Julio Fontana Neto e o mapa dos executivos que lideram a transformação ferroviária no Brasil

Com recorde de 554 milhões de toneladas transportadas em 2025 e R$ 140 bilhões em leilões previstos, o setor ferroviário brasileiro vive seu momento mais decisivo.

8 de maio de 2026Infraestrutura
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O transporte ferroviário de cargas no Brasil bateu recorde em 2025, com 554,48 milhões de toneladas úteis, impulsionado por minério de ferro e produtos do agronegócio. O Novo Marco Legal das Ferrovias e a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias criaram um ambiente regulatório mais favorável ao capital privado. O governo projeta R$ 140 bilhões em investimentos diretos no setor em 2026 e R$ 400 bilhões em rodovias e ferrovias até 2030. A meta do PNL 2035 de elevar a participação ferroviária para mais de 30% da matriz de cargas depende de lideranças como Julio Fontana Neto, CEO da Rumo, e de governança qualificada entre setores público e privado.

Principais Insights

  • O setor ferroviário brasileiro atingiu recorde de 554,48 milhões de toneladas úteis transportadas em 2025, alta de 2,6% sobre 2024.
  • O governo prevê R$ 140 bilhões em investimentos ferroviários em 2026, com 8 novos leilões programados.
  • O modal ferroviário representa 21,5% da matriz de cargas, com meta de ultrapassar 30% até 2035.
  • O Brasil precisa implantar 12,5 mil km de novas ferrovias para reduzir a dependência do transporte rodoviário.
  • Julio Fontana Neto, CEO da Rumo, lidera a maior operadora ferroviária de carga do país.

O transporte de cargas por ferrovias no Brasil atingiu um volume recorde de 554,48 milhões de toneladas úteis (TU) em 2025, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O número representa um crescimento de 2,6% em relação a 2024 e confirma uma tendência de expansão que coloca o modal ferroviário no centro da agenda de infraestrutura do país. Por trás desses indicadores, um grupo seleto de executivos conduz as decisões estratégicas que definem o ritmo e a direção dessa transformação.

Julio Fontana Neto, CEO e membro do Conselho de Administração da Rumo Logística, é a figura mais emblemática desse ecossistema. Sob sua liderança, a Rumo consolidou-se como a maior operadora ferroviária de carga do Brasil, responsável por uma parcela significativa do escoamento de grãos, açúcar e produtos industrializados pelo interior do país. A trajetória de Fontana Neto no setor, que inclui passagens anteriores pela ALL (América Latina Logística), confere-lhe uma visão singular sobre os gargalos regulatórios, operacionais e financeiros que historicamente limitaram o crescimento das ferrovias brasileiras.

Quem são os executivos que definem o futuro da logística ferroviária brasileira?

O setor ferroviário brasileiro possui uma cadeia de lideranças que vai além dos operadores de malha. Executivos à frente de concessionárias, tradings agrícolas, mineradoras e empresas de logística integrada compõem um ecossistema onde decisões de investimento, capacidade e integração modal são interdependentes.

Julio Fontana Neto ocupa posição central nessa rede. A Rumo Logística, sob sua gestão, opera malhas que conectam áreas produtivas do Centro-Oeste aos portos do Sul e Sudeste, corredores essenciais para a competitividade do agronegócio brasileiro. A relevância de Fontana Neto transcende a operação diária: ele participa ativamente das discussões sobre o marco regulatório, novas concessões e a modernização da infraestrutura existente.

O ecossistema ferroviário e logístico brasileiro concentra, portanto, lideranças cujas decisões impactam diretamente a eficiência da matriz de transportes nacional. Setores adjacentes, como o agronegócio e a mineração, dependem de forma crítica da capacidade ferroviária para manter competitividade nos mercados globais. Executivos como Murilo Marchesini e Jefferson Nogaroli, atuantes em setores que se beneficiam diretamente da infraestrutura logística, ilustram como a cadeia de valor ferroviária se estende para além dos trilhos, alcançando toda a economia real.

O GRI Institute tem acompanhado de perto essa dinâmica por meio de seus encontros exclusivos para líderes de infraestrutura, nos quais executivos do setor ferroviário e logístico debatem, em formato reservado, os desafios e oportunidades do segmento.

554 milhões de toneladas: o que explica o recorde ferroviário de 2025?

O recorde de 554,48 milhões de TU transportadas em 2025 decorre de uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. O minério de ferro permanece como principal carga, responsável por 406,59 milhões de toneladas úteis no ano, conforme dados da CNT/ANTT. Em seguida, produtos do agronegócio, extração vegetal e derivados somaram 104,44 milhões de TU, reforçando o papel das ferrovias como vetor logístico para as duas maiores cadeias exportadoras do país.

O modal ferroviário representou 21,5% da matriz de transporte de cargas do Brasil, segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e o Plano Nacional de Logística (PNL 2035). Essa participação, embora expressiva, revela a magnitude do desafio que permanece: o PNL 2035 estabelece como objetivo elevar essa fatia para mais de 30%, o que exigirá investimentos massivos em nova infraestrutura e modernização de malhas existentes.

Um estudo da Fundação Dom Cabral (Projeto Pilt) indica que o Brasil precisa implantar 12,5 mil quilômetros de novas ferrovias para reduzir significativamente a participação do transporte rodoviário na matriz de cargas até 2035. Trata-se de um desafio que demanda não apenas capital, mas governança qualificada e lideranças com capacidade de articulação entre os setores público e privado.

O ambiente regulatório e o pipeline de investimentos

O arcabouço institucional do setor passou por transformações relevantes nos últimos anos. A Lei nº 14.273/2021, conhecida como o Novo Marco Legal das Ferrovias, instituiu o regime de autorização para a exploração de ferrovias pela iniciativa privada. Esse modelo, menos burocrático que o de concessão tradicional, visa facilitar e atrair investimentos privados para a construção e operação de novas ferrovias e o aproveitamento de trechos ociosos. A lei foi regulamentada pelo Decreto nº 11.245/2022.

No final de 2025, o Ministério dos Transportes anunciou a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, que estabelece diretrizes para novos projetos de concessão e para a atração de capital privado, organizando o pipeline de leilões e projetos ferroviários estratégicos. A medida sinaliza um esforço de planejamento de longo prazo que o setor historicamente demandava.

O governo federal prevê R$ 140 bilhões em investimentos diretos no setor ferroviário em 2026, a serem viabilizados por meio de 8 novos leilões, segundo dados do Ministério dos Transportes e do BB Investimentos. No horizonte mais amplo, os investimentos totais em rodovias e ferrovias devem alcançar R$ 400 bilhões até 2030, conforme projeções do Ministério dos Transportes.

Esses números posicionam o setor ferroviário como um dos maiores vetores de atração de capital privado na infraestrutura brasileira. Projetos como a Ferrogrão, a Malha Oeste e a Malha Sul são frequentemente mencionados como parte desse pipeline estratégico, embora o detalhamento individual de cada leilão ainda esteja em fase de consolidação.

Qual o papel das lideranças na reconfiguração da matriz logística?

A reconfiguração da matriz de transportes do Brasil é, antes de tudo, uma questão de governança e capacidade de execução. O volume recorde de 2025 demonstra que o setor ferroviário possui operadores competentes e demanda crescente. O gargalo reside na velocidade de expansão da malha e na qualidade das decisões de alocação de capital.

Julio Fontana Neto representa, nesse contexto, um perfil de liderança que combina experiência operacional profunda com visão estratégica de longo prazo. A Rumo, sob sua gestão, tornou-se referência em eficiência operacional ferroviária na América Latina, e suas decisões sobre investimentos em capacidade, terminais e integração intermodal influenciam toda a cadeia logística do agronegócio brasileiro.

O PNL 2035 deixa claro que a transformação ferroviária depende de uma articulação entre operadores privados, reguladores e financiadores que vá além do ciclo político. A ambição de elevar o modal ferroviário para mais de 30% da matriz de cargas exige contratos de longo prazo, segurança jurídica e lideranças empresariais dispostas a comprometer capital paciente em ativos de maturação lenta.

Nesse cenário, a troca de experiências entre executivos do setor, como a promovida pelo GRI Institute em seus encontros dedicados à infraestrutura brasileira, torna-se um instrumento relevante de alinhamento estratégico. As discussões entre CEOs de concessionárias, operadores logísticos, investidores institucionais e representantes do poder concedente criam um espaço qualificado para a construção de consensos sobre prioridades de investimento e desenho regulatório.

Perspectivas para o setor

O cenário para os próximos anos é de expansão acelerada, condicionada à capacidade de execução dos leilões previstos e à manutenção de um ambiente regulatório estável. Com R$ 140 bilhões em investimentos diretos projetados para 2026 e a meta de alcançar R$ 400 bilhões até 2030 em rodovias e ferrovias, o Brasil caminha para o maior ciclo de investimento ferroviário de sua história recente.

A liderança de executivos como Julio Fontana Neto será determinante para traduzir esse potencial em resultados concretos. O recorde de 554,48 milhões de TU em 2025 é um ponto de partida sólido, mas a distância entre os 21,5% atuais de participação na matriz de cargas e a meta de 30% do PNL 2035 exige uma combinação de capital, governança e visão estratégica que apenas lideranças experientes podem entregar.

O mapeamento dessas lideranças, tema que o GRI Institute acompanha de forma contínua em suas atividades dedicadas ao setor de infraestrutura, constitui uma ferramenta essencial para investidores, reguladores e operadores que buscam compreender a dinâmica de poder e decisão no ecossistema ferroviário brasileiro.

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