Alfredo Khouri, Milton Goldfarb e o mapa dos investidores veteranos que definem o capital em infraestrutura

Com R$ 300 bilhões previstos para 2026, investidores de longa trajetória reposicionam veículos e teses para capturar o maior ciclo de concessões do Brasil.

10 de março de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil se prepara para o maior ciclo de investimentos em infraestrutura de sua história, com R$ 300 bilhões previstos para 2026, incluindo mais de R$ 265 bilhões em PPPs e 40 grandes leilões federais. Investidores veteranos como Alfredo Khouri, Milton Goldfarb e Ely Wertheim reposicionam seus veículos para capturar oportunidades em logística, habitação e saneamento. A estratégia comum envolve a institucionalização do capital familiar por meio de FIIs e parcerias com gestoras como a XP Asset, combinando experiência operacional com distribuição institucional. O domínio regulatório e o conhecimento de ciclos anteriores são vantagens competitivas decisivas nesse cenário.

Principais Insights

  • O Brasil deve atingir R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura em 2026, com mais de R$ 265 bilhões em PPPs e 40 grandes leilões previstos.
  • A FLG Realty administra R$ 6 bilhões e cria novos FIIs para descentralizar investimentos para fora do eixo Sudeste.
  • Milton Goldfarb, via One Innovation, firmou parceria com a XP Asset para 2.500 unidades compactas em São Paulo, integrando capital institucional.
  • O saneamento básico concentra R$ 62,7 bilhões em projetos entre 2026-2027, impulsionado pelo Marco Legal do Saneamento.
  • A convergência entre capital familiar e institucional é a principal tendência do ciclo atual.

O Brasil deve bater o recorde de investimentos em infraestrutura em 2026, com um total previsto de R$ 300 bilhões, segundo a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Nesse cenário de escala inédita, um grupo seleto de investidores veteranos, com décadas de atuação no mercado brasileiro de ativos reais, redesenha seus veículos de alocação para capturar oportunidades em logística, saneamento, habitação e concessões. Alfredo Khouri, Milton Goldfarb e Ely Wertheim são nomes que representam gerações de capital paciente aplicado em infraestrutura e real estate no país, e suas movimentações recentes revelam como a fluência regulatória e o conhecimento profundo do mercado local se tornaram vantagens competitivas tão relevantes quanto o próprio acesso ao capital.

O ciclo recorde e a lógica dos veteranos

O pipeline de projetos estruturados para os próximos anos sustenta a tese de que o Brasil atravessa o maior ciclo de investimentos em infraestrutura de sua história recente. As contratações de Parcerias Público-Privadas (PPPs) previstas para 2026 somam mais de R$ 265 bilhões em investimentos, conforme levantamento do Radar PPP publicado pela CNN Brasil em dezembro de 2025. Paralelamente, o governo federal prevê a realização de 40 grandes leilões de infraestrutura em 2026, com a expectativa de atrair mais de R$ 10 bilhões em investimentos privados, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.

Nesse ambiente, investidores com histórico consolidado em ciclos anteriores possuem uma vantagem estrutural. Eles conhecem os gargalos de execução, dominam a interlocução com agentes reguladores e já testaram modelos de estruturação que combinam capital próprio com instrumentos de mercado de capitais. A capacidade de navegar a complexidade regulatória brasileira é, para esses perfis, um ativo intangível que reduz riscos e acelera a alocação.

Como a FLG Realty está reposicionando seu portfólio de R$ 6 bilhões?

A FLG Realty, veículo de investimentos com raízes familiares e atuação consolidada em ativos logísticos e comerciais, administra um portfólio de R$ 6 bilhões, segundo reportagem do Metro Quadrado de janeiro de 2026. A companhia está criando dois novos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) para captar recursos destinados a projetos comerciais nas regiões Sul, Centro-Oeste e interior de São Paulo.

A estratégia da FLG Realty evidencia um movimento relevante: a descentralização geográfica do capital. A empresa já investiu mais de R$ 500 milhões em ativos logísticos nas regiões de Garuva e Itapoá, em Santa Catarina, somando mais de 230 mil m² de galpões entregues e locados, de acordo com a MundoLogística. Essa alocação fora do eixo tradicional do Sudeste reflete uma leitura precisa sobre a demanda por infraestrutura logística em corredores de comércio exterior e em regiões onde o custo de implantação ainda oferece retornos ajustados ao risco mais atrativos.

A criação de FIIs como instrumento de captação indica a convergência entre capital familiar e mercado de capitais. A institucionalização de veículos antes restritos a recursos proprietários amplia a base de investidores e confere governança adicional aos projetos, um requisito cada vez mais valorizado por alocadores institucionais.

Qual é a tese de Milton Goldfarb para o ciclo atual?

Milton Goldfarb, cofundador da One Innovation, representa outra vertente do capital veterano em reposicionamento. A One Innovation firmou parceria com a XP Asset para o desenvolvimento de cinco projetos de apartamentos compactos em São Paulo, totalizando 2.500 unidades, conforme reportado pelo GRI Hub em fevereiro de 2026.

Essa aliança entre um desenvolvedor com profundo conhecimento do mercado residencial paulistano e uma das maiores gestoras de ativos do país é emblemática. O modelo combina a expertise operacional de Goldfarb na originação e execução de projetos com a capacidade de distribuição e captação da XP Asset junto a investidores institucionais e de varejo qualificado. O foco em apartamentos compactos responde a uma demanda estrutural por unidades de menor metragem em centros urbanos adensados, segmento que mantém resiliência mesmo em ciclos de juros elevados.

A parceria sinaliza que investidores veteranos do setor imobiliário estão atraindo capital institucional de forma crescente, validando suas teses de investimento perante gestoras que exigem diligência rigorosa e governança de padrão elevado. A integração entre know-how setorial e distribuição institucional configura um modelo replicável para outros segmentos de ativos reais, incluindo infraestrutura urbana e logística.

O papel articulador de Ely Wertheim na infraestrutura urbana

Ely Wertheim, à frente do Secovi-SP, ocupa uma posição singular no ecossistema de infraestrutura e real estate brasileiro. Sua atuação transcende a gestão de portfólio individual e se projeta na articulação de políticas públicas que viabilizam investimentos de larga escala em habitação e infraestrutura urbana.

Em um mercado onde o ambiente regulatório determina a viabilidade de projetos inteiros, a capacidade de influenciar e interpretar marcos legais confere aos veteranos uma posição privilegiada. A Lei 14.026/2020, o Marco Legal do Saneamento, estabeleceu a meta de universalização dos serviços de saneamento básico até 2033, garantindo que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Essa legislação abriu espaço para a entrada massiva de capital privado no setor. Adicionalmente, a PEC 2/2016, aprovada no Senado em abril de 2025, propõe transformar o acesso ao saneamento básico em um direito constitucional, reforçando o compromisso institucional com investimentos de longo prazo.

O Brasil tem nove projetos de saneamento básico em fase avançada de estruturação, que devem ser concluídos entre 2026 e 2027, somando investimentos estimados em R$ 62,7 bilhões, conforme dados do Instituto Trata Brasil e do BNDES. Para investidores com visão de longo prazo e capacidade de navegar processos regulatórios complexos, o saneamento representa uma das fronteiras mais promissoras de alocação.

A vantagem competitiva da experiência acumulada

O perfil dos investidores veteranos que seguem ativos no ciclo atual compartilha três características estruturais. A primeira é a capacidade de operar em múltiplos segmentos de ativos reais, transitando entre logística, habitação, infraestrutura urbana e concessões com fluência. A segunda é a habilidade de atrair e integrar capital institucional a veículos que antes operavam exclusivamente com recursos próprios. A terceira é o domínio do ambiente regulatório, que reduz assimetrias de informação e permite antecipar movimentos de política pública.

Investidores como Alfredo Khouri, Milton Goldfarb e Ely Wertheim não apenas alocam capital, mas moldam as estruturas de mercado nas quais esse capital opera. Essa é a distinção fundamental entre capital disponível e capital inteligente em infraestrutura.

O mercado imobiliário brasileiro projeta um crescimento anual composto (CAGR) de 5,40%, podendo ultrapassar US$ 90 bilhões entre 2025 e 2033, segundo o GRI Hub. Essa trajetória reforça a relevância de operadores com histórico comprovado de execução em ciclos longos.

O que esperar do pipeline de concessões e PPPs em 2026?

O volume de leilões e concessões programados para 2026 configura uma janela de oportunidade sem precedentes. Com 40 grandes leilões previstos pelo governo federal e mais de R$ 265 bilhões em PPPs contratadas, segundo o Radar PPP, o mercado demanda operadores com capacidade de estruturação, execução e gestão de ativos de longo prazo.

Para investidores veteranos, esse cenário representa a convergência entre experiência acumulada e escala de mercado. Os veículos que esses perfis estão construindo, sejam FIIs como os da FLG Realty, sejam parcerias com gestoras como a XP Asset no caso da One Innovation, demonstram que o capital familiar e o capital institucional não são concorrentes, mas complementares.

O GRI Institute acompanha de perto as movimentações desses investidores em seus eventos e encontros de liderança, onde a troca de inteligência entre membros permite mapear teses, veículos e oportunidades antes que se tornem públicas. Em um mercado de R$ 300 bilhões, a informação qualificada e o relacionamento de longo prazo são diferenciais que separam oportunidade de risco.

O capital veterano em infraestrutura brasileira prova que longevidade no mercado produz mais do que retornos financeiros: produz capacidade institucional de moldar ciclos inteiros de investimento.

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