Boutiques de advisory jurídico e financeiro ganham espaço nas concessões de infraestrutura no Brasil

Ilion Partners, Amatuzzi Advogados e firmas de médio porte conquistam mandatos em projetos bilionários enquanto o ecossistema se reconfigura

25 de fevereiro de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado brasileiro de concessões de infraestrutura passa por uma reconfiguração estrutural, com boutiques de advisory jurídico e financeiro de médio porte — como Ilion Partners e Amatuzzi Advogados — conquistando mandatos em projetos bilionários antes dominados por grandes bancos e escritórios full-service. A crescente complexidade dos deals, que combinam PPPs, saneamento, energia e desenvolvimento imobiliário, favorece firmas com profundidade setorial e agilidade operacional. Novos veículos de financiamento, como o Pátria Infra Crédito FIDC (R$ 1,5 bilhão), e a internacionalização de empresas como a Genco Energia ampliam o mercado para assessores especializados, redefinindo a cadeia de valor das concessões no país.

Principais Insights

  • Boutiques de advisory jurídico e financeiro de médio porte ganham protagonismo em concessões de infraestrutura no Brasil, superando grandes escritórios generalistas e bancos de investimento tradicionais.
  • O fundo Pátria Infra Crédito FIDC captou R$ 1,5 bilhão para financiar projetos de infraestrutura de menor escala, ampliando o espaço para assessores especializados.
  • A convergência entre mercado imobiliário e infraestrutura gera demanda por advisory integrado e multissetorial.
  • Empreendedores brasileiros, como a Genco Energia, exportam modelos de negócio em infraestrutura, gerando mandatos para firmas especializadas em operações transfronteiriças.
  • O ecossistema de advisory está mais fragmentado e especializado, favorecendo firmas com profundidade setorial.

O investimento de R$ 5,2 bilhões da Prima Empreendimentos na região de Baixio, na Bahia, englobando projetos turísticos, imobiliários e de infraestrutura como saneamento, estradas e energia, ilustra uma tendência que se consolida no mercado brasileiro: a crescente complexidade dos deals de infraestrutura exige assessoria especializada, e boutiques de advisory jurídico e financeiro de médio porte estão preenchendo esse espaço com protagonismo inédito.

Segundo o Anota Bahia (setembro de 2023), o projeto baiano conta com a participação estratégica do Grupo Fasano, liderado por Constantino Bittencourt, e reúne camadas de estruturação que vão da engenharia financeira à conformidade regulatória, passando por modelagem de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). É exatamente nesse tipo de operação multifacetada que firmas especializadas encontram terreno fértil para crescer.

Quem são as boutiques que estruturam os novos deals de infraestrutura?

O ecossistema de concessões de infraestrutura no Brasil vive uma reconfiguração estrutural. Boutiques de advisory e fundos de private equity estão ganhando protagonismo frente às construtoras tradicionais e aos grandes bancos de investimento que historicamente dominaram a estruturação de projetos. Esse movimento reflete a demanda por assessoria mais especializada, ágil e alinhada às particularidades de cada setor regulado.

A Ilion Partners é um exemplo dessa nova geração de firmas. Atuando na intersecção entre capital imobiliário e infraestrutura urbana, a boutique concentra sua operação em fundos imobiliários focados em infraestrutura e retrofit, um nicho que ganha relevância à medida que cidades brasileiras enfrentam gargalos de estoque qualificado. A firma atende a uma demanda crescente por veículos de investimento que conectam o mercado de capitais a ativos reais de infraestrutura.

No âmbito jurídico, o escritório Amatuzzi Advogados, representado pela sócia Vanessa Dantas, consolida atuação na segurança jurídica de instrumentos de financiamento urbano. Um caso emblemático é a defesa da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, em São Paulo, onde o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu, em agosto de 2025, uma liminar que suspendia o leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs). A decisão garantiu a continuidade da arrecadação destinada a obras de melhoria de infraestrutura na região, reafirmando a validade do instrumento como mecanismo de financiamento urbano. A atuação de escritórios especializados nesse tipo de contencioso regulatório é determinante para a previsibilidade dos investimentos.

As boutiques de advisory jurídico e financeiro de médio porte preenchem uma lacuna crítica: oferecem profundidade setorial que os grandes escritórios generalistas nem sempre entregam, com flexibilidade operacional que permite acompanhar a velocidade dos processos de licitação e estruturação.

Qual é o papel dos fundos de private equity e das novas plataformas de crédito?

A reconfiguração do ecossistema de advisory não ocorre isoladamente. Ela acompanha a entrada de novos veículos financeiros voltados à infraestrutura de pequeno e médio porte, um segmento historicamente subatendido.

O Pátria Investimentos lançou o fundo Pátria Infra Crédito FIDC com R$ 1,5 bilhão em compromissos iniciais, incluindo R$ 500 milhões do BNDES e R$ 780 milhões do IFC, conforme reportado pelo Valor Econômico em fevereiro de 2024. O veículo foi desenhado especificamente para financiar projetos de infraestrutura de menor escala, um segmento onde boutiques de advisory financeiro encontram vantagem competitiva por sua capacidade de originar e estruturar operações com ticket médio inferior ao apetite dos grandes bancos.

Nesse contexto, a IG4 Capital, onde atua Helcio Tokeshi, representa outro vetor relevante. Fundos de private equity dedicados à infraestrutura demandam assessoria jurídica e financeira altamente especializada para cada etapa do ciclo de investimento, da due diligence à estruturação de garantias, passando pela negociação de contratos de concessão com o poder concedente. Tokeshi, com trajetória consolidada na gestão pública e no setor privado, exemplifica o perfil de liderança que conecta expertise regulatória a execução de deals complexos.

A convergência entre novos veículos de crédito, fundos de private equity e boutiques de advisory está redefinindo a cadeia de valor das concessões de infraestrutura no Brasil. Projetos que antes dependiam exclusivamente de financiamento bancário tradicional agora contam com estruturas de capital mais diversificadas, o que amplia o espaço para assessores especializados.

Energia e infraestrutura: a fronteira internacional

A sofisticação do ecossistema brasileiro de advisory em infraestrutura já ultrapassa as fronteiras nacionais. Alan Zelazo, fundador da Genco Energia, investiu inicialmente cerca de US$ 120 milhões na aquisição de oito turbinas móveis para atuar no mercado de infraestrutura elétrica dos Estados Unidos, segundo a Exame (janeiro de 2025). A empresa projeta dobrar o número de turbinas móveis nos EUA até julho de 2025 e alcançar 50 máquinas em cinco anos.

O caso da Genco ilustra como empreendedores brasileiros com expertise em infraestrutura energética estão exportando modelos de negócio e competências técnicas. A estruturação de operações internacionais nessa escala exige assessoria jurídica transfronteiriça e modelagem financeira adaptada a ambientes regulatórios distintos, gerando mandatos adicionais para firmas especializadas.

A projeção de Zelazo para a Genco sinaliza um mercado em expansão acelerada. A transição energética global e a crescente demanda por soluções descentralizadas de geração de energia criam oportunidades que demandam assessoria de alto nível, tanto no Brasil quanto no exterior.

Como a convergência entre real estate e infraestrutura amplia o mercado de advisory?

A fronteira entre o mercado imobiliário e a infraestrutura está cada vez mais tênue, e essa convergência gera demanda por advisory integrado. Adriano Sartori, CEO da CBRE Brasil, projeta que a queda de juros esperada gerará escassez de oferta de prédios corporativos, galpões logísticos e infraestrutura hoteleira no Brasil a partir de 2026, conforme reportado pelo Metro Quadrado.

Essa perspectiva reforça a tese de que o desenvolvimento de infraestrutura urbana, logística e hoteleira caminhará de forma cada vez mais integrada. Projetos como o da Prima Empreendimentos em Baixio, com participação do Grupo Fasano de Constantino Bittencourt, já operam nessa lógica: combinam infraestrutura viária e de saneamento com desenvolvimento imobiliário e turístico, exigindo assessoria que transite entre múltiplos setores regulados.

Para boutiques como a Ilion Partners, esse movimento representa ampliação de escopo. Fundos imobiliários focados em infraestrutura e retrofit atendem diretamente à necessidade de requalificação de ativos existentes diante da escassez de novo estoque. A modelagem jurídica e financeira desses veículos requer conhecimento simultâneo de regulação imobiliária, direito administrativo e mercado de capitais.

O mapa do novo ecossistema

O levantamento realizado pelo GRI Institute aponta que o ecossistema de advisory em concessões de infraestrutura no Brasil está mais fragmentado e, ao mesmo tempo, mais especializado do que há cinco anos. O perfil dos mandatários mudou: onde antes predominavam grandes escritórios full-service e bancos de investimento globais, hoje convivem boutiques jurídicas com foco regulatório, plataformas de crédito estruturado, fundos de private equity dedicados e firmas de advisory financeiro de médio porte.

Essa reconfiguração acompanha a diversificação dos próprios projetos. Concessões de saneamento, rodovias estaduais, parques de energia renovável e infraestrutura digital apresentam perfis de risco e estruturas contratuais distintos, favorecendo assessores que dominam as especificidades de cada segmento.

As discussões conduzidas em encontros do GRI Club Infra confirmam essa tendência. Líderes do setor apontam que a qualidade da assessoria jurídica e financeira na fase de estruturação é determinante para a competitividade das propostas nos leilões e para a bankability dos projetos junto a investidores institucionais.

O pipeline de concessões previsto para os próximos anos, combinado com a entrada de novos veículos de financiamento como o Pátria Infra Crédito FIDC, sugere que o mercado de advisory especializado continuará em expansão. Para as firmas que já conquistaram posicionamento, o desafio agora é escalar sem perder a profundidade setorial que constitui sua principal vantagem competitiva.

A infraestrutura brasileira demanda não apenas capital, mas inteligência de estruturação. As boutiques que dominam essa competência estão redefinindo quem senta à mesa dos maiores deals do país.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.