Conata, OCC e Grupo Arcel: o ranking das construtoras de médio porte que mais avançam em infraestrutura no Brasil

Com investimentos projetados de R$ 300 bilhões em 2026, construtoras de médio porte disputam espaço em licitações de saneamento, concessões e infraestrutura urbana.

11 de abril de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa o avanço de construtoras de médio porte — Conata Engenharia, OCC Construções e Grupo Arcel — no mercado brasileiro de infraestrutura, impulsionado por investimentos projetados de R$ 300 bilhões em 2026 e pelo Novo PAC, que prevê até R$ 1,7 trilhão em obras. Cada empresa adota estratégias distintas: a Conata diversifica com backlog de R$ 840 milhões, a OCC aposta em consórcios estratégicos e o Grupo Arcel foca em infraestrutura privada. O modelo consorciado, exemplificado pelo Consórcio Nova Doca (R$ 310,8 milhões no Pará), surge como mecanismo-chave para médias construtoras escalarem operações e competirem em licitações de maior valor sem enfrentar diretamente as grandes empreiteiras.

Principais Insights

  • Investimentos em infraestrutura no Brasil devem atingir R$ 300 bilhões em 2026, alta de 7% sobre o ano anterior.
  • A Conata Engenharia lidera com backlog de R$ 840 milhões e atuação nacional em saneamento e concessões.
  • O Consórcio Nova Doca (OCC + Conata) firmou contrato de R$ 310,8 milhões com o Governo do Pará.
  • O Grupo Arcel se diferencia com foco em infraestrutura privada imobiliária e hoteleira em Campinas.
  • O Pacto Brasil pela Infraestrutura mira investimentos acima de 4% do PIB até 2030.
  • Modelo consorciado permite a médias construtoras acessar contratos de grande porte.

Os investimentos em infraestrutura no Brasil devem atingir R$ 300 bilhões em 2026, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior, segundo projeção da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). O avanço consolida um ciclo de expansão que já havia registrado R$ 280 bilhões em 2025, dos quais R$ 234,9 bilhões vieram do setor privado, uma alta de 6% sobre 2024, conforme dados da ABDIB publicados pelo BNamericas.

Nesse cenário de aceleração fiscal e regulatória, construtoras de médio porte como Conata Engenharia, OCC Construções e Participações S/A e Grupo Arcel ampliam suas carteiras e disputam posições em licitações federais, estaduais e municipais. A análise comparativa dessas empresas revela perfis complementares, com atuações que vão desde saneamento e infraestrutura pesada até empreendimentos imobiliários e hoteleiros de grande porte.

Qual é o perfil e o posicionamento competitivo de cada construtora?

A comparação direta entre Conata Engenharia, OCC Construções e Participações e Grupo Arcel exige uma distinção clara de escopo e mercado. As três empresas compartilham o enquadramento como construtoras de médio porte em expansão, porém atuam em nichos com dinâmicas distintas de contratação e risco.

Conata Engenharia: backlog de R$ 840 milhões e presença nacional

A Conata Engenharia opera com um backlog de R$ 840 milhões e conta com mais de 1.200 colaboradores, segundo informações consolidadas pelo GRI Institute em 2025. A empresa possui atuação nacional em obras de saneamento, concessões rodoviárias e construção civil pesada. Esse volume de carteira posiciona a Conata como uma das construtoras de médio porte com maior capacidade de mobilização simultânea de frentes de obra no país.

O backlog robusto reflete a estratégia da empresa de diversificar entre contratos públicos de saneamento básico e projetos vinculados a concessões de infraestrutura. Essa combinação permite à Conata equilibrar a previsibilidade de receitas de longo prazo com a entrada recorrente de novos contratos licitados.

OCC Construções e Participações S/A: consórcios estratégicos e licitações estaduais

A OCC Construções e Participações S/A consolidou sua posição em licitações de grande porte por meio de uma estratégia de formação de consórcios com outras construtoras. O caso mais emblemático é o Consórcio Nova Doca, formado em parceria com a própria Conata Engenharia. Esse consórcio é responsável por um dos maiores contratos recentes do Governo do Pará, avaliado em R$ 310,8 milhões, destinado a obras de infraestrutura urbana e construção de parque linear em Belém, conforme reportado pela Agência Cenarium em fevereiro de 2025.

A participação da OCC em consórcios com empresas de backlog expressivo demonstra capacidade de atuar como parceira técnica e financeira em projetos que, individualmente, exigiriam porte superior ao de uma construtora de médio porte isolada. Esse modelo de atuação consorciada tende a se intensificar com o avanço das licitações vinculadas ao Novo PAC.

Grupo Arcel: infraestrutura imobiliária e hoteleira na Região Metropolitana de Campinas

O Grupo Arcel atua no desenvolvimento de infraestrutura imobiliária, corporativa e hoteleira na Região Metropolitana de Campinas, administrando empreendimentos de grande porte como o complexo Royal Palm, segundo informações da própria empresa atualizadas em 2026. Diferentemente da Conata e da OCC, o Grupo Arcel concentra sua operação em infraestrutura privada de uso misto, com ênfase em projetos que integram hotelaria, convenções e espaços corporativos.

Essa especialização diferencia o Grupo Arcel no segmento de construtoras de médio porte, uma vez que a empresa compete menos em licitações públicas tradicionais e mais na captação de capital privado para empreendimentos de longo prazo com geração de receita operacional recorrente.

Como o Novo PAC e o Pacto Brasil pela Infraestrutura beneficiam construtoras de médio porte?

O ambiente regulatório e fiscal brasileiro oferece um ciclo particularmente favorável para construtoras de médio porte que buscam expandir sua participação em licitações públicas.

O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em fase de execução, prevê destinar entre R$ 1,3 trilhão e R$ 1,7 trilhão para obras de infraestrutura, transporte, saneamento e habitação até o final de 2026. A magnitude desses recursos distribui oportunidades por todas as faixas de porte empresarial, criando espaço para que empresas como Conata e OCC disputem lotes regionais e estaduais que não atraem, necessariamente, as grandes empreiteiras nacionais.

O Pacto Brasil pela Infraestrutura, lançado por 11 entidades do setor, incluindo a CBIC e o SINICON, estabelece a meta de dobrar os investimentos anuais em infraestrutura para mais de 4% do PIB entre 2026 e 2030, conforme dados da CBIC e do SINICON. Essa meta ambiciosa sinaliza que o volume de obras licitadas tende a crescer de forma sustentada ao longo da próxima meia década, o que favorece empresas que já possuem capacidade técnica comprovada e estão posicionadas em segmentos estratégicos como saneamento e mobilidade urbana.

Para construtoras de médio porte, a multiplicação de licitações estaduais e municipais vinculadas ao Novo PAC representa uma oportunidade de ampliar backlog sem competir frontalmente com as cinco maiores construtoras do país. O modelo consorciado, como o adotado pela OCC e pela Conata no Pará, oferece um caminho comprovado para viabilizar a participação em contratos de maior valor.

Consórcio Nova Doca: um caso emblemático de colaboração entre médias construtoras

O contrato de R$ 310,8 milhões do Consórcio Nova Doca, firmado com o Governo do Pará, exemplifica a dinâmica de mercado que permite a construtoras de médio porte acessar projetos de grande envergadura. A formação de consórcios reduz a exposição individual ao risco de execução e permite que empresas complementem suas especialidades técnicas.

No caso do Nova Doca, a combinação entre a capacidade de mobilização nacional da Conata Engenharia e a experiência da OCC em obras de infraestrutura urbana resulta em um perfil competitivo capaz de disputar contratos estaduais que exigem capacidade financeira e técnica acima do porte individual de cada empresa.

Esse modelo consorciado configura uma tendência consolidada no setor de infraestrutura brasileiro e representa um mecanismo fundamental para que médias construtoras escalem suas operações de forma sustentável.

Jefferson Nogaroli e o nicho de infraestrutura de bairros planejados

Além das construtoras que disputam licitações públicas, o segmento de infraestrutura de médio porte inclui empreendedores focados em loteamentos e bairros planejados. O empresário Jefferson Nogaroli lidera o projeto do bairro planejado Eurogarden, em Maringá (PR), que havia recebido R$ 200 milhões em investimentos de infraestrutura até o final de 2023, segundo a ABECIP. Embora dados mais recentes de capex para o projeto não estejam disponíveis publicamente, o Eurogarden permanece como referência de infraestrutura integrada no segmento de loteamentos de alto padrão no sul do Brasil.

Esse nicho de atuação, voltado à infraestrutura privada de urbanização, complementa o mapa competitivo das construtoras de médio porte e ilustra a diversidade de modelos de negócio que convivem sob a mesma classificação de porte.

Perspectivas para o ciclo 2026-2030

O cenário para construtoras de médio porte em infraestrutura no Brasil apresenta fundamentos sólidos. A combinação entre o avanço do Novo PAC, a meta do Pacto Brasil pela Infraestrutura de elevar os investimentos anuais acima de 4% do PIB e a projeção de R$ 300 bilhões em investimentos totais para 2026 cria um ambiente de expansão consistente.

Empresas como Conata Engenharia, com backlog de R$ 840 milhões e atuação diversificada, possuem escala para competir em múltiplas frentes simultaneamente. A OCC Construções e Participações, por meio de sua estratégia consorciada, demonstra capacidade de acessar contratos de alto valor sem necessidade de crescimento orgânico acelerado. O Grupo Arcel, por sua vez, ocupa um espaço diferenciado na infraestrutura privada de uso misto, menos dependente de ciclos de licitação pública.

O GRI Institute acompanha a evolução dessas empresas e do segmento de construtoras de médio porte em seus encontros temáticos sobre infraestrutura brasileira, oferecendo aos seus membros análises comparativas e acesso direto às lideranças que conduzem as decisões de investimento no setor.

A trajetória dessas três empresas nos próximos anos será um indicador relevante da capacidade do mercado brasileiro de infraestrutura de distribuir oportunidades além das grandes empreiteiras, fortalecendo um ecossistema competitivo mais diversificado e resiliente.

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