Paulo Uebel e o mapa dos ex-gestores públicos que redesenham a infraestrutura no Brasil

Executivos com passagem pelo governo federal e estadual ocupam posições estratégicas no setor privado e lideram a agenda de concessões e PPPs que soma mais de R$ 265 bilhões em 2026.

27 de julho de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo mapeia a migração de executivos de alto escalão do setor público para posições de liderança no mercado privado de infraestrutura, destacando Paulo Uebel (EY), José Carlos Cassaniga (EPR) e Reinaldo Iapequino (CDHU). Esse trânsito transforma conhecimento regulatório em vantagem competitiva num momento em que o Brasil projeta mais de R$ 265 bilhões em concessões e PPPs para 2026. O ciclo inclui 14 leilões rodoviários federais, R$ 420 bilhões necessários em saneamento e tramitação de novos marcos legais, reforçando a demanda por profissionais que dominem a dinâmica regulatória e institucional brasileira.

Principais Insights

  • PPPs e concessões previstas para 2026 somam mais de R$ 265 bilhões em investimentos no Brasil.
  • Ex-gestores públicos como Paulo Uebel (EY), José Carlos Cassaniga (EPR) e Reinaldo Iapequino (CDHU) ocupam posições estratégicas na infraestrutura privada e pública.
  • O governo federal programou 14 leilões de concessões rodoviárias para 2026, a maior safra dos últimos anos.
  • O Brasil precisa de R$ 420 bilhões para universalizar o saneamento até 2033.
  • Novos marcos legais (PL 2.373/2025 e outros) buscam ampliar segurança jurídica e autonomia das agências reguladoras.

As contratações de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões previstas para 2026 somam mais de R$ 265 bilhões em investimentos para o Brasil, segundo levantamento do Radar PPP e da CNN Brasil. Por trás desse pipeline bilionário, um grupo de executivos com experiência direta na máquina pública ocupa posições de liderança no setor privado e redesenha, com conhecimento regulatório profundo, a agenda institucional da infraestrutura brasileira.

Paulo Uebel, ex-secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do governo federal, é um dos nomes mais emblemáticos desse trânsito. Atualmente sócio de Governo e Infraestrutura na EY, Uebel integra o ecossistema de lideranças que participam ativamente dos debates promovidos pelo GRI Institute sobre regulação, modelagem de projetos e governança de contratos de longo prazo.

O perfil de Uebel sintetiza uma tendência consolidada no mercado brasileiro: a migração de quadros técnicos de alto escalão do setor público para posições estratégicas em consultorias, concessionárias e gestoras de ativos de infraestrutura. Esse movimento transforma conhecimento institucional em vantagem competitiva para a estruturação de projetos complexos.

Quem são os ex-gestores públicos que lideram o setor de concessões em 2026?

O mapeamento das lideranças que transitam entre a gestão pública e a estruturação privada de projetos revela um padrão consistente. Profissionais que ocuparam cargos de formulação de políticas públicas, reforma administrativa ou gestão de contratos governamentais acumulam um capital regulatório que o mercado precifica como diferencial estratégico.

Paulo Uebel construiu sua trajetória no governo federal liderando a agenda de desburocratização e transformação digital do Estado. Na EY, aplica esse repertório à consultoria de governos e à estruturação de projetos de infraestrutura, atuando na interface entre o poder concedente e os investidores privados. Sua presença recorrente nos encontros do GRI Institute evidencia o papel que esses profissionais desempenham como conectores entre as esferas pública e privada.

José Carlos Cassaniga, CEO do Grupo EPR, representa outra vertente desse ecossistema. Sob sua liderança, a EPR venceu o leilão de concessão da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116/PR/SP), com previsão de aportes bilionários, conforme reportado pela BNamericas e pela Agência iNFRA em julho de 2026. O grupo planeja investir dezenas de bilhões nos próximos 30 anos em concessões rodoviárias no Brasil, segundo a Exame.

A trajetória de Cassaniga à frente da EPR ilustra como a capacidade de navegar o ambiente regulatório brasileiro se traduz em posicionamento agressivo nos leilões federais. O governo federal programou 14 leilões de concessões rodoviárias para 2026, de acordo com dados da CNN Brasil e do Legismap, configurando a maior safra de concessões rodoviárias dos últimos anos.

Reinaldo Iapequino, por sua vez, atua como presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), liderando projetos de infraestrutura urbana e habitacional, incluindo licitações de grande porte na Grande São Paulo, conforme reportado pelo Estadão em maio de 2026. Sua posição demonstra que o trânsito entre esferas ocorre em múltiplas direções, com profissionais do mercado assumindo funções no poder público e vice-versa.

Por que o conhecimento regulatório se tornou ativo estratégico na infraestrutura?

O volume de capital mobilizado em concessões e PPPs em 2026 exige dos investidores uma compreensão granular do arcabouço regulatório brasileiro. A complexidade dos contratos de longo prazo, que podem se estender por três décadas, como no caso das concessões rodoviárias da EPR, demanda equipes capazes de antecipar riscos regulatórios e dialogar tecnicamente com agências reguladoras e órgãos concedentes.

Profissionais como Paulo Uebel, que lideraram a reforma administrativa e a digitalização de processos no governo federal, carregam um entendimento detalhado sobre como decisões regulatórias são formuladas, negociadas e implementadas. Esse conhecimento reduz a assimetria de informação entre o poder concedente e o setor privado, fator determinante para a precificação de riscos em projetos de infraestrutura.

O pipeline de R$ 265 bilhões em PPPs e concessões previstas para 2026 amplia a demanda por esse perfil executivo. Empresas de consultoria, concessionárias e fundos de investimento em infraestrutura competem por profissionais que combinem visão de mercado com experiência regulatória prática.

O novo marco de concessões e a agenda legislativa em 2026

O ambiente regulatório brasileiro passa por transformações relevantes. O PL 2.373/2025, novo marco legal de concessões e PPPs, foi aprovado na Câmara dos Deputados e tramita no Senado, com expectativa do setor para aprovação até o final de 2026. O projeto visa aprimorar a segurança jurídica dos contratos e facilitar investimentos em infraestrutura, respondendo a demandas históricas de concessionárias e investidores.

Paralelamente, o PLP 73/2025 e o PL 1.374/2025 propõem ampliar as autonomias financeira e orçamentária das agências reguladoras brasileiras. Essas propostas integram o Pacto pela Infraestrutura Brasileira, assinado por entidades representativas do setor, e buscam fortalecer a independência técnica dos reguladores.

A aprovação dessas propostas legislativas pode alterar substancialmente as condições de contorno para concessões e PPPs, reforçando a tese de que profissionais com domínio do processo legislativo e da dinâmica regulatória terão papel ainda mais relevante na próxima geração de projetos.

Como o saneamento amplia o campo de atuação desses executivos?

O Brasil precisa investir R$ 420 bilhões para alcançar a universalização do saneamento básico até 2033, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Essa cifra representa um dos maiores vetores de investimento em infraestrutura da próxima década e abre espaço para que executivos com experiência em modelagem de concessões e gestão de contratos públicos liderem novos projetos.

A convergência entre o pipeline de concessões rodoviárias, os investimentos em saneamento e a agenda de reforma regulatória cria um ecossistema em que o trânsito entre setor público e privado se torna estrutural. A expertise acumulada por executivos como Uebel, Cassaniga e Iapequino representa um ativo que o mercado valoriza de forma crescente.

O GRI Institute funciona como um dos principais espaços de articulação desse ecossistema. Os encontros promovidos pela instituição reúnem lideranças do setor público e privado para debater o pipeline de projetos, a evolução do marco regulatório e as estratégias de financiamento de longo prazo. É nesses fóruns que as conexões entre experiência governamental e capital privado se materializam em oportunidades concretas de investimento.

Perspectivas para o ciclo de concessões

O ciclo atual de concessões e PPPs no Brasil combina escala de investimento, transformação regulatória e renovação de lideranças. Os 14 leilões de concessões rodoviárias programados para 2026, somados ao pipeline de R$ 265 bilhões e à necessidade de R$ 420 bilhões em saneamento, configuram uma janela de oportunidade que exige capacidade técnica e institucional diferenciada.

Executivos que transitaram pelo setor público e hoje ocupam posições de comando no mercado privado estão no centro dessa transformação. Eles trazem para a mesa de negociação um entendimento que vai além da análise financeira convencional e abrange a lógica política, institucional e regulatória que governa os contratos de infraestrutura no Brasil.

A consolidação desse perfil executivo como peça-chave do mercado de infraestrutura reforça a importância de plataformas como o GRI Institute, que promovem o diálogo estruturado entre as lideranças que definem os rumos do setor.

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