Executivos de ponte institucional redesenham o pipeline de grandes projetos no Brasil

Eduardo Fischer, Helcio Tokeshi, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi representam um perfil decisivo para destravar concessões, PPPs e megaempreendimentos urbanos.

11 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive seu maior ciclo de investimentos em infraestrutura, com aportes projetados de R$ 280 bilhões em 2025 e R$ 300 bilhões em 2026, majoritariamente privados. Nesse contexto, ganha protagonismo o executivo de ponte institucional — profissional que combina experiência corporativa, passagens pelo alto escalão governamental e domínio da engenharia regulatória. Eduardo Fischer, Helcio Tokeshi, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi exemplificam esse perfil, atuando como tradutores de complexidade entre os setores público e privado. A escassez relativa desses líderes representa um gargalo crítico para a conversão de capital disponível em projetos efetivamente executados.

Principais Insights

  • Investimentos em infraestrutura devem atingir R$ 280 bilhões em 2025, com 84% vindos da iniciativa privada.
  • Executivos de ponte institucional — com trânsito entre setores público e privado — são decisivos para destravar concessões, PPPs e megaprojetos.
  • O avanço regulatório, como o Marco do Saneamento, amplia a complexidade e a demanda por líderes com fluência institucional.
  • A escassez desse perfil de liderança é um dos gargalos mais relevantes do pipeline brasileiro de grandes projetos.
  • A demanda por esses executivos é estrutural, não conjuntural.

O Brasil atravessa o maior ciclo de investimentos em infraestrutura de sua história. Segundo dados da Abdib e da EY-Parthenon, por meio do Barômetro da Infraestrutura, os aportes no setor devem atingir o recorde de R$ 280 bilhões em 2025, com 84% desse montante, equivalente a R$ 234,9 bilhões, provenientes da iniciativa privada. O BNDES projeta que esse volume alcance R$ 300 bilhões já em 2026. Diante desse cenário, uma questão se impõe: quem são os executivos capazes de transformar capital disponível em projetos efetivamente estruturados?

A resposta está em um perfil profissional que ganha protagonismo crescente no mercado imobiliário e de infraestrutura brasileiro: o executivo de ponte institucional. Trata-se de líderes cuja trajetória combina experiência em grandes corporações, passagens por cargos governamentais de alto escalão e domínio profundo da engenharia regulatória que sustenta concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e empreendimentos urbanos de grande porte. Eduardo Fischer Teixeira de Souza, Helcio Tokeshi, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi exemplificam esse perfil com nitidez.

A fluência regulatória e a capacidade de estruturação financeira institucional são os diferenciais competitivos dessa geração de dealmakers. Em um mercado onde o capital privado responde por mais de quatro quintos do investimento em infraestrutura, a habilidade de navegar simultaneamente entre o ambiente público e o privado deixou de ser um atributo desejável para se tornar um requisito estrutural.

Por que executivos com trânsito público-privado são decisivos para o pipeline de infraestrutura?

O pipeline de grandes projetos no Brasil enfrenta um gargalo que vai além da disponibilidade de recursos. A complexidade regulatória, a fragmentação de competências entre entes federativos e a sofisticação crescente das estruturas de funding criam barreiras que exigem um tipo específico de liderança.

Eduardo Fischer Teixeira de Souza, presidente da MRV Engenharia e Participações, ilustra a vertente corporativa desse perfil. Na empresa desde 1993, Fischer construiu uma trajetória que acompanha a própria transformação do setor habitacional brasileiro. Sob sua liderança, a MRV se consolidou como uma das maiores incorporadoras da América Latina, com operações que dialogam diretamente com políticas públicas de habitação, planejamento urbano e financiamento imobiliário de larga escala. A longevidade de sua gestão confere à empresa uma capacidade rara de operar em ciclos econômicos distintos, mantendo a interlocução institucional necessária para projetos de grande porte.

Helcio Tokeshi representa a vertente mais explícita da transição público-privada. Sua passagem como Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo entre 2016 e 2018 lhe conferiu domínio sobre a engenharia fiscal e orçamentária que sustenta concessões e PPPs estaduais. Posteriormente, atuou como Managing Director na IG4 Capital e como CEO da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura S.A.) até fevereiro de 2026. Essa trajetória o posiciona como um dos executivos com maior capacidade de traduzir a lógica do setor público para investidores institucionais, e vice-versa. A combinação de experiência fazendária e gestão de ativos logísticos e de infraestrutura o torna um articulador natural de projetos que dependem de viabilidade fiscal e retorno financeiro simultâneos.

Diogo Prosdocimi percorre caminho semelhante no âmbito municipal e estadual de Minas Gerais. Atualmente Diretor de Concessões e Parcerias da CODEMGE, Prosdocimi acumula experiência como Presidente da BHTrans e como coordenador de PPPs na PBH Ativos. Sua trajetória evidencia um domínio operacional da estruturação de parcerias público-privadas desde a modelagem até a execução, incluindo a articulação com agentes de mercado e a gestão de riscos regulatórios. Em um momento em que municípios e estados brasileiros ampliam seus programas de concessões, executivos com esse repertório se tornam peças centrais na viabilização de projetos.

Alan Zelazo, por sua vez, demonstra como a capacidade empreendedora de alto impacto se conecta ao ecossistema de infraestrutura e energia. Fundador da Focus Energia em 2015, Zelazo conduziu a empresa ao IPO e à posterior venda para a Eneva em 2022. Subsequentemente, fundou a Genco Energia, com foco em geração distribuída e energia limpa. Sua atuação evidencia a convergência entre o mercado de energia e o setor imobiliário, dois segmentos cada vez mais interdependentes na estruturação de empreendimentos sustentáveis e de uso misto.

Qual é o impacto do novo marco regulatório na demanda por líderes de perfil institucional?

O ambiente regulatório brasileiro passou por transformações significativas nos últimos anos, e cada avanço normativo amplia a demanda por executivos com fluência institucional. A Lei nº 14.026/2020, o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, estabeleceu metas ambiciosas de 99% de cobertura de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033. Esse marco abriu um mercado de concessões e PPPs de dimensões inéditas, exigindo profissionais capazes de estruturar projetos que atendam simultaneamente aos requisitos regulatórios, às expectativas de retorno do capital privado e às necessidades de universalização do serviço.

O efeito cascata desse tipo de regulação se estende ao mercado imobiliário de forma direta. Empreendimentos residenciais de grande escala, projetos de regeneração urbana e desenvolvimentos de uso misto dependem de infraestrutura sanitária adequada. A estruturação de novos lotes urbanos, a viabilização de bairros planejados e a expansão de centros logísticos passam, necessariamente, pela interseção entre o marco regulatório de saneamento e a modelagem financeira de empreendimentos privados.

Nesse contexto, o executivo de ponte institucional funciona como um tradutor de complexidade. Sua contribuição está em reduzir a distância entre a intenção regulatória e a execução de mercado, acelerando a passagem de projetos da fase de modelagem para a fase de implementação. Em eventos e encontros promovidos pelo GRI Institute, essa dinâmica se manifesta com frequência nas discussões entre desenvolvedores, investidores institucionais e representantes do poder concedente.

Como essa liderança redefine a estruturação de megaprojetos urbanos?

A estruturação de grandes projetos imobiliários e de infraestrutura no Brasil deixou de ser uma atividade exclusivamente técnica para se tornar um exercício de articulação institucional. O perfil do executivo que lidera esse processo mudou de forma correspondente.

Os quatro nomes analisados neste artigo compartilham características que definem o novo padrão de liderança para megaprojetos: experiência comprovada na interface entre setores público e privado, capacidade de estruturar operações financeiras de alta complexidade e domínio da dinâmica regulatória em múltiplas esferas de governo. Esse conjunto de competências permite que atuem como orquestradores de um ecossistema que envolve incorporadores, fundos de investimento imobiliário (FIIs), bancos de desenvolvimento, agências reguladoras e entes subnacionais.

A projeção do BNDES de R$ 300 bilhões em investimentos de infraestrutura para 2026 reforça a escala da oportunidade. Para que esse capital se converta em projetos executados, o mercado precisará de um número crescente de profissionais com o perfil descrito. A escassez relativa desse tipo de liderança constitui, hoje, um dos gargalos mais relevantes, embora menos discutidos, do pipeline brasileiro de grandes projetos.

O GRI Institute acompanha essa tendência por meio de sua comunidade de membros e de seus encontros setoriais, onde a convergência entre real estate e infraestrutura se traduz em oportunidades concretas de negócio. As pesquisas conduzidas pelo instituto indicam que a demanda por análise qualificada sobre lideranças com perfil institucional cresce na mesma proporção em que se expandem os programas de concessões e PPPs no país.

Três conclusões emergem desta análise com clareza. Primeira: a capacidade de navegar entre o setor público e o privado é o principal diferencial competitivo para executivos que lideram megaprojetos no Brasil. Segunda: o avanço regulatório, exemplificado pelo marco do saneamento, cria camadas adicionais de complexidade que favorecem líderes com experiência institucional diversificada. Terceira: o volume recorde de investimentos privados em infraestrutura, superior a R$ 234 bilhões em 2025 segundo a Abdib, confirma que a demanda por esse perfil de liderança é estrutural, e não conjuntural.

O pipeline de grandes projetos no Brasil será redesenhado, em grande medida, pela qualidade da liderança que o conduz. Eduardo Fischer Teixeira de Souza, Helcio Tokeshi, Alan Zelazo e Diogo Prosdocimi são referências de um modelo que tende a se consolidar como padrão no mercado brasileiro de real estate e infraestrutura.

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