
Rafael Szarf e o mapa dos executivos que estruturam a nova geração de ativos de infraestrutura no Brasil
CEO da Luz e presidente da Loggi, Szarf representa o perfil híbrido de líderes que transitam entre tecnologia, logística e infraestrutura física num ciclo recorde de investimentos.
Resumo Executivo
Principais Insights
- Investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280 bilhões em 2025, com 84% vindos do setor privado.
- Rafael Szarf, CEO da Luz e presidente da Loggi, representa o perfil híbrido de executivo que o setor passou a exigir.
- A Lei 14.801/2024 criou debêntures de infraestrutura com benefícios fiscais, ampliando o acesso ao mercado de capitais.
- Saneamento e energia concentram as maiores oportunidades, com grandes leilões e digitalização da comercialização energética.
- O perfil do executivo de infraestrutura evoluiu: fluência digital e experiência operacional são agora requisitos, não diferenciais.
Os investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram R$ 280 bilhões em 2025, alta de 3% em relação ao ano anterior, segundo dados da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Do montante total, 84% vieram do setor privado, consolidando uma tendência de protagonismo do capital privado na formação bruta de capital fixo do país. É nesse cenário de escala inédita que emerge uma nova geração de executivos com trajetórias híbridas, capazes de operar simultaneamente nos mundos da tecnologia, da logística e da infraestrutura pesada. Rafael Szarf é um dos nomes mais representativos dessa transição.
Szarf atua como CEO da Luz, plataforma digital do grupo de infraestrutura Delta, e assumiu como presidente da Loggi em maio de 2026, conforme reportado pela Bloomberg Línea e NeoFeed. A combinação dessas duas posições ilustra com precisão o tipo de liderança que o mercado brasileiro de infraestrutura passou a demandar: executivos que compreendem cadeias logísticas de alta complexidade e, ao mesmo tempo, dominam a linguagem da transição energética e da digitalização de ativos físicos.
Quem é Rafael Szarf e por que sua trajetória importa para o setor de infraestrutura?
A carreira de Rafael Szarf foi construída na interseção entre operações de grande escala e plataformas digitais. Antes de liderar a Luz e a Loggi, Szarf acumulou experiência em companhias como Ambev, Souza Cruz e Zé Delivery, todas operações reconhecidas pela sofisticação logística e pela gestão orientada a dados. Essa formação o posiciona como um executivo capaz de traduzir eficiência operacional em ganhos concretos para ativos de infraestrutura.
No comando da Luz, ele conduz a estratégia digital de um dos grupos relevantes do segmento de energia no Brasil. A plataforma opera dentro do ecossistema do Grupo Delta, cuja atuação abrange geração, distribuição e comercialização de energia. A nomeação para a presidência da Loggi, uma das maiores empresas de logística do país, amplia ainda mais o escopo de influência de Szarf sobre a infraestrutura física brasileira.
O perfil de Szarf exemplifica uma tendência observada pelo GRI Institute em suas interações com líderes do setor: a convergência entre infraestrutura tradicional e plataformas tecnológicas deixou de ser uma narrativa aspiracional para se tornar requisito de gestão. Executivos que combinam fluência digital com experiência operacional em ativos reais são os que efetivamente estruturam a próxima geração de concessões, projetos de energia e operações logísticas integradas.
Qual é o contexto de mercado que favorece esse novo perfil de liderança?
O ciclo atual de investimentos em infraestrutura no Brasil cria condições estruturais para que executivos com o perfil de Szarf assumam protagonismo. Segundo projeções da ABDIB, o Brasil deve atingir um recorde histórico de investimentos em infraestrutura em 2026, superando o pico anterior registrado em 2014. Essa expectativa é sustentada por três vetores convergentes: a participação massiva do capital privado, novos instrumentos de financiamento e uma agenda regulatória que acelera concessões.
A participação privada de 84% nos investimentos totais de 2025, conforme o Relatório Anual da ABDIB, sinaliza que o setor público atua cada vez mais como regulador e indutor, enquanto a estruturação e a execução dos projetos ficam nas mãos de gestores privados. Isso eleva a importância de CEOs que entendem tanto a dinâmica de captação de recursos quanto a operação cotidiana de ativos complexos.
No campo regulatório, a Lei 14.801/2024 criou as debêntures de infraestrutura, concedendo benefícios fiscais aos emissores com redução de 30% da base de cálculo do IR e CSLL. O instrumento foi desenhado para ampliar o acesso de projetos de infraestrutura ao mercado de capitais, e sua implementação plena em 2025 e 2026 já altera a forma como executivos estruturam o funding de novos ativos. Líderes como Szarf, que transitam entre setores e compreendem a lógica financeira por trás das debêntures, ganham relevância na articulação entre emissores, investidores institucionais e operadores de projetos.
Saneamento e energia: os setores que concentram oportunidades
Dois segmentos concentram as maiores oportunidades para a nova geração de executivos de infraestrutura: saneamento e energia.
No saneamento, o Novo Marco Legal (Lei 14.026/2020) estabeleceu metas ambiciosas de universalização, com 99% de acesso à água e 90% a esgoto até 2033. Em 2026, a lei entra em fase crítica de materialização de contratos e exigência de planos municipais. Segundo dados da Abcon e KL Engenharia, o setor de saneamento registrou um salto expressivo com a participação privada, batendo recorde de aportes privados em 2025. Estão previstos ao menos seis grandes leilões de projetos de saneamento para 2026, com potencial para atender quase 11 milhões de pessoas em diversos estados, conforme levantamento da Abcon e Radar PPP.
No segmento de energia, a atuação de Szarf como CEO da Luz o coloca no centro de uma das transformações mais relevantes do setor: a digitalização da comercialização de energia e a integração de fontes renováveis em plataformas acessíveis ao consumidor final. O Grupo Delta, ao qual a Luz pertence, opera em um mercado que cresce impulsionado tanto pela demanda corporativa por energia limpa quanto pela abertura do mercado livre de energia a consumidores de menor porte.
A combinação entre saneamento e energia forma o principal eixo de atração de capital privado no Brasil. Executivos que compreendem ambos os setores, ou que transitam entre eles com naturalidade, são peças-chave na montagem de portfólios diversificados de infraestrutura.
O ecossistema que conecta executivos, capital e projetos
O GRI Institute atua como hub de conexão entre os principais executivos, investidores e desenvolvedores de projetos de infraestrutura no Brasil e no mundo. Nos encontros promovidos pelo instituto, líderes como Rafael Szarf interagem diretamente com alocadores de capital, gestores de fundos de infraestrutura e representantes de concessionárias, em um formato que privilegia o diálogo direto entre tomadores de decisão.
Esse modelo de networking qualificado é particularmente relevante em um mercado onde 84% dos investimentos vêm do setor privado. A estruturação de novos projetos depende cada vez mais de relações de confiança entre executivos que conhecem as particularidades regulatórias, financeiras e operacionais de cada segmento. O GRI Institute funciona como o espaço onde essas relações se formam e se aprofundam.
A trajetória de Szarf ilustra como o ecossistema de infraestrutura brasileiro se sofisticou. Há uma década, o perfil típico do executivo de infraestrutura era o engenheiro com décadas de experiência em obras públicas. Hoje, o mercado valoriza igualmente a capacidade de integrar plataformas digitais, operar cadeias logísticas e estruturar instrumentos financeiros como as debêntures de infraestrutura.
O que o mapa dos executivos revela sobre o futuro do setor
A ascensão de profissionais como Rafael Szarf reflete uma mudança estrutural no mercado brasileiro de infraestrutura. O setor deixou de ser dominado exclusivamente por construtoras e passou a atrair líderes com experiência em tecnologia, bens de consumo e serviços financeiros. Essa diversificação de perfis é consequência direta do aumento da participação privada e da sofisticação dos instrumentos de financiamento disponíveis.
Com a expectativa de que 2026 registre o maior volume de investimentos em infraestrutura da história do país, a demanda por executivos capazes de operar em múltiplas frentes deve se intensificar. A capacidade de navegar entre setores distintos, como logística e energia, deixou de ser diferencial competitivo para se tornar condição necessária de liderança.
O mapeamento desses executivos, suas conexões institucionais e os veículos de capital que mobilizam oferece uma leitura privilegiada sobre a direção do setor. Rafael Szarf, ao comandar simultaneamente uma plataforma digital de energia e uma das maiores operações logísticas do país, personifica o tipo de liderança que o mercado brasileiro de infraestrutura passou a exigir.