O mapa do GRI Fórum Sul 2026: dados, teses regionais e o pipeline imobiliário no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Com R$ 7,4 bi em vendas em Curitiba, valorização recorde em SC e recuperação gaúcha, o Sul concentra as apostas mais ousadas do mercado imobiliário brasileiro.

27 de abril de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado imobiliário do Sul do Brasil apresentou desempenho acima da média nacional em 2025, com três teses de investimento distintas: Santa Catarina como polo de valorização de alto padrão, Paraná com volume expressivo de vendas e pipeline em expansão acelerada focado em compactos, e Rio Grande do Sul em recuperação pós-enchentes com forte demanda no segmento premium. O GRI Fórum Sul 2026, em Porto Alegre, reunirá líderes do setor para debater essas dinâmicas regionais, desafios regulatórios da Reforma Tributária e oportunidades de crescimento na região.

Principais Insights

  • Curitiba registrou R$ 7,4 bilhões em vendas de imóveis novos em 2025, com alta de 22% na emissão de alvarás para incorporações verticais.
  • Santa Catarina teve crescimento de 14,4% no VGV e concentra quatro das cinco cidades com m² mais caro do Brasil.
  • Vendas de imóveis acima de R$ 2 milhões em Porto Alegre cresceram mais de 70% entre 2019 e 2025.
  • A Reforma Tributária gera incertezas, especialmente para loteamentos e locações no Sul.
  • O mercado nacional cresceu 3,5%, bem abaixo do ritmo catarinense.

O mercado imobiliário da região Sul do Brasil movimentou cifras que desafiam narrativas de desaceleração em 2025. Somente Curitiba registrou R$ 7,4 bilhões em vendas de imóveis novos ao longo do ano, segundo dados da ADEMI-PR divulgados pela Gazeta do Povo. Santa Catarina viu o Valor Geral de Vendas (VGV) do setor crescer 14,4%, enquanto o Rio Grande do Sul projeta um 2026 aquecido, impulsionado por maior disponibilidade de crédito e pelo ciclo eleitoral do segundo semestre. É esse cenário que o GRI Fórum Sul 2026, agendado para 16 de abril em Porto Alegre, pretende dissecar em profundidade.

O evento, organizado pelo GRI Institute Brasil, reúne líderes do setor imobiliário para debater as dinâmicas específicas de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, três mercados que, embora compartilhem o rótulo regional, operam com teses de investimento, perfis de demanda e pipelines bastante distintos.

Santa Catarina lidera valorização e puxa VGV nacional

O estado catarinense consolidou sua posição como principal vetor de valorização imobiliária do país em 2025. De acordo com dados da CBIC e do Senior Index, publicados pela Exame em março de 2026, o VGV estadual avançou 14,4% no ano, acompanhado por alta de 8,5% no volume de unidades vendidas. A combinação de crescimento em valor e em volume indica que a valorização não é meramente especulativa, mas sustentada por demanda efetiva.

Balneário Camboriú permaneceu como a cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil em 2025, atingindo o valor médio de R$ 14.906, conforme o Índice FipeZAP reportado pela Gazeta do Povo. A cidade catarinense se mantém como referência nacional em produtos de altíssimo padrão, com torres residenciais que atraem compradores de todo o país.

O desempenho de Santa Catarina não é um fenômeno isolado: o estado concentra quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil, consolidando um polo de valorização sem paralelo no mercado nacional.

Essa dinâmica levanta questões estratégicas relevantes para incorporadoras e investidores: até que ponto o ciclo de valorização catarinense sustenta novos lançamentos de alto padrão? Qual o teto de absorção em praças como Balneário Camboriú, Itapema e Florianópolis? Essas são perguntas que devem pautar as discussões entre os executivos C-level presentes no GRI Fórum Sul 2026.

Qual é a dimensão real do pipeline de Curitiba?

O Paraná apresenta um perfil de mercado distinto, com Curitiba como epicentro de uma atividade incorporadora robusta e diversificada. Os R$ 7,4 bilhões em vendas de imóveis novos registrados em 2025, segundo a ADEMI-PR, posicionam a capital paranaense como uma das praças mais dinâmicas do país.

O dado mais revelador sobre a trajetória futura do mercado curitibano, porém, está no pipeline regulatório. A emissão de alvarás para novas incorporações verticais na cidade cresceu 22% no segundo semestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, conforme levantamento da ADEMI-PR publicado pela Topview em dezembro de 2025. Esse crescimento sinaliza que as incorporadoras apostam em um ciclo de lançamentos ainda mais intenso em 2026.

A alta de 22% na emissão de alvarás para incorporações verticais em Curitiba indica que o pipeline de lançamentos para 2026 será significativamente maior do que o observado nos últimos anos, com reflexos diretos na competitividade entre incorporadoras.

Especialistas ouvidos pela Topview projetam que Curitiba terá um 2026 marcado por mais lançamentos e maior competição entre incorporadoras, com foco em produtos inteligentes e conectados. Aproximadamente 45% dos lançamentos recentes na cidade se concentraram em unidades compactas, evidenciando uma tese de produto que dialoga com o perfil demográfico de famílias menores e investidores focados em renda.

O mercado paranaense representa, portanto, uma combinação de volume expressivo e diversificação de produto que torna a praça especialmente atrativa para incorporadoras de médio e grande porte que buscam expandir sua atuação fora do eixo Rio-São Paulo.

Como o Rio Grande do Sul se reposiciona após as enchentes de 2024?

O mercado gaúcho atravessa um momento singular. Após o impacto severo das enchentes que atingiram o estado em 2024, o setor imobiliário do Rio Grande do Sul demonstra sinais consistentes de recuperação, com destaque para o segmento de alto padrão em Porto Alegre.

A venda de imóveis com valor superior a R$ 2 milhões na capital gaúcha cresceu mais de 70% entre 2019 e 2025, segundo dados do Secovi/RS-Agademi, divulgados em março de 2026. Trata-se de uma expansão expressiva que reflete a migração de capital para ativos imobiliários de maior qualidade, possivelmente acelerada pela reavaliação de riscos que o evento climático de 2024 provocou nos compradores.

A alta de mais de 70% nas vendas de imóveis acima de R$ 2 milhões em Porto Alegre entre 2019 e 2025 revela uma reconfiguração da demanda gaúcha, com migração acelerada para o segmento de alto padrão.

O Secovi-RS projeta um 2026 aquecido para o mercado gaúcho, sustentado por dois vetores: a maior disponibilidade de crédito imobiliário e o efeito tradicional de aceleração que os ciclos eleitorais exercem sobre a economia regional no segundo semestre. Essa combinação tende a beneficiar tanto o segmento residencial quanto o comercial, especialmente em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

A escolha de Porto Alegre como sede do GRI Fórum Sul 2026 pelo GRI Institute não é casual. A capital gaúcha oferece, neste momento, um laboratório vivo de reposicionamento urbano e de oportunidades para investidores que conseguem precificar adequadamente os riscos e as perspectivas de valorização pós-crise.

O contexto nacional e os desafios regulatórios

A performance da região Sul ganha ainda mais relevância quando contextualizada no cenário nacional. O mercado imobiliário brasileiro como um todo movimentou R$ 264,2 bilhões em 2025, uma alta de 3,5% em relação ao ano anterior, segundo a CBIC, conforme reportado pela Exame em março de 2026. O crescimento nacional, embora positivo, ficou bem abaixo do ritmo observado em estados como Santa Catarina, que superou a média com folga.

Entre os temas que devem dominar o debate entre executivos no GRI Fórum Sul 2026 está a Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional 132/2023, cujas regulamentações seguem em tramitação no Congresso Nacional. O impacto sobre loteamentos e locações é especialmente sensível para o mercado sulista, onde o segmento de lotes urbanizados representa parcela relevante do VGV total em cidades de médio porte de Santa Catarina e do Paraná.

A fase de regulamentação da reforma cria um ambiente de incerteza que exige posicionamento ativo das lideranças do setor. O GRI Institute, como organizador do fórum, tem estruturado seus encontros para que CEOs, presidentes e C-level das principais incorporadoras, gestoras de fundos e instituições financeiras possam debater cenários e articular posições conjuntas frente às mudanças regulatórias.

Três estados, três teses, um fórum

O mapeamento dos dados disponíveis para os três estados da região Sul revela teses de investimento complementares, mas distintas. Santa Catarina opera como polo de valorização de alto padrão, com preços unitários que lideram o ranking nacional. O Paraná se destaca pelo volume absoluto de vendas e por um pipeline em expansão acelerada, com foco crescente em produtos compactos e tecnológicos. O Rio Grande do Sul, por sua vez, oferece oportunidades de reposicionamento pós-crise, com demanda aquecida no segmento premium e expectativa de crédito mais acessível em 2026.

Para os líderes do setor que acompanham o mercado sulista, o GRI Fórum Sul 2026 representa o principal ponto de convergência para validação de teses, identificação de parceiros e construção de deals. O formato exclusivo do GRI Institute, que reúne executivos C-level em ambiente de discussão fechada, permite um nível de profundidade analítica que publicações e conferências abertas não alcançam.

Os números são eloquentes: R$ 7,4 bilhões em Curitiba, 14,4% de alta no VGV catarinense, mais de 70% de crescimento nas vendas de alto padrão em Porto Alegre. O Sul do Brasil não é mais uma aposta de diversificação geográfica. É, cada vez mais, uma fronteira de crescimento por mérito próprio.

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