Leblon Realty e o mapa das gestoras de real estate que avançam sobre ativos de infraestrutura listados no Brasil

Convergência entre capital imobiliário e infraestrutura redesenha o ecossistema de investimentos no país, com gestoras cruzando fronteiras de atuação e novo marco regulatório acelerando a transição.

6 de maio de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa a crescente convergência entre gestoras de real estate e ativos de infraestrutura no Brasil, movimento impulsionado pela sofisticação dos instrumentos financeiros, demanda por ativos reais com fluxo previsível e o novo marco regulatório da Lei 14.801/2024, que criou debêntures de infraestrutura com incentivos fiscais direcionados ao emissor. Com investimentos em infraestrutura de R$ 280 bilhões em 2025 e projeção de R$ 300 bilhões em 2026, gestoras como Leblon Realty, EDLP e Genco Energia ilustram diferentes estratégias de atuação nessa fronteira, aproveitando competências em estruturação de veículos listados e gestão de ativos reais.

Principais Insights

  • Gestoras de real estate estão migrando para infraestrutura, impulsionadas pela convergência entre as duas classes de ativos reais no Brasil.
  • A Lei 14.801/2024 criou debêntures de infraestrutura com benefício fiscal ao emissor, atraindo capital institucional.
  • Investimentos em infraestrutura atingiram R$ 280 bilhões em 2025, com projeção recorde de R$ 300 bilhões em 2026.
  • Emissões de debêntures bateram recorde de R$ 381,4 bilhões em 2024.
  • Leblon Realty, EDLP e Genco Energia exemplificam perfis distintos que operam na fronteira entre real estate e infraestrutura.

O volume de investimentos em infraestrutura no Brasil alcançou R$ 280 bilhões em 2025, segundo dados da Abdib, impulsionado por um novo ciclo de expansão que atrai capital de origens cada vez mais diversas. Entre os movimentos mais significativos desse ciclo está a entrada progressiva de gestoras originalmente focadas em real estate no universo de ativos de infraestrutura, um fenômeno que reconfigura o mapa de alocação de capital no país.

A Leblon Realty, gestora especializada no setor imobiliário estruturada a partir de uma sociedade com a Leblon Equities, ilustra o perfil de player que opera nessa fronteira. Com veículos listados como o FII Leblon Realty Desenvolvimento I (LRDI11), conforme registros da Morningstar e da plataforma Invexo, a gestora representa uma geração de alocadores que constroem competência em ativos reais com liquidez de mercado, posicionando-se em um ecossistema onde a linha entre imobiliário e infraestrutura se torna cada vez mais tênue.

Por que gestoras imobiliárias estão migrando para infraestrutura?

A convergência entre real estate e infraestrutura não é acidental. Ela responde a três vetores estruturais que atuam simultaneamente sobre o mercado brasileiro: a sofisticação dos instrumentos de financiamento, a expansão da demanda por ativos reais com fluxo de caixa previsível e a criação de novos incentivos regulatórios que canalizam capital institucional para projetos de longo prazo.

O principal catalisador regulatório desse movimento é a Lei 14.801/2024, que criou as debêntures de infraestrutura. Diferentemente das debêntures incentivadas previstas na Lei 12.431/2011, nas quais o benefício fiscal era direcionado ao investidor pessoa física, o novo instrumento transfere a vantagem tributária para a empresa emissora, que pode deduzir os juros pagos do lucro líquido e excluir 30% desses juros da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O objetivo declarado da legislação é atrair investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, para o financiamento de infraestrutura.

Essa mudança de arquitetura fiscal tem um efeito prático relevante: amplia o universo de contrapartes institucionais dispostas a alocar capital em projetos de infraestrutura, criando oportunidades para gestoras que já possuem expertise em estruturação de veículos listados e relacionamento com investidores qualificados. Gestoras de real estate com histórico de operação em fundos imobiliários encontram, nesse contexto, um terreno fértil para expandir seu escopo de atuação.

As emissões de debêntures no Brasil atingiram volume recorde acumulado de R$ 381,4 bilhões ao longo de 2024, segundo dados da ANBIMA. Esse patamar recorde no mercado de crédito privado sinaliza a profundidade crescente do mercado de capitais brasileiro para financiar ativos reais, o que beneficia tanto emissores de infraestrutura quanto gestoras capazes de estruturar e distribuir esses instrumentos.

Quem são os players que conectam real estate e infraestrutura no Brasil?

O ecossistema de gestoras que transitam entre real estate e infraestrutura no Brasil é composto por perfis distintos, cada um ocupando um nicho específico na cadeia de valor.

A EDLP (Estação da Luz Participações) representa o modelo de estruturadora que parte da infraestrutura de transporte para o real estate logístico. A companhia conduziu os estudos técnicos da Ferrogrão (EF-170), projeto ferroviário com custo estimado de implementação (CAPEX) de R$ 25,2 bilhões e projeção de gerar mais de R$ 60 bilhões em ganhos socioeconômicos, segundo reportagem de O Liberal publicada em junho de 2025. A escala desse projeto exemplifica como a infraestrutura de transporte gera externalidades que alimentam a demanda por ativos imobiliários logísticos ao longo de seus corredores.

A Leblon Realty ocupa um posicionamento diferente. Sua atuação como gestora de veículos listados no segmento imobiliário a coloca em uma posição estratégica para capturar oportunidades na interseção entre desenvolvimento urbano e infraestrutura. A gestão de fundos como o LRDI11 exige competências de originação, estruturação e governança que são diretamente transferíveis para ativos de infraestrutura com características semelhantes, como concessões de saneamento com componente imobiliário ou projetos de energia distribuída integrados a empreendimentos urbanos.

Alan Zelazo, fundador da Genco Energia, exemplifica outro vetor de convergência. A Genco investiu cerca de US$ 120 milhões em sua expansão para os Estados Unidos, focando em usinas móveis para suprir a demanda energética de data centers voltados à inteligência artificial e ao setor de óleo e gás, conforme reportagem do Mapa Empresarial publicada em janeiro de 2025. A empresa projeta dobrar o número de turbinas operacionais até julho de 2025 e alcançar 50 unidades nos próximos cinco anos. Esse caso ilustra como dealmakers com raízes no mercado imobiliário e de capitais brasileiro migram para nichos de infraestrutura energética de alta demanda, conectando o ecossistema de real estate tecnológico à infraestrutura de base.

O novo ciclo de investimentos e suas implicações para gestoras

A projeção da Abdib aponta que o Brasil deve bater o recorde histórico de investimentos em infraestrutura em 2026, alcançando R$ 300 bilhões. Esse patamar representa um crescimento expressivo em relação aos R$ 280 bilhões registrados em 2025 e consolida uma trajetória de expansão que oferece escala suficiente para atrair gestoras de diferentes origens.

Para gestoras como a Leblon Realty, esse cenário cria uma janela de oportunidade dupla. De um lado, a expansão dos investimentos em infraestrutura amplia o universo de ativos elegíveis para veículos listados. De outro, a Lei 14.801/2024 reconfigura a estrutura de incentivos ao direcionar benefícios fiscais para as SPEs emissoras, o que torna mais atrativa a participação de gestoras na estruturação e distribuição de instrumentos de crédito vinculados a projetos de infraestrutura.

A capacidade de estruturar veículos listados com governança adequada e liquidez de mercado é uma competência distintiva que gestoras imobiliárias já dominam. A transposição dessa expertise para ativos de infraestrutura, como concessões rodoviárias, projetos de saneamento ou geração de energia, representa uma evolução natural do modelo de negócio.

A tese de convergência ganha tração institucional

O movimento de aproximação entre real estate e infraestrutura tem sido tema recorrente nos encontros promovidos pelo GRI Institute, onde líderes de ambos os setores debatem as oportunidades e os desafios dessa convergência. A percepção predominante entre os membros é que a distinção rígida entre as duas classes de ativos está se tornando cada vez menos relevante do ponto de vista prático.

Projetos de infraestrutura logística geram demanda por ativos imobiliários industriais. Concessões de saneamento envolvem gestão de ativos com características similares às de portfólios imobiliários urbanos. Data centers exigem infraestrutura energética dedicada e ocupam espaços com características de real estate especializado. Em todos esses casos, a expertise de gestoras imobiliárias em originação, estruturação e gestão de ativos reais encontra aplicação direta.

O ecossistema brasileiro de capital para infraestrutura está sendo redesenhado por gestoras que entendem essa convergência e posicionam seus veículos para capturá-la. A Leblon Realty, com sua atuação em veículos listados e sua base na Leblon Equities, a EDLP, com sua capacidade de estruturar projetos ferroviários de grande escala, e a Genco Energia, com sua expansão internacional em infraestrutura energética para data centers, representam facetas complementares desse fenômeno.

O mercado brasileiro oferece hoje escala, instrumentos regulatórios e profundidade de mercado de capitais suficientes para sustentar essa convergência de forma estrutural. As gestoras que dominarem a capacidade de transitar entre real estate e infraestrutura com fluência operacional e regulatória estarão posicionadas para capturar uma parcela significativa dos R$ 300 bilhões projetados em investimentos para 2026.

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