOs e presidentes de companhias.

Essa diversificação geográfica do capital é uma resposta racional à escala do déficit de infraestrutura brasileiro. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) projeta que os investimentos totais em infraestrutura no Brasil devem atingir um novo patamar nominal em 2026, impulsionados pelo setor privado. Para que essa projeção se materialize, a intermediação de executivos com trânsito internacional é condição necessária.

Debêntures incentivadas e o financiamento privado de longo prazo

O instrumento que mais avançou na ponte entre mercado de capitais e infraestrutura brasileira é a debênture incentivada. Os R$ 62,12 bilhões destinados a transporte e logística em 2025, conforme dados da CNT, representam uma evolução significativa desse mercado. O volume reflete a maturidade crescente dos investidores domésticos e a atratividade fiscal do instrumento, que isenta pessoas físicas do imposto de renda sobre rendimentos.

Para gestoras que operam na interface entre real estate e infraestrutura, as debêntures incentivadas oferecem uma via complementar ao equity puro. A capacidade de estruturar operações que combinem dívida incentivada com participações diretas em projetos diferencia os players mais sofisticados do mercado. Executivos como Marcelo Murad, com background em real estate e agora à frente de uma gestora com atuação multissetorial, exemplificam o perfil capaz de transitar entre essas modalidades.

O debate regulatório adiciona uma camada de complexidade ao cenário. A proposta conhecida como PEC da Infraestrutura, defendida pela CNT, busca destinar os recursos arrecadados pela União com outorgas onerosas de serviços e infraestrutura de transporte para reinvestimento no próprio setor. Caso aprovada, a medida criaria um mecanismo de retroalimentação que ampliaria o volume de recursos públicos disponíveis, complementando o capital privado mobilizado por gestoras e dealmakers.

A reconfiguração da liderança no setor

O mercado brasileiro de infraestrutura atravessa um momento de reconfiguração em suas camadas de liderança. Três movimentos simultâneos definem essa fase.

Primeiro, a ascensão de executivos com experiência em real estate para posições de comando em gestoras multissetoriais. A trajetória de Marcelo Murad na Apex Partners é emblemática: a gestão de portfólios imobiliários exige competências, como análise de risco de crédito, estruturação de garantias reais e due diligence patrimonial, que se traduzem diretamente para o universo de concessões e PPPs.

Segundo, a internacionalização dos canais de captação. Executivos como Maxime Barkatz demonstram que o capital europeu pode ser direcionado para segmentos específicos, como o retrofit urbano, com impacto direto na infraestrutura das cidades. Da mesma forma, profissionais que articulam a conexão entre capital do GCC e ativos brasileiros ampliam a base de investidores disponíveis para projetos de grande porte.

Terceiro, a pressão por governança. Episódios de reestruturação corporativa, como o vivido pela Apex Partners, reforçam a importância de padrões elevados de compliance e transparência. Investidores institucionais, especialmente os internacionais, condicionam suas alocações à solidez da governança das gestoras. O mercado brasileiro precisa responder a essa exigência para manter sua atratividade.

O que esperar do pipeline de infraestrutura até o fim de 2026?

O cenário para o segundo semestre de 2026 combina escala de demanda, sofisticação dos instrumentos financeiros e renovação da liderança executiva. Os 2.837 projetos estratégicos mapeados pela CNT representam uma agenda que vai além da capacidade do orçamento público, segundo o Plano CNT de Transporte e Logística 2026. O setor privado, liderado por gestoras e dealmakers com perfil cada vez mais internacional, será responsável por preencher essa lacuna.

As debêntures incentivadas seguem como instrumento central de financiamento. A discussão sobre a PEC da Infraestrutura pode adicionar previsibilidade à parcela pública dos investimentos. E a consolidação de executivos que combinam expertise setorial com redes internacionais de captação define um novo padrão de liderança para o setor.

O GRI Institute continuará a reunir esses protagonistas em seus encontros de alto nível, oferecendo o ambiente institucional para que as conexões entre capital global e infraestrutura brasileira se convertam em projetos concretos. A qualidade dessas lideranças será, em última análise, o fator que determinará se o Brasil conseguirá transformar seu déficit de infraestrutura em oportunidade de investimento de classe mundial.

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