GRI Market Intelligence: No segmento de escritórios, 25% apostam na expansão do portfólio em 2026

Pesquisa do GRI Institute aponta para um mercado resiliente, que está revisando seus critérios de ocupação e destinos de investimentos

27 de fevereiro de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo

Principais Insights

  • O mercado imobiliário corporativo brasileiro está mais estratégico, com foco em eficiência operacional e diferenciação tecnológica, conforme a pesquisa do GRI Institute realizada no GRI Escritórios 2026.
  • O segmento permanece resiliente, com 63% dos líderes priorizando a gestão ativa dos ativos existentes, enquanto 25% mantêm um perfil agressivo, sinalizando oportunidades para novos projetos e aquisições estratégicas.
  • A tecnologia e digitalização surgem como fatores prioritários além da localização, com a flexibilidade de layout e a eficiência operacional se destacando nas escolhas de ocupação dos escritórios.
  • Novos polos como Chucri Zaidan/Berrini e Pinheiros/Rebouças em São Paulo, além de oportunidades no Rio de Janeiro e Centro-Oeste, indicam um cenário de adaptação às novas demandas do setor de escritórios.

O mercado imobiliário corporativo brasileiro atravessa um momento de clareza estratégica em 2026. Após anos de ajustes e experimentações de modelos de trabalho, os principais players do segmento agora operam sob uma lógica de eficiência operacional e diferenciação tecnológica. 

Uma pesquisa do GRI Institute realizada no GRI Escritórios 2026 - conferência que reuniu investidores, incorporadoras, ocupantes e demais líderes do setor - forneceu uma análise aprofundada das principais tendências, desafios e oportunidades no setor. 

Os resultados da pesquisa refletem a evolução do mercado, com ênfase em mudanças significativas nos critérios de escolha de ocupação e destinos de investimento, apesar da localização ainda se manter como um fator determinante.

Qual é a estratégia dominante?

O apetite por novos investimentos reflete um mercado resiliente, mas cauteloso na execução. 

A grande maioria dos respondentes (63%) está focada na gestão ativa e na maturação dos ativos atuais - em 2026, o valor não está mais apenas na aquisição, mas na capacidade do gestor de extrair performance do portfólio existente.

Ainda assim, o otimismo está presente: 25% planejam adotar um perfil mais agressivo, sinalizando que as janelas de oportunidade para novos projetos greenfield e aquisições estratégicas continuam abertas para aqueles com liquidez e uma visão de longo prazo.

Além do endereço

Historicamente, o mercado imobiliário era resumido a "localização, localização e localização". Embora o prestígio do endereço continue no topo das prioridades (pontuação de 4.0), um novo competidor emergiu com força total: a tecnologia e digitalização, com uma pontuação de 3.67.

Contexto: a pesquisa atribuiu pontuações às alternativas conforme o ranking na escolha dos executivos, sendo as mais bem avaliadas aquelas com maiores pontuações.

O ocupante de 2026 não busca apenas um espaço; ele busca eficiência mensurável. Prédios que oferecem dados em tempo real sobre ocupação, consumo de energia e automação de facilities estão se destacando em relação aos ativos tradicionais, mesmo em localizações premium.

A flexibilidade de layout (3.33) também superou o custo imediato de ocupação, reforçando a ideia de que o escritório se tornou uma ferramenta de produtividade, e não apenas uma linha de despesa no balanço da companhia.

Novos eixos de demanda em São Paulo

Uma das maiores surpresas da pesquisa foi a consolidação de novos polos em São Paulo. 

Embora a Nova Faria Lima/Itaim ainda mantenha seu status de referência, ela não é mais a principal aposta para absorção de curto prazo.

Chucri Zaidan/Berrini, com 40% dos votos, lidera as apostas, impulsionado pela oferta de lajes modernas com especificações técnicas superiores e valores de locação mais competitivos.

O eixo Pinheiros/Rebouças, com 27%, se consolida como o centro da inovação, atraindo empresas em busca de conectividade e de um ambiente urbano vibrante.

Já os retrofits no Centro e na Paulista, com 13%, mostram uma tendência de revitalização, surgindo como uma alternativa sustentável e estratégica.

Oportunidades fora de São Paulo

Fora do eixo paulista, o Rio de Janeiro (56%) é a escolha predominante dos líderes como a melhor janela de oportunidade para 2026. 

A combinação de preços corrigidos e a recuperação de setores-chave da economia carioca criaram o cenário ideal para a entrada de investidores.

Outro destaque relevante é o Centro-Oeste (22%), que reflete a robustez do agronegócio, transbordando para a demanda por espaços corporativos de alta qualidade em capitais como Cuiabá e Goiânia.

A era do imóvel como serviço

À medida que a dinâmica do setor evolui, as empresas estão se adaptando a um novo cenário, no qual a eficiência operacional e a flexibilidade nos espaços de trabalho são cruciais para atender às demandas de ocupantes cada vez mais exigentes.

Apesar da localização ainda ser um fator prioritário, fica evidente que o mercado está se distanciando do modelo tradicional centrado apenas no "endereço" e avançando para a valorização de atributos como serviços personalizados, sustentabilidade e inovação tecnológica. 

Para os próximos anos, a palavra-chave será atualização. As empresas que investirem na modernização de seus escritórios, na digitalização de suas operações e na oferta de espaços eficientes estarão não apenas garantindo seu sucesso, mas também posicionando-se como líderes do setor.
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