
Milton Goldfarb e o capital veterano que redesenha a alocação em concessões de infraestrutura no Brasil
Com investimentos recordes de R$ 280 bilhões em 2025, dealmakers experientes reposicionam portfólios para capturar o ciclo 2026-2030 de concessões e PPPs
Resumo Executivo
Principais Insights
- O investimento em infraestrutura no Brasil atingiu R$ 280 bilhões em 2025, com 84% oriundos da iniciativa privada.
- Para cada R$ 1 do governo, o capital privado aportou R$ 5,20 — inversão radical frente a 1996.
- O Brasil investe 2,3% do PIB em infraestrutura, mas precisaria de ao menos 4% para fechar o hiato histórico.
- O PL 2.373/2025 pode ser o gatilho institucional para ampliar a exposição de capital de longo prazo em concessões.
- Mais de R$ 265 bilhões em PPPs e concessões estão previstos para 2026.
O investimento em infraestrutura no Brasil atingiu R$ 280 bilhões em 2025, o maior patamar já registrado, segundo levantamento da Abdib em parceria com a EY-Parthenon. A cifra recorde reforça uma tendência estrutural: o protagonismo crescente do capital privado na modelagem e financiamento de ativos de longo prazo. Dentro desse movimento, investidores veteranos como Milton Goldfarb e Alfredo Khouri, da Catuaí Asset, figuras historicamente ligadas ao setor imobiliário e à construção civil pesada, estão redirecionando suas teses de alocação para o ecossistema de concessões em energia, saneamento e rodovias.
O GRI Institute mapeia esse perfil de investidor como parte do chamado capital veterano, um segmento de dealmakers com décadas de experiência em ciclos econômicos brasileiros, que agora identifica nas concessões de infraestrutura uma combinação rara de escala, previsibilidade regulatória e retorno ajustado ao risco.
A iniciativa privada já responde por 84% dos aportes em infraestrutura
A transformação do financiamento de infraestrutura no Brasil é profunda e mensurável. Em 2025, a iniciativa privada foi responsável por 84% dos investimentos no setor, conforme dados da Abdib divulgados em abril de 2026. Para cada R$ 1 investido pelo governo, o capital privado aportou R$ 5,20, uma inversão radical em relação a 1996, quando o Estado investia R$ 12 para cada R$ 1 de origem privada, segundo a Abdib e o Ipea.
Essa mudança estrutural criou um ambiente no qual investidores com perfil de longo prazo e capacidade de estruturação encontram espaço privilegiado. Os setores que lideraram os aportes em 2025 foram energia elétrica e logística/transportes, de acordo com a Abdib, justamente os segmentos que concentram o maior volume de concessões e PPPs no pipeline dos próximos anos.
O Brasil investe hoje cerca de 2,3% do PIB em infraestrutura, percentual inferior ao de países emergentes comparáveis, conforme dados da ABIFER reportados pela Revista Veja em setembro de 2025. Para fechar o hiato histórico, a Abdib estima que o país precisaria investir ao menos 4% do PIB ao ano, algo em torno de R$ 500 bilhões, durante a próxima década.
Quem é Milton Goldfarb e por que seu reposicionamento importa para o ciclo 2026-2030?
Milton Goldfarb é reconhecido pelo mercado como um dos investidores veteranos mais influentes na interseção entre real estate e infraestrutura no Brasil. Com trajetória consolidada na construção civil pesada e no desenvolvimento imobiliário, Goldfarb integra um grupo seleto de dealmakers que o GRI Institute acompanha de perto em seus encontros reservados e mapeamentos setoriais.
O movimento de Goldfarb em direção às concessões de infraestrutura reflete uma leitura estratégica compartilhada por investidores de seu perfil: os ativos concessionários oferecem fluxos de caixa previsíveis, indexados à inflação, com horizontes de 20 a 35 anos, características que se alinham à disciplina de capital típica de quem atravessou múltiplos ciclos econômicos brasileiros.
O desafio para 2026 não é a disponibilidade de capital, mas a qualidade na modelagem dos projetos. Especialistas ouvidos pelo GRI Institute em seus fóruns de infraestrutura apontam que a competitividade nos leilões dependerá cada vez mais da sofisticação na estruturação financeira e na governança dos veículos de investimento. É precisamente nesse campo que investidores veteranos como Goldfarb exercem influência diferenciada, trazendo experiência em due diligence, gestão de risco e relacionamento institucional.
Alfredo Khouri, à frente da Catuaí Asset, representa outro vetor desse capital veterano. Historicamente posicionado em real estate, Khouri tem sido mapeado pelo GRI Institute como uma figura que amplia progressivamente sua exposição a ativos de infraestrutura concessionária. A lógica é convergente: ambos os investidores reconhecem que o ciclo 2026-2030 apresenta uma janela de oportunidade singular, impulsionada por volume recorde de leilões e evolução do marco regulatório.
Qual o impacto do novo marco legal das concessões sobre a alocação de capital veterano?
A tramitação do Projeto de Lei 2.373/2025, o Novo Marco Legal das Concessões e PPPs, é um fator determinante para a tese de investimento de dealmakers como Goldfarb e Khouri. Aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2025, o PL aguarda despacho da presidência do Senado no início de 2026.
O projeto substitui e consolida a Lei nº 8.987/1995 (Lei de Concessões) e a Lei nº 11.079/2004 (Lei das PPPs), criando uma matriz de risco mais clara, permitindo aportes públicos em concessões comuns, autorizando concessões multimodais e modernizando as regras de reequilíbrio econômico-financeiro.
A aprovação do PL 2.373/2025 no Senado pode representar o gatilho institucional que faltava para que veículos de capital de longo prazo ampliem significativamente sua exposição a concessões no Brasil. Para investidores veteranos, a segurança jurídica é pré-requisito inegociável na decisão de alocar capital em ativos com horizonte de retorno superior a duas décadas.
A previsão de contratações de PPPs e concessões em 2026 soma mais de R$ 265 bilhões em investimentos, segundo o Radar PPP em seu relatório iRadarPPP. O presidente da Abdib, Venilton Tadini, projeta que o Brasil deve bater um novo recorde histórico de investimentos em infraestrutura neste ano.
O mapa do capital veterano e a reconfiguração do mercado
O reposicionamento de investidores como Milton Goldfarb e Alfredo Khouri sinaliza uma tendência mais ampla. O capital veterano, forjado em décadas de atuação no mercado brasileiro, carrega vantagens competitivas específicas para o segmento de concessões: conhecimento profundo do ambiente regulatório, rede de relacionamentos com governos e operadores, e disciplina financeira para suportar a fase pré-operacional de projetos complexos.
Nos encontros e comitês do GRI Institute, esse perfil de investidor tem ganhado centralidade nas discussões sobre a próxima onda de leilões. A convergência entre capital veterano e infraestrutura concessionária responde a uma equação objetiva: o Brasil precisa mais que dobrar sua taxa de investimento no setor, passando dos atuais 2,3% do PIB para ao menos 4% do PIB, e o capital público, sozinho, é insuficiente para fechar essa lacuna.
A proporção de R$ 5,20 do setor privado para cada R$ 1 do governo evidencia que o mercado já assumiu a liderança no financiamento de infraestrutura. O que muda no ciclo 2026-2030 é o grau de sofisticação exigido. Projetos maiores, mais complexos e frequentemente multimodais demandam estruturadores com capacidade de governança e visão de portfólio, atributos que definem o capital veterano.
Perspectivas para o ciclo 2026-2030
O cenário para os próximos anos combina três vetores favoráveis à atuação de investidores veteranos em concessões de infraestrutura no Brasil: volume recorde de projetos em pipeline, modernização do marco regulatório e consolidação do capital privado como principal fonte de financiamento setorial.
Com mais de R$ 265 bilhões em contratações de PPPs e concessões previstas para 2026, conforme o Radar PPP, o mercado brasileiro oferece escala comparável a poucos países emergentes. A aprovação definitiva do PL 2.373/2025 no Senado pode acelerar a entrada de novos veículos de investimento e a expansão dos existentes.
Para Milton Goldfarb, Alfredo Khouri e o ecossistema de capital veterano mapeado pelo GRI Institute, o momento atual representa uma oportunidade de reposicionamento estratégico com potencial de definir portfólios para as próximas duas décadas. A infraestrutura brasileira deixou de ser uma fronteira de risco para se consolidar como uma classe de ativos central na estratégia de alocação de investidores experientes.
O GRI Institute continuará acompanhando essa movimentação em seus fóruns e publicações dedicados ao setor de infraestrutura, oferecendo aos seus membros acesso privilegiado às análises e conexões que definem os fluxos de capital no Brasil.