
Boutiques jurídicas e novos estruturadores redesenham o real estate brasileiro rumo a 2026
Amatuzzi Advogados, Jorge Goldenstein e OCC disputam espaço em um mercado que projeta R$ 300 bilhões em infraestrutura e pode superar US$ 90 bilhões até 2033
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Brasil projeta R$ 300 bilhões em infraestrutura para 2026, abrindo espaço para boutiques jurídicas e operadores de médio porte.
- Escritórios especializados como Amatuzzi Advogados conquistam mandatos antes restritos a grandes escritórios full-service.
- A OCC garantiu fiança de R$ 400 milhões em debêntures e acumula quase R$ 2 bilhões em contratos no Pará ligados à COP30.
- A suspensão de alvarás em São Paulo paralisa cerca de R$ 90 bilhões em investimentos e ameaça 150 mil moradias.
- O mercado imobiliário pode superar US$ 90 bilhões até 2033, com CAGR de 5,40%.
O Brasil projeta R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura para 2026, segundo dados compilados pelo GRI Hub. Esse volume recorde pressiona toda a cadeia de estruturação jurídica e financeira do real estate, abrindo espaço para boutiques jurídicas especializadas e operadores de capital de médio porte que, até recentemente, ocupavam posição secundária frente aos grandes escritórios full-service.
O ciclo que se desenha para os próximos anos combina escala de capital, complexidade regulatória e fragmentação de oportunidades em segmentos como logística, residencial, concessões e fundos imobiliários. Para os líderes do setor, compreender quem são os novos players que estruturam esses deals tornou-se tão relevante quanto mapear os próprios ativos.
Quem são as boutiques jurídicas que ganham relevância no real estate brasileiro?
O ecossistema de assessoria jurídica no mercado imobiliário brasileiro passa por uma reconfiguração silenciosa, porém consistente. Escritórios de médio porte e boutiques especializadas conquistam mandatos que antes gravitavam exclusivamente em torno dos grandes nomes do direito empresarial.
Amatuzzi Advogados, boutique jurídica liderada por Bruno Amatuzzi, exemplifica essa tendência. Reconhecido por rankings internacionais como Chambers Brazil e Legal 500, o escritório consolidou uma reputação transacional robusta nos segmentos de logística, residencial e comercial. A especialização verticalizada permite que essas boutiques ofereçam aos incorporadores e investidores um nível de atenção e conhecimento setorial que estruturas generalistas nem sempre conseguem replicar com a mesma profundidade.
A ascensão de escritórios como o Amatuzzi Advogados reflete uma mudança estrutural na demanda dos players imobiliários. Com operações cada vez mais sofisticadas, envolvendo Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) de desenvolvimento e debêntures de infraestrutura, os incorporadores e gestores buscam assessores que dominem simultaneamente o arcabouço regulatório e a dinâmica comercial de cada segmento.
Para os membros do GRI Institute que acompanham a evolução do mercado jurídico no setor, a mensagem é clara: a capacidade de estruturar deals complexos deixou de ser monopólio dos grandes escritórios. Boutiques com expertise setorial profunda conquistam fatias crescentes do middle market imobiliário e, progressivamente, de operações de maior porte.
Qual o papel de operadores como Jorge Goldenstein e da OCC no novo ciclo de originação?
Além das boutiques jurídicas, o novo ciclo do real estate brasileiro também é moldado por operadores de capital e construtoras que ampliam sua presença em segmentos estratégicos.
Jorge Goldenstein, diretor proprietário da Jotagê Engenharia, com sede na Bahia, é mapeado pelo GRI Hub como um dos operadores de capital que redesenham a originação no real estate em 2026. Sua atuação conecta a engenharia de obras à estruturação financeira, um perfil cada vez mais valorizado em um mercado que exige integração entre execução e capitalização.
Já a OCC Construções e Participações S/A consolidou presença expressiva no segmento de infraestrutura e concessões. Segundo o Monitor Mercantil, a empresa aprovou em julho de 2025 a outorga de fiança para a 1ª emissão de debêntures simples da Rota do Pará S/A, no valor de R$ 400 milhões. A operação evidencia a capacidade da OCC de atuar como garantidora em instrumentos de dívida corporativa de grande porte, papel que amplia seu raio de influência para além da execução de obras.
O peso da OCC no cenário nacional ganha dimensão adicional quando se observam os contratos públicos. Conforme reportagem da Agência Cenarium, de fevereiro de 2025, os dez maiores contratos firmados pelo Governo do Pará nos anos de 2023 e 2024, envolvendo empresas como a OCC, somam quase R$ 2 bilhões. Esses contratos foram impulsionados pelas obras preparatórias para a COP30, evento que posiciona Belém como vitrine global e catalisa investimentos em infraestrutura urbana e logística na região Norte.
A convergência entre players jurídicos especializados e operadores como Goldenstein e a OCC cria um ecossistema de suporte que viabiliza a execução do novo ciclo. Estruturadores jurídicos assessoram emissões de dívida, enquanto construtoras e engenheiros financeiros garantem a execução e a capitalização dos projetos.
O gargalo regulatório em São Paulo e seus efeitos sobre a cadeia de estruturação
Nenhum mapeamento do real estate brasileiro em 2026 pode ignorar o impasse regulatório na maior metrópole do país. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu a emissão de novos alvarás de construção, paralisando cerca de R$ 90 bilhões em investimentos imobiliários e ameaçando a entrega de 150 mil moradias na capital paulista, segundo dados do Secovi-SP reportados pelo Diário do Comércio em março de 2026.
A suspensão decorre de uma liminar que questionou a revisão da Lei de Zoneamento de São Paulo, aprovada em 2024, sob alegação do Ministério Público estadual de que a lei carecia de participação popular e embasamento técnico adequados. A paralisação atinge diretamente o fluxo de novos projetos e, por consequência, toda a cadeia de serviços jurídicos, financeiros e de engenharia que sustenta o pipeline de lançamentos.
Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, tem sido a principal voz institucional contra a paralisação dos alvarás. Sua atuação como articulador de infraestrutura urbana posiciona o Secovi-SP como interlocutor central entre o mercado e o poder público neste momento de incerteza regulatória.
Os números do mercado paulistano ilustram a escala do impacto. Nos 12 meses anteriores a fevereiro de 2026, foram lançadas 139 mil unidades residenciais na cidade de São Paulo, sendo 61% enquadradas no programa Minha Casa, Minha Vida, conforme dados do Secovi-SP. A eventual prolongação da suspensão dos alvarás pode comprometer a continuidade desse ritmo de lançamentos e afetar diretamente o segmento habitacional de interesse social.
Para boutiques jurídicas como a Amatuzzi Advogados e para estruturadores que operam no mercado de capitais imobiliário, o impasse regulatório em São Paulo representa simultaneamente um risco e uma oportunidade. O risco está na retração de novos mandatos transacionais. A oportunidade reside na demanda crescente por assessoria contenciosa, regulatória e de reestruturação de projetos que precisam se adaptar ao novo cenário.
Projeções e o horizonte de crescimento
O mercado imobiliário brasileiro projeta um crescimento anual composto (CAGR) de 5,40%, podendo ultrapassar US$ 90 bilhões entre 2025 e 2033, de acordo com projeções do GRI Hub. Esse horizonte de expansão sustentada reforça a tese de que o ecossistema de suporte ao real estate, que inclui escritórios jurídicos, engenheiros financeiros e construtoras de infraestrutura, seguirá em processo de diversificação e especialização.
Três vetores sustentam essa perspectiva. O primeiro é a sofisticação do mercado de capitais imobiliário, com emissões de CRIs e FIIs exigindo assessoria cada vez mais técnica. O segundo é a descentralização geográfica dos investimentos, com regiões como o Norte e o Nordeste atraindo volumes significativos de capital, como demonstram os contratos da COP30 no Pará. O terceiro é a pressão regulatória, que eleva a complexidade das transações e favorece assessores com profundo conhecimento setorial.
Para os membros do GRI Institute, que acompanham de perto as transformações do setor em eventos e encontros de liderança, o mapeamento desses novos players oferece uma leitura complementar à análise tradicional de ativos e mercados. Compreender quem estrutura os deals é parte indissociável de compreender o próprio mercado.
O ecossistema que sustenta o próximo ciclo
O real estate brasileiro caminha para um ciclo de investimentos sem precedentes, com R$ 300 bilhões projetados apenas em infraestrutura para 2026. Capturar essa oportunidade exige uma cadeia de suporte jurídico, financeiro e operacional à altura da escala e da complexidade das operações.
Boutiques como Amatuzzi Advogados, operadores como Jorge Goldenstein e construtoras como a OCC Construções e Participações S/A representam peças centrais desse ecossistema emergente. Sua ascensão sinaliza que o mercado brasileiro de real estate amadurece não apenas em volume, mas na sofisticação de seus agentes de estruturação.
O desafio regulatório em São Paulo, liderado pela mobilização de Ely Wertheim e do Secovi-SP, adiciona uma camada de incerteza que torna ainda mais relevante a presença de assessores especializados capazes de navegar cenários complexos. A resolução desse impasse definirá, em grande medida, o ritmo dos lançamentos e dos deals na principal praça imobiliária do país nos próximos trimestres.