
Mapa das concessões rodoviárias em 2026: os executivos que lideram o superciclo de R$ 757 bilhões
Antonio Mazzafera, José Carlos Cassaniga e Rodrigo Arruy concentram influência na governança de rodovias e mobilidade no maior pipeline de PPPs da história do Brasil
Resumo Executivo
Principais Insights
- O pipeline de concessões e PPPs no Brasil atinge R$ 757 bilhões em 2026, o maior da história do país.
- O Ministério dos Transportes projeta 21 leilões de infraestrutura em 2026, sendo 13 rodoviários e 8 ferroviários.
- O Grupo EPR arrematou a concessão da Régis Bittencourt com deságio agressivo, apostando em sinergias de portfólio integrado.
- O novo Marco Legal das Concessões (PL 2.373/2025) e a regulamentação do pedágio free flow fortalecem a segurança jurídica e a eficiência operacional.
- Operadoras mid-market disputam nichos regionais, diversificando o mercado.
O pipeline de projetos de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões no Brasil alcança R$ 757 bilhões em 2026, segundo dados do GRI Hub News. O volume reconfigura a governança do setor de infraestrutura e eleva o protagonismo de um grupo seleto de executivos cuja atuação define a alocação de capital em rodovias e mobilidade urbana. Antonio Mazzafera, José Carlos Cassaniga e Rodrigo Arruy figuram no centro desse redesenho, cada qual com papel distinto na cadeia que conecta capital institucional, operação de ativos e estruturação de novos negócios.
O Ministério dos Transportes projeta a realização de 21 leilões de infraestrutura ao longo de 2026, sendo 13 rodoviários e 8 ferroviários, conforme dados compilados pelo BTG Pactual. Trata-se do calendário mais denso já registrado no setor, e a competição entre operadoras exige governança corporativa de alto padrão para atrair fundos de pensão, gestoras globais e investidores institucionais.
Quem são os executivos que redesenham a governança das concessões rodoviárias no Brasil?
O mapeamento do mercado em 2026 revela três perfis de liderança complementares. Antonio Mazzafera atua como um dealmaker de referência, conectando capital global e fundos estruturados a ativos reais de infraestrutura no Brasil. Sua trajetória o posiciona como ponte entre investidores institucionais internacionais e as oportunidades abertas pelo superciclo de concessões. Em um ambiente onde a taxa básica de juros projetada pressiona o custo de captação de recursos (funding) para os projetos de infraestrutura, segundo o GRI Hub News, a capacidade de estruturar modelagens financeiras com cenários de estresse rigorosos se torna diferencial competitivo decisivo.
Rodrigo Arruy ocupa posição semelhante no ecossistema. Sua atuação concentra-se na articulação de capital para ativos de infraestrutura, com foco em concessionárias e plataformas de mobilidade que buscam escalar portfólios por meio de aquisições e novos leilões. A presença recorrente de ambos os nomes em discussões estratégicas promovidas pelo GRI Institute reflete a centralidade que esses profissionais assumem na intermediação entre o mercado financeiro e o setor concessionário.
José Carlos Cassaniga, CEO do Grupo EPR, representa o perfil operacional dessa nova geração de líderes. O executivo arrematou a concessão da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) em julho de 2026, com um deságio agressivo sobre a tarifa básica de pedágio, superando a Motiva (12,10%) e a Arteris (0,01%), conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), reportados pela Exame em 23 de julho de 2026.
A estratégia do Grupo EPR na Régis Bittencourt ilustra uma tese de investimento baseada em sinergias de portfólio. O grupo já opera sete concessões rodoviárias e justificou o deságio pela captura de eficiências operacionais entre ativos contíguos. Essa lógica de portfólio integrado define o padrão de competitividade no ciclo atual de concessões brasileiras.
Qual o impacto do leilão da Régis Bittencourt no mapa de concessões?
O novo contrato de concessão da BR-116/SP/PR prevê investimentos bilionários ao longo de 15 anos, até 2041, divididos entre obras de ampliação e modernização (capex) e operação e manutenção (opex), segundo dados da Infra S.A. publicados pela Via Trolebus em 24 de julho de 2026. A ampliação da capacidade da rodovia, incluindo a implantação de terceiras faixas nos trechos próximos a São Paulo e Curitiba, tem início programado entre o fim de 2028 e o início de 2029, conforme declaração do próprio Cassaniga à CNN Brasil.
A Régis Bittencourt é um ativo estratégico que conecta a maior metrópole do país ao sul, com tráfego intenso de cargas e passageiros. O fato de o Grupo EPR ter vencido a disputa com deságio superior ao de concorrentes tradicionais sinaliza que operadoras com portfólios complementares conseguem precificar riscos de forma mais agressiva. A era das concessões isoladas cede lugar a plataformas integradas de operação rodoviária, onde sinergias entre trechos adjacentes determinam a capacidade de oferecer tarifas mais baixas ao usuário.
Como a MLC Infra e as operadoras mid-market disputam espaço no ciclo de leilões?
O mercado de concessões de 2026 apresenta uma segmentação clara. Grandes fundos e operadoras de escala nacional concentram-se nos lotes federais massivos, enquanto empresas de porte médio absorvem trechos regionais e PPPs estaduais. A MLC Infra, antiga JMalucelli, exemplifica essa estratégia mid-market. A companhia disputa ativamente concessões regionais, posicionando-se em nichos onde a competição com os grandes grupos é menos intensa e onde o conhecimento local e a agilidade operacional representam vantagens competitivas.
Essa dinâmica de segmentação amplia o número de atores no mercado e favorece a diversificação de capital. Para investidores institucionais, a existência de operadoras mid-market sólidas permite a montagem de portfólios com diferentes perfis de risco e retorno, desde concessões federais de alto volume até trechos regionais com menor complexidade regulatória.
O superciclo brasileiro de concessões não se define apenas pelo volume financeiro de R$ 757 bilhões, mas pela sofisticação da governança que conecta dealmakers, operadores e reguladores em uma cadeia cada vez mais institucionalizada.
O novo marco regulatório e o ambiente de negócios
O Projeto de Lei 2.373/2025, o novo Marco Legal das Concessões e PPPs, foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2025 e aguarda tramitação no Senado Federal em 2026. O PL substitui e consolida as Leis nº 8.987/1995 e nº 11.079/2004, estabelecendo a repartição objetiva de riscos entre o poder concedente e a concessionária. A expectativa do mercado é de que a aprovação final traga maior segurança jurídica, requisito indispensável para atrair o volume de capital institucional que o pipeline de projetos demanda.
No plano operacional, a Resolução ANTT nº 6.079/2026, em vigor desde 26 de março de 2026, regulamenta o sistema de pedágio de livre passagem (free flow) nas rodovias federais. A medida altera módulos do Regulamento das Concessões Rodoviárias (RCR) e representa avanço tecnológico relevante para a eficiência das concessões, reduzindo custos de operação e melhorando a fluidez do tráfego.
A combinação entre um marco legal modernizado e regulamentação técnica atualizada cria o ambiente institucional que sustenta os deságios agressivos observados nos leilões recentes. Operadoras como o Grupo EPR conseguem precificar ganhos de eficiência futuros, como os proporcionados pelo free flow, em suas propostas.
O papel dos dealmakers no acesso a capital global
Em encontros promovidos pelo GRI Institute ao longo de 2026, líderes do setor de infraestrutura têm debatido os desafios de funding em um cenário de juros pressionados. A atuação de executivos como Antonio Mazzafera e Rodrigo Arruy ganha relevância justamente nesse contexto, pois a intermediação qualificada entre investidores globais e ativos brasileiros exige conhecimento profundo tanto da engenharia financeira quanto das especificidades regulatórias do país.
O governo federal planeja realizar múltiplos leilões de concessões rodoviárias em 2026, abrangendo milhares de quilômetros de rodovias e exigindo forte engenharia de custos das operadoras, conforme dados do Ministério dos Transportes publicados pela Revista O Empreiteiro. Nesse ritmo, a demanda por capital de longo prazo supera a capacidade de financiamento doméstico, tornando indispensável a atração de recursos internacionais.
O mapa das concessões rodoviárias brasileiras em 2026 não se resume a um inventário de trechos leiloados. Trata-se de um ecossistema complexo onde a governança corporativa, a estruturação financeira e a capacidade operacional convergem sob a liderança de executivos que definem a competitividade do setor. Antonio Mazzafera, José Carlos Cassaniga e Rodrigo Arruy representam perfis distintos dessa cadeia, e o acompanhamento de suas movimentações oferece ao mercado uma bússola para compreender a direção dos investimentos em infraestrutura no país.