Originação de capital para infraestrutura no Brasil: o mapa dos executivos e gestoras que definem o ciclo 2026

Com investimentos recordes e novos instrumentos de financiamento, o ecossistema de dealmakers enfrenta oportunidades e turbulências que redesenham o setor.

27 de agosto de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil vive um ciclo recorde de investimentos em infraestrutura, com R$ 280 bilhões aplicados em 2025 e projeção de R$ 300 bilhões para 2026, segundo a ABDIB. Novos instrumentos como as debêntures de infraestrutura (Lei nº 14.801/2024) ampliam as opções de financiamento privado para atender a uma demanda estimada em R$ 2,03 trilhões pelo Plano CNT. Porém, a crise institucional da Apex Partners evidenciou fragilidades de governança no ecossistema de gestoras, reforçando que transparência e controles internos são decisivos para sustentar o fluxo de capital. A concentração da originação em poucos executivos e instituições representa um gargalo estrutural para o setor.

Principais Insights

  • Investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram recorde de R$ 280 bilhões em 2025, com projeção de R$ 300 bilhões para 2026.
  • A Lei nº 14.801/2024 criou debêntures de infraestrutura com benefício fiscal ao emissor, reduzindo custos de captação.
  • O Brasil precisa de R$ 2,03 trilhões em infraestrutura de transporte para 2.837 projetos estratégicos.
  • A crise da Apex Partners (passivo de ~R$ 985,6 milhões) expôs riscos de governança em gestoras de médio porte.
  • Governança tornou-se diferencial competitivo para atrair capital institucional de longo prazo.
  • Há escassez de executivos seniores capazes de operar nas dimensões financeira, regulatória e institucional do setor.

Investimentos em infraestrutura batem recorde e exigem nova geração de originadores de capital

Os investimentos em infraestrutura no Brasil atingiram o recorde de R$ 280 bilhões em 2025, segundo dados da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) publicados pela CNN Brasil em março de 2026. O número representa um avanço em relação aos R$ 272 bilhões registrados em 2024 e consolida uma trajetória de expansão que, segundo a própria ABDIB, deve levar os aportes a cerca de R$ 300 bilhões em 2026.

Esse ritmo de crescimento impõe uma questão estrutural ao mercado: quem são os executivos e as gestoras capazes de originar, estruturar e alocar capital em volume compatível com a demanda? O mapeamento desses profissionais tornou-se exercício estratégico para investidores institucionais, fundos de pensão e family offices que buscam exposição ao setor.

A escala dos desafios é proporcional à ambição dos planos nacionais. A CNT (Confederação Nacional do Transporte), em seu Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estima que o Brasil precisará investir R$ 2,03 trilhões em infraestrutura de transporte para executar 2.837 projetos considerados estratégicos. Preencher essa lacuna de financiamento depende de um ecossistema robusto de gestoras, bancos de investimento e originadores de capital privado atuando em sinergia com concessões, PPPs e o mercado de capitais.

Quais instrumentos estão redesenhando a originação de capital para infraestrutura?

O arcabouço regulatório brasileiro ganhou um instrumento relevante com a Lei nº 14.801/2024, sancionada em 9 de janeiro de 2024. A norma criou as debêntures de infraestrutura, que se diferenciam das debêntures incentivadas tradicionais por direcionar o benefício fiscal ao emissor, e não ao investidor. Na prática, a empresa emissora pode deduzir 30% dos juros pagos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tornando o custo de captação mais competitivo para projetos de longo prazo.

Esse mecanismo amplia o leque de ferramentas disponíveis para gestoras e originadores que estruturam operações no mid-market de infraestrutura, segmento historicamente dependente de financiamento público e que agora encontra alternativas mais sofisticadas no mercado privado. Participantes do ecossistema de infraestrutura reunidos em encontros promovidos pelo GRI Institute têm destacado que a combinação de debêntures de infraestrutura com estruturas de project finance representa uma das frentes mais promissoras para a alocação de capital nos próximos anos.

A diversificação de instrumentos é condição necessária para sustentar a trajetória de investimentos projetada pela ABDIB. Com R$ 300 bilhões estimados para 2026, o setor privado precisa absorver parcela crescente do financiamento, o que torna a atuação de gestoras especializadas ainda mais central.

Como a crise na Apex Partners redefine o mapa de gestoras de infraestrutura?

O ecossistema de gestoras que atuam na originação de capital para infraestrutura e real estate no Brasil sofreu uma inflexão relevante em agosto de 2026. A Apex Partners, que reportava entre R$ 17,5 bilhões e R$ 18,2 bilhões em ativos sob gestão, aconselhamento e custódia, segundo dados do NeoFeed e do Portal Tempo Novo, entrou em crise institucional após o afastamento de seu fundador, Fernando Cinelli, por inconsistências financeiras, conforme reportado pelo ES Hoje e pelo portal Aqui Notícias.

A gestora buscou proteção judicial e reportou um passivo bruto preliminar de aproximadamente R$ 985,6 milhões, segundo apuração da VEJA e do The Rio Times. Marcelo Murad, que atuava como sócio sênior e Head de Real Estate da gestora, assumiu interinamente a presidência da Apex Partners para conduzir o processo de reestruturação.

O episódio coloca em evidência os riscos de governança que permeiam gestoras de capital privado de médio porte no Brasil. A transição de liderança, conduzida em meio a uma crise de credibilidade, exige de Murad competências que vão além da originação de deals: gestão de passivos, negociação com credores e reconstrução da confiança junto a cotistas e investidores institucionais.

Para o mercado de infraestrutura, a turbulência na Apex Partners tem consequências que ultrapassam a esfera da própria gestora. Fundos e veículos de investimento que tinham a empresa como contraparte em operações de co-investimento ou advisory precisam reavaliar suas posições. A concentração de ativos sob gestão em poucas casas amplifica o risco sistêmico quando uma delas enfrenta dificuldades dessa magnitude.

O perfil dos executivos que lideram a originação de capital

A trajetória de Marcelo Murad ilustra um padrão recorrente entre os executivos que ocupam posições de liderança na originação de capital para ativos reais no Brasil. Profissionais com formação em real estate e mercado de capitais migram para posições de gestão ampliada à medida que suas plataformas crescem, acumulando responsabilidades que combinam deal sourcing, relação com investidores e governança corporativa.

A ascensão de Murad à presidência interina da Apex Partners, ainda que motivada por circunstâncias adversas, reflete uma dinâmica comum no setor: a escassez de executivos seniores com capacidade de operar simultaneamente nas dimensões financeira, regulatória e institucional que a infraestrutura brasileira demanda. Essa escassez de talentos especializados é tema frequente nos encontros setoriais promovidos pelo GRI Institute, onde CEOs e C-Level executives de gestoras, concessionárias e desenvolvedores debatem os gargalos de capital humano que limitam a velocidade de alocação de recursos.

O mercado de infraestrutura brasileiro apresenta hoje uma configuração em que a capacidade de originar capital está concentrada em um grupo relativamente restrito de executivos e instituições. A diversificação desse ecossistema é condição para que o país consiga mobilizar os recursos necessários para atender à demanda projetada.

Perspectivas para a originação de capital em infraestrutura no Brasil

O cenário de 2026 combina fundamentos positivos com riscos institucionais que exigem atenção redobrada dos alocadores de capital. De um lado, os investimentos recordes, os novos instrumentos regulatórios como as debêntures de infraestrutura e a carteira de projetos mapeada pela CNT criam um ambiente favorável para a captação de recursos privados. De outro, episódios como a crise na Apex Partners evidenciam que a governança das gestoras é variável crítica para a sustentabilidade do fluxo de capital.

Três elementos definem o horizonte de curto e médio prazo para o setor:

Escala da demanda por capital. A projeção de R$ 300 bilhões em investimentos para 2026, segundo a ABDIB, e a necessidade de R$ 2,03 trilhões em infraestrutura de transporte, conforme o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, indicam que o mercado precisará de múltiplos canais de financiamento operando simultaneamente.

Maturidade dos instrumentos de dívida. A Lei nº 14.801/2024 abriu uma nova fronteira para a emissão de debêntures com incentivo ao emissor. A adoção efetiva desse instrumento dependerá da capacidade das gestoras e bancos de estruturar operações que conciliem o apetite dos investidores com as exigências regulatórias dos projetos.

Governança como diferencial competitivo. A crise institucional em gestoras relevantes reforça que a solidez dos controles internos e a transparência na gestão de passivos são fatores determinantes para a atração de capital de longo prazo. Investidores institucionais tendem a concentrar alocações em plataformas que demonstrem padrões elevados de compliance e prestação de contas.

O mapeamento contínuo dos executivos e gestoras que lideram a originação de capital para infraestrutura é exercício indispensável para qualquer investidor com exposição ao setor. O GRI Institute acompanha essa dinâmica por meio de seus encontros setoriais e publicações analíticas, oferecendo aos seus membros uma visão qualificada sobre os movimentos que moldam o financiamento da infraestrutura brasileira.

A capacidade do Brasil de converter sua carteira de projetos em ativos operacionais depende, em última análise, da robustez do ecossistema de capital privado. Executivos que combinam competência técnica, rede de relacionamentos institucionais e padrões elevados de governança serão os protagonistas desse ciclo.

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