O mapa dos operadores de capital que redesenham o real estate brasileiro em 2026

Nader Fares, Felipe Mahana e Jorge Goldenstein protagonizam movimentos distintos de originação e distribuição no mercado imobiliário nacional.

9 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo mapeia três operadores de capital que redesenham o mercado imobiliário brasileiro em 2026: Nader Fares, gestor de um portfólio familiar de mais de 500 ativos avaliado em até R$ 20 bilhões; Felipe Mahana, que estrutura PPPs como a do Novo Centro Administrativo de São Paulo (R$ 69,2 mi/mês); e Jorge Goldenstein, referência no desenvolvimento de alto padrão na Bahia. O mapeamento revela uma tendência estrutural: a originação de capital migra dos grandes bancos para operadores especializados em family offices, concessões públicas e incorporação regional, aproximando-se progressivamente do padrão institucional representado por players como o BTG Pactual.

Principais Insights

  • A LP Bens, de Nader Fares, controla mais de 500 ativos imobiliários com patrimônio estimado entre R$ 5 bi e R$ 20 bi.
  • Felipe Mahana, via M4 Investimentos, integra o consórcio que venceu a PPP do Novo Centro Administrativo de SP, com contraprestação mensal de R$ 69,2 milhões.
  • Jorge Goldenstein lidera o desenvolvimento regional de alto padrão na Bahia via Jotagê Engenharia e ADEMI-BA.
  • A originação de capital no real estate migra de grandes bancos para uma rede distribuída de operadores especializados.
  • Family offices passivos demandam cada vez mais gestão ativa e acesso a mercado de capitais.

A LP Administradora de Bens, sob gestão de Nader Fares e Abdul Fares, controla mais de 500 ativos imobiliários ligados à família fundadora da Marabraz, com patrimônio avaliado pelo mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 20 bilhões, segundo levantamentos do Times Brasil e Giro News publicados em abril de 2025. O dado ilustra uma tendência cada vez mais evidente no real estate brasileiro: operadores individuais de capital, atuando em family offices, boutiques de investimento e incorporadoras regionais, assumem protagonismo na originação e distribuição de deals que antes ficavam restritos ao circuito dos grandes bancos de investimento.

Este radar de mercado, produzido pelo GRI Institute, mapeia três perfis distintos de operadores que movimentam segmentos complementares do mercado imobiliário brasileiro: gestão patrimonial de grande porte, infraestrutura pública com impacto urbano e desenvolvimento regional de alto padrão.

Quem é Nader Fares e qual o peso da LP Bens no mercado imobiliário?

Nader Fares representa o arquétipo do gestor de patrimônio familiar com escala institucional. A LP Administradora de Bens, vinculada à família fundadora da rede Marabraz, administra um portfólio que ultrapassa 500 ativos imobiliários, conforme reportado pelo Giro News em abril de 2025. A amplitude desse portfólio posiciona a LP Bens como uma das maiores gestoras de patrimônio imobiliário de origem familiar no Brasil.

A avaliação de mercado do patrimônio administrado pela LP Bens oscila entre R$ 5 bilhões e R$ 20 bilhões, segundo estimativas publicadas pelo Times Brasil e Giro News. A amplitude da faixa de avaliação reflete a complexidade intrínseca a portfólios de family offices dessa magnitude, nos quais a precificação depende de critérios como localização dos ativos, grau de ocupação, maturidade contratual e potencial de desenvolvimento.

O portfólio de mais de 500 ativos da LP Bens coloca Nader Fares no centro de uma das maiores concentrações de patrimônio imobiliário familiar do país, com avaliação que pode alcançar R$ 20 bilhões.

Para o ecossistema de real estate, o caso da LP Bens sinaliza um movimento relevante: family offices com portfólios historicamente passivos passam a demandar estruturas de gestão ativa, governança sofisticada e, eventualmente, acesso a mercado de capitais para monetização parcial de seus ativos. Esse é um tema recorrente nos encontros promovidos pelo GRI Institute, onde líderes do setor discutem as transformações na gestão patrimonial imobiliária.

Como Felipe Mahana se posiciona na intersecção entre PPPs e real estate?

Felipe Mahana, à frente da M4 Investimentos, ocupa um espaço singular no mercado: a fronteira entre infraestrutura pública e desenvolvimento imobiliário privado. O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, do qual a M4 faz parte, venceu em fevereiro de 2026 o leilão da parceria público-privada (PPP) para a construção do Novo Centro Administrativo de São Paulo, segundo reportagem da InfoMoney.

O consórcio conquistou a concessão oferecendo um desconto na contraprestação mensal máxima do Estado, fixando o valor em cerca de R$ 69,2 milhões mensais, conforme dados da InfoMoney. O projeto prevê a construção de um complexo administrativo nos Campos Elíseos, região central da capital paulista, com primeiras entregas estimadas entre 2028 e 2029 e conclusão total prevista para 2030, de acordo com reportagem da CNN Brasil.

A PPP do Novo Centro Administrativo de São Paulo, com contraprestação mensal de R$ 69,2 milhões, representa a maior operação de revitalização urbana via parceria público-privada em curso no Brasil.

O Governo de São Paulo encaminhou à Assembleia Legislativa (Alesp) projeto de lei para aprovar o financiamento do complexo. O status, até o início de 2026, era de aguardar aprovação legislativa, etapa determinante para a viabilidade financeira da operação.

O impacto imobiliário indireto do projeto também merece atenção. Estima-se que uma parcela significativa dos 22 mil funcionários públicos que serão alocados no novo complexo buscará moradia nas proximidades, conforme projeções do próprio consórcio MEZ-RZK divulgadas pela CNN Brasil. Esse fluxo de demanda residencial tem potencial para catalisar um ciclo de desenvolvimento imobiliário na região central de São Paulo, historicamente subutilizada em comparação ao eixo Faria Lima-Vila Olímpia.

Para investidores e desenvolvedores acompanhados pelo GRI Institute, o modelo de atuação de Felipe Mahana via PPPs configura uma nova vertente de originação: o capital privado estruturado em concessões que geram, como externalidade positiva, oportunidades de incorporação residencial e comercial no entorno.

Jorge Goldenstein e o middle-market regional de alto padrão

Jorge Goldenstein representa um terceiro vetor de atuação: o desenvolvimento imobiliário regional com foco em alto padrão. Atuando como Conselheiro da ADEMI-BA, associação que reúne a grande maioria das construtoras e incorporadoras em atividade no estado da Bahia, Goldenstein exerce influência direta sobre a agenda setorial do mercado baiano, conforme registros da própria ADEMI-BA no período 2024-2026.

Sua atuação via Jotagê Engenharia concentra-se em projetos que combinam inovação construtiva e posicionamento premium, a exemplo do Lodge Caminho das Árvores, empreendimento que busca diferenciar-se em um dos bairros mais valorizados de Salvador. A estratégia reflete uma tendência observada em mercados regionais brasileiros: incorporadoras de médio porte investem em diferenciação de produto para competir com players nacionais que passaram a mirar praças fora do eixo Rio-São Paulo.

O papel de Jorge Goldenstein na ADEMI-BA e sua atuação via Jotagê Engenharia ilustram como o middle-market regional se profissionaliza e compete por capital institucional com projetos de alto valor agregado.

A Bahia, especificamente Salvador e sua região metropolitana, consolidou-se como um dos mercados residenciais de maior dinamismo fora do Sudeste. A presença de Goldenstein em posição de liderança associativa reforça a tese de que os mercados regionais brasileiros produzem seus próprios operadores de referência, com capacidade de originação e execução que atrai atenção crescente de investidores institucionais.

Qual o papel de Guilherme Paes e do BTG Pactual como benchmark institucional?

Enquanto Nader Fares, Felipe Mahana e Jorge Goldenstein operam em segmentos de middle-market com diferentes graus de institucionalização, Guilherme Paes, do BTG Pactual, representa o benchmark do capital institucional no real estate brasileiro. O investment banking do BTG Pactual no setor imobiliário atua em escala de mercado de capitais, com operações que abrangem fundos imobiliários (FIIs), CRIs, emissões de dívida e assessoria em fusões e aquisições.

A relevância de citar Guilherme Paes neste contexto reside na função de referência comparativa: à medida que operadores de middle-market como os três mapeados neste radar ganham escala e sofisticação, a tendência é que suas operações se aproximem, em estrutura e governança, do padrão estabelecido por plataformas como a do BTG Pactual. A convergência entre originação de middle-market e distribuição institucional é, de fato, uma das narrativas centrais do mercado imobiliário brasileiro para o biênio 2026-2027.

Três modelos, uma tendência convergente

O mapeamento desses operadores revela um padrão estrutural no real estate brasileiro de 2026. A originação de capital migra progressivamente de um modelo concentrado em grandes bancos para uma rede distribuída de operadores especializados. Cada perfil ocupa um nicho com lógica própria: Nader Fares na gestão e monetização de patrimônio familiar de grande escala, Felipe Mahana na estruturação de PPPs com impacto urbanístico e imobiliário, Jorge Goldenstein no desenvolvimento regional de alto padrão com governança associativa.

Para os membros do GRI Institute, acompanhar a trajetória desses operadores é acompanhar a transformação da própria cadeia de valor do real estate. A capacidade de identificar, conectar e antecipar os movimentos desses protagonistas define vantagem competitiva em um mercado cada vez mais fragmentado e, ao mesmo tempo, sofisticado.

O GRI Institute continuará monitorando esses movimentos em seus encontros e publicações, oferecendo aos seus membros a análise aprofundada que o mercado demanda.

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