Radar de Mercado: Qual o impacto da guerra EUA-Irã no setor imobiliário?

Fechamento do Estreito de Ormuz reduz oferta de petróleo e deve causar inflação; confira também outros destaques da semana

2 de abril de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman

Principais Insights

Guerra entre Estados e Irã reduz oferta de petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz e pode gerar inflação na construção civil; há oportunidades? 

Apesar da queda em março, o IFIX encerrou o primeiro trimestre de 2026 com valorização de 2,5%, mais uma vez mostrando a resiliência do mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs), que segue em expansão mesmo com juros altos.

Os preços dos imóveis residenciais nas principais capitais brasileiras subiram 0,93% em fevereiro, enquanto o IGP-M (também conhecido como "inflação do aluguel") teve a maior alta em mais de um ano. O crédito imobiliário via SBPE recuou. 

Mais uma semana chega ao fim sem uma resolução da guerra travada entre os Estados Unidos e o Irã. Os efeitos do conflito se estendem para além das mortes, da destruição e do custo da guerra para os dois países diretamente envolvidos. O fechamento do Estreito de Ormuz - uma resposta do governo iraniano - interrompe o fluxo de 20-30% do petrólego e gás natural liquefeito (GNL) comercializados mundialmente. 

Com redução da oferta, os preços dos combustíveis sobem, desencadeando uma inflação generalizada. Até que ponto essa situação vai impactar os insumos da construção civil e, consequentemente, o mercado imobiliário? Como os investidores globais avaliam o cenário atual, quais os destinos mais seguros para alocação de capital e como tropicalizar esses movimentos para superar os desafios que se apresentam? 

O GRI Institute procura responder a essas e outras questões no próximo dia 9, em uma reunião online sobre o tema. Saiba mais e participe!

FIIs sobem, preços de imóveis e aluguéis também, enquanto crédito imobiliário e déficit habitacional recuam

O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX), principal benchmark do setor na B3, encerrou o primeiro trimestre em alta de 2,5%, apesar da baixa no mês de março (caiu 1,06%). O resultado indica um mercado resiliente, que opera no campo positivo apesar da taxa básica de juros nas máximas históricas (atualmente em 14,75% ao ano).  

Segundo análise do Clube FII endossada pelo GRI Institute, muitos fundos ainda apresentam valuations atrativos, com o IFIX sendo negociado, em média, com desconto de cerca de 11% em relação ao valor patrimonial das carteiras. Na prática, ainda há janela para ganho de capital na aquisição de cotas. No curto prazo, o ambiente segue com desafios, pressionado pelo aumento das tensões globais, mas os fundamentos do setor permanecem sólidos: oferta controlada, demanda consistente, preços equilibrados. 

Preços de venda e aluguel em alta

O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial, apurado pela Abecip em parceria com a FGV, subiu 0,93% em fevereiro. O aumento aconteceu em todas as capitais, com destaque para Goiânia (2,54%) e Salvador (1,65%). Combinado com o resultado de janeiro, trata-se da segunda maior alta desde 2016, equivalente a 2,21% na média das capitais monitoradas, atrás apenas do resultado de 2024. 

A inflação do aluguel também veio forte em fevereiro, com o IGP-M subindo 0,52%. Trata-se da maior alta em mais de um ano, mas no acumulado de 12 meses o indicador ainda opera no campo negativo, recuando 1,83%.

Crédito imobiliário e déficit habitacional recuam

O volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança recuou 7% em fevereiro na comparação com o mesmo período em 2025, totalizando R$ 11,8 bilhões, de acordo com dados divulgados na quarta-feira (1) pela Abecip.

O montante de crédito imobiliário via SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) também teve um recuo de 7,6% no primeiro bimestre de 2026 ante o mesmo período do ano passado, somando R$ 23,9 bilhões.

O resultado endossa a tendência de que a poupança responda por um percentual cada vez menor do crédito imobiliário brasileiro, cedendo espaço a produtos do mercado de capitais, como as letras de crédito imobiliário (LCI) e as letras imobiliárias garantidas (LIG). 

De acordo com o Ministério das Cidades, com dados referentes a 2024, o déficit habitacional recuou pelo segundo ano consecutivo, em 5,77 milhões de moradias. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apuraram quedas, enquanto Sul e Sudeste registraram aumento. 

Oportunidades em Porto Alegre

A prefeitura de Porto Alegre anunciou que vai investir R$ 1 bilhão em infraestrutura urbana no Quarto Distrito - que no passado abrigou o parque industrial da capital gaúcha - a fim de revitalizar a região. O objetivo é atrair o setor privado para o desenvolvimento de projetos imobiliários, especialmente prédios residenciais e de escritórios. 

Os recursos fazem parte de um montante de R$ 7 bilhões captados junto ao Banco Mundial e ao Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), criado em 2024 pelo governo federal após as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul. 
 
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