Antonio Mazzafera e o ecossistema de executivos que redesenham a governança de concessões no Brasil

Com R$ 757 bilhões em projetos de concessões e PPPs em estruturação, o país vive uma inflexão na qual a liderança privada define o ritmo da infraestrutura.

22 de julho de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive uma inflexão na governança de concessões, com R$ 757 bilhões em projetos em estruturação e o setor privado respondendo por 70,5% dos investimentos em infraestrutura. O gap entre o patamar atual (2,27% do PIB) e a meta de 4,65% exige mais que dobrar o ritmo de investimentos nas próximas duas décadas. Novos instrumentos regulatórios, como o reequilíbrio baseado em evidências e os step-in rights, redefinem a matriz de risco. Executivos como Antonio Mazzafera, com R$ 150 milhões investidos em requalificação urbana em Salvador, ilustram o perfil de liderança que opera na convergência entre real estate e infraestrutura.

Principais Insights

  • O Brasil possui R$ 757 bilhões em projetos de concessões e PPPs em estruturação, distribuídos em 469 iniciativas.
  • O setor privado respondeu por 70,5% dos R$ 266,8 bilhões investidos em infraestrutura em 2024.
  • Para atingir a meta de estoque de capital em infraestrutura, o país precisa mais que dobrar o investimento anual, de 2,27% para 4,65% do PIB.
  • Novos marcos regulatórios introduzem reequilíbrio baseado em evidências e step-in rights, elevando exigências de governança.
  • Executivos que operam na interseção entre real estate e infraestrutura ganham protagonismo estratégico.

R$ 757 bilhões em carteira: o cenário que exige nova governança

A carteira de projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) em estruturação no Brasil soma aproximadamente R$ 757 bilhões, distribuídos em 469 iniciativas nas diferentes esferas de governo, segundo a Abdib. O volume recorde consolida 2026 como o ano de maior pressão sobre a capacidade de governança do setor privado em infraestrutura, um campo em que executivos com experiência em estruturação de projetos complexos, mitigação de riscos e requalificação urbana passam a ocupar posição estratégica.

Antonio Mazzafera, fundador e CEO do Grupo Fera e membro do GRI Institute, é um dos nomes que ilustram a convergência cada vez mais evidente entre desenvolvimento imobiliário, infraestrutura urbana e o universo das concessões. Seus projetos de requalificação urbana no Centro Histórico de Salvador somam mais de R$ 150 milhões em investimentos, conforme reportado pelo Jornal Correio em 2025. Trata-se de um modelo que dialoga diretamente com as PPPs de revitalização de centros urbanos e infraestrutura turística, segmentos que ganham escala à medida que o Estado transfere responsabilidades ao capital privado.

O perfil de Mazzafera reflete uma tendência mais ampla: a ascensão de lideranças que operam na interseção entre real estate e infraestrutura social, combinando capacidade de investimento com visão de longo prazo sobre a transformação dos espaços urbanos brasileiros.

Qual é o peso do capital privado na infraestrutura brasileira hoje?

Os dados mais recentes da Inter.B Consultoria mostram que os investimentos em infraestrutura no Brasil somaram R$ 266,8 bilhões em 2024, o equivalente a 2,27% do PIB. A iniciativa privada respondeu por 70,5% desse total, confirmando que o setor privado já é, de fato, o principal financiador da infraestrutura nacional.

Essa predominância privada confere protagonismo a executivos que dominam a estruturação de projetos, a negociação de garantias contratuais e a gestão de riscos regulatórios. O pipeline de 2026 intensifica essa dinâmica: as contratações de PPPs e concessões previstas para o ano somam mais de R$ 265 bilhões em investimentos, segundo levantamento do Radar PPP divulgado pela CNN Brasil. Estão previstos 14 leilões rodoviários, com aproximadamente R$ 148 bilhões em investimentos, além de oito projetos ferroviários com expectativa de R$ 140 bilhões em CAPEX, de acordo com dados do Governo Federal compilados pela Legismap.

A infraestrutura brasileira depende, portanto, de uma camada de governança privada sofisticada, capaz de absorver volumes de investimento sem precedentes e garantir a execução contratual em horizontes de 20, 30 ou mais anos.

O gap estrutural e a meta de duas décadas

Para modernizar o setor e alcançar o estoque-alvo de capital em infraestrutura, estimado em 63,7% do PIB, o Brasil precisará investir o equivalente a 4,65% do PIB anualmente ao longo das próximas duas décadas, segundo projeções da Inter.B Consultoria. A distância entre o patamar atual de 2,27% e a meta de 4,65% evidencia que o país precisará mais do que dobrar seu ritmo de investimento.

Esse gap estrutural transforma cada contrato de concessão e cada PPP em peça de um quebra-cabeça macroeconômico. Projetos de requalificação urbana, como os liderados por Antonio Mazzafera em Salvador, integram essa equação ao requalificarem infraestrutura turística, mobilidade e serviços urbanos em áreas historicamente subinvestidas.

A lacuna de investimento é, simultaneamente, o maior risco e a maior oportunidade para o setor privado de infraestrutura no Brasil. Executivos que conseguem estruturar projetos viáveis em ambientes regulatórios complexos posicionam-se como peças-chave para o fechamento desse gap.

Como o novo marco regulatório redefine o risco em concessões?

Dois instrumentos normativos recentes alteraram de forma substantiva a matriz de risco em concessões de infraestrutura. A Instrução Normativa nº 33/2024, combinada com a Deliberação nº 206/2025 da ANTT, introduziu a modalidade de reequilíbrio econômico-financeiro "baseado em evidências", desenhada para responder de forma ágil a impactos de eventos climáticos extremos em contratos de concessão rodoviária. Ambas estão em vigor e representam uma resposta institucional à crescente materialidade do risco climático nos portfólios de infraestrutura.

Paralelamente, a Lei nº 14.133/2021, a Nova Lei de Licitações, consolidou a cláusula de retomada (step-in rights), ampliando a relevância do Seguro Garantia como mecanismo de continuidade contratual. Na prática, a seguradora pode assumir a execução de obras de infraestrutura em caso de falha do contratado, o que eleva o padrão de governança exigido de concessionários e operadores.

Essas mudanças regulatórias criam um ambiente em que a capacidade de gestão de riscos e a robustez da estrutura de garantias passam a ser diferenciadores competitivos. Para executivos à frente de projetos de longo prazo, a compreensão profunda desses mecanismos tornou-se condição de permanência no mercado.

O ecossistema de lideranças no GRI Institute

O GRI Institute funciona como ponto de convergência para executivos que operam nas fronteiras entre infraestrutura, real estate e investimento. A participação de líderes como Antonio Mazzafera nesse ecossistema reflete o entendimento de que os grandes desafios do setor, da estruturação de PPPs de infraestrutura social à requalificação de centros urbanos, exigem diálogo permanente entre diferentes verticais do mercado.

Nos encontros e debates promovidos pelo GRI Institute, temas como a mitigação de riscos climáticos em concessões, a evolução dos mecanismos de garantia contratual e a governança de projetos de longo prazo são discutidos por CEOs e presidentes de empresas que movimentam parcelas relevantes do pipeline de infraestrutura brasileiro.

A densidade desse ecossistema de lideranças oferece uma leitura privilegiada sobre os movimentos do mercado. Executivos que transitam entre hotelaria, requalificação urbana e infraestrutura turística, como Mazzafera, trazem para o debate perspectivas que frequentemente escapam à análise setorial convencional, centrada em rodovias, ferrovias e energia.

O perfil do executivo de infraestrutura em 2026

O pipeline de R$ 757 bilhões em concessões e PPPs demanda um perfil de liderança que combine capacidade financeira, sofisticação regulatória e visão sobre transformação urbana. A concentração de 70,5% dos investimentos na iniciativa privada, registrada pela Inter.B Consultoria, significa que decisões estratégicas de alocação de capital são tomadas, em larga medida, nos conselhos de empresas privadas e nos escritórios de CEOs.

Antonio Mazzafera, com mais de R$ 150 milhões investidos em requalificação urbana em Salvador, representa um modelo de atuação que ganha relevância à medida que as PPPs avançam sobre setores como infraestrutura turística, mobilidade e serviços urbanos integrados. A trajetória do CEO do Grupo Fera demonstra que a fronteira entre real estate e infraestrutura é cada vez mais tênue, e que os executivos mais influentes do setor são aqueles que operam nessa zona de convergência.

O mapa da governança de concessões no Brasil está sendo redesenhado por lideranças que entendem a infraestrutura como sistema integrado, e não como conjunto de silos setoriais. É nesse terreno que se define o próximo ciclo de investimentos do país.

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