Capital institucional global mira infraestrutura brasileira: o mapa dos executivos que conectam investidores ao pipeline de 2026

Com IED de US$ 77 bilhões e R$ 300 bilhões em investimentos previstos, o ecossistema de promoção comercial e gestão de ativos ganha protagonismo estratégico.

9 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil consolidou-se como o 5º maior receptor global de IED, com US$ 77 bilhões em 2025, e projeta R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura para 2026. O pipeline de concessões e PPPs, estimado em mais de R$ 265 bilhões, atrai capital institucional europeu e global, impulsionado por avanços regulatórios como a cláusula de step-in rights e a MP REDATA. O artigo argumenta que a conversão desse fluxo em projetos executados depende de um ecossistema sofisticado de intermediação — plataformas privadas, boutiques especializadas e redes institucionais — capaz de traduzir a complexidade regulatória brasileira para investidores internacionais.

Principais Insights

  • O Brasil recebeu US$ 77 bilhões em IED em 2025, alta de 22%, consolidando-se como 5º maior destino global.
  • O pipeline de concessões e PPPs previsto para 2026 soma mais de R$ 265 bilhões em investimentos.
  • A UE anunciou pacote de €135 milhões para infraestrutura digital, transição energética e proteção da Amazônia.
  • Instrumentos regulatórios como step-in rights e a MP REDATA são catalisadores de capital estrangeiro.
  • Boutiques especializadas e redes institucionais são decisivas para converter interesse em alocação efetiva de capital.

O Brasil recebeu US$ 77 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2025, um salto de 22% em relação aos US$ 63 bilhões registrados em 2024, segundo o Relatório Mundial de Investimentos 2026 da UNCTAD. O país consolidou-se como o 5º maior destino global de IED, e a infraestrutura ocupa posição central nessa trajetória. A estimativa da ABDIB para investimentos no setor em 2026 é de R$ 300 bilhões, enquanto o Radar PPP projeta que o país deve ultrapassar a marca de 300 contratos de concessões e parcerias público-privadas assinados em um único ano.

Esse volume de capital exige uma camada sofisticada de intermediação. Executivos que transitam entre investidores institucionais globais, agências de promoção comercial e plataformas de gestão de ativos formam o tecido conectivo de um pipeline que envolve rodovias, ferrovias, energia renovável, saneamento e infraestrutura digital. Mapear quem são essas figuras e como operam é essencial para compreender a dinâmica real de alocação de capital estrangeiro no Brasil.

Quem são os executivos que fazem a ponte entre capital global e concessões brasileiras?

A atração de investimento estrangeiro para infraestrutura brasileira envolve atores de naturezas distintas, e a precisão na identificação de cada um é fundamental. Marcelo Murad, por exemplo, é frequentemente associado à sigla "Apex", mas sua atuação se dá na Apex Partners, uma plataforma privada de investimentos e private equity sediada no Espírito Santo. Murad assumiu como CEO interino da empresa em agosto de 2026, após um episódio de governança que levou à saída do fundador. Sua trajetória como sócio sênior da firma o posiciona no campo da gestão de ativos e estruturação de investimentos, e não na esfera da promoção comercial federal.

A distinção é relevante. O ecossistema de promoção de investimentos estrangeiros em infraestrutura envolve camadas públicas e privadas que frequentemente se sobrepõem na percepção do mercado, mas operam com mandatos e instrumentos distintos. Plataformas privadas como a Apex Partners atuam na originação, estruturação e gestão de portfólios, enquanto agências governamentais cumprem papel institucional de diplomacia econômica e facilitação de acesso ao pipeline regulado de concessões.

No campo privado, outros executivos têm ganhado relevância. Maxime Barkatz, fundador da Ilion Partners, lidera uma operação focada em retrofit e regeneração urbana em São Paulo, segmento que atrai crescente atenção de investidores europeus interessados na convergência entre infraestrutura, sustentabilidade e valorização imobiliária. A atuação de Barkatz ilustra um movimento mais amplo: a entrada de boutiques de investimento especializadas que operam na interseção entre real estate e infraestrutura urbana, captando capital institucional com teses de impacto.

O pipeline brasileiro de concessões e PPPs, que soma mais de R$ 265 bilhões em investimentos previstos para 2026 segundo o Radar PPP, representa uma fronteira de oportunidades que demanda intermediários com capacidade de traduzir risco regulatório e complexidade institucional brasileira para investidores de jurisdições diversas.

Qual é o papel da diplomacia comercial na atração de investimentos para infraestrutura?

A dimensão institucional da atração de capital estrangeiro ganhou contornos concretos em 2026. A União Europeia anunciou um pacote de 135 milhões de euros, equivalente a cerca de R$ 795,5 milhões, direcionado a projetos de infraestrutura digital, transição energética e proteção da Amazônia, conforme informado pela Delegação da União Europeia no Brasil. O pacote foi formalizado durante fórum dedicado a investimentos bilaterais, sinalizando que a diplomacia comercial europeia trata a infraestrutura brasileira como vetor estratégico de cooperação.

Esse tipo de iniciativa evidencia que a canalização de capital estrangeiro para infraestrutura depende cada vez mais de arranjos institucionais estruturados. Investidores soberanos, fundos de pensão internacionais e development finance institutions (DFIs) demandam interlocutores que compreendam simultaneamente a governança regulatória brasileira e as exigências de compliance e reporte de suas jurisdições de origem.

A América Latina precisa investir cerca de 3% do PIB ao ano em infraestrutura para atingir padrões adequados de acesso, qualidade e sustentabilidade nas próximas décadas, segundo projeção da Turner & Townsend. No caso brasileiro, a combinação entre déficit histórico de investimentos e pipeline robusto de concessões cria um cenário em que a intermediação qualificada entre oferta de capital global e demanda doméstica de infraestrutura se torna variável determinante para a execução dos projetos.

O arcabouço regulatório como fator de atração

A sofisticação do ambiente regulatório brasileiro tem funcionado como catalisador de interesse estrangeiro. A Lei nº 14.133/2021, que consolidou a cláusula de retomada (step-in rights), ampliou a relevância do seguro garantia como mecanismo de continuidade contratual em obras de infraestrutura e concessões. Para investidores institucionais globais, a existência de instrumentos de mitigação de risco contratual é condição necessária para alocação de capital de longo prazo.

No segmento digital, a Medida Provisória REDATA (MP 1.318/25), em tramitação, busca reduzir o custo tributário do CAPEX para data centers e infraestrutura digital mediante contrapartidas de sustentabilidade. A medida visa atrair investimentos estrangeiros para um segmento em expansão acelerada, onde o Brasil compete diretamente com outros mercados emergentes por capacidade instalada de processamento e armazenamento de dados.

A convergência entre marco regulatório, pipeline de projetos e fluxo de IED posiciona o Brasil em patamar diferenciado entre os mercados emergentes. A capacidade de converter interesse estrangeiro em contratos assinados, porém, depende da eficiência de toda a cadeia de intermediação, desde a promoção institucional até a estruturação financeira de cada projeto.

O ecossistema de intermediação e o papel das redes de líderes

Fóruns especializados e redes de líderes setoriais cumprem função estruturante nesse ecossistema. O GRI Institute, como clube global de líderes em real estate e infraestrutura, tem acompanhado de perto a evolução do fluxo de capital institucional para o setor brasileiro, promovendo interações entre investidores internacionais e operadores locais em encontros que privilegiam profundidade analítica e relacionamento de longo prazo.

A dinâmica de atração de investimentos para infraestrutura brasileira em 2026 revela que o sucesso na conversão de interesse em alocação efetiva de capital depende de três fatores simultâneos: um pipeline regulado e previsível de concessões e PPPs, um arcabouço jurídico que ofereça segurança contratual e instrumentos de mitigação de risco, e uma rede de executivos e instituições capaz de conectar oferta e demanda de capital com precisão e credibilidade.

O volume de R$ 265 bilhões em contratações de PPPs e concessões previstas para 2026 representa a maior janela de oportunidade para investidores estrangeiros na história recente da infraestrutura brasileira. A sofisticação crescente dos intermediários, sejam eles plataformas privadas de gestão de ativos, boutiques especializadas ou redes institucionais de líderes, é o que determina se essa janela se traduzirá em projetos executados e ativos operacionais.

O Brasil alcançou a posição de 5º maior receptor de IED no mundo com base em fundamentos macroeconômicos e um pipeline concreto de projetos. A próxima fronteira é a eficiência na conversão: transformar fluxo de capital em infraestrutura entregue, com qualidade, prazo e sustentabilidade. Os executivos e instituições que operam nessa interface serão os protagonistas dessa etapa.

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