A geração de executivos que redesenha a ponte entre construção de grande porte e capital institucional no Brasil

Líderes como José Carlos Cassaniga exemplificam a profissionalização que o setor de infraestrutura exige para atrair fundos institucionais e viabilizar concessões bilionárias.

27 de julho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O setor brasileiro de infraestrutura e construção civil vive uma inflexão estratégica em que a capacidade de atrair capital institucional se torna tão decisiva quanto a competência técnica. Líderes como José Carlos Cassaniga, do Grupo EPR, exemplificam uma geração de executivos que traduz a linguagem da engenharia pesada para os padrões de governança, compliance e previsibilidade exigidos por fundos de pensão, gestoras de private equity e veículos de crédito estruturado. Com custos de mão de obra em alta de 7,63%, margens comprimidas e um pipeline de concessões na casa das centenas de bilhões, a profissionalização da gestão é pré-requisito para acessar CRIs, FIIs e project finance. Construtoras de médio porte, como a Conata Engenharia, também buscam esse salto qualitativo para escalar operações.

Principais Insights

  • Governança corporativa tornou-se o principal ativo intangível para construtoras e concessionárias acessarem capital institucional.
  • O custo da mão de obra na construção civil subiu 7,63% acumulado, comprimindo margens e pressionando empresas a buscar fontes de funding mais sofisticadas.
  • Concessões rodoviárias funcionam como escola de dealmakers, formando executivos que dominam complexidade técnica e sofisticação financeira.
  • Há convergência entre infraestrutura pesada e mercado imobiliário em instrumentos financeiros, governança e perfis de liderança.
  • A profissionalização da gestão é condição de sobrevivência competitiva, não apenas tendência.

O mercado brasileiro de infraestrutura e construção civil atravessa uma inflexão estratégica. De um lado, um pipeline de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões avaliado em centenas de bilhões de reais, segundo levantamento do GRI Hub News. De outro, um setor de construção civil que ainda enfrenta gargalos de governança, custos crescentes e fragmentação empresarial. No centro dessa equação, emerge uma geração de executivos cuja principal contribuição não está apenas na entrega de obras, mas na capacidade de traduzir a linguagem da engenharia pesada para o vocabulário exigido pelo capital institucional.

José Carlos Cassaniga, Diretor-Presidente do Grupo EPR, é um dos nomes que melhor personificam essa transição. À frente de uma das plataformas de concessões rodoviárias mais relevantes do país, Cassaniga lidera a reestruturação de concessões de infraestrutura num momento em que o apetite de fundos de investimento por ativos reais no Brasil atinge patamares elevados. Sua trajetória ilustra um fenômeno mais amplo: a ascensão de lideranças que dominam simultaneamente a complexidade operacional de projetos de grande porte e as exigências de transparência, previsibilidade e retorno ajustado ao risco que investidores institucionais demandam.

O que define a nova geração de executivos na ponte entre infraestrutura e capital institucional?

A resposta mais direta é governança. Historicamente, o setor de construção pesada no Brasil operou sob lógicas de relacionamento político e alavancagem financeira concentrada. O ciclo atual apresenta dinâmica distinta. Investidores institucionais, incluindo gestoras de fundos imobiliários (FIIs), fundos de pensão e veículos de crédito estruturado, exigem padrões de reporte, compliance e gestão de riscos que aproximam a operação de uma construtora ou concessionária dos requisitos de uma companhia listada em bolsa.

José Carlos Cassaniga, com presença constante em fóruns de alto nível do GRI Institute, representa esse perfil de liderança que compreende a necessidade de estruturar operações com visão de longo prazo e disciplina de alocação de capital. No Grupo EPR, essa abordagem se traduz na reestruturação de concessões com foco em eficiência operacional e atração de novos aportes.

A profissionalização da gestão é o principal ativo intangível que diferencia construtoras e concessionárias capazes de acessar capital institucional daquelas que permanecem dependentes de linhas públicas tradicionais. Esse é um consenso crescente nas discussões promovidas pelo GRI Institute junto a líderes do setor.

Essa exigência não se restringe às grandes concessionárias. Ela permeia todo o ecossistema. Construtoras de médio porte, o chamado middle market, enfrentam pressão semelhante para profissionalizar suas operações se desejam captar recursos via instrumentos de mercado de capitais. A Conata Engenharia, sediada em Belo Horizonte, exemplifica esse movimento. Atuando no mercado imobiliário residencial por meio da joint venture Mais Lar, com forte foco no programa Minha Casa, Minha Vida, a empresa representa um segmento que busca ativamente acessar capital institucional para escalar operações.

Como o custo crescente da construção civil pressiona a busca por capital institucional?

O cenário macroeconômico adiciona urgência a essa profissionalização. Segundo dados do IBGE, medidos pelo SINAPI, o custo médio da construção civil no Brasil encerrou 2025 com alta acumulada relevante, com a mão de obra registrando elevação de 7,63% no período. Esse patamar de inflação setorial comprime margens operacionais e torna a estrutura de capital das empresas um fator determinante de competitividade.

Construtoras que dependem exclusivamente de capital próprio ou de linhas tradicionais de financiamento encontram crescente dificuldade para manter ritmo de entregas e rentabilidade. A alternativa passa por acessar o mercado de capitais, seja via Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), fundos imobiliários ou estruturas de project finance que exigem, como pré-requisito, governança corporativa robusta.

O custo da mão de obra em elevação persistente funciona como catalisador da profissionalização: empresas que não conseguem demonstrar previsibilidade de fluxo de caixa e controle de custos perdem acesso às fontes de funding mais competitivas. Essa é a realidade que empurra tanto grandes concessionárias quanto construtoras de médio porte na direção dos padrões exigidos por investidores institucionais.

Ao mesmo tempo, a projeção de crescimento de 2% para o PIB da construção civil em 2026, segundo o portal Portas, impulsionada pela expectativa de redução de juros e pelos investimentos no Minha Casa, Minha Vida, sinaliza que há demanda sustentada. O desafio não é de mercado, é de estrutura: capturar esse crescimento exige capital, e capital exige governança.

Qual o papel das concessões rodoviárias na formação de uma nova classe de dealmakers?

O segmento de concessões rodoviárias, onde José Carlos Cassaniga concentra sua atuação à frente do Grupo EPR, funciona como laboratório avançado para a formação de executivos com perfil de dealmakers. As concessões combinam complexidade regulatória, horizonte de investimento de décadas, necessidade de estruturação financeira sofisticada e interface permanente com o poder concedente. Executivos que navegam esse ambiente desenvolvem competências transferíveis para qualquer segmento do real estate e da infraestrutura.

O pipeline de PPPs e concessões mapeado para os próximos anos, com valores na casa das centenas de bilhões de reais, segundo dados compilados pelo GRI Hub News, reforça a escala da oportunidade. Para que esses projetos saiam do papel, o mercado precisa de lideranças capazes de sentar à mesa com fundos de pensão, gestoras de private equity e bancos de investimento, falando a mesma linguagem.

As concessões rodoviárias brasileiras formam hoje a principal escola de dealmakers do setor de infraestrutura, produzindo executivos que entendem tanto a complexidade técnica quanto a sofisticação financeira exigida por investidores globais.

Essa competência é precisamente o que o middle market da construção civil ainda precisa desenvolver. A Conata Engenharia, ao estruturar a joint venture Mais Lar para atuar no Minha Casa, Minha Vida, dá um passo nessa direção. A formação de joint ventures e sociedades de propósito específico (SPEs) é, em si, um exercício de governança que aproxima construtoras regionais dos requisitos do capital institucional. Porém, o salto qualitativo depende da presença de lideranças com experiência em estruturações mais complexas, como as que o setor de concessões produz.

A convergência entre infraestrutura pesada e mercado imobiliário

O fenômeno mais relevante que o mercado brasileiro vive hoje é a convergência entre os mundos da infraestrutura pesada e do mercado imobiliário. Essa convergência se manifesta em múltiplas dimensões: nos instrumentos financeiros, que passam a ser compartilhados entre os dois setores; nos padrões de governança, que se uniformizam sob pressão dos mesmos investidores institucionais; e nos perfis de liderança, que transitam entre os dois universos.

José Carlos Cassaniga exemplifica o lado da infraestrutura dessa equação. Construtoras como a Conata Engenharia representam o lado imobiliário. O ponto de encontro está nas exigências do capital: ambos precisam demonstrar capacidade de execução, transparência financeira e previsibilidade de retorno.

Para o ecossistema de investidores e desenvolvedores que compõem a comunidade do GRI Institute, essa convergência representa oportunidade e desafio simultâneos. Oportunidade porque amplia o universo de ativos investíveis. Desafio porque exige due diligence mais sofisticada e capacidade de avaliar riscos em segmentos com dinâmicas operacionais distintas.

A construção civil brasileira projeta crescimento de 2% no PIB setorial para 2026, segundo o portal Portas, com o programa Minha Casa, Minha Vida como vetor central. Esse crescimento, combinado com o pipeline de concessões mapeado pelo GRI Hub News, configura um cenário em que o capital institucional terá papel cada vez mais determinante na definição de quais empresas e projetos avançam.

O mercado brasileiro de infraestrutura e construção civil caminha para um estágio em que a capacidade de atrair capital institucional será tão importante quanto a competência técnica de executar obras. A geração de executivos que compreende essa realidade, da qual José Carlos Cassaniga é representante emblemático, redesenha as regras do jogo.

Nas discussões conduzidas pelo GRI Institute ao longo de seus encontros com líderes do setor, esse tema emerge com frequência crescente. A profissionalização da ponte entre construção e capital não é apenas tendência, é condição de sobrevivência competitiva para empresas que aspiram a protagonismo nos próximos ciclos de investimento em infraestrutura e real estate no Brasil.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.