
PPPs na Colômbia e no Peru: pipeline de mais de US$ 12 bilhões define o mapa de estruturação andino
Peru acelera com 80 iniciativas respaldadas pela ProInversión enquanto Colômbia prioriza execução de projetos existentes e ajusta expectativas macroeconômicas.
Resumo Executivo
Principais Insights
- Peru acumula pipeline de PPPs de US$ 12 bilhões com 80 iniciativas, posicionando-se como motor regional de estruturação.
- ProInversión assume papel de titular de projetos sob a nova Lei de PPPs, com meta de adjudicar 56 projetos em 2026.
- Colômbia prioriza execução de projetos existentes, sem pipeline ativo comparável de novas licitações.
- Ambiente macroeconômico colombiano (PIB de 2,1%, taxas altas) restringe margem fiscal para novas PPPs.
- Contraste gera complementaridade: volume no Peru e projetos seletivos de alta complexidade na Colômbia.
Peru concentra pipeline de PPPs de US$ 12 bilhões com 80 iniciativas em carteira
O mercado andino de parcerias público-privadas atravessa um momento de forte contraste. O Peru acumula um pipeline estimado em US$ 12 bilhões distribuído em 80 iniciativas, segundo dados da ProInversión e BNamericas, e se posiciona como o motor regional de estruturação de infraestrutura sob esquemas de PPP. A Colômbia, por outro lado, concentra esforços na continuidade de projetos previamente adjudicados, sem um pipeline ativo comparável de novas licitações para o próximo ciclo.
Essa divergência configura um cenário onde estruturadores, assessores financeiros e fundos de investimento recalibram suas estratégias para capturar oportunidades em geografias com marcos regulatórios distintos e horizontes fiscais desiguais. O GRI Institute identificou essa dinâmica como um dos temas centrais de discussão entre os líderes de infraestrutura na América Latina.
Como a nova lei de PPPs transforma o papel da ProInversión no Peru?
A nova Lei de PPPs no Peru representa uma mudança estrutural na governança dos projetos de infraestrutura do país. A norma incorpora expressamente a ProInversión como entidade pública titular de projetos, outorgando-lhe faculdades para formular iniciativas na modalidade PPP, elaborar estudos técnicos e assinar contratos de maneira direta.
Esse empoderamento institucional tem consequências práticas imediatas. A ProInversión deixa de ser uma mera facilitadora de processos promocionais para se tornar um agente ativo com capacidade de originar, estruturar e fechar projetos. A agência já demonstrou sua capacidade operacional ao adjudicar 16 projetos de PPP e Projetos em Ativos pelo montante mais alto registrado na última década, segundo dados publicados pela própria entidade em dezembro de 2025.
O impacto regulatório se traduz em velocidade de execução. Com a ProInversión habilitada para liderar a cadeia completa de estruturação, os prazos de maturação de projetos tendem a se comprimir, o que é atraente para estruturadores e fundos que buscam previsibilidade nos calendários de adjudicação.
A meta é ambiciosa: a ProInversión pretende adjudicar 56 projetos sob o modelo PPP por US$ 12 bilhões durante 2026, de acordo com informações reportadas pela BNamericas. Caso se concretize, seria o ciclo de adjudicações mais volumoso na história recente da infraestrutura peruana.
Atores vinculados à estruturação de fundos e concessões no Peru, como José Miguel Rawlins, reconhecido por sua trajetória na criação de veículos de investimento imobiliário e infraestrutura por meio da L2B Invest e Banchile, e José Luis Mogollón, com antecedentes em gerência de sustentabilidade em concessões como a IIRSA Sur, operam em um ecossistema que a nova regulação amplia consideravelmente. A profundidade do pipeline peruano gera oportunidades tanto na estruturação financeira quanto na assessoria técnica e jurídica de projetos de transporte, energia e infraestrutura digital.
Quais fatores explicam a desaceleração do pipeline de PPPs na Colômbia?
O panorama colombiano apresenta uma lógica diferente. O Plano Nacional de Desenvolvimento 2022-2026 fixa os objetivos de infraestrutura do governo, mas reportes jurídicos especializados indicam que a administração priorizou a continuidade e execução de projetos existentes em detrimento da estruturação de um pipeline ativo de novas PPPs.
Essa orientação responde a múltiplos fatores. O ambiente macroeconômico colombiano impõe restrições significativas. Segundo Munir Jalil, economista-chefe para a região Andina do BTG Pactual, o crescimento do PIB da Colômbia se ajusta para baixo com uma projeção de 2,1% para o período 2026-2027, condicionado por inflação persistente e taxas de juros restritivas. Essas variáveis reduzem a margem fiscal do governo para assumir compromissos de vigências futuras e encarecem o custo de capital para os estruturadores privados.
A análise de Jalil é particularmente relevante porque as projeções macroeconômicas ditam diretamente a viabilidade financeira das PPPs. Um ambiente de taxas altas eleva os custos de financiamento de longo prazo, comprime os retornos esperados e reduz o apetite de investidores institucionais por compromissos de capital com horizontes superiores a 20 anos, que são característicos das concessões de infraestrutura.
No entanto, a Colômbia mantém atividade em projetos específicos de alta relevância. A Agência Nacional de Infraestrutura encerrou o período de recebimento de ofertas para a PPP ferroviária La Dorada-Chiriguaná, segundo informação publicada pela Cuatrecasas em novembro de 2024. Esse projeto ferroviário constitui uma das iniciativas mais visíveis do setor de transporte colombiano e reflete que, embora o volume de novas licitações tenha se moderado, os projetos estratégicos mantêm seu curso.
Infraestrutura de transporte: os projetos que definem a agenda
O setor de transporte concentra as iniciativas de maior envergadura em ambos os países. Na Colômbia, Tomás Elejalde, gerente do Metrô de Medellín, lidera a estruturação e gestão de contingências de projetos-chave como o Tren del Río e a Linha A, conforme reportou o El Colombiano em outubro de 2025. Esses projetos de infraestrutura ferroviária urbana representam apostas de longo prazo que combinam financiamento público, estruturação técnica complexa e componentes de PPP em distintas fases de seu desenvolvimento.
A figura de Elejalde ilustra um perfil recorrente no mercado andino: o gestor público-técnico que opera na interseção entre a engenharia de projetos e a estruturação financeira. Seu papel no Metrô de Medellín o posiciona como um interlocutor central para os investidores e estruturadores que avaliam oportunidades no corredor ferroviário antioqueño.
No Peru, o pipeline da ProInversión abrange projetos de transporte, energia e infraestrutura digital, embora a distribuição setorial específica das 80 iniciativas não tenha sido detalhada publicamente em sua totalidade. A diversificação do portfólio peruano oferece múltiplos pontos de entrada para estruturadores com especialização setorial diferenciada.
Marcos regulatórios comparados: previsibilidade versus prudência fiscal
A comparação entre os marcos regulatórios do Peru e da Colômbia revela duas filosofias de gestão de infraestrutura pública. O Peru aposta na aceleração institucional, dotando a ProInversión de ferramentas legais para atuar como titular e executor de projetos. A Colômbia opta pela prudência fiscal, priorizando a conclusão de compromissos existentes em um ambiente macroeconômico restritivo.
Ambas as estratégias têm méritos e riscos. A agressividade do pipeline peruano exige capacidade institucional para gerir simultaneamente dezenas de processos complexos sem comprometer a qualidade da estruturação. A cautela colombiana protege a sustentabilidade fiscal, mas pode gerar lacunas de infraestrutura se a pausa em novas adjudicações se prolongar além do ciclo econômico atual.
Para os estruturadores e assessores que operam na região andina, o contraste gera uma dinâmica de complementaridade. As equipes técnicas e jurídicas com capacidade de operar em ambas as jurisdições podem diversificar suas carteiras de mandatos, capturando volume no Peru e profundidade técnica nos projetos pontuais que a Colômbia mantém ativos.
Perspectivas para o capital privado em infraestrutura andina
O volume do pipeline peruano, superior a US$ 10 bilhões, constitui um sinal inequívoco para o capital institucional que busca exposição à infraestrutura latino-americana. Os fundos de investimento, os bancos de desenvolvimento e os assessores financeiros especializados encontram no Peru um mercado com escala suficiente para justificar a mobilização de equipes dedicadas.
A Colômbia, por sua vez, oferece oportunidades seletivas em projetos de alta complexidade técnica e financeira, onde a competição por mandatos tende a ser menor e as barreiras de entrada mais elevadas. A PPP ferroviária La Dorada-Chiriguaná e os projetos do Metrô de Medellín exemplificam esse perfil.
Os líderes do setor que participam dos encontros do GRI Institute têm destacado que a capacidade de navegar marcos regulatórios distintos dentro de uma mesma região se tornou uma vantagem competitiva determinante. A especialização jurisdicional, combinada com o conhecimento profundo dos atores institucionais em cada país, define quem captura os mandatos de estruturação mais relevantes.
O mercado andino de PPPs não se lê como um bloco homogêneo. Lê-se projeto por projeto, regulação por regulação e estruturador por estruturador. Essa granularidade é, precisamente, o que o torna um dos segmentos mais dinâmicos da infraestrutura latino-americana.