O mapa do residencial para renda no Rio de Janeiro em 2026: players, funding e projetos do novo ciclo

Com VGV de R$ 4,61 bi no primeiro semestre de 2024 e avanço do multifamily, capital carioca atrai retrofits, institucionais e novas arquiteturas de crédito

18 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Rio de Janeiro consolida-se como nova fronteira do residencial para renda no Brasil, impulsionado por um VGV de R$ 4,61 bilhões no primeiro semestre de 2024 e pelo programa Reviver Centro, que incentiva a conversão de prédios comerciais ociosos em empreendimentos residenciais. Diferentemente de São Paulo, o modelo carioca apoia-se em retrofits no Centro, atraindo players como Brookfield Properties e Grupo CTV. O ciclo de 2026 será definido pela evolução do custo de capital, estruturação de veículos como FIIs de multifamily e manutenção dos incentivos municipais, com financiamento diversificado entre gestoras globais, family offices e fintechs de crédito estruturado.

Principais Insights

  • O VGV de imóveis novos no Rio atingiu R$ 4,61 bi no 1º semestre de 2024, alta de 66% ante 2023.
  • O Brasil deve alcançar 14,5 mil unidades multifamily em 2026, com crescimento de 31,5% até agosto de 2025.
  • O programa Reviver Centro viabiliza retrofits no Centro do Rio com isenção de IPTU e incentivos urbanísticos.
  • Brookfield Properties e Grupo CTV lideram conversões emblemáticas como o Cena Carioca e o A Noitinha.
  • Capital institucional, family offices e fintechs de crédito estruturado diversificam o funding do ciclo carioca.

O Valor Geral de Vendas de imóveis novos no Rio de Janeiro atingiu R$ 4,61 bilhões no primeiro semestre de 2024, avanço de 66% em relação ao mesmo período de 2023, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Ademi-RJ. O salto sinaliza mais do que um aquecimento conjuntural: revela a consolidação de uma nova fronteira para o residencial para renda na segunda maior praça imobiliária do Brasil, onde retrofits no Centro, capital institucional e instrumentos sofisticados de funding convergem para moldar o ciclo de 2026.

O segmento multifamily brasileiro deve crescer 31,5% em número de unidades até agosto de 2025, de acordo com a SiiLA. A projeção da CBRE, citada pelo GRI Hub, aponta que o país alcançará 14,5 mil unidades de multifamily em 2026. Dentro desse contexto nacional, o Rio de Janeiro desponta como laboratório de conversões urbanas e atração de capital diversificado, combinando incentivos fiscais municipais com a entrada de players que vão de gestoras globais a family offices de base regional.

O papel do Reviver Centro na viabilização dos projetos

O programa Reviver Centro, legislação municipal em vigor no Rio de Janeiro, concede incentivos urbanísticos e fiscais, como isenção de IPTU, para estimular o retrofit e a conversão de prédios comerciais ociosos em empreendimentos residenciais na região central da cidade. O programa funciona como catalisador direto do pipeline de residencial para renda, ao reduzir o custo de carrego de projetos que, pela natureza do modelo de locação de longo prazo, demandam horizonte de retorno mais extenso.

Dois empreendimentos ilustram a tração gerada por esse arcabouço. O Grupo CTV conduz a transformação de um edifício comercial na Praça Mauá no residencial A Noitinha, focado em estúdios, com VGV estimado em R$ 65 milhões, conforme reportado pelo O Globo e pela Ademi-RJ em outubro de 2025. Já a Brookfield Properties estreou sua aposta no conceito multifamily no Rio com a conversão do Edifício Glória, batizado de Cena Carioca, que totaliza 119 unidades destinadas exclusivamente à locação, segundo a mesma fonte.

A presença da Brookfield no segmento carioca é um marcador relevante. A entrada de capital institucional internacional em projetos de conversão valida a tese de que o Rio de Janeiro reúne condições estruturais, e não apenas conjunturais, para o residencial para renda. A combinação de estoque ocioso no Centro, incentivos do Reviver Centro e demanda crescente por moradia compacta em localização central cria um ambiente propício ao modelo de renda recorrente.

Quem são os players que financiam o novo ciclo carioca?

A arquitetura de capital para o residencial para renda no Rio de Janeiro em 2026 envolve camadas distintas de funding. No topo da cadeia institucional, gestoras como a Brookfield Properties aportam equity de longo prazo. No segmento de capital familiar, figuras como Nader Fares ganham relevância.

Nader Fares é sócio diretor da LP Bens, holding que concentra o patrimônio imobiliário da família fundadora da Marabraz, responsável por gerir ativos avaliados em cerca de R$ 5 bilhões, segundo reportagem da Times Brasil publicada em abril de 2025. A LP Bens representa o perfil de family office com capacidade de alocação relevante em real estate, e sua atuação é acompanhada de perto por participantes do mercado que monitoram a diversificação geográfica desse tipo de capital.

O ecossistema de investidores que orbita o eixo Rio-Nordeste inclui ainda perfis como os de Rafael Strauch e Antonio Brennand, mapeados no universo de family offices com atuação em infraestrutura e real estate. A movimentação dessas famílias investidoras em direção a ativos de renda recorrente reflete uma tendência mais ampla de realocação de patrimônio, antes concentrado em incorporação pura, para modelos com fluxo de caixa previsível.

No campo do crédito estruturado, Rodrigo Arruy ocupa posição estratégica. CEO da Nova Milano Investimentos e presidente do conselho da Even, Arruy é também cofundador da Working Capital, fintech de crédito estruturado para o mercado imobiliário que iniciou operações com uma carteira superior a R$ 600 milhões, conforme registrado pelo Finsiders Brasil e pela SiiLA. A Working Capital exemplifica a sofisticação dos instrumentos de funding disponíveis para o ciclo de 2026, ao oferecer soluções de crédito que se encaixam nas necessidades específicas de projetos de renda, cuja estrutura de capital difere substancialmente da incorporação tradicional com venda de unidades.

A diversificação das fontes de capital, do institucional global ao family office doméstico e à fintech de crédito, constitui um dos traços definidores do ciclo de residencial para renda que se forma no Rio de Janeiro.

Como o multifamily carioca se diferencia do modelo paulistano?

Enquanto São Paulo concentra o maior volume absoluto de unidades multifamily do país, com projetos greenfield em bairros como Vila Mariana, Pinheiros e Consolação, o Rio de Janeiro constrói sua oferta predominantemente sobre a base de retrofits. Essa diferença estrutural tem implicações diretas no perfil de risco, no custo de implantação e na velocidade de entrega.

Projetos de conversão, como o A Noitinha do Grupo CTV e o Cena Carioca da Brookfield, aproveitam edificações existentes, o que tende a reduzir o prazo entre o início das obras e a geração de receita de locação. Em contrapartida, exigem expertise técnica em requalificação predial e navegação regulatória específica, como a obtenção dos benefícios previstos no Reviver Centro.

O modelo carioca de residencial para renda se apoia em três pilares: estoque de edificações comerciais subutilizadas no Centro, arcabouço de incentivos municipais consolidado e demanda habitacional em áreas com boa infraestrutura de transporte. Essa combinação posiciona o Rio de Janeiro como uma praça com dinâmica própria dentro do mapa nacional do multifamily, e não como mera extensão do modelo paulistano.

O horizonte de 2026: o que esperar do pipeline carioca

A projeção de 14,5 mil unidades multifamily no Brasil em 2026, segundo a CBRE citada pelo GRI Hub, representa um patamar inédito para o segmento no país. A participação do Rio de Janeiro nesse total dependerá da velocidade de execução dos projetos de retrofit já anunciados, da manutenção dos incentivos do Reviver Centro e da capacidade dos players locais de atrair capital de longo prazo.

O crescimento de 31,5% projetado pela SiiLA para o número de unidades de multifamily até agosto de 2025 indica que o setor atravessa uma fase de aceleração que antecede o ciclo mais robusto previsto para 2026. Para o Rio de Janeiro, essa janela representa a oportunidade de consolidar um pipeline competitivo frente a outras capitais.

Três fatores determinarão a escala do residencial para renda carioca nos próximos trimestres. Primeiro, a evolução do custo de capital, dado que projetos de renda são sensíveis à curva de juros de longo prazo. Segundo, a capacidade de estruturação de veículos de investimento adequados, como FIIs dedicados a multifamily, que ofereçam liquidez aos investidores. Terceiro, a continuidade do suporte regulatório municipal, que até aqui tem funcionado como diferencial competitivo da praça carioca.

O Rio de Janeiro reúne os elementos para se tornar o segundo polo de residencial para renda do Brasil, combinando escala de demanda, estoque convertível e um ecossistema de capital cada vez mais diversificado. O ciclo de 2026 testará a maturidade dessa convergência.

Líderes do mercado imobiliário brasileiro discutem a evolução do segmento de residencial para renda e os desdobramentos do ciclo carioca em encontros promovidos pelo GRI Institute, como o GRI Forum Rio de Janeiro 2026 e o GRI Residencial para Renda 2026, espaços dedicados à troca de inteligência entre investidores, desenvolvedores e gestores de capital que atuam nessa fronteira.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.