Alex Araujo, Barclays e o mapa dos bancos internacionais que estruturam deals de infraestrutura no Brasil em 2026

Com investimentos projetados de R$ 300 bilhões, o superciclo brasileiro atrai bancos globais que disputam a estruturação de concessões, PPPs e projetos de transição energética.

19 de maio de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive um superciclo de infraestrutura que atraiu bancos internacionais como Barclays, Natixis e Credit Agricole para disputar mandatos de estruturação em concessões, PPPs e projetos de transição energética. Em 2025, os investimentos no setor atingiram R$ 280 bilhões, com projeções ainda maiores para 2026. Alex Araujo, Head of Banking do Barclays no Brasil, exemplifica a nova geração de executivos que conectam capital global ao pipeline brasileiro. Avanços regulatórios, como o PL 2427/2026, e eventos como o GRI Brazil Investment Summit reforçam a consolidação do país como um dos maiores mercados de project finance do mundo.

Principais Insights

  • Investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280 bilhões em 2025, com 84% vindos da iniciativa privada.
  • O superciclo projeta mais de R$ 300 bilhões e meta de superar 4% do PIB entre 2026 e 2030.
  • Bancos globais como Barclays, Natixis, Credit Agricole e JP Morgan disputam ativamente mandatos de estruturação no país.
  • O PL 2427/2026 pode ampliar garantias públicas para project finance, reduzindo o risco percebido por investidores internacionais.
  • Bancos domésticos e internacionais atuam de forma complementar, não substitutiva.

Investimentos em infraestrutura no Brasil alcançam patamar inédito e atraem bancos globais

Os investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280 bilhões em 2025, com a iniciativa privada respondendo por 84% desse total, o equivalente a R$ 234,9 bilhões, segundo dados da Abdib em parceria com a EY-Parthenon, publicados no Barômetro da Infraestrutura em fevereiro de 2026. O volume recorde consolida o país como um dos maiores mercados de project finance do mundo e amplia o espaço para bancos de investimento internacionais na estruturação de operações cada vez mais complexas.

Nesse cenário, nomes como Alex Araujo, Head of Banking do Barclays no Brasil, ganham relevância estratégica. Araujo representa uma nova geração de executivos que conectam o capital global ao pipeline de concessões, parcerias público-privadas e projetos de transição energética no país. Sua participação ativa no GRI Brazil Investment Summit 2026, realizado em Nova York entre 12 e 14 de maio, ilustra o papel crescente dos bancos internacionais como articuladores entre investidores estrangeiros e o mercado brasileiro de infraestrutura, conforme registrado pelo GRI Institute.

Qual é o papel de Alex Araujo e do Barclays na infraestrutura brasileira?

O Barclays, uma das maiores instituições financeiras do mundo, mantém presença estratégica no Brasil por meio de sua operação de investment banking. Alex Araujo lidera essa frente como Head of Banking, posicionando o banco britânico como um dos interlocutores internacionais mais ativos no setor de infraestrutura brasileiro.

A atuação de bancos como o Barclays se diferencia da dos bancos domésticos por uma competência específica: a capacidade de mobilizar funding internacional, estruturar instrumentos de dívida em moeda estrangeira e conectar projetos locais a pools de capital soberano, fundos de pensão globais e seguradoras internacionais. Essa capacidade é particularmente relevante em um momento no qual o pipeline de concessões e PPPs exige volumes de capital que excedem a capacidade do mercado doméstico isoladamente.

O protagonismo de Araujo no GRI Brazil Investment Summit 2026, ao lado de investidores globais e formuladores de políticas, reforça o papel do Barclays como conector entre a liquidez internacional e a demanda brasileira por capital de longo prazo. Bancos internacionais que estruturam deals de infraestrutura no Brasil funcionam como pontes institucionais, traduzindo o risco-país em oportunidades precificáveis para o investidor estrangeiro.

O superciclo de 2026 e a projeção de R$ 300 bilhões

O setor de infraestrutura brasileiro vive o que analistas e participantes de mercado classificam como um superciclo. As principais empresas de infraestrutura no país planejam investir mais de R$ 50 bilhões em capex ao longo de 2026, lideradas pelos setores de saneamento e rodovias, segundo levantamento da BNamericas.

Esse volume de investimento corporativo se soma ao esforço institucional. O Pacto Brasil pela Infraestrutura, lançado por entidades como CBIC e SINICON, estabeleceu a meta de dobrar o volume anual de investimentos para superar 4% do PIB entre 2026 e 2030. O objetivo é ambicioso e demanda uma combinação inédita de capital doméstico e internacional.

Para bancos como o Barclays, JP Morgan, Citi e Natixis, o superciclo representa uma janela de origination com poucos paralelos em mercados emergentes. A competição pela estruturação de mandatos envolve assessoria em concessões rodoviárias e ferroviárias, financiamento de projetos de energia renovável, emissões de green bonds e structuring de project finance com garantias multilaterais.

Quais bancos internacionais disputam o mercado de project finance no Brasil?

O mapa dos bancos internacionais ativos na infraestrutura brasileira vai além do Barclays. A presença de instituições europeias e americanas se intensificou nos últimos dois anos, acompanhando o crescimento do pipeline de projetos.

Um exemplo concreto dessa dinâmica é a operação entre o Banco do Brasil e o banco francês Natixis, que resultou na captação de US$ 200 milhões em 2026 para financiar edificações verdes, segundo informações divulgadas pelo próprio Banco do Brasil. A operação sucedeu um deal similar com o Credit Agricole em 2025, evidenciando um padrão de engajamento crescente de bancos europeus em linhas de financiamento sustentável vinculadas à infraestrutura brasileira.

Essa movimentação revela uma tendência estrutural. Bancos internacionais competem pela originação de deals em três frentes principais: a estruturação de dívida para concessões e PPPs, a emissão de títulos verdes e sustentáveis, e a assessoria em fusões e aquisições de ativos de infraestrutura. A diferenciação entre os players se dá pela capacidade de mobilizar capital proprietário, pelo relacionamento com investidores institucionais globais e pela expertise setorial em segmentos como transporte, energia e saneamento.

O superciclo brasileiro criou um ambiente no qual bancos domésticos e internacionais atuam de forma complementar, e não substitutiva. Enquanto instituições locais como o BTG Pactual dominam a originação em reais e o relacionamento com concessionárias estabelecidas, bancos globais como o Barclays, Natixis e Credit Agricole agregam valor na mobilização de capital estrangeiro e na estruturação de instrumentos financeiros sofisticados.

O ambiente regulatório e os novos instrumentos de garantia

O apetite dos bancos internacionais pelo mercado brasileiro não se sustenta apenas no volume do pipeline. O ambiente regulatório em evolução também contribui para a atratividade dos deals.

O Projeto de Lei 2427/2026, atualmente em análise pelas comissões da Câmara dos Deputados, moderniza os mecanismos de garantia para operações de crédito voltadas a projetos estruturantes. A proposta autoriza fundos constitucionais, como o FDNE, a atuarem como garantidores de financiamentos em infraestrutura, logística e energia renovável. Se aprovado, o PL ampliará significativamente a capacidade de estruturação de project finance com garantias públicas, reduzindo o risco percebido por investidores internacionais.

Outra iniciativa relevante é o Projeto de Lei nº 278/2026, em articulação no Senado Federal, que recria o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter). A proposta visa estimular a instalação e expansão de infraestrutura digital no país, um segmento que também impulsiona a demanda por energia renovável e atrai o interesse de bancos globais especializados em tech infrastructure finance.

Essas iniciativas legislativas sinalizam ao mercado internacional que o Brasil avança na construção de um arcabouço jurídico mais robusto para o financiamento de longo prazo, elemento determinante na decisão de alocação de capital por parte de investidores estrangeiros.

GRI Brazil Investment Summit 2026 como termômetro do apetite global

O GRI Brazil Investment Summit 2026, realizado pelo GRI Institute em Nova York entre 12 e 14 de maio, funcionou como um termômetro preciso do apetite internacional pela infraestrutura brasileira. O evento reuniu investidores globais e formuladores de políticas em discussões sobre oportunidades em infraestrutura e energia no Brasil.

A presença de executivos como Alex Araujo, do Barclays, ao lado de representantes de fundos soberanos, asset managers e concessionárias brasileiras, evidencia que o fluxo de capital para o setor deixou de ser uma possibilidade teórica e se tornou uma realidade operacional. O evento do GRI Institute consolidou-se como a principal plataforma de relacionamento entre o capital internacional e os tomadores de decisão do setor de infraestrutura no Brasil.

A concentração de interesse em um único evento, fora do território brasileiro, reforça uma mudança qualitativa no mercado. Os bancos internacionais deixaram de observar o Brasil à distância para disputar ativamente mandatos de estruturação em um dos maiores pipelines de infraestrutura do mundo.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

O cenário para os próximos meses aponta para uma intensificação da atividade dos bancos internacionais no Brasil. Com investimentos projetados e um pipeline robusto de concessões rodoviárias, ferroviárias e de saneamento, a demanda por assessoria financeira sofisticada tende a crescer.

A aprovação dos projetos de lei em tramitação no Congresso, especialmente o PL 2427/2026, pode funcionar como catalisador adicional, ampliando as ferramentas de garantia disponíveis para estruturações de longo prazo. Para bancos como o Barclays, esse avanço regulatório representa a possibilidade de ofertar produtos financeiros mais competitivos aos seus clientes globais interessados no mercado brasileiro.

O superciclo de infraestrutura no Brasil representa uma oportunidade estrutural para bancos internacionais que possuem a capacidade de mobilizar capital global e traduzi-lo em financiamento de projetos de longo prazo. Executivos como Alex Araujo, do Barclays, personificam essa ponte entre dois mundos, e sua atuação será determinante para definir quanto do capital internacional efetivamente chegará ao canteiro de obras brasileiro nos próximos anos.

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